
Capítulo 622
Meu Talento Se Chama Gerador
A primeira ideia que passou pela minha cabeça foi bem simples:
Esse espaço de bolso foi criado pelo próprio velho demônio ou alguém mais o construiu aqui só para espioná-lo?
Fiquei lá por um momento, pensando em todas as possibilidades. Muitas linhas, muitos detalhes.
Depois, soltei um suspiro e balancei a cabeça.
Estava complicando demais as coisas.
Para alguém como eu, ser cauteloso era bom… mas, neste momento, não fazia sentido algum.
Sorri de leve comigo mesmo e bati os dedos na palma da mão.
Uma suave onda de ressonância se espalhou ao redor.
Ela atingiu o corpo do velho demônio como uma onda silenciosa, e ele caiu instantaneamente, seu corpo semifechado ainda flutuando sobre a tábua de madeira acima da poça de sangue.
Verifiquei-o uma vez para ter certeza de que seu ritmo cardíaco estava estável. Aquilo não mataria ele.
Feito isso, chamei o Cavaleiro.
Ele saiu do espaço fold ao meu lado, apenas seus olhos brilhando suavemente na câmara subterrânea sombria. Seu olhar percorreu o cômodo, então parou no velho demônio inconsciente.
"Ah… que surpresa," ele comentou, a cauda agitándose.
Balancei casualmente os ombros.
"Esse velho demônio é ancestral do Bloodreaver. O único quase Transcendente dessa família toda."
O Cavaleiro piscou. "E ele está dormindo de propósito ou você o nocauteou como se fosse um gato dormindo?"
"Ele precisava descansar," respondi seca. "E eu preciso de respostas."
O Cavaleiro me olhou lentamente. "Certo. Claro. Totalmente normal."
Balanceei a mão de forma natural. "Enfim, vou dar uma volta."
"Uma volta," ele repetiu sem entusiasmo.
"Dentro do espaço de bolso," esclareci.
Ele fez cara de cansado. "Claro. Por que não? Vai lá. Divirta-se. Deixe-me aqui com o trabalho empolgante de cuidar de Steve e North."
Sorri de canto. "Se você ficar mais forte que eu, eu assumo essa tarefa de cuidar."
Ele mostrou os dentes afiados num sorriso torto. "Só desejando."
Não respondi.
Com um passo suave, avancei rapidamente para dentro do espaço de bolso escondido. O ar ondulou, o círculo de teleportação brilhou mais forte enquanto eu despejava essência nele…
E simplesmente desapareci e cheguei a outra câmara subterrânea.
Era bem menor do que o porão dos Bloodreavers, mal cabia as três linhas de teleportação gravadas na pedra. Fiquei exatamente no centro da linha do meio, runas tênues ainda brilhando sob meus pés.
Expandi minha percepção instantaneamente.
E o que percebi me fez parar por um momento.
Outro posto de guarda.
Mas não o dos Bloodreavers.
A arquitetura era diferente — mais irregular, mais decorada, mais caótica. A pedra tinha veios de azul escuro correndo por ela, e as bandeiras penduradas no topo carregavam um símbolo que eu tinha visto na capital.
Uma única chama azul envolta por uma serpente em espiral.
O emblema da família Del Rey.
Pisquei, realmente surpreso.
"Bom… não esperava por isso," murmurei para mim mesmo.
Uma passagem secreta na câmara privada do ancestral Bloodreaver… ligando diretamente ao castelo dos Del Rey. Ou era uma aliança secreta ou uma traição. De qualquer forma, era algo interessante.
Finalmente, escondi-me novamente na camada do espaço, sumindo completamente, e saí da câmara subterrânea.
A escada me levou até uma pequena sala, com estantes de livros, pergaminhos e potes de ervas demoníacas. Nada de especial aqui, exceto por uma porta oculta no centro do chão, de onde eu tinha vindo.
Sem guarda ou servos. Nada além da rotina comum.
