
Capítulo 642
Meu Talento Se Chama Gerador
Já estavam ocorrendo pequenos conflitos entre os Del Reys e os Bloodreavers. Essa visita só tinha aumentado a faísca. Agora, seria oficial.
Voei de volta para Horus e fui direto para a caverna.
Silver jazia do lado de fora, com uma asa meio aberta, parecendo entediado até o âmago.
"O que você está fazendo aqui?" perguntei ao pousar.
"Nada," respondeu. "Percebi um Cavaleiro por perto e vim ver com o que ele estava brincando."
Concordei com a cabeça. "Beleza."
Procurei passar por ele e entrei na caverna.
Romothese estava sentado num canto, amarrado por várias tentáculos sombrios. Seu corpo jazia coberto de sangue, hematomas e cortes das tentativas iniciais do Cavaleiro de fazer ele abrir o bico. Seus olhos estavam abertos, mas sem foco, pareciam exaustos e aterrorizados ao mesmo tempo.
O Cavaleiro saiu das sombras mais escuras, sua cauda mexendo atrás dele.
"Você está aqui," disse.
"Então," perguntei, "conseguiu algo útil?"
O Cavaleiro assentiu lentamente. "Sim. Toda a história, do começo ao fim. Como tudo começou."
"Ah?" levantei uma sobrancelha. "Isso é bom. Vamos lá fora e conversar."
Desapareci da caverna, reaparecendo perto das rochas lá fora. O Cavaleiro surgiu ao meu lado um segundo depois, deixando Romothese preso lá dentro.
A interrogatória tinha ido bem. Agora era hora de ouvir a verdade.
Levantei a mão e a terra tremeu suavemente, três cadeiras de pedra ergueram-se do solo em linha reta. Uma mesa redonda formou-se entre elas, lisa e perfeitamente moldada.
Sentei primeiro. O Cavaleiro pegou o assento à minha esquerda. Silver pulou para frente, esticou as asas uma vez e acomodou-se na última cadeira, parecendo longe de estar desconfortável.
Guardei uma garrafa de bebida alcoólica e três copos no meu armazenamento. Parece que veio a hora de beber algo.
Silver inclinou-se para frente, cheirou seu copo e comentou: "Finalmente," murmurou. "Você nunca me dá uma de suas bebidas. Hoje é um dia histórico."
Sorrir pelo canto da boca. "É hora de contar história. E bebidas deixam tudo mais interessante."
O Cavaleiro assentiu uma vez. "Então, vamos começar."
Ele colocou o copo na mesa e cruzou as mãos.
"Tudo começa com Lana."
Silver resmungou. "Claro que começa com ela."
O Cavaleiro continuou como se não tivesse ouvido.
"Quando Lana despertou, ela não apenas adquiriu um talento comum. Ela conquistou um talento raro. Um talento de grau verde."
Eu reclinei na cadeira. "Talento verde?"
"Sim," respondeu o Cavaleiro. "Seu nome… Parasita Fortuna."
Parei para beber um gole. "E o que esse talento faz?"
"Esse talento permitia que ela percebesse a fortuna, o bom destino das pessoas ao seu redor. Quanto maior a fortuna, mais brilhante ela parecia para ela."
O Cavaleiro fez uma pausa.
"E quanto mais ela permanecia perto delas, mais ela podia drená-la para si mesma."
Os olhos de Silver se arregalaram. "Ela suga a sorte das pessoas? Isso é assustador mesmo."
"Fica pior," disse o Cavaleiro.
Ele se inclinou um pouco para frente.
"Um dia, ela cruzou com Primus. E, nos olhos dela, ele brilhava como um sol. A maior fortuna que ela já tinha visto em Armus."
Concordei lentamente. "Não me surpreende. É claro que ele tinha uma fortuna louca. Afinal, ela conheceu a minha."
O Cavaleiro prosseguiu.
