Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 415

Meu Talento Se Chama Gerador

[POV de Bilhão]

Olhei ao redor até meus olhos encontrarem Leo. Ele estava rígido, com o rosto pálido como se tivesse acabado de ver um fantasma. Empurrei a Essência para dentro das minhas pernas, deixando-a explodir para fora. O chão tremeu sob meus pés, e num piscar de olhos atravessei a distância que nos separava, o ar assobiando ao meu redor enquanto parava a apenas um passo de distância.

— Ei, Leo. — Estiquei a mão e bati de leve no seu ombro.

Ele estremeci forte e recuou pulando, com os olhos bem abertos.

— Comandante… Comandante Bilhão.

Levantei uma sobrancelha. — O que aconteceu com você? Por que está tão chocado?

Antes que pudesse responder, sombras ondularam ao meu lado como uma cortina viva, e Knight apareceu, silencioso como a morte. Uma rajada de vento veio junto, e Silver desceu do céu com um único impulso de suas enormes asas, as garras batendo no chão enquanto aterrissava. Lyrate permanecia ereta nas costas dele, com o olhar afiado como sempre.

Seus olhos de Leo fugiram entre os três e voltaram para mim, enquanto seus lábios tremiam, procurando palavras.

— Eu… não tenho certeza, comandante. Sinto como se estivesse... sonhando.

— Não se preocupe — eu disse, mantendo o tom calmo. — Faça o favor de se acostumar. Coisas assim, você vai ouvir mais delas de agora em diante. Enfim, consegue começar a limpar aqui? Eu vou ajudar o Cassian enquanto isso.

Leo deu uma cabeça rígida em sinal de consentimento. Eu me virei, o olhar deslizando até o campo de batalha, onde Cassian enfrentava os três grandes mestres, todos já nos olhando.

A voz de Lyrate quebrou o silêncio. — Então… devemos ir lá e lidar com eles?

Eu balancei a cabeça. — Não, Lyrate. Preciso de alguns níveis pra mim. Vou enfrentá-los.

Ela não mudou a expressão, mas inclinou a cabeça levemente. — Mas você pode ficar com a borboleta pra você.

A voz de Silver veio em concordância. — É. Sinto que essa luta acabou rápido demais.

Eu revirei os olhos. — Ah, vocês dois. Vocês acabaram de matar centenas deles. Só estou pedindo pra lutar contra quatro.

Lyrate fixou o olhar em mim, estudando por cinco longos segundos, até finalmente dar um pequeno aceno de cabeça.

Fiquei com a cabeça inclinada, fazendo uma reverência. — Obrigado, senhora, por essa gentileza.

Por trás de mim, Knight e Silver riram baixinho, quase em silêncio.

— Fiquem aqui, volto em alguns minutos.

A essências inquietou-se dentro de mim, ansiosa por ser liberada.

Meus pés deixaram o chão e levantei voo. Desde que avancei de nível, já podia voar sem depender das minhas asas.

A Essência levou-me facilmente, embora já pudesse sentir a diferença: era estável e suave, mas nunca atingiria a velocidade ou força bruta do voo alimentado pelas asas. Ainda assim, por ora, isso era suficiente.

A Essência saiu das minhas pernas, impulsionando-me para o alto. Era estranho voar sem asas, só meu corpo cortando o vento. Meu peito apertou com a força, meus ossos tremeram, mas a sensação de velocidade era incrível.

O mundo lá embaixo ficou turvo, encolhendo rapidamente, e antes que eu pudesse contar até dois, já estava perto do limite. A figura do Cassian ficou nítida na minha visão. E então, num piscar de olhos, tava lá, ao lado dele, no meio da luta.

— General Cassian, espero que não tenha sentido muita saudade de mim.

Ele virou a cabeça, com os olhos fixos nos meus, e por alguns segundos apenas encarou. O silêncio parecia alongar-se, e eu cocei a parte de trás da cabeça, um pouco sem jeito.

— Uhh… General? Você ainda está comigo?

Cassian piscou, como se saísse de um sonho. — É, desculpe aí. Parabéns por ter virado grande mestre. O Império tem sorte de ter você na nossa ranks.

Me endireitei e fiz um cumprimento. — Obrigado, general. É uma honra.

Minha vista desviou-se para os três abomináveis próximos. Eles não atacavam, apenas permaneciam congelados, como se estivessem esperando. — Por que eles estão só parado assim?

Cassian olhou para o roedor trêmulo, depois voltou para mim. — Por sua causa. Tem uma aura vindo de você, tornando difícil para eles se mexerem.

Inclinava minha cabeça. — Ahh. Agora entendi. Ele estava falando do halo passivo que carrego sem nem perceber.

[1] - Halo do Executor (Passivo):

Uma aura passiva de autoridade absoluta. A realidade ao seu redor se ajusta sutilmente, aprimorando o fluxo de Essência e suprimindo o caos. Seres que desafiam o Comando Original reconhecem instintivamente você como inimigo e reagem com medo ou hostilidade.

'Talvez tenha ficado ainda mais forte depois do upgrade,' pensei.

Sorrindo, voltei a olhar para o roedor flutuante. Seus olhos vermelhos me encaravam, seu corpo magro tremendo no ar.

— Domínio Absoluto — sussurrei. Uma onda violeta se espalhou ao meu redor, envolvendo o espaço com minha vontade.

E então, pela primeira vez, vi. Dentro da névoa, runas pulsavam na minha visão — linhas, fios e pequenos fluxos de luz se entrelaçando na criatura. Elas a ligavam ao mundo, à Essência, aos elementos, até ao espaço.

— Direto ao Isolamento.

As runas se intensificaram, brilhando como se aguardassem meu comando.

A primeira linha pulsou, Essência. Estendi minha vontade e a cortei. O roedor gritou, seu corpo vibrando violentamente. Sua conexão com a Essência do mundo foi cortada; restou só a pequena energia acumulada dentro dele.

A próxima linha cintilou, espaço. Uma âncora tênue o sustentava no ar, equilibrando-o. Cortei-a. Instantaneamente, ele congelou no ar, preso, incapaz de mover sequer uma garra.

Avancei um passo mais perto. Os olhos vermelhos da criatura tremiam, como se entendesse o que estava acontecendo.

As runas mudaram de novo, mostrando o fluxo dos elementos ao seu redor. Fogo, sombra, vento, todos sussurrando para seu corpo distorcido. Cortei cada fio, um a um. Faíscas de resistência piscavam, depois se apagavam. O roedor gritou, mas sua voz saiu rouca, quebrada.

Outro passo. Meu domínio se apertou, e concentrei-me nas vibrações que percorriam sua garganta. O som em si era outro laço, outra ligação. Comi com precisão. O silêncio caiu pesado. Sua boca se abriu, mas nada saiu.

A criatura tremeu, presa no silêncio, seu corpo travado, seus gritos silenciados.

Parei na sua frente. Lentamente, levantei a mão e coloquei um dedo contra sua cabeça.

As chamas explodiram. Saíram do seu corpo num instante, alimentando-se da Essência que tinha dentro. O fogo espalhou-se tão rápido que o abominável nem se contorceu, sumindo em um suspiro, transformado em fumaça sob meu toque.

As runas desapareceram, ficando o ar silencioso.

Sorri suavemente e respirei fundo.

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