
Capítulo 231
Meu Talento Se Chama Gerador
Assim que comecei a revisar a visão na minha mente, a troca de fase começou e, desta vez, foi completamente diferente de tudo que tinha experimentado antes.
Primeiro, senti isso na minha barriga.
Meu Núcleo Gerador—meu coração—começou a vibrar com uma vibração profunda e poderosa. Não era apenas um som. Era uma força. Senti ela se espalhando por todo o meu corpo como uma onda, sacudindo tudo por dentro. Então, de repente, congelei. Completamente. Não consegui mover nem um músculo. Nem as pálpebras. Era como se o tempo tivesse me travado no lugar.
E então aconteceu.
Toda a Essência armazenada dentro do meu núcleo de repente se acelerou, saindo de mim. Não desapareceu simplesmente; ela jorrou e me cercou, pairando no ar como uma fumaça espessa e turbulenta. Podia vê-la com meus olhos—vibrante, viva, e cheia de significado.
Foi aí que percebi algo estranho.
A Essência violeta ao meu redor começou a mudar. Sua forma, sua textura, tudo em torno dela se transformou. E então, eu as vi—pequenos glifos, menores que grãos de areia, aparecendo um a um no ar.
Eles eram vermelhos, brilhando suavemente, e começaram a se misturar com a Essência, como vaga-lumes dançando na névoa.
Eles não eram apenas decorações. Estavam trabalhando—reescrevendo, reconstruindo. Eu podia sentir isso. Pulsavam suavemente, quase como se estivessem vivos, lentamente se fundindo na minha Essência e alterando sua estrutura. O processo era dolorosamente lento. Cada momento parecia esticado.
Esperei.
Observei.
E por coisa de uma hora, fiquei completamente imóvel, minha mente focada na transformação que acontecia diante de mim. Finalmente, uma pequena parte da Essência terminou de se reestruturar.
Essa porção mudou, tremeu uma vez e then voltou correndo para o meu peito.
No instante que entrou no núcleo, minha mente explodiu de informação.
Uma onda massiva de conhecimento me atingiu. Não eram apenas palavras ou imagens, era compreensão. Uma compreensão direta, sem pensar, que pulava o raciocínio e ia direto ao instinto. Mesmo com minha poderosa Psynapse, eu tinha dificuldade para acompanhar. Era rápido demais. Demais. Como tentar beber um rio inteiro.
Fiz o melhor que pude para me segurar, para processar tudo que estava sendo me dado, mas mal tinha tempo de respirar antes que acontecesse de novo.
Outra pequena seção da Essência se transformou.
Outra onda.
Outra enxurrada de conhecimento, desta vez até mais pesada que a primeira.
Meus pensamentos começaram a ficar lentos. Meu foco vacilou. Meu cérebro parecia estar superaquecendo, como se tivesse sido levado além do seu limite.
E então, eu perdi.
Com os olhos ainda bem abertos, minha consciência escorregou. Tudo ficou escuro, e eu me afundei no silêncio enquanto minha Essência se reorganizava.
*****
De repente, minha consciência voltou ao normal.
Eu ainda estava na mesma posição de antes, completamente imóvel. Não havia mais sinal da minha Essência ao redor, nem sequer um vestígio no ar. Tentei me mover, mesmo que fosse um dedo, mas meu corpo ainda se recusava a responder. Não tinha ideia de quanto tempo tinha passado desde que perdi a consciência.
Mas não foi o tempo que me trouxe de volta.
Foi a dor.
Uma dor aguda e esmagadora, diferente de tudo que eu tinha sentido antes, percorreu meu corpo. Não era uma dor física convencional—era mais profunda, como se algo estivesse rasgando minha alma. Essa dor foi o que me tirou do inconsciente e me trouxe de volta à realidade.
E então, bem na minha frente, o próprio espaço começou a se distorcer.
Uma rachadura longa e irregular se abriu no ar. Não foi barulhenta, mas parecia errada—como se o mundo estivesse sendo cortado ao meio. Uma fumaça negra espessa escapava da fissura, enrolando-se lentamente, com movimentos antinaturais. A rachadura tinha cerca de um pé de largura.
Mas o mais chocante não era a rachadura em si—era como ela foi feita.
Do outro lado, duas mãos surgiram.
Estavam cobertas por um tecido preto, rasgado, como se pertencessem a algo antigo ou morto. Eu as via claramente, puxando as bordas da rachadura, forçando o espaço a se rasgar ainda mais. Havia alguém do outro lado—alguém forte o suficiente para rasgar a realidade com as próprias mãos.
