
Capítulo 625
Meu Talento Se Chama Gerador
Lana não perdeu tempo.
"Estou acelerando o cronograma", ela disse. "Os Bloodreavers serão atacados amanhã."
Gyros ficou rígido. "Amanhã? Por que tão cedo?"
"Uma complicação", Lana respondeu. "Primus Bloodreaver está vivo. Ele voltou."
O enviado piscou uma vez, o choque passando por sua aura.
"Vivo? Eu pensei—"
"Sim", Lana o interrompeu. "Todos nós pensamos isso."
Gyros respirou fundo, inclinando-se para frente. "Se Primus está vivo, você quer que eu o elimine silenciosamente? Antes que cause problemas?"
Seu rosto ficou frio.
"Não", ela disse. "Porque você não pode."
Gyros abaixou a cabeça. "Se for questão de força—"
"Não é sobre força." Lana o interrompeu de repente. "Escute bem, enviado. Você consegue matar alguém de uma maneira que não deixe rastros? Sem suspeitas? Sem nenhum rastro que possa nos ligar a isso, nenhum mesmo?"
Gyros hesitou... então balançou a cabeça lentamente.
"Não. Não contra alguém com esse tipo de sorte e que também conta com o apoio dos Bloodreavers."
"Exatamente." A voz de Lana ficou firme. "Se ele morrer de forma não natural, alguém vai encontrar o fio, e ele vai nos ligar. Então, fazemos do jeito limpo."
Ela se recostou na cadeira.
"Amanhã, o espectro atacará a capital deles exatamente como planejado. As forças dos Bloodreavers já estão sobrecarregadas lutando contra aberrações. Quando o espectro agir, eles vão pensar que foi coincidência ou má sorte, e não sabotagem. E mesmo que acreditem que foi sabotagem, não conseguirão rastrear até nós."
Gyros assentiu lentamente. "Entendido."
"E", Lana prosseguiu, "você só intervirá após danos suficientes terem sido causados. Salve quem ainda estiver vivo. Mate o espectro usando os artefatos que te entreguei. Dragos irá te recompensar com créditos, e nosso acordo será cumprido."
O enviado endireitou-se, a excitação brilhando sob sua fachada controlada.
"Obrigado pela oportunidade, Senhora Lana. Posso… perguntar o que vem a seguir?"
"O mesmo de sempre. Depois que o Bloodreaver cair, tomaremos seus recursos, conquistaremos seus territórios e então partiremos para a próxima família. O clã Ronic será fácil assim que seu ancestral desaparecer."
Ela levantou um dedo, como se estivesse traçando um mapa invisível.
"Eles já estão mais fracos. Ainda não sabem o quão grave, na verdade."
Gyros fez uma reverência. "Vou garantir que tudo ocorra sem problemas."
"Ótimo", murmurou Lana. "Não falhe."
A projeção se escureceu e desapareceu.
O enviado permaneceu ali, parado, respirando lentamente, claramente com a mente acelerada.
Eu o observei a alguns metros de distância, ainda escondido dentro da dobra do espaço.
Droga, aquela demônia… ela estava além de ambiciosa. Planejava destruir um mundo inteiro com a calma de alguém ajeitando sua mesa. E o fato de ela ter um transcendente como servo leal…
Ou ela era extremamente poderosa, ou alguém ainda mais forte a apoiava nos bastidores.
E isso deixava uma questão muito mais pesada pendurada no ar.
O que isso significava para Primus?
Ele foi traído desde o começo? Ou ela mudou… só depois que ele desapareceu?
Não tinha certeza. E quanto mais pensava, mais perguntas surgiam.
Somente Primus poderia respondê-las. E ele merecia ouvir a verdade de mim antes de qualquer outra pessoa.
Dei ao enviado um último olhar e desapareci do local. Um piscar de olhos depois, voltei para dentro da câmara de teletransporte oculta. Não perdi tempo.
Pisei no círculo.
