Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 467

Meu Talento Se Chama Gerador

Olhei ao redor cuidadosamente, observando o ambiente. Das fileiras de casas e das altas muralhas ao longe, percebi onde havia chegado. O palácio principal de Peanu ficava não muito distante, com suas torres douradas brilhando sob o céu. Não estava apenas na capital — eu estava dentro dos próprios terrenos do palácio.

Ao sair da câmara de teletransporte, mantive-me discreto e silencioso, infiltrando-me nas sombras.

Roland estava à minha frente, movendo-se rapidamente com passos pesados. Seus ombros estavam tensos, sua corrida era urgentemente acelerada. Eu o acompanhava bem de perto, minha percepção concentrada totalmente nele, para não perder o rastro nem por um instante.

Ele entrou em outra sala, as portas se abrindo com força. Não entrei com ele; em vez disso, encostei-me à coluna de pedra fria logo ao lado, escondido na pouca luz.

Dentro, dois homens idosos já estavam sentados, mergulhados em conversa. Seus rostos marcados pelo tempo e pela experiência, suas vozes baixas mas tranquilas. Quando Roland entrou de surpresa, ambos pararam no meio da frase, surpresa estampada em seus rostos enrugados.

O homem sentado à esquerda, Malcolm, foi o primeiro a se virar. Seus olhos afiados fixaram-se em Roland, e sua voz carregava um tom de comando.

"O que aconteceu?"

Roland endireitou as costas e forçou as palavras, com a voz tremendo, mas ansiosa.

"Finalmente… encontrei uma maneira de lidar com aquele homem."

O outro ancião inclinou-se levemente para frente. Seu nome era Theodore, e seus olhos se estreitaram com interesse. Ele batucou levemente na mesa com o dedo antes de falar: "Explique".

Malcolm recostou-se na cadeira, cruzando os braços delgados. "Sim, parece que você está acabado, Roland. Fale claramente. O que aconteceu?"

Roland engoliu em seco, deu um passo mais perto da mesa. "Entrei no castelo da ilha. Aquele que é selado atrás da parede de fogo. Achávamos que era apenas um local de teste, umas ruínas antigas. Mas eu estava enganado. É pior."

Theodore, o mais silencioso dos dois, inclinou a cabeça. Seu cabelo era branco como neve, seus olhos apagados, mas firmes. "Pior como?"

Roland cerrou os punhos. Sua voz ficou mais baixa, quase um sussurro. "Perdemos eles. Horun, Sakar, Shinjo, Gloria, Brutus. Os cinco estão mortos."

Por um momento, a sala ficou em silêncio.

O rosto de Malcolm congelou. "Os cinco? Mortos? Não brinque conosco, Roland. São mestres."'

Roland balançou a cabeça, os lábios se contorcendo em algo entre um gesto de sofrimento e uma risada sarcástica.

"Vi com meus próprios olhos. Foram esmagados como formigas. As duas criaturas que guardavam aquele castelo… não são humanas. Uma era um gigante com leis de força. A outra… uma criatura coberta de sombras. Elas mataram os cinco como se fosse coisa pouca."

Theodore se inclinou para frente, as mãos apertando a mesa. "Então por que você está vivo?"

Roland enrijeceu a mandíbula. "Porque eu corri. Corri como um covarde e me escondi no meu quarto. Essa é a verdade."

Malcolm exalou lentamente. "Então por que acha que isso é uma oportunidade?"

Os olhos de Roland brilharam com um brilho perigoso. "Porque eu conheço a fraqueza deles. Ou melhor, a natureza deles. Eles não deixam a parede de fogo. Protegem aquele lugar como cães leais. Se conseguirmos convencer alguém mais forte do que eu… alguém que se acha intocável… a entrar lá, esses seres farão o nosso trabalho."

Theodore franziu a testa. "E quem exatamente você acha que é 'mais forte do que você'?"

Roland sorriu, quase como se estivesse louco. "Nosso Imperador."

O ambiente ficou novamente silente.

Malcolm estreitou os olhos. "Cuide das palavras, Roland. Aquele homem não é só o nosso líder. Ele… é tudo que mantém a família Max unida. Você está cometendo traição."