Dentro da rachadura, tudo era escuridão. Uma fumaça preta espessa saía constantemente, escondendo a maior parte do que havia além. A única coisa visível eram dois olhos brancos, brilhantes. Frios. Sem piscar. Olhando diretamente para mim.
Esse olhar sozinho me arrepios na pele.
A razão da rachadura ficou clara um momento depois.
Surgiu uma corrente.
Ela deslizou para fora da escuridão, como uma criatura viva—preta com tons avermelhados, reluzente com um brilho sinistro. Enquanto se movia pelo espaço, o ar ao redor dela rachava como vidro frágil. Pequenas fendas apareciam em seu rastro, como se até a própria realidade não pudesse suportar sua passagem.
E uma das extremidades da corrente já estava presa em mim.
Ela tinha se prendido ao meu pulso direito, e no instante que percebi, a dor se intensificou cem vezes. Queria gritar, mas meu corpo congelado não deixava. Minha boca não se abria. Minha voz estava presa.
A corrente continuou subindo lentamente pelo meu braço, envolvendo minha pele como uma cobra.
Com cada centímetro que subia, a dor se aprofundava—passando pela carne, descendo até minhas raízes mais profundas. Não era só meu corpo que doía. Sentia como se toda a minha existência—minha alma, minha origem, tudo que me fazia ser quem eu sou—estivesse sendo desfeita e reescrita.
Fitei a figura dentro da rachadura, incapaz de desviar o olhar.
Ela simplesmente permanecia lá, ou talvez esperar fosse a palavra certa. Imóvel. Observando. Suas mãos segurando a rachadura aberta, sem fazer mais nada a não ser deixar a corrente passar.
Não tinha expressão, nem gesto, nem som.
Apesar da dor, a corrente não queimava minha pele. Não havia cortes, feridas. Tampouco era pesada. Mas a dor que carregava era insuportável—silenciosa e precisa, como se cada elo fosse uma agulha passando pela minha alma.
Todo o processo parecia durar uma eternidade.
Por fim, a corrente chegou ao meu ombro e parou. Pulsou uma vez com uma luz—brilhante, ofuscante—e então desapareceu. No lugar, gravado na minha pele, ficou uma tatuagem. Uma imagem perfeita da corrente, começando do meu pulso e envolvendo até o meu ombro.
E então, de repente, a dor desapareceu.
Sumiu, como se nunca tivesse existido.
No mesmo instante, as mãos que sustentavam a rachadura se retiraram, e pela primeira vez, eu consegui ver claramente a figura.
Ele estava sentado diante de uma grande parede, inteiramente envolto em um manto cinza, rasgado. Não consegui ver seu rosto ou corpo—apenas o contorno de uma pessoa cercada por correntes e fumaça negra. Como um prisioneiro preso dentro do próprio vazio.
Seus olhos brancos, brilhantes, nunca desviaram de mim.
À medida que a rachadura começava a se fechar, continuei observando.
Então, justo antes de se selar completamente, algo mudou.
A figura se moveu.
Um pequeno movimento, sutil, mas inconfundível. O capuz inclinou-se para baixo, e sob aqueles olhos brilhantes, vi um sorriso. Sutil. Perturbador. Como se estivesse satisfeito.
E então, ouvi—uma voz. Rastejante, seca, quase um sussurro.
"Bilhão... #$%***#$…"
Apenas meu nome chegou claramente a mim. O resto… uma confusão incompreensível. Ruído distorcido, palavras esmagadas por alguma força anormal.
Depois, a rachadura desapareceu.
Completamente.
E assim, eu voltei a controlar meu corpo.
"Hoooooo….."
Respirei fundo, meu peito subindo e descendo com cada respiração difícil. Meu corpo inteiro encharcado de suor, como se tivesse acabado de sobreviver a uma tempestade.
Meus olhos se voltaram para meu braço direito—onde permanecia a tatuagem da corrente. Escura, detalhada, e inusitada. Estendi a outra mão para tocá-la, quase esperando que desaparecesse. Mas era real. Sólida. Quente.
Mesmo assim, tudo que tinha acabado de acontecer parecia um sonho—distante, irreal, e assustadoramente vívido.
Fechei os olhos e tentei me acalmar, respirando devagar.
Foi então que as notificações do sistema começaram a inundar minha tela, uma após a outra.