
Capítulo 653
Meu Talento Se Chama Gerador
De qualquer modo, você já conheceu todo mundo, Aurora — eu disse, interrompendo a conversa deles. — Ainda tenho algumas pessoas próximas a mim, vocês irão conhecê-las mais tarde. Por ora, estou enviando todos vocês de volta.
Lyrate me encarou com uma expressão de pura traição.
— O quê? Você me convocou só pra apresentações? — sua voz exalava nojo e decepção, como se eu tivesse insultado pessoalmente sua linhagem.
— Mais ou menos — admiti. — Mas vou te convocar de novo em breve. Vai ter uma batalha, e vou precisar que espalhe um pouco de medo nos demônios.
Ela bufou, abanando o cabelo dramaticamente.
— Tudo bem.
Seu corpo se dissolveu em névoa carmesim e desapareceu no núcleo. Um por um, os demais também seguiram pelo caminho.
O Cavaleiro ficou, sentado de forma casual na cadeira, de braços cruzados.
— E agora? — perguntou.
— Agora, vamos atrás dos Del Rey — eu disse. — Vou acelerar as coisas com Primus.
O Cavaleiro assentiu lentamente. — E o Plano B? Aquele que Lana mencionou? —
— Bem, — suspirei, — se atacarmos a família dela, Lana vai ter que reagir. Ou ela retorna correndo pra cá, ou revela algo sobre o Plano B ao enviado. Se esse plano envolvia fantasmas ou aberrações, então talvez eu já o tenha prejudicado ao destruir uma de suas bases. Mas vamos ver.
O Cavaleiro se levantou, finalmente, com um movimento decidido.
— Então, pra onde vou? —
— Para a capital — eu respondi. — Siga o enviado. Ouça todas as conversas dele, especialmente com Lana.
Ele assentiu uma vez.
— E o velho demônio? — perguntou, referindo-se a Romothese.
— Mate-o — respondi simplesmente.
O Cavaleiro fez um pequeno gesto de, quase imperceptível, aceno de cabeça, enquanto sombras se erguiam de seu corpo como tinta. Desapareceu na escuridão.
Eu não perdi mais tempo. Saltei para o céu, voando direto para a capital de Armus. Precisava encontrar Primus. E precisava ver exatamente quão grande era o caos que já estava se desenrolando.
Cheguei acima da capital de Armus pouco tempo depois e imediatamente avistei Primus e os demais reunidos na sala de reuniões. Mas algo mais chamou minha atenção: a cada poucos segundos, o círculo de teleporte na entrada da cidade piscava, trazendo mais demônios em grupos de dez ou vinte. Reforços. A cidade se preparava para a guerra.
Mandei uma mensagem mental direto para Primus.
'Você pode me atualizar sobre o que está acontecendo aqui?' —
Os olhos de Primus se estreitaram por uma fração de segundo ao ouvir minha voz em sua mente.
'Reivindicamos Romothese,' — respondeu, — 'mas o enviado alega que ele desapareceu. O enviado veio pessoalmente aqui. Confirmou que energia de alma foi usada para matar o ancestral Ronic, mas insiste que não foi Romothese.'
'Por que ele está tão certo disso?' — perguntei.
'Ele não quis dizer. Foi só… teimoso quanto a isso. Mas deu pra perceber que ele está abalado. Ele não consegue localizar Romothese em lugar algum, e isso o deixa nervoso.'
'Então, o que todo mundo está planejando agora?' —
'Declarar guerra aos Del Rey —' respondeu Primus. 'Se fizermos isso, a batalha principal vai acontecer no Vale dos Guerreiros. Mas não sabemos como o enviado vai reagir. Já nos alertou contra uma guerra total.'
O Vale dos Guerreiros, um vasto campo de batalha antigo, onde as sete famílias lutaram guerras completas uma contra as outras, sem tocar as cidades alheias. Se os Bloodreavers e os Ronics declararem guerra, tudo será decidido lá.
'Deixe o enviado comigo —' eu disse. 'Vou garantir que ele não possa interferir.'
