Hotel Dimensional

Capítulo 135

Hotel Dimensional

Assim que Yu Sheng e Chapeuzinho Vermelho deram os primeiros passos em direção à cabana silenciosa e perturbadora, o esquilo soltou um guincho alto de terror e desmaiou, caindo do ombro de Chapeuzinho. Teria se espatifado no chão se Yu Sheng não o tivesse pego pelo rabo no último segundo, movendo-se com a velocidade de um raio.

Seus reflexos vinham de incontáveis horas de prática se defendendo das travessuras de Irene – a pequena boneca podia pular nele mais rápido que uma cobra quando queria mordê-lo.

“Você não pode me arrastar para a minha perdição!” o esquilo lamentou, debatendo-se nas mãos de Yu Sheng. “Eu sou só um esquilo! Isso é tão injusto!”

“Quieto,” Chapeuzinho disse em voz baixa que sugeria perigo. “Se você realmente não quiser morrer.”

O esquilo instantaneamente ficou imóvel.

Yu Sheng parou a alguns passos da porta da cabana, com o esquilo ainda pendurado em sua mão. Mesmo na luz fraca da floresta, ele podia ver o prédio claramente – era idêntico ao "abrigo" que ele tinha visto uma vez antes. As mesmas paredes de madeira escura e velha, o mesmo telhado vermelho desbotado, uma porta de madeira estreita e pequenas janelas. Dois degraus levavam à porta, suas tábuas salpicadas de podridão.

Mas havia algo faltando: vida. Parecia abandonado, um lugar deixado para se decompor por décadas sem desabar completamente. Pedaços vermelhos de tecido e cordas ainda pendiam da porta e das janelas, mas estavam esfarrapados, manchados de um tom mais escuro, como se estivessem encharcados em sangue seco há muito tempo.

“Você já viu algo assim?” Yu Sheng perguntou a Chapeuzinho.

Ela balançou a cabeça. “Nunca. Esta é a primeira vez que chego tão fundo.”

“Qual é a dessa cabana?” Yu Sheng perguntou, observando o esquilo em sua mão.

O esquilo se recusou a responder. Tremia tanto que Yu Sheng podia sentir seu pequeno coração martelando no peito. Quanto mais perto ele chegava da cabana, mais desesperado e apavorado ele ficava.

“Esquilos não gostam deste lugar… esquilos não gostam deste lugar…” ele murmurou, com a voz trêmula.

“Ei, calma,” Yu Sheng disse gentilmente, tentando acalmá-lo. Algo em sua reação parecia errado. “Nós estaremos seguros. Eu posso abrir uma porta e nos tirar daqui a qualquer momento. Vou garantir que você esteja fora de perigo. Nós só precisamos dar uma olhada rápida…”

Então, percebendo algo nos olhos apavorados do esquilo, ele estreitou o olhar. “Você sabe de alguma coisa, não sabe?”

“Saber de alguma coisa? Não! Esquilo não sabe de nada!” O esquilo se debateu ainda mais. Seus movimentos se tornaram selvagens, como se estivesse perdendo o controle da sanidade. “N-ninguém nunca viu este lugar! Você também não deveria ter visto…”

Ele congelou, torcendo a cabeça como se estivesse ouvindo algo.

“Você ouve isso?” ele sussurrou, com a voz trêmula. “Você deve ouvir…”

Yu Sheng não ouviu nada em particular. Ele estava prestes a falar quando a dor surgiu em sua mão. O esquilo o tinha mordido.

Assustado, ele afrouxou o aperto. O esquilo se soltou, gritando: “Corram! Corram! Todos os lobos estão aqui! Rápido – corram vocês também!”

Com esse aviso, o esquilo desapareceu na escuridão, seus gritos estridentes sumindo rapidamente entre as árvores.

“Ele fugiu,” Chapeuzinho disse, ainda surpresa. Ela nunca o tinha visto tão assustado.

“Pelo menos ele nos disse para correr antes de fugir,” Yu Sheng ponderou. Ele olhou de volta para a cabana. “O pânico dele piorou quanto mais perto chegávamos. Ele não surtou tanto quando vimos a cabana pela primeira vez. Alguma ideia do porquê?”

“Não,” ela disse, olhando inquieta para as janelas escuras. “O esquilo sempre foi estranho, e eu realmente não sei mais sobre ele do que você.”

Ela respirou fundo, tentando se fortalecer. “Vamos entrar.”

Mesmo agora, ela não mostrava nenhum sinal de hesitação.

“Eu vou primeiro.” Yu Sheng caminhou em direção à porta. “O esquilo parecia mais aterrorizado do que o normal, o que significa que esta cabana pode ser mais perigosa do que qualquer outra coisa na Floresta Negra. Sua condição não é das melhores – fique atrás de mim.”

Ele colocou a mão na maçaneta.

Chapeuzinho pareceu prestes a protestar, mas se conteve. Em vez disso, ela deu a ele um aceno silencioso.

Yu Sheng inspirou e prendeu a respiração por um momento, se preparando. Mantendo-se em alerta máximo, ele abriu a porta.

