Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 419

Meu Talento Se Chama Gerador

Crucdei os braços enquanto passávamos pelas fileiras de soldados. Minha mente ainda remoía as palavras que ele dissera mais cedo: vinte e três aberrações, todas mantidas vivas em vez de destruídas. Queria entender mais, desvendar as respostas vagas e ver a verdade com meus próprios olhos.

"Onde exatamente esses prisioneiros estão presos?" perguntei finalmente, com a voz baixa, mas direta. "Um cárcere tão grande... como vocês mantêm tantas aberrações encarceradas?"

O homem ao meu lado, ainda andando em passo brisk, olhou para mim. Desta vez, não hesitou, apenas falou de forma direta.

"A prisão é dividida em zonas. Quem está abaixo do nível cento e cinquenta fica na Zona de Bronze. É ao leste. Lá, uma fortaleza subterrânea serve como cela. As paredes são revestidas de runas—selos, restrições, matrizes de supressão. Elas não podem se mover livremente."

Assenti lentamente, imaginando tudo na minha cabeça. Aberraçõesarranhando as paredes, lutando contra selos que nunca se romperam. "E os que estão acima de cento e cinquenta?"

"Dos cento e cinquenta até duzentos, eles ficam na Zona de Prata. Essa fica mais ao sul, outro sistema subterrâneo. A arquitetura é mais reforçada lá, e os selos mais pesados. Não são apenas restrições, mas formações colapsíveis que podem esmagar tudo se uma brecha for detectada."

Aquela resposta me fez pausar por um momento. Eficiência fria e implacável. O império não só os mantinha presos, mas se preparava para apagá-los num instante se o controle escapasse. Continuei andando, meus passos ressoando no caminho de pedra. "E os mais fortes?"

A expressão dele endureceu. Ele expirou lentamente antes de responder. "Dos duzentos até duzentos e cinquenta, eles ficam na Zona de Ouro."

"Zona de Ouro?" perguntei.

Ele assentiu. "Esse lugar é diferente. Não é um simples cárcere de paredes e grades. A Zona de Ouro é dividida em múltiplos domínios."

"Cada aberração ou existência única recebe um ambiente adaptado à sua natureza. Uma aberração de pântano vive em um domínio de pântano. Uma entidade de fogo recebe uma câmara vulcânica. A lógica é simples: confiná-los oferecendo algo próximo à sua verdadeira essência. Caso contrário, a contenção seria impossível."

Parei por um momento, absorvendo suas palavras. Uma prisão que não era exatamente uma prisão. Era, na verdade, uma rede de domínios. Controle por familiaridade. Fascinante, e perigoso.

"Entre as vinte e três... alguma delas é realmente única?" minha voz ficou afiada dessa vez. Eu precisava saber.

O homem hesitou. Sua mandíbula se tensionou, os olhos piscaram de lado. Mas, por fim, ele assentiu. "Sim. Três em particular. Únicas até mesmo entre as aberrações."

Não disquei nada, esperando.

"A primeira," começou, "é uma andarilha das sombras. Diferente das outras, ela não depende de força bruta ou essência corrompida. Usa sombras como extensões de si mesma. Já a vimos deslizar entre uma sombra e outra, mesmo quando bastante restrita. Uma vez, ela apagou uma equipe inteira de soldados em silêncio completo. Só a contivemos ao trancá-la em um domínio com luz permanente."

Uma andarilha das sombras. Meu Psynapse latoou com o pensamento. Um ser assim seria mortal em qualquer campo de batalha.

"A segunda," continuou, "é uma besta coberta de escamas cristalinas. Não é rápida, mas sua defesa é absurda. Espadas, lanças, até técnicas de essência de alto nível se quebraram contra seu corpo. Seu rugido derruba formações, e ela consegue regenerar suas escamas em minutos. Muitos a chamam de Fortaleza Viva."

Uma parede de carne e cristal. Minha mão tremeu. Útil, extremamente útil.

"E a terceira..." Seu tom ficou mais baixo, como se até falar dela o deixasse cauteloso. "...é algo mais estranho. Chamamos de O Desafinado. Ela manipula o som de formas que ninguém entende."

"Ela não apenas grita ou ensurdece os inimigos, ela dobra o som em ilusões. Homens já se perderam procurando vozes fantasmagóricas. Uma vez, um comandante tentou resistir à influência dela, só para se cara na frente, acreditando estar cortando correntes, e se esfaqueou até a morte. O domínio dela fica abaixo do chão, cercado por wards de silêncio, mas mesmo assim..." Ele parou, deixando claro a implicação.

Uma assassina das sombras. Uma fortaleza viva. Uma criaturas de ilusão. Três possibilidades. Três armas. Meu pulso acelerou ao pensar nisso.

"Onde ficam esses domínios?" perguntei de forma direta.

O homem acenou com a mão e puxou um pedaço de pergaminho dobrado. Com cuidado, entregou-o a mim. Desenrolei-o e examinei as linhas. A Zona de Ouro estava delineada numa argola, com os domínios marcados como esferas dentro dela.

Símbolos indicavam elementos, terrenos, até perigos. Eu tracejei as marcas com o dedo. Não estava ali só para confirmar o que o homem dizia. Estava a uma caça, procurando meu próximo parceiro.

Lyrate se inclinou sobre meu ombro, com os olhos violetas varrendo o mapa. Ela não falou nada, mas sua expressão era pensativa, calculista.

Enrolei o pergaminho e o deslizei no bolso. "Fique aqui," disse, voltando minha atenção para o homem. "Não me acompanhe. Não envie ninguém atrás de mim."

Ele ficou tenso, claramente querendo protestar, mas, ao ver meu rosto, ficou em silêncio. Engoliu em seco e acenou com a cabeça. "Entendido."

Meu corpo se levantou do chão, subindo suavemente ao ar. O pátio diminuiu sob meus olhos enquanto os soldados paravam suas tarefas para olhar para cima.

Olhei para o oeste, onde a Zona de Ouro se erguia além das muralhas desta base pequena.

Sem hesitar, inclinei-me para frente deixando-me levar pelo voo. As correntes ao meu redor aumentavam minha velocidade, o mundo se borrava em traços de movimento.

Logo atrás de mim, uma chama violeta surgiu. Lyrate também tinha levantado voo, seu cabelo ao vento acompanhando minha velocidade. Sua presença era firme, inabalável, como se já tivesse decidido que iria me seguir, não importa o quê.

Meu coração estava firme, mas por baixo daquela calma havia uma centelha de expectativa. Não era mais só sobre a prisão do império. Era sobre mim, sobre o que eu poderia conquistar, sobre os convites que poderia reivindicar.

E, quando a Zona de Ouro apareceu à vista, com seus domínios fragmentados como um mosaico de cenários aleatórios, eu soube com certeza absoluta.

Não seria uma simples visita.

Seria quase uma aventura.

Virei a cabeça para Lyrate, encontrando seus olhos.

"Então, que tipo de convocação você acha que deveríamos adicionar ao nosso grupo agora?"

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