
Capítulo 450
Meu Talento Se Chama Gerador
Cheguei ao céu acima da cidade de Brave em menos de cinco minutos. O lugar ficava quase no outro lado do continente, mas minha velocidade fez a distância parecer insignificante.
Expandindo minha percepção, abranji toda a cidade num piscar de olhos e o que senti foi bem longe de ser agradável.
Como Lyrate tinha dito, o homem governava através de um reino de escravos, e os sinais estavam por toda parte. Na superfície, Brave parecia arrumada e tranquila, com ruas largas, edifícios reluzentes e pessoas se movimentando como se tudo estivesse normal. Mas por baixo daquela aparência polida, a podridão era evidente. Encontrei dezenas de compounds escondidos espalhados pela cidade.
Homens e mulheres trancados em correntes. Crianças enfiadas em celas imundas. aberrações capturadas tratadas como animais. Até pessoas de outras raças, despojadas de dignidade e esperança.
Apertando a mandíbula, fiz um esforço para não me distrair. Tinha outros objetivos.
Minha atenção focou no Grande Mestre.
[Juno Downey – Nível 262]
Surpreendentemente, o homem não morava em um palácio ou algo que se assemelhasse a luxo. Sua casa era um prédio simples de um andar, escondido nos arredores da cidade. Pequena, silenciosa e sem graça, quase como se ele quisesse desaparecer na multidão.
Observei por dentro com minha percepção. Lá estava ele, reclinado num sofá, olhos grudados na televisão. Mastigando petiscos sem se preocupar com nada.
Esse homem não parecia nada com um Grande Mestre. Sem aura, sem disciplina, nada. Parecia mais um golpista do que um guerreiro. Cabeça calva brilhando sob a luz, um bigode ridículo curvando-se desajeitadamente acima do lábio, e um sorriso que parecia escorrer com desonestidade.
Respirei fundo, um sorriso meio de canto surgindo nos meus lábios.
"Bom, amigo, este será seu último dia."
Com um pensamento, invoquei Lyrate para o mundo.
"Ah, estamos aqui," ela disse ao sair, seu olhar afiado se prendendo imediatamente a Juno.
"É. Vai lá. Seja rápido e me diga tudo sobre os outros Grandes Mestres e suas cidades. Ele parece um oportunista, vai derramar tudo assim que eu pegar ele."
Ela assentiu com uma cabeça. No instante seguinte, seu corpo se desfez em névoa e atravessou o ar em velocidade.
Pousei as mãos nos bolsos e me reclinei no ar, assistindo com calma. O espetáculo estava prestes a começar.
Lyrate surgiu atrás de Juno como uma sombra. Sua lâmina já estava na mão, a lâmina refletindo um brilho tênue na luz fraca da sala de estar detonada dele.
Juno parou por um segundo, com a mão quase na boca, segurando um petisco gorduroso. Lentamente, virou a cabeça, seu sorriso falso se abrindo ainda mais.
"Ué... o que é isso? UmaLinda dama com uma espada na minha casa? Você poderia ter batido na porta, querida. Estou sempre de portas abertas para visitas."
Lyrate não respondeu. Aplanou a lâmina contra seu pescoço, a aço frio silenciando sua risada antes que ela chegasse a sair. Com um movimento rápido do pulso, ela o empurrou para frente, fazendo sua face colidir na mesa. A tigela de petiscos tombou, espalhando migalhas pelo chão.
"Ai! Calma, calma!" Juno gorou, a voz abafada contra a madeira. "Não precisa de violência, podemos conversar como gente civilizada!"
Ela falou numa voz baixa, calma, quase sem emoção. "Fale rápido. Nomes. Locais. Todos os Grandes Mestres que você conhece."
Juno riu nervoso, tentando se esquivar sob sua pressão. "Grandes Mestres, hein? Você deve estar enganada. Sou só um cara simples, curtindo meu—"
A lâmina cortou sua bochecha, deixando uma fina linha vermelha.
"Qualquer resposta diferente disso, e eu corto sua língua."
Seu suspiro saía trêmulo, a confiança dele se esvaindo. "C-Certo, certo! Não precisa ficar nervoso... vou falar. Conheço mais três. "
O homem começou a revelar todos os detalhes que sabia. Tinha certeza de que algumas informações eram falsas ou distorcidas, mas isso não importava. Se ele tinha inimigos de verdade entre os nomes, esses locais seriam legítimos.
Ela o empurrou com mais força contra a mesa, fazendo a madeira ranger. Os dentes dele bateram um no outro, um grunhido escapando dele.
Juno tentou sorrir, mesmo com a dor, os olhos vasculhando os lados em busca de uma saída. "Escuta aqui, amor, quem sabe a gente consegue fazer um trato. Você me deixa vivo, eu pago o dobro—não, o triplo—do que estiverem te oferecendo. Ouro, mulheres, até cristais de Essência. Tenho de sobra. É só pedir."
A espada dela se moveu num piscar de olhos. Com perfeição, ela atravessou o coração dele. Ao mesmo tempo, um espeto de madeira saiu do piso, atravessando seu estômago e levantando seu corpo no ar como uma bandeira grotesca.
Juno se contorceu violentamente, a face congelada de surpresa.
Antes que a vida escapasse completamente de seus olhos, Lyrate deu um passo à frente. Colocou a palma da mão contra seu peito trêmulo, e uma estranha energia verde se espalhou como veias de luz por sua pele.
No próximo instante, seu corpo se desfez. Carne, osso, sangue, tudo disperso como poeira ao vento. Até o espeto de madeira que o sustentava desapareceu junto com ele, deixando nada para trás. Juno Downey foi apagado, como se nunca tivesse existido neste mundo.
Lyrate não perdeu nem um segundo dentro da casa. Saiu, sua figura surgindo ao meu lado como se tivesse apenas passado por sombras. Sua expressão carregava o mais leve traço de satisfação.
"Isso é divertido," ela disse com suavidade. "Gosto dessas missões de assassinato. Mas uma não é suficiente. Devemos visitar todos os locais que aquele homem falou."
Não pude deixar de rir com o entusiasmo dela.
"Claro que vamos fazer isso. Mas não me esqueça do nosso objetivo principal."
Ela deu um ombro distraído, sem preocupação. "Tudo bem. Me avise quando chegar na próxima localização." Com isso, seu corpo se dissolveu e voltou ao núcleo.
Fechei os olhos, soltando uma risada curta. "Uau... me tratando como motorista." As palavras escaparam, meio de diversão, meio de descrença.
Balancei a cabeça e invoquei minhas asas. Uma névoa carmesim saiu das minhas costas, girando e se formando em asas largas e poderosas.
Já fazia tempo que não as usava, mas agora elas se abriram com um peso familiar. Decidi usá-las porque precisava me mover rápido, era crucial chegar ao próximo continente o quanto antes, e um oceano se estendia diante de mim.
Minha percepção se esticou para fora, travando nos partículas de espaço dispersas ao meu redor.
Sabia que não podia abrir um portal no espaço aqui, sem chamar atenção demais. Nem podia agitá-lo demais, ou oscilariações perigosas poderiam acontecer.
Mas podia usá-lo de forma diferente. Com controle cuidadoso, deixei minha vontade deslizar entre elas, permitindo que meu corpo se movesse pelas correntes como um peixe deslizando na água.
O próprio ar se curvou ao meu redor.
Com um só golpe forte das minhas asas vermelhas, rasguei os céus. A cidade de Brave desapareceu sob mim num instante, nada mais do que um borrão de luzes e sombras, enquanto eu avançava direto para o continente distante que me aguardava além do mar.