Hotel Dimensional

Capítulo 118

Hotel Dimensional

Yu Sheng adormeceu mais rápido que o normal desta vez. Tinha usado tanta energia que, assim que a excitação passou, desabou na cama e, em instantes, caiu em um sono profundo.

Seus sonhos foram estranhos e confusos — cheios de cores mutáveis e imagens fugazes que não conseguia capturar. Era como se estivesse flutuando acima de uma extensão enevoada, incapaz de agarrar algo sólido. Viu-se na cama, vislumbrou a visão familiar da Rua Wutong, nº 66, observou Irene mexendo no controle remoto da TV e até imaginou Foxy na piscina, lavando cuidadosamente suas caudas fofas. Ela as pendurou em um varal, alinhando-as uma por uma…

Gradualmente, Yu Sheng achou impossível dizer se estava realmente sonhando ou se aquelas cenas eram reais. Sentiu sua consciência ficando turva, indo e vindo. Então, de repente — sentiu algo pressionando firmemente suas costas.

Os olhos de Yu Sheng se abriram.

Árvores imponentes o cercavam por todos os lados.

Ele se encontrava em uma vasta floresta, as copas das árvores tão altas que suas folhagens grossas se emaranhavam e bloqueavam o céu enevoado. Sob as copas, tudo estava em profunda sombra, como se a floresta estivesse presa em um crepúsculo permanente. Cipós grossos se enrolavam nos troncos e arbustos selvagens se espalhavam pelo solo macio. Flores estranhas cresciam por toda parte — plantas desconhecidas em cores que pareciam vibrantes e desbotadas ao mesmo tempo, como se revestidas em uma névoa fina e cinza. Elas preenchiam os espaços entre aquelas árvores colossais.

Piscando em confusão, Yu Sheng se sentou, percebendo que estava descansando em um leito de folhas úmidas e terra macia.

A floresta ao seu redor parecia viva com criaturas escondidas. Pássaros e feras desconhecidos chamavam do alto das árvores. Algo passou por ele, batendo as asas no ar acima. Longe, um uivo assustador ecoava — como o grito de um lobo, mas estranhamente humano e perturbador.

A cabeça de Yu Sheng clareou um pouco. Uma pergunta se sobressaiu às demais: Onde ele estava?

Seria apenas um sonho? Ou ele havia escorregado para outra dimensão estranha novamente?

Para verificar, beliscou a coxa. Uma dor surda e entorpecente irradiou-se pela sua perna. Tentou chamar Irene em sua mente, mas tudo o que ouviu foi silêncio, como se seus pensamentos estivessem perdidos em um vento distante e uivante.

A crescente sensação de que algo estava muito errado o deixou mais alerta.

Estendeu a mão para o ar vazio e, após um momento, uma porta translúcida, fracamente brilhante, surgiu à vista.

Ainda bem — a "porta" ainda funcionava.

Aliviado, Yu Sheng acenou com a mão para fazê-la desaparecer novamente, então endireitou os ombros, determinado a descobrir onde estava. Começou a se mover lentamente pela floresta.

Logo percebeu que aquele lugar parecia diferente do "Vale da Noite" que havia visitado uma vez. Mesmo assim, estava convencido de que aquilo não era um sonho comum. Se estava ligado àquela outra dimensão, não podia ter certeza — mas sabia que aquela floresta não fazia parte de sua própria imaginação.

Folhas farfalhavam sob seus pés enquanto pisava cuidadosamente sobre raízes retorcidas, desviando-se entre troncos de árvores gigantes. Caminhou por um tempo que pareceu longo, mas o cenário nunca mudava. A floresta parecia interminável, e apenas caminhar a pé parecia inútil.

Então, ouviu um leve farfalhar para um lado.

Assustado, virou-se rapidamente.

Lá, empoleirado em um toco de árvore caído, estava um esquilo grande e fofo, olhando para ele com olhos brilhantes e reluzentes.

Por um momento, Yu Sheng sentiu-se aliviado por ser apenas um esquilo — apenas um pequeno animal da floresta, curioso sobre aquele recém-chegado. O silêncio misterioso da floresta pareceu ligeiramente menos opressivo.

Soltou um pequeno suspiro de alívio e até conseguiu esboçar um pequeno sorriso para o animal.

O esquilo inclinou a cabeça, sua cauda espessa sacudindo contra o toco. Então, com uma voz aguda, falou: "Não saia do caminho..."

O sorriso de Yu Sheng desapareceu, e seus olhos se arregalaram. "Espere... Você pode falar?!"