A luz mudou e eu apareci na sala subterrânea pertencente aos Del Rey.
Teste o último círculo.
Minha suspeita estava certa. Ele levava diretamente à família Ronic.
Assim que cheguei lá, encontrei o mesmo padrão: uma câmara escondida, um ancestral frágil mal segurando a vida, parecido com o elder Bloodreaver. O velho demônio flutuava numa poça de sangue diluída, sua aura piscando como uma vela morrendo.
Três famílias. Três ancestrais. Dois fracos, um poderoso.
Todos conectados. Todos vigiando. Todos manipulando.
P reasonei lentamente.
Por enquanto, já era suficiente.
Teleporte novamente e cheguei dentro do aposento do ancestral Bloodreaver. Knight olhou para cima no instante em que apareci, ainda flutuando de pernas cruzadas no ar, como um espírito guardião preguiçoso.
"Então", ele disse, com voz seca. "Como foi sua viagem?"
"Louca", respondi, esfregando a testa. "Você não vai acreditar no que eu encontrei."
Expirei uma última vez e olhei ao redor. "Aconteceu alguma coisa interessante aqui?"
Ele balançou a cabeça. "Nada de mais. Só uma reunião familiar dramática. Bastante gritaria, choro, abraço… você sabe, coisa de demônio."
Soltei uma risada discreta.
Ele esticou os braços atrás da cabeça. "North e Steve foram levados a uns aposentos de hóspedes. Um lugar chique. Devem estar descansando."
Assenti, já sentindo asuras de calma ao longe. "Bom."
Knight inclinou a cabeça. "Então… precisa de mais alguma coisa de mim?"
"Não", esclareci. "Você pode voltar. Eu cuido de tudo daqui."
Ele acenou com uma saudação sarcástica. "Sim, chefe."
Uma ondulação atravessou a sala enquanto ele desaparecia de volta para o núcleo.
O silêncio voltou ao ambiente.
Virei-me para o ancestral inconsciente, flutuando na poça de sangue diluída. Sua respiração era lenta, mas constante, sua vida pendurada por fios, mas ainda presente.
"Ainda vivo", murmurei.
Não precisava de mais uma complicação.
Após uma última inspeção no velho demônio, recuei, deixei o espaço se torcer suavemente ao meu redor e me desvencilhei da câmara.
Um batimento de coração depois, apareci bem acima da cidade, pairando no céu vermelho. O ar pesado de calor, fumaça e o rugido distante dos demônios discutindo pelas ruas.
A guerra estava chegando.
E eu tinha acabado de perceber quem era o verdadeiro inimigo por trás de tudo isso.
Agora… era hora de contar a Primus a verdade. Mas antes, precisava descobrir de onde viria o ataque.
Expandi novamente minha percepção, deixando-a varrer toda a cidade como uma onda silenciosa.
Meus sentidos atravessaram cada canto, cada viela, entrando por janelas, deslizando pelos telhados, afundando nos porões, tocando cada aura demoníaca que encontravam.
Cada rua. Cada praça. Cada casa.
A cidade era enorme, mas não complicada. Estava em grandes círculos: os distritos residenciais externos, os campos de treinamento internos e a fortaleza central, onde a família de Primus governava. Mestres grandões andavam com armas à vista.
Mas nada disso importava. Estava procurando pela brecha.
O local por onde Lana faria seu ataque passar.
Segundo o plano dela, um espectro transcendente atacaria diretamente a capital Bloodreaver. Uma criatura assim não poderia ser escondida silenciosamente, precisava de um ponto de invocação, uma âncora ou uma fraqueza na defesa natural da cidade.
Por isso, continuei escaneando.
Estiquei minha percepção mais longe, além dos muros, além das florestas, até as montanhas ao redor.
Mas não encontrei nada que pudesse ser uma anomalia.
Isso significava que ainda não estava dentro do território.
Mas então... onde?
Olhei para o céu.