"Foi aí que Lana, seu pai e Romothese fizeram seu primeiro plano. Decidiram usar Primus. Mas, enquanto Lana continuava acumulando pequenas fortunas das pessoas ao redor, seu talento ficava mais forte. Seus conhecimentos se expandiam. Sua mente ficava maior. E a ganância entrou na jogada."
Silver fez um som de descrença. "Obviamente."
O Cavaleiro não interrompeu.
"Com essa ganância, eles ficaram curiosos. Quiseram ver os talentos mais incríveis de Dragos. Então, viajaram até lá. E aí foi um erro."
Ele bateu na mesa com a ponta dos dedos.
"Em Dragos, Lana foi notada por um demônio Transcendente. Uma presença poderosa. Que imediatamente reconheceu o talento verde dentro dela."
"Ele percebeu," disse o Cavaleiro. "Transcendentes podem detectar essas coisas. Enfrentou ela e seu pai. Não conseguiram esconder."
"O que ele quis?" perguntei.
"Ofereceu algo grandioso," respondeu o Cavaleiro. "Uma oportunidade de estabelecer a família deles dentro de Dragos. De elevar seu status."
Silver ergueu seu copo. "Sempre tem uma pegadinha."
O Cavaleiro concordou com a cabeça.
"A pegadinha era simples: Lana tinha que garantir o controle absoluto de Armus. Completamente. Inteiramente."
Sobrancelha subiu ao perceber a revelação. "Então, ele queria Armus através dela."
"Exatamente. E ela aceitou."
Ele continuou, sem mostrar emoção.
"Quando voltaram, a primeira coisa que fizeram foi finalizar o plano com relação a Primus. Lana iria se casar com ele. Manipulá-lo. Roubar sua fortuna parte por parte."
Silver passou a mão pelo queixo. "E ela conseguiu."
"Ah, conseguiu," afirmou o Cavaleiro. "Ela drenou quase setenta por cento da boa sorte de Primus. E, a cada pedaço que roubava, sua compreensão aumentava. Seu talento ficava mais forte. Seus insights mais profundos."
Bati a língua no céu da boca e dei mais um gole na bebida.
"Então, é por isso que ela crescia tão rápido."
O Cavaleiro concordou. "Exatamente."
Ele pegou seu copo, tomou um gole pequeno e prosseguiu.
"Depois de alguns anos, o Transcendente visitou Armus. Checou Lana e viu que ela tinha evoluído muito mais do que esperava. Ordenou que ela voltasse imediatamente para Dragos para um treinamento avançado."
"E ela escutou," disse em voz baixa.
"Ela escutou," confirmou o Cavaleiro. "Mas tinha um problema. Primus ainda detinha uma quantidade enorme de fortuna. E o Transcendente deixou claro: nada de apegos."
As penas de Silver eriçaram-se. "Deixe-me adivinhar. Ela mandou matar."
O Cavaleiro assentiu. "Primus e sua filha Lara."
Fiquei em silêncio, refletindo.
O Cavaleiro prosseguiu.
"Quando as mortes foram perseguidas, Lana partiu para Dragos. E lá, começou a próxima fase. Com a orientação do Transcendente, eles tramaram novos planos para tomar Armus aos poucos."
"E o ataque do Fantasma faz parte disso."
"Sim," disse o Cavaleiro. "Parte do movimento para enfraquecer tanto os Bloodreavers quanto os Ronics. E fazer os Del Reyparecerem como vítimas. Assim, só os Del Reys sobrarão e terão direito legítimo ao controle de Armus."
Abaixei lentamente o fôlego.
"Então… essa é toda a verdade."
O Cavaleiro recostou na cadeira.
"Essa é tudo o que Romothese confessou. O talento de Lana. Sua ganância. A manipulação. O casamento. As ordens. As mortes. A participação do Transcendente. E a ambição crescente dos Del Rey."
Assenti.
"Está tudo se encaixando perfeitamente."
"Ah! só mais uma coisa," disse o Cavaleiro. "Ela está casada com aquele demônio transcendental agora."