
Capítulo 286
Meu Talento Se Chama Gerador
Enviei uma ordem mentalmente, de forma precisa e clara. Ela a aceitou sem hesitar.
Com um movimento lento da mão, a névoa carmesim ao seu redor avançou como uma maré. Ela rastejou pelo chão de pedra e se envolveu em uma pequena planta próxima à borda da piscina. Em segundos, a planta começou a tremer e a crescer.
Ela se esticou para cima — quatro pés, depois oito — os galhos ficando mais espessos, as folhas desdobrando-se em ondas de verde e carmesim até se transformar numa árvore imponente. As raízes fissuraram a pedra ligeiramente ao se aprofundar rapidamente.
Fiquei observando o resultado, impressionado e um pouco admirado.
"Cara, adoro o quão insano é seu entendimento."
Eu me aproximei mais, apoiando uma palma na casca da árvore. Estava quente, pulsando suavemente de vida.
"Extração de Verde."
Um brilho verde se espalhou pelo tronco da árvore, e senti imediatamente — uma força vital pura e vibrante fluindo na minha mão. Ela percorreu os canais gravados dentro de mim, espalhando-se como uma luz quente.
E, sem precisar ordenar, a energia começou a se infundir nos meus membros, músculos e ossos, distribuindo-se naturalmente para os lugares onde eu mais precisava.
Puxei o ar lentamente e dei um passo atrás.
A árvore agora parecia um pouco desgastada — sua cor desvaneceu, os galhos pendiam levemente.
"Não está ruim," murmurei, trocando olhares entre ela e Lyrate. "Posso me acostumar com isso."
A Extração de Verde parecia mais um passo na minha jornada para me tornar uma máquina imbatível.
Fiquei me alongando levemente, ainda sentindo o calor sutil da força vital dançando pelas minhas veias.
"Tudo bem, Lyrate," disse, voltando-me para ela. "É hora de você descansar. Depois apresento você ao Silver, e juntos vamos explorar o que você realmente consegue fazer."
Aparei minha mão e dei a ordem.
Seu corpo se desfez em névoa carmesim girante, que se acelerou de volta ao meu peito — ao núcleo do gerador — como se nunca tivesse saído.
Puxei o ar fundo.
"Azaleia."
Pisquei — e ela apareceu de repente ali, na minha frente, sorrindo suavemente, com sua graça serpentina tão natural quanto sempre.
Ela tinha uma voz quente e brincalhona.
"Você sabe que eu vi tudo, né? Cada movimento que você fez."
Assenti sem hesitar. "Sim. Sei."
Ela inclinou um pouco a cabeça, me observando.
"E você acha que eu tenho medo de contar pra alguém? De revelar seus segredos?"
Um sorriso maroto surgiu nos cantos dos meus lábios. "Curiosamente... não estou."
Relembrei tudo — especialmente as memórias que absorvi de Lyrate. Ver a vida dela se desenrolar, perceber o quão forte ela era, como ela avançou sem medo mesmo diante de perdas, amores e guerras... isso me tocou de alguma forma.
Me deu uma nova perspectiva.
Lyrate, na minha idade, já era uma força da natureza. E ainda assim, comparada a ela... eu era um monstro.
E se eu estivesse certo — se alguém como Azaleia pudesse enxergar meu potencial — ela não quisesse fazer inimigo. Não agora. Talvez nunca.
Ela cruzou os braços. "Bem, se é isso que você diz. Mas qualquer que seja essa habilidade — qualquer coisa que você fez com seu coração — vai te levar mais longe do que qualquer um já chegou..."
Ela fez uma pausa, estreitando os olhos.
"Ou vai te matar bem cedo demais."
Eu dei de ombros, de forma descontraída.
"O tempo dirá."
Ela esboçou um sorriso fraco e acenou com a mão.
E assim, deixei de estar à beira da piscina — e me encontrei de volta ao quarto gigante. O espaço imenso, a cama elegante, o mar infinito de retratos.
Azaleia flutuava à minha frente em direção a um dos retratos na parede distante.
"Essa foi minha primeira vitória em uma competição," ela disse, um toque de orgulho na voz. "Dominei toda a turma."
Olhei para o retrato. Uma jovem Azaleia estava no centro de um grupo de jovens Nagas. Ela brilhava — radiante de alegria — e, embora os outros também estivessem sorrindo, nenhum deles tinha o brilho dela.
Ela lançou um olhar por cima do ombro.
