
Capítulo 556
Meu Talento Se Chama Gerador
Ao perceber que o clima ficou pesado, Anjee quebrou o silêncio. "Você pode ignorar o demônio. As coisas não são tão ruins quanto ele faz parecer."
Primus deu uma risadinha discreta. "Você realmente acredita nisso, Anjee?"
Anjee assentiu com firmeza. "Sim. A Galáxia Prime ainda está de pé, e nem mesmo as dez maiores posições perderam guerras importantes."
Primus balançou a cabeça lentamente. "Eles não perderam, é verdade… mas também não ganharam. Está empatado."
E enquanto eles se ocupam em manter esse impasse, as forças dos Eternals estão destruindo o resto do nosso universo. Eu sei disso porque já perdemos bilhões de demônios como escravos para eles. E, se não estiver enganado," ele lançou um olhar para Anjee, "até os Ferans sofrem o mesmo. Vocês fazem montarias das suas espécies, não é?"
As garras de Anjee se apertaram. O vidro na mão dele rachou e quebrou com um estalo baixo. "Não gosto de ouvir isso, Primus." Sua voz profunda roncou de raiva.
Primus levantou a mão levemente. "Desculpe. Foi o álcool falando."
Anjee exalou com força, relaxando os ombros enquanto se acalmava.
A voz de North veio em seguida, suave, mas séria. "Então, o que torna os Eternals tão fortes?"
Anjee respondeu após um momento. "É o próprio universo deles. Todo mundo que nasce lá possui uma Essência Central desde o nascimento."
Isso quer dizer que seus corpos são mais resistentes, eles despertam mais cedo, sua compreensão das leis é mais aguçada, seus engenheiros são mais avançados, seus recursos mais abundantes.
Já estão em guerra há eras, é da natureza deles. Eles aperfeiçoaram isso. Nós, por outro lado, ficamos na zona de conforto. Sem o Sistema, teríamos sido conquistados há muito tempo."
Primus assentiu. "Ele está certo. Não somos o primeiro universo que eles conquistaram. Absorvem tudo o que tocando. E, pelo que ouvi, antigamente, eles tinham um ser que chegou à Divindade, e essa é a razão de a fundação deles ser tão poderosa. Eles nos superam em número, planejam melhor, e nunca traem uns aos outros. Uma raça única e unificada que acredita que é seu direito governar a existência."
O ambiente voltou ao silêncio, apenas o zumbido baixo da nave preenchendo o espaço.
Steve cochichou do seu lugar ao balcão, "A coisa tá parecendo sem esperança."
Eu suspirei, passando a mão pelos cabelos. Antes que pudesse dizer algo, Primus inclinou-se para frente, sério. "Ah, isso é nada. Vocês só ouviram de nós. Ver disso… experimentar… aí é outra história totalmente diferente."
Mas há um detalhe mais importante que vocês precisam entender sobre os Eternals. Assim como temos o Conselho e os Senhores da Abóbora, eles têm as Sete Legiões Eternas. Seis delas já colocaram o nosso universo quase de joelhos.
A sétima… está livre para andar por aí. Pode causar destruição onde quiser. Essa Legião é responsável pela devastação da 37ª posição do Conselho."
Absorvi as palavras, minha mente acelerada. "As Sete Legiões Eternas," murmurei para mim mesmo. "Pode me contar mais sobre elas?" Olhei para ambos, ansioso para entender a verdadeira escala do que estamos enfrentando.
Primus respirou fundo, o olhar distante. "Elas não são só exércitos. Cada Legião é como um universo em si, composta por incontáveis soldados, naves e construções, tudo unido sob um único comando. Cada uma tem seu estilo, seu foco, e juntas… são imparáveis. Vocês não têm medo até ver uma Legião varrer um sistema, deixando tudo destruído."
Anjee recostou-se um pouco, os olhos estreitados. "Não sei se isso é verdade," ele falou lentamente, "mas os rumores dizem que cada uma das Sete Legiões Eternas foi criada por um semi-deus."