Roland bateu a mão na mesa, surpresendo os dois.

"Vocês acham que eu não sei disso? Acham que quero morrer como traidor? Ouçam—ele não é mais humano. É um monstro escondido atrás de uma coroa. Cada passo que dá distorce o mundo à sua volta. E se deixarmos ele continuar crescendo, um dia ele vai devorar até a gente."

Theodore não discutiu. Simplesmente perguntou: "E você acha que atraí-lo até aquele castelo vai matá-lo?"

Roland assentiu, os olhos brilhando. "Sim. Eu já vi o suficiente. O gigante esmagou Horun como se fosse uma criança. E a besta sombria cortou a cabeça da Gloria antes mesmo dela gritar. Aqueles dois juntos… nem o Imperador consegue ignorá-los. Se jogarmos bem nossas cartas, eles acabarão com ele. E nós não precisaremos fazer nada."

Malcolm entrelaçou os dedos. "Explique. Como você pretende fazer o Imperador entrar na própria cova?"

Roland se endireitou, recuperando um pouco de compostura. "Ele valoriza força. Valoriza lealdade. E valoriza tesouros. Contamos a verdade—metade da verdade. Que dentro daquele castelo está o legado de uma antiga organização galáctica Prime."

Que cinco de nossos companheiros entraram lá e nunca mais voltaram. Que eu escapei quase morrendo. Ele verá isso como um desafio, uma chance de conquistar um poder maior que o dele. O orgulho dele não vai permitir ignorar."

Theodore assentiu lentamente, os olhos brilhando. "E você acha que ele não vai suspeitar da sua covardia?"

Roland sorriu ironicamente. "Essa é a beleza. Vou jogar o papel do sobrevivente. O fraco que implora por justiça. Vou dizer que os monstros dentro insultaram seu nome, zombaram do seu domínio. Ele vai atrás não apenas por poder ou ganância, mas por orgulho. E, ao atravessar essas chamas, as mordaças vão fechar o portão."

Malcolm ficou calado por um longo tempo, entrelaçando os dedos. Finalmente, falou: "Você é ousado, Roland. O bastante para nos mandar todos para a fogueira. Se isso der errado—"

"Se der errado," interrompeu Roland, "então estamos mortos de qualquer maneira. Você realmente acha que podemos continuar ao lado dele para sempre? Quanto tempo até que perceba que não somos mais úteis? Ele já selou acordos com os Ferans."

Theodore deu uma risada seca. "Você parece um homem desesperado."

"Eu sou," admitiu Roland. A voz dele vacilou, mas seus olhos continuaram afiados. "Homens desesperados vivem mais que tolos leais."

Malcolm suspirou. "Vamos supor que façamos isso. O tentamos, ele vai, e talvez—apenas talvez—ele morra. E aí? O Império sem seu Imperador vai se desintegrar."

Roland balançou a cabeça. "Não se forçarmos a direção dele. Nós, os três, podemos controlar o caos. Talvez até colaborar com as outras três facções. Vamos dizer que o Imperador morreu defendendo-nos de uma arma antiga. O povo vai lamentar, mas se unirá sob uma nova bandeira. A nossa."

Os dois velhos trocaram um olhar longo, onde nenhuma palavra foi dita, apenas uma troca silenciosa de entendimento que só quem conhece décadas de convivência consegue compartilhar.

Finalmente, Malcolm falou: "Se concordarmos com isso, Roland, estamos ligados. Sem volta. Sem arrependimentos."

Roland abriu as mãos. "Sem arrependimentos."

O sorriso de Theodore era fino, quase um sorriso de canto. "Então, vamos precisar de mais do que palavras para tentá-lo. Precisamos de provas. Traga de volta um dos tokens do castelo, algo que exale poder antigo. Assim, vai despertar sua curiosidade. E precisamos montar tudo de forma que a história pareça verdadeira, mesmo para a mente paranoica dele."

Roland assentiu rapidamente. "Será difícil, mas posso tentar algo. As ruínas estão cheias de relíquias quebradas. Consigo entrar discretamente, pegar uma e trazer de volta. Quando ele vir, vai acreditar."

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