Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 308

Meu Talento Se Chama Gerador

O portal brilhou ao se abrir, e no instante em que Steve e eu passamos por ele, aterrissamos de volta na ilha flutuante, bem na frente do castelo.

Antes que eu pudesse respirar direito, Azalea apareceu na nossa frente, materializando-se como uma brisa de ar que se curvava à sua vontade.

— Oi, Azalea — cumprimentei com um gesto descontraído, tentando manter o tom leve. —

Ela parecia surpresa ao nos ver, os olhos piscando de mim para Steve e de volta pra mim.

— Por que vocês voltaram tão cedo? — ela perguntou, com uma expressão de curiosidade e preocupação misturadas.

Olhei para Steve e depois voltei meu olhar para ela.

— Antes de mais nada… deixa eu te apresentar direito. — indiquei pra ele. — Este é Steve Harper. Somos amigos desde a infância. Ele é como se fosse da minha família.

Steve acenou de forma cortês.

— Oi, Azalea. Na verdade, encontrei a Lily mais cedo, mas perdi a chance de te conhecer pessoalmente.

Azalea sorriu suavemente.

— Sim… Eu me lembro de você. Já te vi pelas memórias da Lily.

Houve um breve momento de silêncio, então dei um passo à dianteUm leve passo à frente e falei com mais firmeza.

— Azalea, quero usar aquele favor que você mencionou antes.

Seus olhos se apagaram quase imediatamente. Sua expressão ficou séria, e ela se endireitou.

— Você não pretende usá-lo na luta contra os Holt no reino? — ela perguntou, com voz baixa e um pouco cautelosa.

Assenti com a cabeça.

— Não. Acho que não vou precisar.

Depois de tudo que aprendi no Império, com o Imperador, com a vovó e com os outros, ficou claro que não precisarei encarar os Holt sozinho.

Já tinha alguém em mente que queria colocar dentro do reino, e tinha quase certeza de que conseguiria fazê-lo por meio do Imperador. Convencer o Império não seria tão difícil quanto eu tinha imaginado inicialmente.

Azalea me observou por um momento, estudando meu rosto, depois deu uma cabeça lentamente, em sinal de aprovação.

— Certo — ela falou, com tom neutro, mas curioso. — Diga, que tipo de ajuda você precisa?

— Quero a habilidade de transformação — respondi.

Ela inclinou a cabeça levemente, os olhos se estreitando um pouco. — Para você mesmo?

Neguei e coloquei a mão no ombro de Steve.

— Não. Para ele.

Azalea olhou para nós dois, claramente surpresa.

— Você quer usar seu favor… pelo Steve? — ela questionou.

Assenti.

— Sim. Os Ferans conseguiram a segunda técnica de transformação a partir da sua pesquisa, né? Então você deve saber como concedê-la também.

O olhar de Azalea ficou pensativo.

— Conheço. Mas… você tem certeza? Essa técnica nunca foi feita para ser compartilhada de leve.

— Eu sei — respondi. — Mas confio na vida do Steve. E eu sei o que vem por aí. Ele precisa disso.

Ela cruzou os braços, me encarando por um momento, depois fez a pergunta que eu esperava. — E você não quer para si mesmo?

Sorri de lado e dei de ombros. — Nem sou muito fã de ser coba técnica de alguém.

Azalea ergueu uma sobrancelha, claramente sem ficar muito contente.

Mas antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, eu acrescentei, mais sério desta vez: — Além do mais… eu não preciso disso, e você sabe disso.

Ela não insistiu, mas percebi o brilho de compreensão nos olhos dela. Ela sabia. Tinha visto do que eu era capaz, como tinha começado a incorporar traços dos Fantasmas e Abominações que capturei.

Provavelmente, ela entendia melhor do que eu qual o potencial de transformação que minha técnica vinculada à alma tinha. Não precisei explicar. E fiquei feliz por isso.

Steve, ao meu lado, permanecia em silêncio. Podia sentir a tensão em seus ombros.

Finalmente, Azalea soltou uma respiração lenta e olhou para ele.

— Você não é quem eu imaginei que usaria esse favor — ela disse com um sorriso de lado. — Mas talvez isso torne tudo mais interessante.

Ela se aproximou de Steve e o estudou como um artesão examinando uma peça de metal bruto.