"Ser a mais forte de uma raça dominante na galáxia não é só orgulho. É sobrevivência. Você tem que enfrentar ameaças de fora e de dentro. Por isso, a força é venerada na minha sociedade."
Assenti devagar. Fazia sentido. Em um lugar como aquele, fraqueza não era apenas perigosa — era uma sentença de morte.
Ela se dirigiu a outra pintura, e eu a segui.
Essa mostrava um campo de batalha — enorme, caótico, avassalador. Três serpentes gigantes se enfrentavam com duas figuras de capuz dourado no meio de uma tempestade de energia e sangue.
"Batalha do Planeta Perci," ela disse. "Uma das maiores vitórias nossas. Derrotamos um exército liderado por dois Grandes Mestres Eternos enquanto a Matriarca estava fora. Perci era um planeta recém-formado — bruto e cheio de recursos. Todos queriam, e nós tomamos."
A escala era impressionante. Milhares de Nagas, Abominações, Fantasmas e até Eternos se espalhavam pelo terreno. A tela parecia pulsar com tensão e glória.
Ela me mostrou mais — guerras, rituais, festivais, sua infância. Momentos com a família, mentores, o planeta natal. Momentos de calmaria e de caos. Era como caminhar por uma memória viva da história Nagas.
Finalmente, paramos na frente de uma pintura mais simples.
Mostrava uma grande serpente de escamas azuis, enrolada no meio de um vasto campo de flores, olhando para o horizonte. Havia algo quieto e triste nela.
Azaleia pairava na frente do retrato, com uma expressão indecifrável.
Então, lentamente, dois raios estreitos de luz verdes saíram dos olhos de Azaleia, fixando-se no olhar da serpente dentro da pintura.
No instante em que a luz tocou o retrato, a tela começou a brilhar — e um portal circular surgiu diante dela, ondulando com uma energia azul suave.
Azaleia virou a cabeça em minha direção. "Vamos."
Sem esperar resposta, ela entrou no portal.
Eu a segui.
O mundo mudou de repente, e, no instante seguinte, estávamos dentro de uma sala pequena e com pouca luz.
As paredes e o chão eram de uma pedra lisa, cinzenta, que parecia antiga e silenciosa. No centro, acima de uma pequena plataforma de pedra, flutuava uma esfera azul luminosa. Dentro dela, névoas brancas se enrolavam, como nuvens que se perdem numa jarra.
Azaleia se aproximou e falou.
"Para criar um reino — mesmo um pequeno como esse — você precisa de alguém no nível de Santo. Eu tive sorte. Consegui esse reino por puro acaso."
Ela fez uma pausa e acrescentou: "Um poderoso Naga Santo do Universo Prime veio encontrar nossa Matriarca. Houve uma competição para as gerações mais novas. Eu ganhei. E, como prêmio, me deram esse reino."
Fui até a esfera, permitindo que minha percepção percorresse sua superfície. Ondas suaves de distorção espacial pulsavam de forma regular, como um batimento cardíaco lento e constante.
Azaleia apontou para ela.
"Este é o núcleo do reino. Com ele, você consegue controlá-lo por completo.
Você pode mover o reino pelo espaço, reduzir ele a um tamanho bem menor, embora não possa ampliá-lo — esse seja o limite máximo por enquanto. Pode remodelar partes da paisagem, embora nem tudo seja possível. E, mais importante, pode abrir uma passagem permanente para o reino, permitindo que outras pessoas entrem."
Ela deixou a mão cair e falou com uma voz mais suave.
"Esse é também o motivo pelo qual os Ferans — e até o Grande Mestre humano que supervisiona esse reino — ainda não entraram em guerra total contra o Mistério da Morte."
Fiquei em silêncio. "Por causa desse núcleo?"
Ela confirmou com a cabeça. "Sim. O núcleo do reino está ligado a fragmentos da minha alma. Os fragmentos fantasmagóricos — um na ilha, outro na cadeia de montanhas — haviam consumido uma parte de mim. E, através disso, eles conseguiram acessar algumas das habilidades do núcleo. Por fora, parecia que os Fantasmas controlavam todo o reino."
Então ninguém ousava provocá-los de verdade."
"Ah..." Pisquei, finalmente conectando as peças.
Isso explicava por que os Ferans ainda não tinham atacado de vez o Mistério da Morte. Eles eram cautelosos. Achavam que os Fantasmas tinham domínio sobre o reino em si.
Tudo fazia sentido agora.