Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 433

Meu Talento Se Chama Gerador

O ar interior do gabinete privado do Imperador era calmo, silencioso e distante da grandiosidade da cerimônia que havia terminado há uma hora.

As janelas imensas atrás dele permitiam a entrada de um brilho pálido da luz do sol, cujo brilho dourado se espalhava pelas estantes de livros, a mesa polida e o vapor tênue que subia das xícaras de chá colocadas à nossa frente.

Lucien estava sentado do outro lado, vestindo uma camisa branca e calças pretas, roupas simples que retiravam a régia que carregava com tanta naturalidade em público.

Sem a coroa, sem o manto, ele parecia menos como o governante do império e mais como um homem de olhar afiado.

Hazel, por sua vez, sentada ao meu lado, tinha uma postura relaxada. Não se incomodou em trocar suas roupas de treino, o leve cheiro de suor ainda grudado nela, como se quisesse lembrarmos a todos que seu interesse não era por nada além da guerra que se aproximava.

Levantei a xícara de chá na minha mão, sentindo seu calor se estabelecer contra a palma. Por um momento, ninguém falou. Foi Lucien quem, finalmente, fez um gesto indicando que eu começasse.

"Você não precisava fazer isso, Majestade", disse discretamente, ainda incapaz de apagar na memória a imagem dele abaixando a cabeça na frente de todos.

Hazel imediatamente interferiu antes que ele pudesse responder. "Por quê? Você mereceu. Talvez em alguns anos você consiga avançar para o próximo nível, e aí não vai estar abaixo de ninguém." Seus olhos faiscaram para Lucien, afiados e travessos, quase desafiando.

Lucien soltou uma risada baixa, balançando a cabeça. "Ele já não está abaixo de ninguém. Não consigo medir sua força. Mas eu ainda sou o Imperador. Se desejar me superar, só precisa me matar e tomar o trono."

As palavras foram jogadas como uma lâmina sobre a mesa. Hazel sorriu de leve, como quem se diverte, mas minha garganta apertou. Tive uma tosse disfarçada, bebi rapidamente o chá, ignorando a provocação de forma definitiva. Algumas coisas é melhor deixar sem resposta.

O olhar de Lucien suavizou. Ele recostou na cadeira, os dedos batendo na borda de sua xícara antes de falar novamente, desta vez de forma mais lenta, deliberada.

"Dante está trabalhando numa maneira de entrar no mundo de Peanu. Mas isso terá consequências. Ele ficará enfraquecido e indisponível para as batalhas que virão. Mesmo assim, decidimos seguir com o plano dele… porque nossa confiança está em você, Bilhão."

Fiz uma expressão de dúvida. "Já não tínhamos um jeito de entrar?"

"Sim", respondeu Lucien, com voz firme.

"Mas esse caminho leva apenas para dentro. Assim que Peanu perceber invasões, eles irão selar seu espaço no mundo. Isso nos prenderia lá dentro, sem garantia de sobrevivência. Pedi ao Dante para garantir que tenhamos uma rota de volta. Não há ninguém melhor que ele para fazer esse trabalho. O sucesso ou fracasso dele vai determinar se teremos uma saída, caso algo dê errado."

Se Dante falhasse, a invasão se tornaria uma marcha suicida sem volta.

Lucien prosseguiu. "Tem mais. Em sete dias, os Ferans chegarão."

Hazel apertou as mãos ao redor da xícara, os nós dos dedos ficando brancos, mas não disse nada.

"E antes que eles cheguem", acrescentou Lucien, "cada Grande-Mestre do nosso mundo se mobilizará para o ataque. Já foi decidido. Nenhum Mestre participará, apenas Grandes-Mestres. Essa batalha será de tudo ou nada, uma última tentativa. Cara ou coroa, uma confrontação final com Peanu."

O chá na minha boca de repente ficou amargo. A tensão no ambiente engrossou até Hazel se levantar abruptamente. A cadeira arranhou no chão polido.

"Então, deixe-me esclarecer uma coisa", ela disse, com a voz baixa e afiada.

"Eu vou pegar a cabeça do imperador de Peanu. Essa morte é minha. Se alguém mais conseguir chegar nele, melhor me entregar."

Sua declaração ecoou no silêncio. Sem esperar por resposta, ela virou-se e saiu de marcha, a porta batendo atrás de si.

Respirei lentamente. Lucien não aparentava surpresa. Apenas tomou um gole de chá, com uma expressão impassível, como se o fogo de Hazel fosse algo com que ele já contasse há tempos.

Depositei minha xícara na mesa. "Sua Majestade", disse, com tom firme, "Tenho uma proposta."

Ele virou os olhos na minha direção, curioso.

"Quero entrar um dia antes de todos os outros", falei. "Sozinho. Vou infiltrar-me em Peanu como força avançada. Quando os demais chegarem, já estarei lá dentro, preparando o terreno para nós."

O olhar de Lucien ficou mais sério. "Você está confiante?"

"Sim." Minha resposta veio sem hesitação.

Ele recostou, entrelaçando os dedos sob o queixo. Por um longo momento, ficou em silêncio.

Então, finalmente, Lucien fechou os olhos e respirou fundo. "Muito bem", disse. "Vamos seguir seu plano. Não vou pedir muitos detalhes. Mas exijo que o resultado seja o que todos nós desejamos."

Inclinei ligeiramente a cabeça. "Obrigado."

Ele não sorriu.

"Não falhe, Bilhão. Se você cair, o império também cairá com você."

Apenas assenti. O sujeito levava as coisas a sério demais. Eu sabia do que era capaz agora que estava quase atingindo o nível 300. Mas ainda assim, era um sinal de o quanto ele se importava, de quão pesada era a responsabilidade do império sobre seus ombros.

Inspirei lentamente e, então, compartilhei outro pensamento que me vinha na cabeça. "Sua Majestade… depois que fizermos isso, estamos preparados para a reação dos Ferans? Ainda não sabemos por que eles atacaram nosso mundo em primeiro lugar."

Lucien deu um único e acertado aceno de cabeça.

"Já estamos nos preparando para as consequências. Edgar entrou em contato com várias facções da galáxia, divulgando informações sobre os Ferans e procurando por qualquer inimigo deles que possa estar do nosso lado. A delegação que chegar em sete dias será exatamente isso, uma delegação. Se eles quiserem mesmo nos aniquilar, vai exigir muito mais esforço. Não vamos simplesmente ficar de braços cruzados."

Ele colocou a xícara de chá na mesa com uma determinação silenciosa e levantou-se da cadeira.

"A família Rayleigh nunca viu mais de trinta ou quarenta homens de uma vez. Porque morremos pelo império. Alguns no campo de batalha. Outros assassinados. Outros capturados e torturados em terras estrangeiras. Mesmo assim, permanecemos na linhagem real. E assim permaneceremos até o fim."

Virou-se, enfrentando diretamente meu olhar, com a voz mais firme agora.

"Vamos acabar com Peanu. Vamos nos opor a quem mais vier. Mas se não conseguirmos…" Ele fez uma pausa, com os olhos fixos e firmes. "…então, abrirei um caminho para você viver, para que possa nos vingar no final. Afinal, uma história de vingança, sempre, leva mais longe."

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