Ela se abriu silenciosamente, sem um pingo de resistência.

Mas não houve nenhuma lufada repentina de ar fétido ou turbilhão de poeira. Yu Sheng esperou na soleira por alguns segundos, observando qualquer movimento dentro da cabana – ou fora, na floresta. Nada mudou. Lentamente, ele se aproximou um pouco mais, espiando na escuridão.

Sua visão em pouca luz era boa o suficiente para que ele pudesse ver claramente, mas o que ele viu o fez recuar surpreso.

Chapeuzinho deve ter notado. “O que foi?” ela perguntou, movendo-se para olhar para dentro.

Yu Sheng piscou, tentando se livrar do choque. Depois de um momento, ele assentiu. “Entre. Você precisa ver isso.”

Eles entraram juntos.

A primeira coisa que Chapeuzinho notou foram as capas vermelhas.

Dezenas delas.

Elas estavam penduradas nas paredes, espalhadas em pilhas esfarrapadas no chão ou penduradas nas vigas. Era difícil adivinhar exatamente quantas – dez, talvez vinte ou mais?

Elas estavam rasgadas e manchadas, algumas mal reconhecíveis como tecido. Na luz fraca da cabana, seu carmesim parecia tão escuro que poderia ser sangue velho e seco.

Os rangidos suaves das tábuas do assoalho enquanto caminhavam faziam a cabana silenciosa parecer ainda mais perturbadora. Yu Sheng se moveu um pouco mais para dentro, então olhou para Chapeuzinho.

“Fique perto.”

Ela deu um aceno hesitante e seguiu, aproximando-se dele. Depois de um momento, ela falou em voz baixa. “Este lugar…”

“Provavelmente explica por que o esquilo pirou,” Yu Sheng disse, suspirando enquanto olhava das capas esfarrapadas para o capuz vermelho em seus próprios ombros. “Não tenha medo.”

“Eu estou… um pouco nervosa, com certeza,” ela admitiu. Sua tentativa de sorriso falhou. Gentilmente, ela passou por cima de uma das capas caídas, fazendo uma careta ao ver o tecido rasgado pendurado nas paredes. “Então… é isso que sobra depois que tudo acaba, certo? Não é à toa que está escondido tão fundo.”

Yu Sheng olhou para o casaco vermelho dela. Ele se lembrou de uma pergunta que tinha há muito tempo. “Seu casaco – você sempre o usa, mesmo do lado de fora. É só parte de parecer a Chapeuzinho Vermelho?”

“Ele me mantém estável,” ela disse suavemente. “Uma vez que você aceita o capuz vermelho na Floresta Negra, você não pode mais se desviar de ser Chapeuzinho Vermelho.”

“Por que não?”

Ela baixou o olhar. “Contos de fadas não gostam de adultos. E eles também não gostam de ‘crianças rebeldes’.”

A testa de Yu Sheng se franziu ainda mais.

“Isso tudo é muito distorcido,” ele murmurou, irritado. Depois de um segundo, ele tentou suavizar sua expressão e olhou para ela. “Tem certeza de que está bem em ficar aqui? Se for demais, vá esperar lá fora.”

Ela balançou a cabeça. “Estou aguentando. Honestamente, é melhor aqui dentro do que lá fora, naquela floresta negra.”

“Tudo bem.”

Eles revistaram a pequena cabana de canto a canto, mas a criança, Xiao Xiao, não estava em lugar nenhum.

“Ela não está aqui,” Yu Sheng murmurou, a frustração começando a aparecer em sua voz. “Eu tinha certeza de que ela estaria lá dentro.”

“A floresta vai mais fundo,” Chapeuzinho disse baixinho. “Mais para dentro, fica ainda mais escuro.”

Yu Sheng não respondeu. Ele girou lentamente, examinando o espaço apertado.

Não – ele tinha certeza de que ela tinha que estar aqui.

Lobos espreitavam na escuridão, ainda esperando. Ele podia sentir. Eles estavam caçando algo. Por alguém.

Então ele sentiu um leve puxão – uma conexão através de seu sangue. Estreitando os olhos, ele deixou esse sentido guiá-lo. Ele estava vendo através dos olhos dos lobos, através das sombras da floresta, sentindo algo que não era totalmente dele.

Então caiu a ficha.

Chapeuzinho observou surpresa enquanto Yu Sheng ia até uma cama estreita no canto. Ele passou as palmas das mãos sobre a madeira e o cobertor gasto como se estivesse procurando por algo.

“O que você está fazendo?” ela perguntou.

Ele não respondeu imediatamente. Em vez disso, ele puxou uma pequena faca do bolso.

Sua lâmina brilhou na luz fraca.

Yu Sheng manteve sua expressão calma e cuidadosa enquanto continuava a explorar. De repente, sem aviso, ele cortou o ar perto da cama.

Sua lâmina se conectou com algo sólido – um som como carne se abrindo. Um cheiro forte de sangue atingiu o ar.

“Ah, aí está você…” ele disse, com a voz quase gentil. Uma satisfação silenciosa se enrolou em seu tom. “Você estava se escondendo tão bem, Vovó Lobo…”

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