Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 381

Meu Talento Se Chama Gerador

Justo quando eu estava prestes a correr para Arkas, uma voz ecoou diretamente na minha mente. Profunda, áspera e definitivamente inventada.

"Venha."

Dante.

Os outros se viraram ao mesmo tempo. Todos nós ficamos em silêncio, atentos, enquanto o ar se rasgava. Uma linha irregular de luz violeta atravessou o espaço, vazando essência de suas bordas. Do outro lado da rachadura no espaço, uma terra estranha ficava visível.

Um portal se abriu.

Nós todos nos endireitamos e olhamos adiante.

Cassian foi o primeiro a falar. "Vamos nos mover."

Um por um, os demais atravessaram o portal.

Eu pausei só o suficiente para ampliar minha percepção, verificando Steve e North. Eles estavam bem.

Depois, segui.

Minhas botas tocaram um chão rachado. Sem céu. Sem nuvens. Apenas um sol ardente e intenso. Todo o lugar parecia destruído.

Um espaço de bolso selado, como se o próprio mundo tivesse se despedaçado e mal ainda estivesse unido por uma fração de esforço. O chão tinha rachaduras profundas por toda parte, e os restos de pilares de pedra gigantes se pareciam com os ossos de uma cidade morta.

Cillian soltou uma praga cortante.

Cassian avançou

"Então é aqui que ele os trouxe."

Olhei adiante.

Três pessoas estavam do outro lado do campo.

A primeira era enorme, seu corpo duro e polido como pedra negra. Seus braços pareciam feitos de cristal vivo, com luz laranja brilhando através das fissuras na pele.

O segundo era mais magro, de aparência mais rápida. Sua pele marcava-se com tatuagens prateadas que se moviam levemente enquanto ele respirava. Não portava armas, mas se movia como se não precisasse de nenhuma.

O terceiro usava túnicas longas, um sorriso estranho e calmo nos lábios, e seu corpo cintilava como se a própria luz não conseguisse segurá-lo direito.

Os três Grandes Mestres da família Holt, com talentos notáveis. Eu os nomeei de Rocky, Speedy e Slippery.

E, no entanto… eles não estavam lutando contra Dante.

Eles lançavam ataques ao espaço ao redor.

"Cadê o Dante, afinal?" murmurou Edgar.

Eu estreitei os olhos. Não conseguia vê-lo. Mas o sentia através da minha percepção.

Ele estava ali. Era ele quem distorcia o mundo assim. Sua presença inundava o espaço como uma pressão sob a nossa pele. Os três Grandes Mestres tentavam escapar, lançando ataques cegamente na direção do que quer que achassem que os prendia. Mas estavam presos.

Então eles se viraram e nos viram.

Rocky apontou para nós.

"Mais ratos."

O homem Slippery sorriu mais amplamente. "Sejam bem-vindos. Vocês chegaram na hora certa para morrer."

Cassian fez uma desprezo. "Vamos ver sobre isso."

Atrás de nós, Arkas tossiu e se sentou lentamente, sangue ainda escorrendo de seus cortes abertos. Seu corpo tremia levemente pelo esforço.

"Vou ficar para trás", ele disse em voz baixa. "Apoio daqui. Não esperem por mim."

Edgar assentiu com firmeza, sem falar uma palavra, e avançou. Os outros o seguiram.

Fiquei ao lado de Arkas, perto o suficiente para assistir tudo, mas longe o bastante para não atrapalhar. Ele apoiou a mão no chão, pequenas faíscas de relâmpagos cintilando ao redor dos dedos. Mesmo ferido, ele se preparava para agir.

Os cinco Grandes Mestres se espalharam naturalmente, cada um calmo e concentrado. Cassian foi o primeiro a se mover. Uma luz dourada brilhou ao seu redor, radiante da sua pele como um segundo sol. Ele acenou com a mão e produziu um machado. Sua lâmina brilhou intensamente, e com um movimento preciso, avançou como um cometa.

Rocky avançou na frente dos outros. Seus braços ficaram volumosos, e a luz ao seu redor distorceu-se enquanto sua pele ficava de um negro profundo, com veias de laranja incandescente. Ele bateu as mãos no chão com força, e uma parede de cristal sólido surgiu à sua frente, bloqueando o caminho de Cassian.

Mas Cassian não parou.

Seu machado desceu com um rugido, cortando a pedra como se fosse papel. A impacto enviou ondas de choque pelo chão. Mas, justo quando passou —

Speedy estava lá.

