
Capítulo 493
Meu Talento Se Chama Gerador
Norte chamou por mim, a voz carregada de preocupação. "Você pode fazer uma pausa, Steve."
Soltei um longo suspiro e caí de joelhos no chão, sentando-se bruscamente. Meu corpo parecia pesado, assim como meus pensamentos.
“Droga,” murmurei, limpando o suor da testa. “Essa habilidade vai me matar, não só pelo esforço, mas também pelo tédio.”
Norte me lançou um daqueles olhares que parecem enxergar através de mim. Fingi não perceber, mas seu olhar permaneceu fixo.
Então foi como um clarão — BOOM!
O som foi ensurdecedor, tão alto que quase me fez estourar os tímpanos. O chão tremeu sob meus pés, e naquele instante, soube que uma nova onda de choque estava prestes a chegar.
O instinto me puxou para levantar e me defender, mas antes que pudesse me mover, Norte já tinha avançado. Suas lâminas cortaram o ar com precisão, dividindo a onda de choque ao meio antes que ela nos atingisse.
Não consegui evitar um sorriso, mesmo no caos. “Valeu, cunhada.”
"De nada," ela respondeu com um pequeno sorriso.
Levantei-me novamente, tirando a sujeira do uniforme, e voltei minha atenção ao céu. A origem do estrondo era evidente.
Hazel.
Porém, desta vez, ela não estava calma. Não estava controlada. Parecia completamente fora de si. Sua aura se libou como uma tempestade, selvagem e instável. Ela havia se lançado diretamente na disputa com Saturn, sua lâmina pingando um névoa negra que se enrolava e subia como fumaça viva.
Antes que eu pudesse raciocinar melhor, Edgar apareceu ao nosso lado. Num piscar, o chão desapareceu, e eu senti o vento açoitar meu corpo — já estávamos flutuando bem alto acima do campo de batalha.
"O que aconteceu?" perguntei tentando manter a voz firme.
"Ainda nada," respondeu, embora seu tom carregasse uma ponta de inquietação. "Mas vai acontecer."
Olhei para o caos lá embaixo, forçando-me a contar. Restavam apenas nove grandesmestres do lado deles. Meu olhar cruzou o campo de batalha em direção às nossas forças. Um alívio percorreu meu corpo ao perceber que, além dos feridos, ainda não havíamos sofrido nenhuma baixa.
Finalmente, meus olhos fixaram-se no centro de tudo.
Saturno pairava lá, calmo como sempre, com sua enorme espada apoiada no ombro. A poucos passos dele estava Hazel, seu peito subindo e descendo com respirações furiosas. Sua aura tremia violentamente, e sua espada pulsava com aquela névoa negra.
Um pouco mais atrás, Lucien permanecia, seu rosto distorcido de raiva.
Sua voz cortou o ar. "Chega, Hazel."
Saturno nem sequer olhou para ele. Seu sorriso se aprofundou enquanto seus olhos permaneciam fixos em Hazel.
"Ah… é amor de irmão que vejo? Faz sentido. Você não tem mais ninguém, não é, Hazel? Só ele."
Meu estômago afundou. Meus olhos se arregalaram. Até Edgar pronunciou uma palavra de desprezo. "Droga."
A resposta de Hazel foi um rugido, bruto e ensurdecedor. Ela avançou, e antes que eu pudesse piscar, sua espada já tinha colidido com a grande espada de Saturno.
BOOM!
A colisão rasgou o céu como trovão, balançando tudo ao redor.
O céu virou um campo de batalha acima de mim.
Hazel e Saturno se enfrentaram repetidamente, seus movimentos tão rápidos que não consegui acompanhá-los.
Cada golpe soava como trovão, cada ataque rasgava as nuvens. Meus olhos se moveram para os lados, mas por mais que eu tentasse, não conseguia acompanhar a velocidade deles nem imaginar a habilidade de cada um.
Então, por um momento, eles se afastaram.
O espaço entre eles ondulou sob uma tensão palpável, e finalmente consegui ver Hazel claramente.
Um arrepio percorreu minha espinha. A fumaça negra não vinha mais só de sua espada — ela saía de seu corpo, se enrolando ao redor dela como correntes vivas. Seus olhos brilhavam com uma loucura assustadora.
"O que está acontecendo com ela?" perguntei rapidamente, virando para Edgar.
Ele assistia com uma expressão grave.
"Ela está consumindo sua força vital. Está forçando sua compreensão da morte a subir além do que devia."
Fechei os punhos.
"Então, por que o imperador não a impede? Ele não pode simplesmente ficar parado."
Edgar soltou um longo suspiro, os ombros caíram.
"Ele não pode. Ela não vai escutar desta vez. Ele já tentou pará-la uma vez."
Suas palavras cortaram meu coração. Uma carga pesada tomou conta do meu peito. Hazel tinha sido minha mentora, quem me guiou, me ensinou, disse para nunca duvidar do caminho que leva ao Abismo. Ver ela agora, se consumindo, era como assistir uma montanha desabar aos meus pés.
Então aconteceu. A velocidade dela aumentou de tal forma que parecia que o tempo mesmo se rompia. A aura dela se transformou em uma lâmina, e a fumaça girava violentamente ao redor do seu corpo.
Hazel desapareceu num flash, sumindo de vista. O espaço ond ulou como água onde ela estivera, e então, com um som que se abriu no céu, ela apareceu na frente de Saturno. Sua espada desceu em um único arco preto, rasgando o espaço em si.
A grande espada de Saturno se ergueu para encontrá-la, mas ele foi um pouco lento demais. Uma linha escura cortou seu braço, e então sua mão desapareceu, Severamente cortada. Sangue espalhou-se no ar, como fagulhas.
Hazel riu, o som alto e selvagem, carregado pelo silêncio ao redor. A fumaça negra jorrava de sua espada, de seu corpo e até do ferimento que ela acabara de infligir.
O rosto de Saturno se contorceu de fúria. Sua voz retumbou pelo campo de batalha.
"HAZEL!"
Sua aura irrompeu para fora em uma onda cegante, tão pesada que eu senti como se estivesse esmagando meu peito, mesmo de longe. O próprio ar se curvou ao redor dele enquanto segurava sua grande espada com a mão remanescente. A arrogância brincalhona havia ido embora, agora ele lutava de verdade.
Hazel não vacilou. Ela levantou sua espada alto, com fumaça negra saindo dela como sombras em chamas. Saturno ergueu sua grande espada com uma mão, uma luz dourada explodindo da lâmina.
Eles avançaram ao mesmo tempo. Ruptura do Abismo de Hazel avançou novamente, rasgando o ar, o arco preto se espalhando como uma fenda na realidade. A lâmina de Saturno desceu, sua técnica assinatura entrando em ação. Luzes negras e douradas colidiram.
BOOM!!
O mundo rachou. Luz e sombra colidiram, formando uma explosão de ondas de choque que achatou as nuvens e fez o vento uivar ferozmente pelo campo de batalha.
Meus olhos ficaram marejados, minha respiração foi arrancada do peito e, por um instante, tudo se tornou um turbilhão de luz branca e fumaça negra.
Quando o ar se acalmou, ofeguei. Hazel e Saturno estavam caindo do céu, seus corpos esmagados pela força da colisão. O chão se abriu no impacto, poeira e pedra jorrando como uma erupção vulcânica.
O confronto terminou empatado. Mas ver Hazel caída nos destroços, com fumaça ainda saindo de seu corpo, partiu meu coração.