— Você entende que isso não será fácil, né? — ela perguntou. — Essa técnica não foi feita para ser suave. Seu corpo será levado ao limite. A dor vai ser… intensa. E não há garantia de que vai dar certo. Depende do seu potencial e de quão fundo você consegue ir em si mesmo quando a hora chegar.

Steve a encarou com calma e assentiu.

— Estou pronto. Quarto o que for preciso.

Azalea olhou para ele por um momento, depois assentiu.

— Bom. Mas lembre-se — se sua determinação vacilar, nem que seja por um segundo, a reação poderá ser permanente. Não é só questão de poder, é uma espécie de rasgar e refazer quem você é.

Steve engoliu em seco, mas a voz dele não tremia.

— Eu não vou quebrar.

Ela deu um sorriso sutil.

— Vamos ver.

Justo quando Steve deu um passo à frente, pronto para aceitar o que viesse, Azalea levantou a mão para detê-lo.

— Espere — ela falou. — Antes de começarmos, há algo importante que precisamos conversar.

Steve piscou, confuso.

— O que é?

— Você ainda não está preparado — ela disse simplesmente. — Antes de passar por essa transformação… você precisa completar sua primeira evolução. Precisa chegar ao nível 100.

Steve ficou tenso.

— Por quê isso importa?

Azalea virou um pouco de lado, cruzando os braços.

— Porque a base do seu corpo, a estrutura que o Sistema reconhece como ‘você’, fica travada nesse marco. Se tentarmos acrescentar outra transformação sobre uma base incompleta, os resultados podem ser instáveis… ou até fatais.

Seus olhos se fixaram nele, sérios e serenos.

— Deixe o Sistema reconhecer sua evolução natural primeiro. Depois, construímos a segunda fase em cima disso. Assim, as mudanças não vão interferir na sua identidade central ou no seu crescimento futuro.

Steve assentiu lentamente, processando tudo.

Azalea continuou: — E, uma vez que isso estiver certo, quero que pense profundamente sobre que evolução deseja. Velocidade? Força? Regeneração? Densidade? Alguma característica única?

Ela fez uma pausa, deixando suas palavras absorverem.

— Porque sua segunda transformação não é algo que vou simplesmente criar de uma poção. Precisaremos caçar as Abominações certas, criaturas que naturalmente exibam os traços que você deseja. Vou precisar da biologia delas, do padrão físico.

Voltei a erguer as sobrancelhas ao ouvir isso.

— Espera… você precisa de Abominações para essa técnica?

Azalea virou-se para mim e deu um aceno afirmativo.

— Claro. Isso não é algum feitiço mágico ou dom de linhagem. Preciso criar a transformação usando amostras reais de tecido. Depois de escolher o modelo certo, começarei a reengenharia do corpo do Steve, de modo que o Sistema reconheça a mudança como definitiva.

Steve ficou por um momento com aspecto incerto, mas concordou. — Então vou ser… reconstruído?

— De certa forma — ela respondeu. — Não será sobregravado. Nem mutado. Mas refogado.

Não pude deixar de olhar para Steve e sorrir. — Bem… pelo menos, vai ficar com uma aparência bem legal.

Azalea deu uma risadinha de leve. — Parecer legal não é minha prioridade. Mas sim, efeitos colaterais podem incluir parecer assustador.

Ela se virou para Steve, agora com uma expressão mais clínica.

— Você pode pensar assim: o que o Sistema fizer naturalmente ao guiar sua evolução… eu farei manualmente. Muito mais de forma grosseira e prática.

Steve assentiu lentamente, com uma expressão séria.

— Entendi.

Eu bati palmas alegremente. — Então chega de enrolar. Temos que te preparar antes que o sol nasça. Azalea, quanto tempo vai levar toda essa preparação?

Ela pensou por um momento, depois respondeu: — Cerca de um dia. A preparação, a caça, a reinjeção… se tudo correr bem.

Assenti, já pensando no tempo na minha cabeça. — Então, até depois de amanhã… você já vai ter sua nova transformação.

Steve expirou fundo.

Azalea completou de forma calma: — Se seu corpo sobreviver ao processo, claro.

Girei-me para mergulhar na floresta e começar a caçar Abominações para ajudar o Steve a subir de nível.

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