Um borrão de prata e ar, ele atingiu Cassian pelo lado antes que o guerreiro dourado pudesse se ajustar. Uma rajada de vento seguiu o golpe, fazendo Cassian deslizar para trás na terra rachada. Ele torceu no meio do escorregamento, fincando seu machado para diminuir a velocidade.

Cillian levantou as duas mãos, formando gelo ao longo dos braços como uma armadura. Com um movimento de pulso, lanças cortantes de frio foram lançadas em direção a Speedy. O borrão desapareceu, e o ataque de Cillian atravessou o espaço vazio. Então, Speedy reapareceu, já às suas costas.

Porém, Edgar aguardava.

Sob as sombras, raízes negras surgiram do chão, agarrando as pernas e os braços de Speedy. Por um instante, ele congelou, preso pela mão de Edgar.

Foi tudo que Cassian precisava. Avançou novamente, um feixe de luz do sol seguindo sua arma.

Slippery levantou a mão.

De repente, Cassian parou.

Ou melhor, ele não parou. Todos vimos ele continuar avançando, com o machado levantado. Mas, ao mesmo tempo, outra versão de Cassian apareceu atrás dele — tropeçando, confuso, como se tivesse sido puxado de um sonho.

Uma ilusão perfeita.

O verdadeiro Cassian piscou, desconcertado, com os pés desajeitados.

"Foca, Edgar", exclamou. "Ele está distorcendo o que você vê!"

"Obrigadão pela dica", murmurou Cassian, apertando ainda mais o grip.

O vento voltou a soprar forte enquanto Speedy quebrava o cerco. As rajadas empurraram todos para trás, mas Cillian caiu de joelhos e congelou o chão sob eles, prendendo-o com gelo. Depois, ergueu uma parede de gelo para bloquear a explosão que vinha na direção de Edgar.

Rocky rugiu e avançou. Seu corpo agora brilhava laranja, linhas de calor correndo por seus braços e tórax. Ele bateu com força na parede de gelo e a quebrou, correndo em direção a Cillian com punhos como martelos.

Cassian tentou bloquear, segurando seu machado na direção do ombro de Rocky, mas uma rajada de vento desviou o golpe. Speedy voltou a atacar, chutando Cassian para longe. Ao mesmo tempo, Slippery manipulou a luz novamente, dividindo o campo de batalha com imagens falsas e movimentos espelhados.

Era uma batalha coordenada. Inteligente. Os três Grandes Mestres da Holt lutavam como um corpo só, com três cabeças. Quando um atacava, o outro cobrava a defesa. Quando um recuava, outro entrava no lugar. Slippery criava confusão, Speedy atacava os pontos fracos, e Rocky absorvia os impactos.

Cillian manteve a calma. Seu hálito formava névoa no ar enquanto ajustava sua postura, extraindo mais frio do ambiente. Uma camada de geada grossa cobria o chão ao redor de seus pés, espalhando-se para fora. Então, ergueu os braços, e o céu próprio escureceu. Flocos de neve começaram a cair, lentamente e silenciosos.

Com o ar ficando frio rapidamente, Speedy começou a desacelerar.

Edgar aproveitou a deixa. Sua sombra se moveu novamente, torcendo-se pelo chão como uma cobra, agarrando a perna de Rocky. O usuário de terra rosnou e deu um soco para baixo, rompendo a presa.

Cassian avançou pelo lado, desta vez completamente iluminado, seu machado deixando um rastro de fogo dourado. O golpe forçou Rocky a bloquear com ambos os braços, e mesmo assim, as rachaduras começaram a correr pelos antebraços cristalizados dele.

Mas Slippery atacou de novo. Desta vez, ele não criou apenas ilusões, mas mudou toda a cena. Por um segundo, parecia que o campo de batalha tinha desaparecido, substituído por uma floresta. Árvores, vento, pássaros — tudo falsificado, mas a distração foi suficiente para desafiar o ritmo deles.

Ficava frustrante, assistindo de perto Arkas, sem poder me envolver diretamente na luta. Nossos Grandes Mestres eram mais fortes, mais habilidosos — mas o trio Holt lutava com uma coordenação precisa, cada um compensando a fraqueza do outro. Estavam em sintonia. E o objetivo era claro: segurar a linha, suprimir nosso poder e cansar a gente.

Arkas de repente levantou a mão.

Um raio saiu de sua palma, cruzando o céu e cortando a ilusão de Slippery.

As árvores falsas quebraram-se. O campo de batalha voltou ao normal.

Arkas sorriu levemente. "Você não é o único que consegue manipular luz."

Fiquei ao lado dele, pronto para ajudar se ele caísse de novo. Mas ele permaneceu sentado, focado apenas na recuperação.

Comentários