
Capítulo 525
Meu Talento Se Chama Gerador
"Marca de talento? Aura?" perguntei, franzindo a testa. "Do que você está falando, velhinho? Pelo que sei, minha presença e aura estão sempre sob controle."
Dante balançou a cabeça lentamente, como um professor corrigindo um aluno teimoso. "O que você está falando é sobre o controle da sua Essência, sua habilidade de conter suas energias. Mas sua presença…" Ele se inclinou para frente, olhos estreitando-se. "Sua presença é como o mundo natural reage a você. É sua vontade, transbordando de você como um sol infernal na minha cara."
Fiquei tenso, suas palavras ecoando em minha cabeça.
'Ele está falando do Halo do Executor?'
"Ainda não entendo," disse eu.
"Então deixa eu te mostrar."
Ele se endireitou e, antes que eu pudesse reagir, algo mudou.
Sua presença se intensificou, não apenas sua aura, mas algo mais profundo. Minhas percepções perceberam um peso novo pressionando a sala.
Dante não parecia mais o velho homem curvado na minha frente; agora parecia um gigante feito de energia bruta, imponente e impossível de ignorar.
A Essência na cabana se alterou instantaneamente. O fluxo preguiçoso e natural das partículas tornou-se dócil, obediente, como soldados se curvando diante de um comandante. Sua vontade pressionava contra mim, mas não com a força agressiva que eu esperava. Não, era escorregadia, sutil. Uma vontade tentando desaparecer, se misturar, tornar-se um vazio.
Fiquei observando, minha percepção captando cada detalhe. Como a Essência dele se dobrava sobre si mesma. Como sua vontade se comprimia até virar nada. Como sua presença disfarçava sua própria forma.
Ele falou novamente.
"Agora, isso sou eu. Multiplique por cem, e é isso que vejo quando olho para você."
A Essência ao seu redor se comporta como se tivesse encontrado seu Imperador, transmitindo sua afinidade para quem estiver atento. E a sua vontade?" Ele apontou um dedo na minha direção. "É tão explosiva que está afetando toda a capital neste exato momento. Você emite domínio. Supressão. Vitória. Todo mundo que percebe sua presença sabe que você quer ser o grande final."
Piscando, surpresa de verdade, perguntei: "Mas então, por que não percebi ninguém sendo afetado por isso?"
Dante soltou uma respiração longa, quase um suspiro.
"Porque ninguém está disposto a disputar isso com você. Sua vontade é tão pesada, tão absoluta, que eles inclinam a cabeça por instinto. Re submissos antes mesmo de perceberem. Mas..." Ele inclinou a cabeça, olhos agudos. "Você vai perceber no momento em que alguém tentar resistir."
Antes que eu pudesse responder, sua presença mudou. Foi sutil no começo, uma pequena ondulação, como uma corrente mudando debaixo de águas calmas. Então, percebi. Sua vontade virou algo totalmente diferente: feroz, inflexível, dominante.
O efeito foi imediato.
O chão entre nós rachou com um estrondo agudo, fissuras se espalhando a partir do ponto onde estávamos.
As paredes de madeira da cabanagemiam sob um peso invisível, rachaduras profundas se abrindo pelos caibros.
Minha Psisense se acendeu instintivamente, minha vontade rugindo como uma besta irada solta, mas logo ela desapareceu. A presença de Dante se encolheu de volta, desaparecendo para dentro de um silêncio semelhante ao vazio. A cabana exalou conosco, a madeira rangendo até voltar ao silêncio.
Ele riu, o som baixo e de compreensão. "Isso foi minha tentativa de contestar sua vontade. Só um gostinho." Seus olhos brilharam suavemente enquanto sua aura sumia de novo. "Agora você entende o quão perigoso é deixar sua presença rugir sem controle. Um oponente errado pode decidir responder a ela."
Agradeci lentamente, respirando fundo para liberar a tensão do corpo. Dante endireitou as vestes e virou-se em direção à saída.
"Vamos embora. Precisamos sair," disse com tom calmo e firme. "Vou te ensinar a controlar tudo isso enquanto estivermos na nave para Sukra."
Assenti e o acompanhei até a saída da cabana.
"Então, somos só nós dois indo?" perguntei, ajustando o passo ao lado dele.
Ele assentiu lentamente. "Sim. Todo mundo fica aqui. O Imperador quer que o resto mantenha Peanu sob controle, assuste a população para que se submeta, pare qualquer sinal de rebelião. Depois, vão para Vaythos." Uma pequena risada surgiu nos seus lábios enrugados. "Aliás, temos sua convocação. Não vamos ficar exatamente sozinhos."
Fiz um gesto de encolher os ombros, instintivamente expandindo minha percepção ao redor.
Steve estava com Edgar, sua Essência steady, mas inquieta como sempre.
A presença de North era mais suave, vibrante, ressoando levemente com a aura poderosa de Arkas enquanto eles conversavam.
E lá em cima, quase perdido no céu, estava o próprio Imperador.
Por um breve momento, tudo parecia calmo.
Então, a voz de Dante me puxou de volta. "Não estenda seus sentidos demais. Quanto mais projeta sua percepção, mais o mundo sente você de volta. Aprenda a ficar invisible na hora de olhar."
Olhei para ele e sorri de lado. "Quer dizer, como você?"
Ele riu, batendo a bengala no chão. "Exatamente como eu. Agora, vamos lá, rapaz-monstro, ver o que nos espera em Sukra."
O vento uivou enquanto subíamos às nuvens, o chão lá embaixo sumindo em um borrão de verde e sombra.
Nosso destino era uma pequena cidade feran no topo de um penhasco, silenciosa, discreta e perfeita para o que precisávamos.
Bem escondido nas favelas, um dos agentes de Dante tinha mantido um círculo de teleportação, sem que os habitantes de Peanu desconfiassem.
Ao aterrissarmos numa viela estreita, duas figuras encapuzadas apareceram, com os olhos levemente brilhantes sob os capuzes.
Sem dizer uma palavra, nos guiaram até uma adega com pouca luz, sob uma pousada abandonada. Runas gravadas no piso de pedra pulsavam com uma luz branca tênue.
"O círculo está firme," sussurrou uma das espiãs. "As coordenadas estão definidas para a base no asteroide."
Dante assentiu, então olhou para mim. "Vamos lá."
Entramos no círculo juntos. O ar ao redor se dobrou, a luz se condensou e, no instante seguinte, a cidade desapareceu.
Reaparecemos dentro da caverna familiar do asteroide, aquela que nos trouxe primeiro a Peanu. O leve zumbido de Essência residual preenchia o ar, ecoando pelas paredes rochosas e escuras.
Dante sorriu de leve e indicou para frente. Caminhamos para fora da caverna, enquanto a vastidão do cratera se estendia diante de nós. Sua nave estava perto.
Quando a escotilha se abriu com um sussurro suave, segui-o para dentro.
O interior se abriu em uma ampla ponte de comando, repleta de painéis luminosos, condutos cristalinos carregando fluxos de Essência como rios de luz.
A cadeira central alta, feita para comandar, rodeada por consoles que vibravam suavemente.
Dante caminhou direto até o assento de comando, colocou a mão no apoio de braço e deixou que a nave o reconhecesse. Runas brilharam na ponte em sinal de confirmação. Toda a nave parecia despertar, seu zumbido se aprofundando como se tivesse dado uma respiração.
"Destino?" perguntou uma voz calma, mecânica.
Dante se recostou um pouco. "Asteroide PE-X14," ordenou.