
Capítulo 624
Meu Talento Se Chama Gerador
Herald nem teve a chance de falar.
A fists do ancestral acertaram diretamente seu estômago.
Um som de engasgo molhado escapou dele enquanto se encolhia instantaneamente, caindo de joelhos, com as mãos grudadas na barriga. Sua respiração saiu em suspiros curtos e ofegantes.
"Inútil", o velho demônio rosnou. "Uma missão. Você tinha uma maldita missão."
Herald tentou levantar a cabeça.
Não conseguiu ir longe.
O ancestral agarrou os chifres dele e puxou para cima, então levantou o joelho com força.
CRAC.
Herald foi lançado para trás, batendo com força contra a parede de pedra, deixando uma marca. Sangue escorria do nariz e da boca enquanto lutava para ficar de pé, as pernas tremendo sob ele.
O ancestral não se moveu. Apenas olhou para seu filho com uma expressão que misturava nojo e decepção.
"Eu te treinei", ele disse lentamente, com voz baixa e controlada. "Te alimentei. Protegi. Preparei você. E ainda assim, não consegue fazer nem a coisa mais simples sem tropeçar como uma criança cega."
Herald limpou o sangue do rosto, olhando para o chão, sem dizer palavra.
O ancestral bufou.
"Olhe para você. Patético. E essa é a pessoa na qual Lana confia para transmitir informações? Não é à toa que tudo demora mais do que deveria."
Herald cerraram a mandíbula, mas não levantou os olhos.
O ancestral fez um gesto com a mão, afastando com descaso.
"Saia."
Herald cambaleou para os pés, balançando.
"E Herald", acrescentou o velho demônio sem se virar para olhar, "me diga exatamente quando devo me mover amanhã."
Ele fez uma pausa.
"Se você estragar tudo…", sua voz virou puro gelo. "Vou matar você pessoalmente. Lana pode procurar outro idiota para te substituir."
Herald ficou rígido, se curvou vacilante e mancou para fora da sala.
Assistia enquanto o ancestral se acomodava novamente, pegava seu livro e começava a leitura como se nada tivesse acontecido.
Segui Herald para fora.
Ele cambaleou pelo corredor, limpando o sangue do queixo. Mas no instante em que achou que estava sozinho, sua expressão se torceu — raiva, humilhação e algo mais escuro fervendo por baixo.
Aíngüa o punho tão forte que os nós estalaram.
"Velho desgraçado…", murmurou entre dentes. "Um dia… você vai ver quem é inútil."
Chegou ao final do corredor onde outro guarda demônio o aguardava. Herald agarrou-o pelo ombro.
"Chame uma reunião", ordenou. "Agora. Diga aos outros que nos reunimos no salão oeste. Imediatamente."
O guarda assentiu e se apressou em ir embora.
Herald não o seguiu. Ficou parado por alguns segundos, respirando fundo, resistindo à vontade de socar a parede. Então virou bruscamente e foi embora, ainda tremendo de raiva.
Ignorei tudo isso.
Seus planos não eram da minha conta.
Voltei para a câmara oculta sob o prédio, aquela com os três círculos de teleporte. Fiquei diante deles novamente, encarando.
Um círculo tinha me trazido até aqui, até os Del Rey.
Dois ainda estavam lá.
"Vamos ver aonde vocês levam", murmurei.
Pisei no círculo da esquerda.
As runas se iluminaram instantaneamente, vibrando de poder enquanto eu infundia Essência nelas.
Desapareci.
E reapareci dentro de outra câmara subterrânea, bem na frente de um demônio sentado de pernas cruzadas em meditação.
Antes mesmo de abrir os olhos, escondi-me na dobra do espaço, deslizando de lado até que nenhuma respiração da minha existência permanecesse.
Um instante depois, os olhos do demônio se abriram de repente.
Uma pressão profunda, esmagadora, explodiu dele, preenchendo toda a câmara como uma tempestade comprimida em paredes de pedra. O chão vibrava. Poeira caía do teto.
Eu não me mexi.
Aura dele atravessou o ar, violenta e cortante.
E eu o reconheci.
O enviado.
O único Transcendente estacionado na capital de Armus.
Então aquele círculo de teleporte… conectava-se diretamente à capital.
O demônio se levantou lentamente, seu rosto escurecendo enquanto virava a cabeça, escaneando a sala com olhos estreitos.
Depois desapareceu.
Uma sombra rápida.
Reapareceu bem ao lado do círculo de teleporte de onde vim, agachado, com os dedos tocando as runas brilhantes. Esfregou as pontas dos dedos, sentindo o leve resquício de Essência.
"Um visitante…", murmurou.
Seu tom carregava desconfiança.
Ele se endireitou e liberou uma onda de energia, desta vez uma ondulação focada de Essência que se expandiu como um anel que se abre.
A onda bateu contra as paredes da câmara, causando rachaduras instantâneas na pedra.
Mas, quando chegou até mim, apenas a absorvi.
Simplesmente assisti enquanto passava pela dobra do espaço, como uma brisa suave.
Ele não me detectou.
Mesmo os Transcendentes não conseguem identificar facilmente onde estou escondido agora, com minha percepção e a essência violeta inundando meu corpo.
O enviado rosnou, irritado.
Ele escaneou toda a sala, depois o teto, depois as rachaduras na parede. Seus olhos vermelhos brilhavam ao analisar cada centímetro.
Eu escaneei o velho demônio.
[Gyros Trid – Nível 310]
Gyros moveu a mão novamente. Três pequenas Chamas flutuaram de sua palma e se dispersaram pelo ambiente, procurando qualquer rastreio de vida ou distúrbio espacial.
Eu observei calmamente enquanto elas se aproximaram de mim… e passaram sem causar dano.
Confiante de que nada tinha ficado para trás, o enviado virou abruptamente e caminhou em direção à entrada da câmara.
Gyros saiu da sala com passos pesados, seu aura ainda afiada e fervente.
No instante em que entrou no corredor, uma demônio atendente já o aguardava, fazendo uma reverência profunda, mãos atrás das costas.
"Senhor Enviado", disse ela, com voz firme apesar da pressão que emanava dele, "Dragos está solicitando comunicação. Dizem que é urgente."
Gyros não respondeu de imediato. Sua mandíbula se apertou, e uma leve brasa de fogo surgiu nas pontas de seus chifres.
"…Muito bem", falou por fim.
Ele seguiu pelo corredor, e eu o acompanhei.
O enviado abriu uma porta pesada de metal e entrou em seu escritório particular, uma sala grande iluminada por esferas vermelhas flutuantes. No centro, uma mesa espessa de pedra branca.
Gyros sentou-se, inclinou-se para frente e colocou a palma da mão sobre uma marca circular na mesa.
O ar vibrava.
Uma tela de projeção apareceu diante dele, iluminada por runas.
Meus olhos se estreitaram no instante em que a imagem ficou nítida.
Lana Del Rey.
Outra vez.
Ela estava numa espécie de trono do outro lado da conexão, serena e tranquila, vestida com armadura vermelha de cerimônia. Sua expressão suavizou, não muito, porém suficiente para mostrar que não era uma ligação qualquer.
Gyros imediatamente se levantou e fez uma reverência.
"Senhorita Lana."
Minhas sobrancelhas se levantaram.
Senhorita?
Lana não era apenas filha de um chefe de clã. Ela era algo mais.
Algo poderoso o suficiente para fazer um enviado Transcendente abaixar a cabeça sem hesitação.
Ela deu um pequeno aceno de cabeça para o enviado.
"Gyros", ela falou suavemente. "Temos muito o que conversar."