Hotel Dimensional

Capítulo 124

Hotel Dimensional

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A mente de Yu Sheng flutuava em um mar ilimitado de escuridão. A sensação familiar de vazio e pressão puxava as bordas de sua consciência, retardando seus pensamentos até quase pararem. Sozinho neste "mundo pós-vida" silencioso, mas estranhamente reconfortante, ele quase se sentia à vontade.

Como descrever? O resultado tinha sido bastante previsível.

O lobo, gigante como uma casa, tinha saltado sobre ele, acabando com sua vida em um único instante. Ele não tinha durado mais do que o esquilo.

Claro, a principal razão para ter terminado tão rápido era que Yu Sheng não tinha tentado lutar. Na verdade, ele praticamente se ofereceu — seu sangue, sua carne, sua alma e toda a alegria e curiosidade crua e ardente dentro dele.

Agora, ele jazia quieto neste reino escuro da morte.

Ele escorregou silenciosamente para a carne e o espírito do lobo.

Ele se infiltrou suavemente na Floresta Negra, procurando os "tentáculos" do conto de fadas escondidos ali.

Cuidadosamente, Yu Sheng se agarrou aos seus próprios pensamentos, protegendo-se dos estranhos fragmentos de memória e sensação que vagavam na escuridão.

Para ele, cada morte era uma espécie de treino. No início, retornar à vida tinha sido caos e confusão. Com o tempo, ele aprendeu a sentir a escuridão ao seu redor, depois a reconhecer como era ser puxado de volta à vida e, finalmente, a manter sua mente firme neste estado vazio.

A essa altura, ele não só conseguia manter a calma, mas também treinar sua consciência — guiando seus pensamentos e emoções enquanto existia sem um corpo.

Ele se concentrou em aprimorar esse poder mental, tentando marcar a passagem do tempo, até mesmo estendendo seus sentidos para explorar além da escuridão.

Yu Sheng sabia que seu corpo real ainda estava no mundo exterior, adormecido, com Irene e Foxy por perto. Desta vez, apenas seu espírito tinha perecido — como na vez em que a entidade chamada Fome o havia devorado.

Mas desta vez era diferente.

Ele podia vagamente perceber que os fragmentos de sua alma estilhaçada estavam se dissolvendo em outra coisa, como sementes engolidas inteiras e agora brotando, enviando raízes e vinhas retorcidas.

Ele se concentrou em um desses tentáculos, reunindo sua vontade para gentilmente... "beliscá-lo".

Ele se viu correndo pela Floresta Negra — cego e enfurecido, envolto em uma noite eterna, lançando uma sombra titânica.

Ele sentiu pelos grossos cobrindo seu corpo, o vento noturno roçando suas orelhas e os uivos ecoantes de lobos ao seu redor. Lobos invisíveis corriam ao seu lado, escondidos pela escuridão.

Ele percebeu que esses lobos se alimentavam de medo. Contos de fadas nasciam do medo — histórias aterrorizantes destinadas a alertar as crianças, assustando-as para que ficassem em casa em segurança em vez de vagarem para o desconhecido.

Aqui na Floresta Negra, esse medo tinha tomado a forma de lobos que se banqueteavam com ele.

Mas agora, eles estavam famintos.

Durante sua caçada mais recente, eles não encontraram o medo que tanto desejavam. Embora tenham devorado a carne e o sangue do estranho intruso, eles descobriram apenas alegria e curiosidade desconcertantes dentro dele — emoções que não conseguiam entender.

O lobo imponente irrompeu em uma clareira iluminada pela lua, sua mente obtusa lutando para entender o que havia acontecido. Comer nunca deveria ser assim. Deveria sempre haver medo em sua comida, e ainda assim esta refeição não tinha nenhum.

Na verdade, a comida tinha agido mais como um monstro do que o próprio lobo.

O lobo havia devorado o humano, ou o humano havia se enterrado no lobo, começando a comê-lo por dentro?

Incapaz de compreender sua própria confusão, o lobo gigante seguiu seus instintos, correndo pela floresta em busca dos esconderijos de Chapeuzinho Vermelho, destruindo cada um que encontrava.

"Você vai só correr para sempre?"

Uma voz calma falou — a voz de Yu Sheng, emergindo como um rosnado baixo de algum lugar perto do lado do lobo.

O lobo gigante parou bruscamente, levantando sua cabeça enorme para estudar a Floresta Negra ao seu redor. Tudo parecia exatamente como sempre tinha parecido.

Ele não conseguia descobrir de onde a voz tinha vindo. Ele não fazia ideia de que poderia ser a refeição que acabara de engolir.

No entanto, havia algo lá fora — algo que parecia estranhamente familiar, como presa... ou talvez um caçador.

Os lobos invisíveis que rondavam nas sombras silenciaram, seus uivos silenciados por uma vaga sensação de perigo. Folhas farfalharam acima. Uma delas girou em espiral pelo rosto do lobo gigante e, no instante em que tremeluziu no ar, o olho curioso de Yu Sheng espreitou, encarando a besta diretamente.