Silenciosamente, atravessei a parede, deixando minha percepção me guiar.
Dois demônios antigos corriam por um corredor, falando tão rápido que as palavras se atropelavam.
Ficava atrás deles como um espectro.
Seguiam em direção ao salão principal.
E, sem nada melhor para fazer, decidi acompanhá-los. Queria entender qual era a pressa.
O salão era enorme, muito mais ornamentado que o dos Bloodreavers. Brasas azuis ardiam ao longo das paredes, enchendo o ambiente de um calor espiritual que parecia cortante, como se perfurasse a própria alma.
No trono estava um demônio cuja presença era ainda mais pesada.
Suponho que fosse o cabeça da família Del Rey.
Os dois demônios antigos se apressaram, ajoelharam-se e pressionaram os punhos contra o chão.
"Meu senhor!" um deles gritou.
Os olhos do líder se estreitaram. "Fale."
"Primus Bloodreaver… retornou."
As palavras caíram como pedras em águas calmas.
Minha sobrancelha subiu.
Isso foi rápido. Muito rápido.
Significava que havia espiões dentro do clã Bloodreaver, o suficiente para passar informações ao lado dos Del Rey em poucos minutos.
O líder demoníaco se levantou do trono, visivelmente surpreso.
"O quê?" ele saiu da voz, irritado. "Como assim? Não o matamos?"
Os dois demônios permaneceram em silêncio, com as cabeças abaixadas profundamente.
O líder bufou. "Inúteis. O que mais?"
O segundo demoníaco finalmente quebrou o silêncio. "Ele… chegou com dois humanos. E sua filha, Lara."
Meus olhos se estreitaram.
Humano com nome próprio indica que há espiões na sala dos Bloodreaver. Só nesse lugar os Steve e North tiraram seus capuzes.
O líder demoníaco beliscou a língua, claramente irritado.
"Pode ir embora."
Os dois mensageiros saíram às pressas, quase tropeçando um no outro na pressa.
O líder aguardou até que eles desaparecessem.
Então, moveu-se.
Mas nada poderia me esconder dele.
Segui silenciosamente.
Ele entrou em uma câmara menor, segura, e fechou a porta atrás de si.
Dentro havia uma longa bancada de pedra, parecida com um altar. Ele fez um movimento com a mão. Uma placa de pedra deslizou para o lado, revelando várias cavidades gravadas na superfície.
Ele pegou um cristal fininho de um gaveta, liso, transparente, vibrando com runas e essência, e o inseriu em uma das cavidades.
Uma tela de projeção acendeu-se acima da bancada, emitindo uma luz azulada e assustadora.
Então, o demônio esperou.
E eu também, escondido na dobra do espaço, a poucos metros da circuladora de projeção.
Enquanto aguardava, deixei minha percepção se espalhar suavemente por toda a fortaleza, procurando o ancestral da família Del Rey.
Demorou pouco para encontrá-lo.
Estava lá embaixo, numa câmara fortemente protegida, isolada.
Mas não morria de meia-vida, imerso em uma poça sanguinolenta como o ancestral Bloodreaver.
Seu estado era muito melhor.
Velho, sim. Seus chifres longos e levemente trincados, pele marcada por batalhas, mas ainda exalando força. Sua aura era firme, o coração pulsando forte, a mente tranquila.
Sentava-se numa grande cadeira de balanço feita de madeira preta e osso gravado, balançando suavemente enquanto lia um livro grosso de capa azul. A atmosfera ao seu redor transmitia paz, nada de desespero.
Nível 300. Assim como o ancestral Bloodreaver. Na beira da transcendência, mas ainda um passo atrás.
observei-o por alguns segundos.
A diferença era evidente.
O ancestral Bloodreaver se mantinha unido por força de vontade. O ancestral Del Rey ainda tinha tempo e energia disponível.
Retirei minha percepção lentamente, voltando meu foco ao líder demoníaco, que aguardava nervoso a estabilização da projeção.