Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 686

Meu Talento Se Chama Gerador

— Como você ousa? — roncou o demônio, a raiva genuína finalmente rompendo sua pose de compostura. Ficou claro que ele nunca esperava que retaliássemos, muito menos dessa maneira.

Aurora bufou.

— Não — ela disse com frieza —, como você ousa. Demônio covarde. Pensar que você atacaria um Grande-Mestre escondido atrás de sua patente e números.

Antes que alguém pudesse reagir, ela se moveu.

No próximo instante, ela estava na frente dele novamente. Seu dedo indicador pressionou adiante e penetrou levemente na testa dele, o suficiente para desenhar uma fina linha de sangue e fazer raios brilharem contra sua pele.

O demônio congelou.

Seus olhos se arregalaram, choque e medo substituindo a arrogância. Ele não teve coragem de se mover, nem mesmo para respirar fundo.

— Mexa-se — sussurrou Aurora, com uma voz calma e mortal —, e vou garantir que esse cérebro sujo seu evaporará para sempre.

A reação foi instantânea.

Ao redor de nós, as naviões mudaram de postura. Os sistemas de armas emitiram zunidos enquanto se recalibravam, abandonando Primus e mirando em Aurora e no demônio que ela mantinha sob controle. Canhões brilhavam ainda mais intensamente. A tensão encheu o vazio.

Observei tudo sem me mover, minha percepção calmamente rastreando cada nave, toda flutuação de Essência, cada gatilho que estaria a segundos de ser puxado.

— Bem — finalmente, disse com um sorriso bobinho surgindo no meu rosto —, acho que todo aquele tumulto foi resolvido com bastante elegância.

— Agora — disse Aurora calmamente, com o dedo ainda repousando contra a testa do demônio —, como já dissemos, estamos aqui a pedido de Dravon Emberlord. Ligue para ele. Agora.

A dúvida no olhar do demônio vacilou por um instante, mas ele a reprimiu. Seu maxilar se apertou e ele soltou uma risada áspera.

— Você entende o que está fazendo, não entende? — falou entre dentes cerrados. — Este é território de demônios. Você ousa nos atacar aqui? Uma ordem minha e esses navios irão destruir todos vocês.

Eu mexi minha língua contra o céu da boca. Ele estava perdendo tempo.

Levei minha palma para cima.

A ausência respondeu.

Levantaram-se alertas violentamente ao redor da frota. Alarmes gritaram enquanto os sistemas falhavam repentinamente. Naves de guerra gigantescas, que estavam perfeitamente alinhadas há instantes, começaram a tremer, seus cascos gemendo sob uma pressão que não vinha do exterior, mas de dentro.

Os olhos do demônio se arregalaram.

— O que você está fazendo? — gritou. — Pare com isso. Pare agora!

Aurora sorriu, sua expressão quase gentil.

— Não estou fazendo nada — falou de leve. — Você deixou o chefe irritado.

Devagar, fechei minha mão.

O espaço se distorceu.

Metal gritou.

Um a um, os navios ao redor começaram a se contrair, suas chapas de armadura desmoronando como se fossem esmagadas por mãos invisíveis. As armas se estalaram. Os motores implodiram. Seções inteiras de casco foram compactadas em massas distorcidas de sucata.

Pânico tomou conta das naves.

Portas se abriram com um estouro enquanto demônios fugiam de suas embarcações, atirando-se no vazio, ativando técnicas de voo de emergência só para escapar de serem esmagados vivos. Uma nave após a outra virou pedaços de metal torcida, flutuando Desesperadamente pelo espaço.

Somente a grande nave de comando permaneceu intacta.

O demônio na frente de Aurora olhou horrorizado, sua bravata completamente desaparecida.

— Pare… por favor — ele gritou de novo, a voz trêmula enquanto fixava o olhar na nossa nave, procurando por mim. — Vou chamar o Dravon. Eu juro. Só pare com isso!

Relajei minha mandíbula.

A destruição cessou.

O vazio caiu em um silêncio estranho, interrompido apenas pelos alarmes distantes ainda ecoando entre os destroços quebrados e pela respiração ofegante dos demônios que flutuavam lá fora.

Eu falei, e minha voz ecoou pelo próprio espaço, alcançando cada um deles.

— Vocês têm dez segundos — disse com tom firme. — Se o Dravon não estiver aqui até lá, vou matar todos vocês.

— Você realmente vai matá-los? — North murmurou ao meu lado, os olhos fixos nos demônios que flutuavam impotentes no vazio.

Não respondi imediatamente.

Meu olhar permaneceu na altura do Demônio Transcendente, que agora tentava desesperadamente contatar Dravon, sua voz áspera enquanto gritava no vazio, enviando sinal após sinal pelos canais que usava.

— Se for preciso, farei — finalmente, disse.

Por um breve momento, minha mente voltou à decisão que tomei naquela época, quando matei o ancestral Rônico e incriminei os Del Reys sem hesitar. O peso daquela escolha não sumiu com o tempo. Simplesmente aprendi a carregá-lo.

North estudou meu rosto por mais alguns segundos, como se buscasse alguma dúvida.

Ela não encontrou nenhuma.

Ela assentiu uma vez e não disse mais nada.

O espaço tremeu.

Assim como antes, o espaço se ondulou à nossa frente. Uma nave apareceu na origem da ondulação.

Ela era menor do que a enorme nave de comando, mas ainda assim bem armada, seu casco marcado pelo mesmo símbolo de chifres do Rei Demônio. Seus propulsores queimavam de forma constante enquanto ela parava a uma distância segura, cuidadosamente evitando provocar mais ações.

O ar parecia diferente. Três figuras saíram para o espaço aberto.

Todos eram demônios. O mesmo trio que tinha ido ao Armus. Dravon, o Korvath silencioso e a louca Mazikeen.

Dravon olhou ao redor uma vez, observando os destroços, os sobreviventes flutuantes, a frota destruída. Seu olhar ficou por um momento em Aurora.

— Eu sou Dravon Emberlord — disse, sua voz transmitida claramente pelo vazio. — E me disseram que meu nome estava sendo usado bem alto.

Os demônios ao redor relaxaram visivelmente, como se a chegada de Dravon os tivesse puxado de volta da beira da morte.

— Ah, Dravon, finalmente veio — disse Aurora alegremente, enquanto puxava o dedo da testa do demônio. Ela se esticou levemente, sua intenção de matar desaparecendo como se nunca tivesse existido. — Como pediu, estamos aqui para te encontrar.

Dravon, que parecia imponente há instantes, vacilou.

O peso de sua aura piscou e sumiu completamente. Ele piscou várias vezes, seus olhos fixos em Aurora como se não pudesse acreditar no que via.

— Você… — falou lentamente —, você é o elemental.

— Bingo — respondeu Aurora com um sorriso brilhante.

Então ela avançou e apareceu bem na frente dos três. Aproximou-se sem hesitar de Mazikeen e colocou sua palma contra a bochecha da demônio, como se estivesse saudando uma velha amiga.

— Mazikeen, querida, está tudo bem? — perguntou Aurora calorosamente. — Espero que o Dravon não esteja te atribuindo tarefas demais.

Mazikeen parou por um instante.

Suas bochechas ficaram vermelhas como um tomate enquanto ela gaguejava, claramente despreparada para a aproximação repentina.

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