"Você é... gostoso?"

Então a folha se desintegrou e qualquer presença que o lobo sentiu desapareceu. O lobo soltou um rosnado frustrado, abaixando a cabeça. Ao redor, os outros lobos começaram a uivar de medo, seus gritos ecoando pela floresta sem fim.

Em um matagal distante, um par de olhos cautelosos observava, seguido por um sussurro suave: "Algo estranho está acontecendo... muito estranho..."


Naquele instante, Yu Sheng se sentiu caindo na escuridão. A sensação agora familiar de cruzar alguma fronteira invisível o dominou, e sua consciência retornou ao seu corpo. Ele sentiu uma cama macia embaixo dele e abriu os olhos alarmado.

A primeira coisa que viu foi Irene — duas vezes. Duas cabeças de boneca pressionadas juntas, ambos os pares de seus olhos carmesins olhando fixamente para ele, sem piscar.

Repentinamente revivido, Yu Sheng quase morreu de novo pelo choque. "Puta que pariu...! Dá um pouco de espaço pessoal para uma pessoa!"

Irene gritou tão alto quanto. Suas duas formas se sacudiram para trás e caíram da cama, cada uma batendo no chão com um baque forte.

Yu Sheng fez uma careta com o som. "Ai... isso soou feio. Você está—?"

"Você é quem me assustou!" Irene gritou do chão, esfregando a cabeça.

"E você acha que pairar a cinco centímetros do rosto de alguém é normal?" Yu Sheng retrucou. "Se eu tivesse me levantado de repente, teria batido nas duas cabeças!"

Irene voltou para o colchão, apoiando as mãos nos quadris, parecendo pronta para discutir. Antes que ela pudesse dizer mais, a atenção de Yu Sheng pousou em Foxy, que estava parada calmamente perto da cama com um sorriso gentil.

"Viu?" Yu Sheng disse. "Foxy entende. Ela está só esperando ali quietinha, sem se aproximar sorrateiramente de mim—"

"Ela está sorrindo porque está se sentindo culpada!" Irene interrompeu, apontando o dedo.

Yu Sheng franziu a testa. "Culpada de quê?"

"Ela comeu todo o recheio de carne! Não vai ter guioza hoje à noite!"

Ele piscou, absorvendo as palavras de Irene. Quando ele se virou para olhar para Foxy, sua expressão alegre congelou. Suas orelhas caíram e sua cauda prateada e fofa também caiu.

"Eu só queria provar um pouquinho..." Foxy murmurou timidamente.

"Ah, você estava provando, sim!" Irene zombou. "Primeiro estava muito salgado, então você bebeu um pouco de água, depois estava muito sem graça, então você deu outra mordida... você acabou terminando a tigela inteira, Foxy — uma tigela inteira!"

Yu Sheng esfregou a testa com um suspiro. Ele tinha a sensação persistente de que devia um favor a essas duas encrenqueiras em uma vida passada.

"Benfeitor, me desculpe," Foxy disse baixinho, deslizando sua cauda para mais perto dele. "Gostaria de acariciar minha cauda? Talvez você não fique mais bravo."

Yu Sheng olhou para a cauda fofa. Ela se contraiu, como se estivesse se oferecendo.

"Uh... pode ficar com ela. É meio estranho, caso contrário."

"Ah."

"Deixa pra lá, eu não estou realmente bravo. Só me deixa sentar por um minuto e clarear minha cabeça. Por que vocês duas não descem? Eu vou cozinhar macarrão para o jantar. Parece bom?" Yu Sheng devolveu a cauda de Foxy para ela.

Enquanto Irene e Foxy se dirigiam para a porta, Irene fez uma pausa na soleira. "A propósito, o que aconteceu com você desta vez? Você está dormindo há séculos, então estou supondo que você morreu de novo, certo?"

Yu Sheng riu. "Aquele lobo tinha dentes tão grossos quanto minha coxa — o que você acha?"

Irene ergueu uma sobrancelha. "Você não parece chateado para alguém que foi comido vivo."

O sorriso de Yu Sheng assumiu um tom misterioso, como se estivesse saboreando algum segredo. "Eu realmente não consegui provar nada, mas... ainda valeu a pena. Estou animado para ver o que acontece a seguir."

"Você é tão estranho," Irene murmurou enquanto saía. "Vou ver se podemos adicionar carne de lobo ao cardápio."

Assim que elas se foram, Yu Sheng se pegou sorrindo com o pensamento.

Ele pegou seu celular da mesa de cabeceira e abriu o aplicativo de Comunicação da Fronteira. Ele rolou até o avatar de Chapeuzinho Vermelho e digitou uma mensagem rápida:

"Eu estive na Floresta Negra. Eu vi os lobos invisíveis e os visíveis, encontrei a casinha e até conheci um esquilo. Vamos conversar quando tiver tempo."

Ele apertou enviar, recostou-se em seus travesseiros e expirou lentamente, se perguntando o que o próximo capítulo traria.

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