Primus hesitou por um segundo. — Então… podemos seguir adiante? —
'Sim', afirmei com firmeza. — Vá em frente. Enviarei minhas convocações também. Vençam de forma esmagadora. Façam os Ronics temerem sua força e seu nome. Depois disso, as convocações vão ajudar sua família a limpar as zonas de aberração sob seu território. Sua influência vai crescer ainda mais —
Um brilho de vontade acendeu nos olhos de Primus, cheio de fogo e ambição.
— Tudo bem — ele disse. — Vamos começar.
A sala dos Ronics estavalotada — mestres, anciãos, todos os demônios importantes da família de pé, ombro a ombro. O ar era quente, tenso, vibrando de fúria quase controlada. Assim que Primus se aproximou, todos os olhos se voltaram para ele.
Ele simplesmente levantou o queixo e deixou sua aura subir.
— Todos vocês disseram muitas coisas e apresentaram argumentos racionais, mas todos sabemos por que estamos aqui — começou Primus. — O ancestral Orobas era o alvo, mas ele sobreviveu, enquanto o Ancestor Modrin morreu. Um transcendente foi morto dentro de sua própria câmara. Energia de alma foi usada. Isso só pode significar uma coisa: envolvimento dos Del Rey.
Um rosnado baixo se espalhou pelo salão.
Primus prosseguiu: — Pedimos Romothese. O enviado afirma que ele está ‘desaparecido’. Conveniente, não é? —
Vários demônios murmuraram em concordância. Alguns rosnaram.
Primus apontou para a entrada, onde mais tropas chegavam pelo círculo de teleporte. — Os Bloodreavers vieram de mãos vazias. Queríamos respostas. Em vez disso, fomos recebidos com desculpas e atrasos. O enviado insiste que não é Romothese, apesar das evidências mostrarem o contrário.
— Se alguém ousar matar seu ancestral ou tentar matá-los, invadir seus salões e depois se esconder atrás de desculpas — qual seria sua reação? —
— Matá-los! — alguém gritava.
— Fazer eles pagarem! — bradou outro.
Primus assentiu. — Exatamente. Não podemos ficar parados. Não podemos esperar o enviado terminar sua refeição e nos dar permissão. Os Del Reys cruzaram uma linha. Se hesitarmos agora, eles vão atacar novamente, com tudo que estavam planejando. Não vão parar até dominarem Armus.
Comentários se transformaram em murmúrios raivosos. Labaredas dançaram pelos corpos de vários demônios.
Os olhos de Primus queimavam de raiva. — Os Bloodreavers já decidiram. Vamos ao Vale dos Guerreiros. Declararemos guerra aos Del Reys. Se ainda sobrar algum orgulho, alguma honra entre os Ronics, vocês se juntarão a nós —
Foi então que Orobas se aproximou ao lado dele.
A presença do antigo ancestral encheu o salão. Chamas escarlates giravam ao seu redor. Sua voz ecoou como trovão.
— Primus fala a verdade — disse Orobas. — E escutem bem, Armus é o nosso mundo. Nossa terra. O enviado é apenas isso, um enviado. Ele não nos pertence. Não manda na nossa vida —
Demônios rugiram em aprovação.
— Que o enviado venha — disse, frio. — Se tentar interferir, lidaremos com ele. É uma questão de clãs, de Armus, não de Dragos. — Seus olhos ficaram duros. — Além disso, está claro que ele está do lado dos Del Reys. Cada palavra dele cheira a parcialidade. Antes que terminem o que quer que estejam planejando, nós atacamos primeiro.
— Platius — disse Orobas, com uma expectativa pesada na voz — qual é sua decisão? —
Todos os olhos se voltaram para o chefe da família Ronic. Platius baixou a cabeça, fechou os olhos enquanto o salão mergulhava em silêncio total. Cada demônio segurava a respiração. O que ele escolhesse agora determinaria o amanhecer do dia seguinte.
Alguns segundos longos passaram.
Por fim, Platius levantou a cabeça. Sua voz ecoou pelo salão.
— Vamos à guerra… por vingança. —
Uma onda de chamas e rugidos explodiu.
— GUERRA! —
— MATEM OS TRAIDORES! —
— PARA O VALE DOS GUERREIROS! —
O salão tremeu com a fúria de duas famílias demônios escolhendo a violência sem hesitação.