
Capítulo 482
Meu Talento Se Chama Gerador
O corpo de Saturno brilhava cada vez mais intensamente após absorver Mandal e Karu. Sua estrutura, já imensa, parecia ainda mais pesada agora, sua presença pressionando tudo ao redor. O ar ficou tenso pelo puro aura que emanava dele. Meu olhar se estreitou. O imperador de Peanu finalmente mostrava o motivo pelo qual era temido.
Com um estalo agudo, Saturno quebrou o controle de Lyrate, seu corpo avançando além dela como se fosse coisa simples.
Então seu corpo se dispersou em raios de luz branca. Num instante, reapareceu bem acima de Knight. Sua grande espada já ia em direção ao movimento.
O que me surpreendeu foi o silêncio. Nenhum ondular no espaço. Nenhum vento. Nada que alertasse a pantera. Saturno se moveu mais rápido do que Knight. Knight mal teve tempo de levantar a cabeça. No último segundo, sombras se enrolaram violentamente ao redor de seu corpo esguio, formando um casulo de armadura preta.
A espada conectou.
BUM!!!
Um estrondo ensurdecedor sacudiu o cemitério enquanto Knight voava e se despedaçava ao chão, as sombras explodindo em ondas ao seu redor. Seu corpo atingiu o solo como uma estrela cadente, abrindo um craterão na terra rachada. Poeira, pedra e pedaços de tumbas quebradas saíram voando em todas as direções.
Meu peito apertou, mas então uma raiva brotou dentro de mim.
Ragnar rugiu. Sua aura prateada se elevou como uma coluna, e num piscar de olhos apareceu bem na frente de Saturno. Seu garfo colossal brilhava com um brilho prateado, vibrando com sua lei da força, enquanto ele balançava para baixo em um arco esmagador, como se fosse para partir montanhas.
Ao mesmo tempo, Lyrate passou Corrente. Sua névoa carmesma se reuniu e reformou seu corpo logo atrás de Saturno. Ela não hesitou. Sua lâmina cortou em direção ao pescoço dele, coberto pela névoa escarlate escorrendo.
Porém, Saturno apenas proferiu duas palavras calmas.
"Fluxo da Lua."
Seu corpo virou ilusório. O garfo prateado de Ragnar atravessou-o sem acertar nada, passando pelo vazio. A espada de Lyrate cortou seu corpo luminoso sem deixar arranhão algum.
Então, na mesma respiração, Saturno estendeu a mão livre. Sua palma tocou o peito de Ragnar. Sua outra mão segurou o braço de Lyrate.
"Descida Divina", ele rosnou.
O mundo explodiu.
Uma avalanche de luz branca, cegante, se espalhou a partir do corpo dele. A lei menor da Luz — quase suficiente para ultrapassar o limite do nível 5 — explodiu. A onda se expandiu em todas as direções, engolindo Ragnar e Lyrate de uma só vez.
Ambos foram arremessados como bonecos de pano. O corpo de Ragnar se chocou contra a parede do castelo, a névoa escarlate voando em fagulhas dispersas. O impacto abriu rachaduras nas pedras antigas.
O ombro de Lyrate se estilhaçou debaixo da explosão, sua névoa escarlate explodindo no ar antes de se recompor ao tocar o chão, escorregando com um longo suspiro. Sua aura oscilava fracamente, seu rosto pálido enquanto ela se apoiava na espada, ajoelhada.
A terra tremeu sob nossos pés, fissuras longas se espalharam a partir do centro da explosão. Túmulos se partiram e caíram, as paredes do castelo gemendo sob a força.
Quando o brilho se dissipou, Saturno permanecia no centro da destruição, com a grande espada plantada ao seu lado. O círculo luminoso pulsava aos seus pés, alimentando seu corpo com fluxos de energia como veias de luz.
Sua face iluminada virou-se em direção à Lyrate ajoelhada, e ele deu um passo à frente. Foi nessa hora que decidi agir.
Eu acenei com o bastão ao meu lado, pressionei a palma na madeira, e desfiz seu feitiço. O bastão desapareceu. A ponte esculpida através das chamas devoradoras se fechou como uma boca se fechando. O túnel sumiu.
Saturno parou e se virou. Sua luz diminuiu um pouco ao encontrar meus olhos.
Respirei fundo lentamente, então me movi de novo.
Num piscar de olhos, apareci ao lado de Knight. "Vá descansar," eu disse, e desfiz seu invocamento.
Seu corpo se dissolveu num fluxo de névoa escarlate e desapareceu no núcleo. Acenei para Lyrate e Ragnar; eles entenderam e também sumiram no núcleo. Apenas Silver permaneceu.
Finalmente, nossos olhares se cruzaram: eu e o imperador.
Ele falou, sua voz rolando.
"Quem é você?"
Comecei a caminhar em direção a ele. Minhas botas arranharam as pedras quebradas. Ao nosso redor, o ar ainda tinha o cheiro de sangue e de túmulos esmagados. Mantive a voz calma, embora meus dentes rangesssem ao pronunciar as palavras.
