
Capítulo 438
Meu Talento Se Chama Gerador
Li a descrição uma vez e depois reli, só para ter certeza.
[Corpo Ponto Ápice – II (Passivo) → Corpo Ponto Ápice – Transcendente (Passivo)]
[Força (Alpha +) → Ómega]
[ Constituição (Alpha +) → Ómega]
[Destreza (Alpha +) → Ómega]
[Corpo Ponto Ápice – Transcendente (Passivo)]:
O corpo integrou-se completamente à Essência, tornando-se um recipiente que se adapta além dos limites naturais. Músculos, ossos, nervos e até o sangue estão entrelaçados com canais de Essência, permitindo uma remodelação consciente e a realocação de energia.
Adaptação Morph: O usuário pode alterar conscientemente sua silhueta à vontade. Isso inclui mudanças estruturais, alterações superficiais e controle minucioso sobre o funcionamento do corpo. (Não é possível alterar a espécie ou características raciais centrais.)
Redistribuição de Essência: Até 20% de qualquer atributo (Força, Destreza, Constituição, Psínapse) podem ser transferidos temporariamente para outro atributo. A transferência tem limite de tempo.
Vaso Reforçado: A durabilidade natural, velocidade de cura e resistência contra influências hostis são aumentadas além do Corpo Ponto Ápice – II. O corpo se adapta de forma instintiva para manter o equilíbrio, reduzindo o esforço a longo prazo causado pela redistribuição de atributos.
Eu assobiava baixinho. "Agora, isso sim eu chamo de upgrade."
oitocentos pontos. Era o que significava vinte por cento para mim agora, oitocentos pontos deslizando de um atributo para outro como pesos em uma balança.
Não tinha certeza se o sistema tinha sido feito para me dar algo tão absurdo, mas, pelo ritmo que eu ia, começava a questionar se ainda precisava das leis. Eu poderia quase forçar tudo com uma das mãos. Quase.
As vantagens saltavam aos olhos de cara.
Com Adaptação Morph, eu não só curava mais rápido; podia moldar meu corpo à vontade. Se precisasse de mais alcance, era só alongar.
Se precisasse de uma estrutura mais robusta para absorver impacto, construía em segundos. Se a infiltração fosse necessária, podia trocar de rosto, de altura, de corpo inteiro.
Não uma disfarce perfeito, minhas heranças raciais e assinatura de Essência ainda entregariam se alguém tivesse olhos treinados, mas o suficiente para despistar ou passar despercebido em uma multidão.
Redispersão de Essência era ainda mais doida. Se precisasse de um sobressalto de velocidade, podia drenar um pedaço de Força e colocar em Destreza.
Se estivesse prestes a levar uma surra, poderia concentrar tudo na Constituição e aguentar a tempestade. Em lutas contra alguém que se especializa em uma área, podia espelhar ou contra-atacar simplesmente mudando minha base.
E com meu Vaso Reforçado apoiando tudo, meu corpo não desabaria sob o esforço como antes.
Mas o sistema nunca dava nada de graça. As desvantagens estavam lá, se eu prestasse atenção o suficiente.
Adaptação Morph não era instantânea. Alterar o rosto ou ossos na hora exigia foco, e numa luta de vida ou morte, um segundo de distração já era perigoso. Pior, quanto mais radical a mudança, mais energia ela consumia. Se eu não fosse cuidadoso, me exausteria no meio da batalha só tentando ser um mutante.
A redistribuição tinha suas próprias armadilhas. Mover atributos era tentador, mas vinte por cento ainda era algo temporário.
Havia o risco de dependência. Se eu resolvesse tudo trocando atributos, poderia acabar esquecendo o quadro geral—leis, táticas, controle de Essência. Essa habilidade era poderosa, mas não tinha que substituir tudo. Era uma ferramenta, não a essência de quem eu sou.
O Vaso Reforçado me dava cura e resistência bem além do que antes, mas isso também podia dar ruim. Se eu me acostumasse demais a sobreviver a danos impossíveis, poderia começar a jogar mais com meu corpo do que deveria. Só porque podia se curar não significava que devia ser imprudente.
Compensar essas fraquezas era simples em teoria, mas mais difícil na prática. Eu precisaria treinar redistribuição até ela virar automático, não algo que eu calculasse conscientemente no meio do combate.
Teria que fazer exercícios até a troca de atributos ficar tão natural quanto mover o braço. Quanto à Adaptação Morph, também, tinha que praticar mudanças sutis e eficientes, ao invés de gastar energia com truques chamativos. E, acima de tudo, tinha que me disciplinar para não depender dessa passiva como uma muleta.
É fácil se perder nos números, no poder bruto. Atributos Ômega. Oitocentos pontos de liberdade de movimento. Essência entrelaçada no meu sangue. Mas poder sem controle é só uma armadilha prestes a se ativar.
Fechei os olhos e concentrei-me na nova passiva que vibrava dentro de mim. Redistribuição. Tudo era questão de intenção.
Vinte por cento. Esse foi o número que escolhi, extraindo-o da Psínapse e colocando em Constituição.
O efeito foi imediato.
O mundo perdeu um pouco da nitidez. Foi sutil, mas senti, como se uma leve neblina tivesse se formado desde que a Psínapse caiu de Ômega de volta para Alpha +.
Normalmente, minha Psínapse registrava cada detalhe com uma clareza implacável: a menor rachadura na estrutura do espaço, a vibração tênue de Essência no ar. Agora, estava atenuada, como se eu tivesse dado um passo atrás da realidade.
Mas meu corpo… Deus, meu corpo pulsava.
Minha caixa torácica se expandiu como se tivesse inalado um ar mais limpo, mais pesado. Meu coração batia fundo e firme, como se fosse feito de ferro. Os músculos se tensionaram com uma densidade silenciosa que antes não existia.
Oito centenas de pontos eram um salto grande demais de uma vez.
Revirei os ombros, flexionei os joelhos, mexi os dedos. Tudo parecia mais pesado, ancorado, mas inquebrável. Até minha respiração ficou mais suave, mais profunda — meus pulmões bebiam o ar como se tivessem um segundo par de pulmões.
Não era só físico, porém. O fluxo de minha Essência também mudou com isso. Os canais pulsavam mais firme, mais espessos, como se a Constituição extra reforçasse o vaso em si. A corrente dentro de mim ficou menos volátil, menos selvagem. Mais forte, mas mais enraizada.
Um comércio. Clareza por resistência.
Sorria.
"Bem, hora de colocar a habilidade de mudar de forma à prova."
O primeiro teste foi altura. Concentrei-me na estrutura óssea, direcionando a adaptação pelos fêmures e coluna.
Ossos alongaram, articulações expandiram, tendões ajustaram-se aos novos proporções. Em segundos, eu passeei do meu topo de visão até medir quase três metros de altura.
Satisfeito, revertei o processo, ossos retraindo, massa se comprimindo, e num suspiro, voltei ao normal.
Depois, observei a pele. Ela escureceu gradualmente, adquirindo um tom castanho profundo. A transição me fascinava mais que o resultado, a forma como cada poro obedecia sem hesitar, como uma máquina seguindo instruções precisas.
Depois, o cabelo. Transformei-os em loiro limpo. Não era só cor, mas também textura — mais macio, mais leve, quase sem peso.
Por fim, os olhos. Verde se fundiu num vermelho vibrante e intenso.