
Capítulo 492
Meu Talento Se Chama Gerador
Antes que eu pudesse reagir, o mundo escureceu. Sombras surgiam ao nosso redor como uma maré viva. No próximo instante, minha visão ficou preta.
Então, de repente, a escuridão se desfez. Pisquei e me encontrei bem acima das ruínas, North ao meu lado, ambos sustentados pelas sombras de Edgar.
— O que acabou de acontecer? — perguntei, minha voz mais afiada do que pretendia.
O assobio ainda ressoava em meus ouvidos, agudo e cortante no meio do caos. Virei a cabeça a tempo de ver uma figura despencar, batendo no chão com uma força que rachou o solo.
BUM!
O impacto ressoou em todas as direções, outra onda de destruição brutal atravessando a capital. Edifícios se curvaram e quebraram, as ruas se rasgaram, e os gritos das pessoas lá embaixo se misturavam ao rugido de pedras desabando.
Porém, desta vez, Edgar estava ali. Suas sombras se enlargaram, curvando a onda de destruição ao nosso redor, como água se abrindo diante de uma pedra. Pela primeira vez, a explosão não nos atingiu.
À medida que a poeira baixava, eu a vi. Hazel.
Ela flutuava no ar, com o cabelo desajeitado, o rosto distorcido por uma mistura de raiva e dor. Seus olhos brilhavam com uma loucura que eu nunca tinha visto antes, e sua mão na espada tremia com a fúria que ela continha.
E, sem uma palavra, ela mergulhou.
Ela desceu em velocidade impossível, mirando direto no grandmaster incrustado no crateras abaixo, sua espada sedenta por sangue.
— Ela está perdendo o controle — murmurou Edgar ao meu lado. Sua voz era baixa, quase resignada.
— O que quer dizer? — perguntei, embora já sentisse aquela sensação de inquietação apertando meu peito.
— Ela está escorregando — respondeu. — Sua lei se alimenta de emoções. Ela foi a única a ousar trilhar o caminho da Morte em pessoa, mirando a Lei Maior. Mas sua força também é sua fraqueza. Quanto mais ela cede às emoções, menos ela comanda sua lei. Agora, sua espada não está conduzindo a morte… a morte a conduz.
Franzi o cenho.
— Como assim? Eu achava que ela seguisse apenas o caminho da espada.
A sombra de Edgar mudou, e por um instante achei que vi um leve sorriso nele, embora não chegasse aos olhos.
— A espada é apenas um vaso. Um complemento. A verdadeira essência dela sempre foi a morte.
Antes que pudesse fazer mais perguntas, as sombras que nos carregavam se desvaneceram. Ele baixou North e a mim de volta às ruas destruídas.
— Cuide-se — disse. Foram apenas duas palavras. Então, desapareceu novamente, engolido por suas próprias sombras.
Levantei a cabeça e vi o caos e as leis conflitantes brilhando e explodindo por toda parte. E então, lá estava Hazel, completamente perdida em seu próprio mundo.
— O que fazemos? — perguntou North.
Respondi na hora.
— Matar.
Apertei meu jeito na espada. Meu coração pulsava forte no peito enquanto pronunciava as palavras.
— [Corte do Abismo].
Raiozadas de energia se enrolavam ao redor de mim, atravessando-me com pontas afiadas. Minha visão se concentrava, cada detalhe se agudizava, o mundo desaparecia, exceto por um homem de nível Mestre saindo tropeçando dos escombros à nossa frente. Seus olhos se arregalaram, a boca se abriu para gritar. Mas seu destino já estava selado.
Flexionei os joelhos e desapareci.
A lâmina cortou o ar silenciosa e perfeita. A cabeça dele caiu, seu corpo se dobrou. Limpo. Vazio. Sem sangue. O corte estava completo, mas eu já sentia uma ponta de impaciência.
As palavras de Hazel voltaram à minha mente.
— Não duvide. Não hesite.
Ela me treinou nisso toda vez que eu vacilava, toda vez que tentava pensar demais antes de agir em vez de confiar no instinto. Agora, vendo ela se perder, comecei a questionar. Ela já tinha feito sua escolha? Acabar com tudo? Estava ela me mostrando a verdade do seu caminho, ou me alertando sobre ela?
Contraí os dentes.
— Não há espaço para dúvidas. Só há a missão.
Outra figura surgiu de uma torre quebrada, armadura rachada, a arma quase na bainha. Levantei minha lâmina, o relâmpago crepitando forte, e murmurei novamente.
— [Corte do Abismo].
Avancei na direção dele, a lâmina rasgando o peito. Ele nem conseguiu gritar. A fenda no ar desapareceu, e ele caiu.
O sistema alertou no meu ouvido:
—
[Nível da Habilidade Up]
[Corte do Abismo Lv.2 → Corte do Abismo Lv.3]
Fiquei sem ar. O golpe pareceu mais certeiro, mais rápido, como se minha espada estivesse começando a me entender, e não apenas me seguir.
Engoli em seco, empurrando o pensamento embora. Não havia tempo. Outro corpo. Outro alvo.
— [Corte do Abismo].
As palavras começaram a soar em ritmo. Respiração. Meu corpo se moveu, mais rápido, mais forte. Minha espada era a única constante. A habilidade cresceu, ardente, consumindo cada vez mais de mim, mas eu continuei.
Matar. Avançar. Bater. Silenciar.
Matar. Avançar. Bater. Silenciar.
A voz de Hazel ecoava no fundo da minha cabeça.
— Não duvide. Não hesite. Sempre em frente. Sempre o fim.
Os Mestres continuavam vindo, alguns fugindo, outros idiotas demais para não desafiar. Todos caíram do mesmo jeito. Minha lâmina vibrava, meu corpo gritava, mas eu não parei.
Quando consegui puxar uma respiração arrastada, as ruas já não eram mais reconhecíveis. Entulho empilhado, fumaça no céu, cadáveres espalhados entre as pedras destruídas. Meu braço de espada tremia, o suor escorria pelas costas. Ainda havia faíscas de relâmpago na minha pele, mas até isso parecia mais fraco agora.
Perdi a conta de quantos cortei. O sistema, não.
44 ativações.
Quarenta e quatro vezes abri o mundo com aquele golpe. Quarenta e quatro vidas terminadas sem hesitar.
Demorou cerca de trinta minutos, mas senti que tinha passado uma eternidade fazendo aquilo.
Fiquei ali no meio do caos, o peito arfando, os pulmões em chamas. Meu corpo me mandava parar, mas minha mão se recusava a soltar a empunhadura. A espada zumbia, viva na minha pegada, ávida por mais.
Olhei para o cadáver mais próximo — corte limpo, sem sangue, o corpo dividido exatamente ao meio. Minha mandíbula se cerrando ao pensar em Hazel novamente. Será que era isso mesmo que ela queria? Continuar batendo até que nada sobrasse? Seguir tão fundo nesse caminho de morte que não fosse mais possível voltar atrás?
Minhas pernas tremeram. Minha visão turvou por um momento, manchas pretas nas bordas. Mesmo assim, levantei a lâmina, sussurrando baixinho.
— Matar ou ser morto…