"Eu não tinha terminado", disse o esquilo, batendo o toco da árvore com a cauda e endireitando-se. "Qual era o resto...? Ah, sim. Não se distraia com as flores e os cogumelos. Volte correndo para o caminho se quiser chegar em casa antes de escurecer. E não se esqueça de adicionar um floreio fofo no final... sim, tão fofo", murmurou para si mesmo.

Yu Sheng ficou ali, atônito. "..."

Com as patas cruzadas na frente do peito, o esquilo olhou para ele com um olhar irritado.

Piscando forte, Yu Sheng beliscou a coxa novamente, convencido de que devia estar alucinando. Será que aquele esquilo de aparência doce realmente falou com ele?

Parecendo exasperado, o esquilo bateu a cauda mais algumas vezes contra o toco. "Bem, por que você está parado aí? Apresse-se, ou você vai acabar como comida de lobo na Floresta Negra."

Finalmente, Yu Sheng percebeu que não estava imaginando coisas. Mas, em vez de correr de volta para o caminho como o esquilo sugeriu, ele se aproximou, dominado pela curiosidade. "Quem é você? E onde exatamente estou?"

"Você é cego? Eu sou um esquilo!", retrucou a criatura, não parecendo nem um pouco assustada. "Você não consegue ver? É uma floresta. A Floresta Negra. Uma enorme que se estende sem parar. Por que isso é tão difícil de entender?"

Ele se moveu um pouco, olhando em volta como se estivesse procurando por algo. Então murmurou: "Estranho... o outro ainda não morreu, e agora tem um recém-chegado. Será que o outro já está quase liquidado? Mas esse novo é um homem..."

O coração de Yu Sheng deu um salto. Ele soltou: "Morto? Quem vai morrer?"

"A Chapeuzinho Vermelho, é claro", respondeu o esquilo, coçando o rosto. "Não tenho certeza em qual estamos agora... a décima oitava? Ou a vigésima oitava Chapeuzinho Vermelho...?"

Yu Sheng sentiu seu pulso acelerar. Olhou ao redor para a floresta, lembrando-se do uivo distante. Um fragmento de uma antiga canção de ninar passou por sua mente — uma menina com uma capa vermelha com capuz, colhendo flores em uma floresta perigosa... e um lobo à espreita.

De repente, seu ombro inflamou com dor, acompanhada de um calor crescente. Olhando para baixo, viu uma mancha de sangue tingindo sua camisa — uma marca vermelha no meio da escuridão da floresta.

Foi ali que o lobo o mordeu durante a "Noite no Museu", quando a besta emergiu da sombra da Chapeuzinho Vermelho.

Enquanto Yu Sheng observava, o sangue lentamente desapareceu, mas a percepção começou a surgir nele.

Seu sangue o havia conectado à Chapeuzinho Vermelho. Seria possível que o lobo que a perseguia fizesse parte da mesma história? Seria este o sonho dela?

Com os pensamentos girando, Yu Sheng de repente ouviu o esquilo gritar: "Não! Não, não, não!"

Ele pulou, assustado. "O que foi?"

"A Chapeuzinho Vermelho atual ainda não está liquidada! Ela nem foi pega! O lobo ainda está vagando pela floresta... Espere, quem é você? Como você sequer entrou aqui?"

Yu Sheng teve o pensamento fugaz de que alguém já havia lhe perguntado algo semelhante uma vez, mas continuou: "Eu sou amigo dela. O que você quer dizer com 'A Chapeuzinho Vermelho vai morrer'? E você mencionou que há mais de uma. O que é isso?"

"Amigo? Ela não tem amigos na floresta! Ela caminha sozinha no caminho — essa é a essência da Chapeuzinho Vermelho!" O esquilo guinchou, saltando no toco. "Se algo mudar, só vai tornar as coisas mais difíceis! Não torne a vida mais difícil para um esquilo! Nós temos nossos próprios problemas! Esta floresta..."

De repente, o esquilo congelou, como se tivesse ouvido algo. Suas orelhas se contraíram, e ele levantou o nariz.

Yu Sheng hesitou. "O que...?"

"Shh." O esquilo levantou uma pequena pata, ordenando silêncio. "Escute — o lobo não está uivando mais."

De fato, um silêncio pesado agora envolvia a floresta. Os uivos distantes haviam sumido, e até as criaturas menores da floresta pareciam ter ficado imóveis.

Um arrepio inquietante percorreu a espinha de Yu Sheng. No instante seguinte, o esquilo saltou do toco e correu para o seu ombro, guinchando alto: "Corra! O lobo está vindo!"

Yu Sheng, assustado pelo salto repentino do esquilo, girou e disparou. Só então sentiu o pavor arrepiante alcançando-o — uma sensação sufocante de maldade e morte iminente que corria em sua direção como um vento feroz.

O lobo estava vindo.


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