Hotel Dimensional

Capítulo 48

Hotel Dimensional

A jovem raposinha olhava, de olhos arregalados, para o monte de itens que Yu Sheng havia colocado no chão. Por vários segundos, ela permaneceu ali, completamente atordoada, como se não conseguisse entender o que estava acontecendo. Só reagiu quando Yu Sheng abriu uma lata de mingau de oito tesouros e a aproximou de sua boca.

“Vamos, coma. Trouxe tudo isso para você—e tem mais, se precisar”, disse ele gentilmente.

O aroma de comida de verdade invadiu o ar.

Não pedras, nem terra, nem tijolos e madeira—não as ilusões de seus sonhos que nunca enchiam seu estômago, não importava o quanto ela imaginasse.

Os olhos de Raposinha se arregalaram lentamente. Então, como se despertasse de um transe, ela arrancou a lata da mão de Yu Sheng. Sem se importar com colher, ela a inclinou e despejou o conteúdo em sua boca, emitindo sons abafados enquanto engolia.

Ela terminou a lata inteira em meros segundos, depois começou a lamber as bordas cuidadosamente. Logo, ficou frustrada por não conseguir alcançar a comida lá dentro. Quando Yu Sheng estava prestes a ajudar, Raposinha apertou a lata com os dedos e a rasgou com uma força surpreendente. Com um ruído agudo de metal rasgando, ela despedaçou a lata resistente, depois a descascou meticulosamente em estreitas tiras de metal, lambendo cada gota de comida delas.

“Tem mais aqui”, Yu Sheng disse apressadamente, tirando um pedaço de pão e uma garrafa de água de sua mochila. “Coma devagar.”

Antes que ele pudesse piscar, a comida já estava nas mãos de Raposinha.

A raposinha devorava a comida vorazmente. Por um tempo, comer era tudo o que ela fazia. Yu Sheng e Irene permaneceram em silêncio; os únicos sons nas ruínas eram o de Raposinha comendo e os ocasionais ruídos abafados de sua garganta, como se quisesse falar, mas não suportasse parar.

Então, de repente, Raposinha começou a chorar.

Lágrimas escorriam pelo seu rosto enquanto ela enchia a boca com pão. Ela não soluçava nem emitia som algum; as lágrimas fluíam silenciosamente por suas bochechas, pingavam no pão e eram engolidas junto com ele.

Assustado, Yu Sheng estendeu a mão para limpar seu rosto sujo. “Não chore; você vai ter dor de estômago se engolir ar. Tem muito mais, e sempre haverá mais…”

Raposinha pareceu finalmente recobrar o juízo, tendo força suficiente para pensar em outras coisas. Ela olhou fixamente para Yu Sheng por um longo momento, então estendeu o pedaço de pão meio comido para ele. “Benfeitor, você come também.”

Yu Sheng rapidamente acenou com as mãos. “Eu comi antes de vir. Não estou com fome.”

Mas Raposinha permaneceu imóvel, teimosamente estendendo o pão. Mesmo que toda a comida tivesse sido trazida por Yu Sheng, ela estava determinada a compartilhar seu pedaço com ele, como se aquilo tivesse algum significado especial para ela.

Finalmente, Yu Sheng estendeu a mão e aceitou o pedaço de pão que ela ofereceu.

A raposinha sorriu, então pegou um pacote de biscoitos comprimidos do chão. Desta vez, ela não os devorou. Depois de desembrulhá-los cuidadosamente, ela deu pequenas mordidas, como se tentasse prolongar a experiência.

Ela parecia finalmente não estar tão faminta, mesmo que apenas por um momento.

“É delicioso”, ela sussurrou. “Benfeitor, é tão bom…”

“Não me chame de ‘Benfeitor’ antes de ‘é delicioso’”, disse Yu Sheng, estremecendo enquanto memórias desagradáveis ​​ressurgiam. “Contanto que você possa comer até se fartar…”

“Mm-hmm”, Raposinha assentiu gentilmente.

“Ela está finalmente voltando a si”, disse Irene, quebrando o silêncio. Ela parecia aliviada ao observar a raposinha, cujo estado mental havia visivelmente se estabilizado. “É incrível que você tenha aguentado por tanto tempo…”

Raposinha saltou levemente, percebendo apenas agora a boneca no ombro de Yu Sheng, talvez apenas percebendo que aquela pequena figura podia falar e se mover. Ela parecia maravilhada. “Isto… está vivo!?”

“Claro que estou viva!” Irene exclamou, seus olhos arregalados. “Eu acabei de te ajudar a abrir uma salsicha!”

“Esta é Irene, uma boneca viva da Casinha da Alice”, Yu Sheng explicou rapidamente. “Ela é a ajudante que eu mencionei. Não se deixe enganar pelo tamanho dela; ela é realmente capaz. Consegui contatá-la no mundo dos sonhos graças a ela.”

Irene ficou orgulhosamente no ombro de Yu Sheng, uma mão na cintura e a outra segurando uma pequena faca de cozinha.

Raposinha ponderou por um momento. Ela não sabia o que era uma boneca viva ou por que uma ‘pessoa’ tão pequena podia falar e se mover, mas entendeu que aquela era amiga de seu benfeitor. Após alguns segundos de hesitação, ela ofereceu o biscoito comprimido em sua mão. “Irene, você come também.”

A expressão orgulhosa de Irene tornou-se estranha. “Uh… eu não posso comer isso. Bonecas não podem comer…”

Raposinha imediatamente retirou o biscoito e continuou a mordiscá-lo.

“Ei! Você pegou de volta assim, sem nem insistir um pouco?” Irene fez beicinho. “Quando você compartilhou pão com Yu Sheng, você não era assim!”