Eu escutei quieto, sentindo o peso das palavras. Semi-deuses… e cada um formando uma legião inteira. A escala parecia quase impossível de imaginar.
Primus, bebendo o gole de uma vez, falou em seguida. "Cada legião tem sua especialidade. Uma em particular: a Legião de Ferro e Chama. Eles lutam usando suas criações engenhosas. Máquinas, seres híbridos, aberrações, fantasmas… tudo que se possa imaginar. Dizem que foram responsáveis pelas Aberrações e pela maldição dos Fantasmas em nosso mundo. Eles escravizaram as almas do nosso povo, transformando-os em armas de guerra."
Franzi a testa, minha mente acelerando. "A Legião da Artefação… é ela a responsável por tudo isso?"
Primus assentiu com expressão grave. "Sim. Seus constructos são infinitos, e sua crueldade não tem limites. Eles não apenas lutam, eles moldam o campo de batalha. Cada cidade, cada exército, cada criatura é destruída ou submetida à sua vontade. E isso… é só uma das sete."
"Eles são vilões além da conta, sem dúvida," disse Primus, a voz baixa, "mas não os mais poderosos."
O mais poderoso entre eles é a Legião da Chama Primitiva. Cada Eterno dessa legião domina Deathmist, podendo manipular tanto a Essência quanto o Deathmist com controle absoluto. Os núcleos de essência deles evoluíram para Núcleos do Nada, e seu único propósito é morte e destruição. Sozinhos, podem rivalizar com as cinco maiores posições do Conselho."
"Que diabos há de errado com essas pessoas," murmurou Lyrate ao meu lado.
E eu concordei com ela. Sempre achei que fosse único, que tudo que conquistei, cada habilidade que adquiri, me fazia acreditar que era diferente.
Mas isso… era algo completamente diferente. Uma legião de Eternals, capazes de empunhar tanto Essência quanto Deathmist, não era apenas poderosa, era aterradora.
"Senhor Bilhão," Anjee disse suavemente, "quando chegar ao centro da nossa galáxia, aconselho não se apressar em qualquer batalha. Primeiro, tente entender que tipo de horror realmente enfrentamos. Não sou tão desesperançado quanto o demônio aqui. Ainda acredito que, de algum modo, vamos sobreviver. Sempre conseguimos."
Primus deu uma risada seca, colocando o copo vazio na mesa. "Não estou sem esperança," ele disse, "mas também não vejo muito motivo para ficar esperançoso. Tenho uma família, e protegê-la, com o pouco de força que tenho, é a única coisa que me mantém em pé. E sei que há muitos como eu. Mas os Eternals… eles não entendem amor ou família. Para eles, conquista é tudo."
Ele se afastou do balcão, virou-se para mim, com os olhos cansados, mas firmes. "Para seres assim, somos fracos," disse. "Estão unidos por uma única vontade, um único propósito. Mas nós? Nossos objetivos divergem. Nossas ambições entram em conflito. Somos um grupo disperso, lutando contra uma mente coletiva. Para vencermos essa guerra…" Ele fez uma pausa, um leve amargor em seu sorriso. "Precisaremos de um milagre."
Então, simplesmente, deu as costas e se foi, deixando o resto de nós com nossos pensamentos.
North se aproximou e segurou minha mão, os olhos cheios de preocupação.
"Ei, Bilhão, talvez precisemos de mais força," disse Steve, endireitando-se. Ele respirou fundo, ergueu os ombros e acrescentou, "Tenho uma missão para completar." Sem esperar resposta, saiu andando.
Anjee me fazia um sinal de cabeça e também saiu discretamente.
Agora éramos só nós três.
Eu apertei suavemente a mão de North. "Parece que temos um caminho difícil pela frente."
"Sim," ela respondeu, com a voz suave, mas firme. "Talvez até uma missão impossível."
Sorri levemente. "Não tenho tanta certeza disso. Ainda tem muita coisa vindo. Talvez… um dia eu crie minha própria legião."
Ela piscou para mim.