
Capítulo 661
Meu Talento Se Chama Gerador
Meus olhos se dirigiram ao ponto mais intenso do campo de batalha. O chão tremia sob o rugido de Primus, que se confrontava com Herald repetidas vezes. Faíscas de chamas vermelhas e fogo de alma azul colidiam no ar, explodindo como estrelas que morriam de tão próximas. Ambos os exércitos permaneciam atentos, respirando fundo, esperando o momento em que um dos dois caísse.
E então Primus fez seu movimento.
Ele girou os ombros uma vez e puxou sua espada para trás. O ar ao redor da lâmina distorceu-se, o calor formando ondas pesadas que cintilavam como vidro derretido. Sentí a pressão. Todos sentiram.
Primus rugiu.
"Onda de Fogo!"
Ele balançou para baixo com toda a força de sua Essência e compreensão das leis.
Uma explosão massiva em forma de X de fogo ardente cortou o campo de batalha. Triturou o solo enquanto avançava, abrindo uma trincheira através de rochas e areias, então colidiu com Herald com uma violência que sacudiu o vale. O patriarca de armadura azul dos Del Rey tentou bloquear, mas não conseguiu.
A explosão o engoliu inteiramente.
Um instante depois, um grito rasgou as chamas.
Quando o fogo se acalmou, Herald caiu do céu, despencaando no chão e rolando violentamente. Chamas vermelhas queimavam seu corpo destruído. Seu braço direito havia desaparecido. Sua perna esquerda também. Apenas tocos de cinzas permaneciam, carbonizados de preto.
O exército dos Del Rey gritou de horror.
"LORD HERALD—!"
Primus pousou suavemente, a espada ainda incandescente nas pontas. Seus olhos estavam selvagens, cheios de ódio.
"Acabou," ele rosnou, aproximando-se do homem aleijado. "Você vai morrer aqui."
Mas Herald ainda não tinha acabado.
Seu rosto contorcido de dor, ainda assim, sua mão tremeu ao entrar na armadura e puxar um cubo de prata coberto de runas.
Meus olhos se estreitaram.
Primus parou por apenas um segundo, e Herald bateu o cubo no chão.
As runas se acenderam.
EXPLODIU.
Um campo cintilante surgiu, torcendo o espaço ao redor de Primus. O ar se dobrou, a luz se quebrou, e subitamente Primus congelou no lugar, como um inseto preso em âmbar.
Uma trava espacial.
Herald riu através do sangue.
"Você pensa... que eu vim despreparado... para VOCÊ?"
Primus lutou. Nada se moveu, nem mesmo sua respiração.
Herald elevou-se com seus membros restantes, a desesperança transformando-se em loucura.
"Mate-o! Mate-o agora!"
Por um momento, os mestres da família Del Rey avançaram. E isso foi suficiente. Não esperei outro segundo.
'Agora', ordenei mentalmente.
Seis auras responderam. As figuras encapuzadas e ocultas no ar enfim se moveram. E todo o vale mudou.
Steve foi o primeiro. Uma faísca azul se acendeu, depois virou uma risca, e essa risca virou uma rachadura no espaço.
Steve avançou como um relâmpago vivo. Não hesitou, não parou, sequer apareceu completamente, apenas uma linha azul rasgando o campo de batalha.
No momento em que alcançou Primus, levantou sua espada e a pressionou contra a trava espacial.
A essência azul rugiu.
TRRRRRR!
A trava espacial quebrou como vidro fino. Primus cambaleou para fora, livre novamente.
Mas Steve já tinha desaparecido.
Ele já tinha sumido e reaparecido acima da barreira dos Del Rey. Assentou sua espada para baixo.
EXPLOSÃO.
A barreira vibrou uma vez...*
Depois explodiu.
Steve colidiu com a linha de frente deles como um meteoro, lançando corpos a centenas de metros de distância. Raios azuis de relâmpagos percorriam os soldados dos Del Rey, causando desmaios, queimando, destruindo formações.
O exército dos Del Rey entrou em pânico. O medo deles se espalhou como fogo fora de controle. Mas não tiveram tempo de se recuperar.
Pois o vento se moveu. O norte desapareceu em seguida. Um instante era um espaço vazio, e no próximo ela apareceu dentro do exército inimigo. Seus punhais duplos relampejaram uma vez. Uma linha curva de vento cintilante surgiu de sua posição, e nove cabeças caíram. Cortes perfeitos, limpos. Seus movimentos eram invisíveis. Sua expressão, calma, escondida sob o capuz.
Depois ela se moveu novamente.
E de novo.
Corpos caíam como folhas num temporal de outono.
Elite dos Del Rey gritava, incapaz de sequer enxergar sua presença.
"Onde—onde está—?"
"ALGUÉM ESTÁ NOS MATANDO!"
"DEFENDA—DEFENDA—!"
Mas defender-se não adiantava. Eles não podiam se proteger contra um espectro. E ainda assim…
Os verdadeiros pesadelos ainda não tinham entrado na batalha.
Lyrate ergueu as mãos por baixo do capuz. O campo de batalha se calou por um instante enquanto uma pressão antiga e aterrorizante se acumulava ao seu redor. Sua voz foi suave, feminina, bela, ecoando por todo o vale como uma deidade da floresta sussurrando em cada ouvido.
"Ira da Floresta."
O céu escureceu.
O chão rachou.
E então—
Uma árvore gigantesca surgiu do solo no meio do exército dos Del Rey.
Ela ergueu-se a centenas de metros de altura, com galhos espalhados e folhas cintilando com fogo de esmeralda. Uma onda de choque lançou soldados ao ar. Raízes saíram como serpentes. E a chacina começou. Raízes atravessaram armaduras. Envolveram corpos. esmagaram esquadrões inteiros. Arrastaram demônios gritando até o chão.
A cada golpe de raiz, partículas pequenas como pétalas de flores ficavam suspensas no ar. As pétalas brilhavam suavemente.
Belo. Pacífico.
Depois, elas explodiram.
EXPLODIU.
EXPLODIU.
EXPLODIU.
Fogos de energia da natureza destruíram o exército dos Del Rey em grupos de vinte, cinquenta, cem de cada vez. Todo o campo parou. Até Orobas e Platius pararam seus golpes no alto do movimento, os olhos arregalados.
Até Herald, ainda sangrando no chão, olhava para cima com terror tomando conta do rosto destruído.
"O que... o que é isso...?"
O exército Bloodreaver rugia de incredulidade.
"A árvore, que tipo de poder é esse?!"
Os Ronics olhavam chocados.
Platius sussurrou, a voz tremendo: "Aquelas figuras encapuzadas... não são demônios. São algo diferente."
Primus deu uma olhada para trás por um instante. Sorriu.
O campo agora era nosso. A maré estava a nosso favor. O destino da família Del Rey estava selado.
No meio do caos, um sussurro agudo atingiu minha mente.
Áurea."Você exagerou. Assim vai apagar todo o vale."
Lyrate reagiu instantaneamente, com tom afiado e ofendido."Com licença? Quem é você para me repreender? Eu estou aqui há mais tempo que você, garota relâmpago."
Aurora bufou, uma chispa azul vibrando atrás da voz dela."Só estou apontando que você está matando metade do campo de batalha sozinha."
"E esse é o ponto." respondeu Lyrate docemente. "Se estiver lento demais, é só falar."
"Ah, por favor. Posso apagar esse exército mais rápido que sua erva gigante."'
"Tente, então, faísca."
Puxei o bridge do nariz, cansado.
É claro que agora eles iam começar.