"Sou quem quer sua cabeça. Quero destruir seu império, pedaço por pedaço. E vou conseguir."
Sua mão apertou o cabo da grande espada. As armaduras rangeram enquanto seus músculos se preparavam. Ele parecia pequeno e gigante ao mesmo tempo.
"Então, foi você quem trouxe essas bestas aqui e armou essa cilada," ele falou, com a voz fria.
"Diga seu nome."
Não abaixei o olhar. Falei claramente, para que ele ouvisse em cada palavra. "Sou Billion Ironhart. De Vaythos."
Ele piscou lentamente.
Soltou uma risada sardônica.
"Vaythos? Você ousaria—"
Parei ele com um passo. Apenas fechei a distância até que sua espada deixou de ser uma parede. De perto, a luz nos olhos dele era dura como aço. Cheirei metal e sangue.
Depois, movi-me.
Sem nenhum faixo de lei. Sem truque. Apenas peso, velocidade e o corpo de uma pessoa que se quebrou e se recompôs mais vezes do que a maioria consegue contar.
Agarrando a espada como se fosse um pedaço de pau, minhas mãos fecharam ao redor do metal. Ele tentou puxar, torcer, usar a alavanca daquela lâmina gigante. Senti a força dele puxando meu braço. Eu a correspondi, e então quebrei.
Ele vacilou, surpreso com uma mão que se recusava a ser dobrada. Por um instante, seus olhos se arregalaram. E eu ri, baixo e maldoso.
Dei um soco nele. Meu corpo estava enroscado e pesado. O impacto o empurrou para trás. Ele bateu no chão, fazendo estilhaços de pedra voarem. Caiu de costas, rolou, mas se levantou. Homens grandes não ficam no chão por muito tempo.
Ele veio em minha direção com a espada como uma torre caindo. Eu desviei, peguei o cabo de novo e forcei. Metal cantarolou. Estávamos cara a cara, a espada entre nós, ambos empurrando.
Meu punho direito encontrou o osso sob o queixo dele. Osso e falange em golpe duro, limpo. Sua cabeça balançou para trás. A luz se fracturou como gelo. Pela primeira vez, vi uma rachadura naquele rosto calmo.
Ele balançou a espada. Eu bloqueei com o antebraço e senti o metal arrastar, a dor correr pelos meus ossos. Ele se levantou, com um gancho feroz para dividir crânios. Enfrentei com meu próprio ombro. A força passou por mim como um tambor. Mas, ao invés de recuar, dei um passo à frente.
Segurei a cabeça helmetada dele e olhei nos olhos dele. De perto dava para ver o suor, as linhas finas ao redor dos olhos, a respiração acelerada, mas constante. Essa firmeza era teimosia, não calma.
Ele cuspiu sangue no meu braço. Seus olhos brilharam com um orgulho quase orgulho. "Você vai morrer," disse de forma plana.
Sorrimos, e esse sorriso parecia feio, mas certo.
Lancei golpes, não elegantes, não limpos, mas sinceros. Soco, cotovelo, ombro, cada impacto trazendo uma dor gelada que atravessava sua armadura. Cada golpe o abalava mais.
Ele tentou levantar a espada para me parar, mas meu peso, meu ritmo, minha raiva seguraram seus braços. Quebrei sua guarda com uma rasteira e um joelho nas costelas, que estalaram como madeira. Ele tossiu, meio ofegante, cheio de ar e sangue.
Levantei sua cabeça novamente e sussurrei perto do capacete: "Olhe para mim. Veja o que você deixou acontecer. Seus guardas morreram hoje. Seus mestres caíram. Você se levanta brilhando com os ossos deles e acha que é um deus? Você é um homem gordo com um brinquedo brilhante."
Ele tentou arremessar outro golpe, uma agressão selvagem. Dei uma cambaleada, peguei a lâmina na fenda do meu ombro, e com um giro lento e violento, a desprendi de suas mãos. A espada voou em um arco longo e caiu a uma dúzia de metros de distância.
Ele arfou.
Deixei que esse suspiro o acompanhasse e respondi com movimento. Meu pé o atingiu no esterno. O impacto não só o derrubou, como o lançou longe. Ele voou pelo campo numa Z que terminou com um estrondo doido contra a parede do castelo.
Antes que se recuperasse, eu já estava nele. Em dois passos, fechei a distância e empurrei meu pé nas costelas dele, depois na lateral, cada golpe punindo sua armadura como se fosse um sino ribombando.
Ele tentou acender o brilho, chamar os escudos que o imperador mantinha, mas meus golpes atravessaram a luz moribunda. Quando ele vacilou, usei seu próprio movimento contra ele, segurei seu braço, torci, e o joguei no chão com tanta força que a terra tremeu.
Ele se arrastou, olhos arregalados ao perceber que resistência era mentira. Arrastei-o pelo colarinho e acertei meu punho no ombro dele. O osso quebrou com um som oco, um estalo final, uma maldição suave escapando dele. Ele ficou mole na minha mão, o orgulho substituído pelo pavor.
Empurrei-o de joelhos.