“Bonecas não podem comer”, disse Raposinha suavemente. “Dar para você seria desperdiçar comida.”

Irene inflou as bochechas em aborrecimento, mas ninguém prestou atenção nela.

A essa altura, o foco de Yu Sheng havia mudado para a noite escura e fria que os cercava.

Ele podia sentir que, com sua chegada, a atmosfera no vale estava mudando gradualmente. A entidade que espreitava neste lugar de outro mundo estava se tornando ativa. Trazer comida e aliviar temporariamente a fome de Raposinha havia provocado o monstro.

Ele veio hoje não apenas para salvar Raposinha, mas também para encontrar uma maneira de lidar com aquela Fome que residia ali. Inicialmente, não era algo que ele precisava fazer, mas agora que havia estabelecido uma conexão com a criatura e sabia que ela estava aprendendo a pensar, ele tinha que eliminar essa ameaça oculta.

Mas, por alguma razão, o monstro ainda não havia aparecido.

Uma pitada de dúvida surgiu na mente de Yu Sheng. Justamente então, um som fraco carregado pelo vento noturno chegou aos ouvidos de todos—um uivo de lobo distante.

Yu Sheng e Irene trocaram olhares. Irene hesitou por um momento. “Yu Sheng, você ouviu isso?”

“Parecia lobos. Pensei que estivesse imaginando coisas…” Yu Sheng franziu a testa, então se virou para Raposinha, que estava mordiscando cuidadosamente seu biscoito. “Existem lobos por aqui?”

“Não, só tem eu e aquele monstro”, Raposinha respondeu, igualmente intrigada. “É a primeira vez que ouço um som tão estranho.”

Justamente então, o uivo do lobo ecoou novamente, interrompendo a conversa.

O som parecia mais perto desta vez.

Lobos estavam se aproximando, seja perseguindo algo ou sendo perseguidos.


Na floresta escura, uma besta maciça, de carne e osso, movia-se como um pesadelo aterrorizante entre as árvores, mudando constantemente nas sombras. Às vezes aparecia na névoa fina; outras vezes, desaparecia abruptamente de vista.

Mas não importava para onde corresse, o monstro bizarramente aparecia por perto, lançando ataques de ângulos traiçoeiros.

Lobos formados de sombras saltavam pela floresta, atacando a besta maciça que ondulava na escuridão. Mais lobos enxameavam de todas as direções, tentando bloquear o caminho do monstro.

No entanto, incontáveis tentáculos e membros farpados, semelhantes a ossos, irromperam repentinamente do corpo da besta. Os lobos foram forçados a recuar instantaneamente, uma enorme lacuna se abrindo em seu círculo.

Os muitos olhos da besta focaram-se simultaneamente em uma figura além da matilha de lobos—Chapeuzinho Vermelho sentava-se montada no maior lobo, seus olhos calmos encontrando os inúmeros olhares frios do monstro.

No segundo seguinte, o meio do corpo da besta se abriu e uma língua preta e escamosa disparou como uma flecha maliciosa, mirando diretamente na garganta da menina.

Mas Chapeuzinho Vermelho apenas inclinou ligeiramente o corpo. Assim que a língua estava prestes a alcançá-la, ela rapidamente levantou a mão direita.

Seu braço esguio explodiu e inchou instantaneamente, carne e sangue emitindo um som sibilante enquanto a fumaça subia. Sangue e névoa se entrelaçaram em um piscar de olhos, formando uma gigantesca cabeça de lobo preto. A cabeça do lobo mordeu ferozmente, prendendo a língua que não teve tempo de mudar de curso.

A besta reagiu, puxando-se para trás bruscamente, mas Chapeuzinho Vermelho segurou-se com firmeza. Ela e o lobo embaixo dela pareciam enraizados no chão, travados em um impasse com o monstro. Naquele breve momento, outra figura de repente disparou das sombras da floresta.

Li Lin moveu-se como um leopardo ágil em direção ao lado do monstro, uma faca curta em sua mão brilhando friamente na noite—a arma sobressalente que Xu Jiali havia lhe emprestado. O monstro imediatamente notou este atacante repentino. Vários olhos giraram e uma garra erguida balançou em direção a Li Lin.

Mas a verdadeira emboscada ainda estava por vir. No meio do passo, Li Lin de repente abaixou o corpo, desviando da garra do monstro com um movimento impossível para pessoas comuns. Outra figura alta surgiu do ponto cego do monstro atrás—um homem de quase dois metros de altura ergueu o punhal de viga, que poderia servir como uma espada curta para outros, e apunhalou ferozmente uma massa protuberante nas costas do monstro.

Com um som sibilante, a lâmina escaldante perfurou a massa sem esforço, cortando-a completamente.

Mas o monstro apenas soltou um rugido caótico e penetrante. Ele se contorceu abruptamente, sacudindo Chapeuzinho Vermelho, que mal estava se segurando, e atingiu o homem alto, enviando-o voando.

Xu Jiali caiu em um matagal próximo, soltando um gemido abafado.

Li Lin correu para lá, puxando seu colega dos arbustos. Os dois olharam para onde o monstro havia estado.

Mas a criatura havia desaparecido.

A névoa na floresta densa engrossou. Em meio ao nevoeiro rodopiante, incontáveis sombras distorcidas e bizarras pareciam crescer, emergindo do solo, balançando levemente ao vento frio.

Sombras sobre sombras, intermináveis e infinitas.

Toda a floresta parecia ter se tornado uma boca gigante, aguardando ansiosamente sua refeição.

Xu Jiali respirou fundo. “Não podemos ficar aqui. Continuem se movendo em direção à borda da floresta!”

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