Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 230

Meu Talento Se Chama Gerador

A visão começou novamente.

Mais uma vez, eu estava no vazio do espaço, entre asteroides destruídos que flutuavam como detritos esquecidos. Uma quietude estranha pairava no ar — um silêncio que vibrava com significado. Reconheci o momento. Já o tinha visto antes. Mas desta vez, tudo estava mais claro.

Uma figura permanecia imóvel em um dos asteroides maiores. Alto. Envolto em um manto longo e rasgado que balançava mesmo no vácuo. As pontas eram desgastadas, rasgadas pelo tempo. Nenhuma parte de seu corpo era visível — ele estava completamente encoberto sob aquele manto, seu rosto escondido por sombras profundas na capuz.

Correntes deslizaram sobre seu corpo, movendo-se como seres vivos.

Elas se enroscavam firmemente em seus braços, peito e pescoço. Algumas se enrolavam em suas pernas como raízes, outras flutuavam ao seu lado, arrastando-se como fardos esquecidos.

Eram antigas — enferrujadas em alguns pontos, com brilho fraco em outros, cada elo gravado com inscrições tênues e ilegíveis. Ainda não conseguia dizer se eram restrições ou algo muito mais sagrado.

Sua presença era incorreta, não, mais pesada do que incorreta.

Parecia que ele carregava sobre si toda a realidade, como se até o espaço e o tempo hesitassem em se mover ao seu redor.

Então a escuridão mudou.

Uma luz brilhou através do vazio. O outro lado do cinturão de asteroides explodiu em movimento.

Um exército surgiu — uma tempestade infinita de poder e terror. Naves em forma de lâminas curvas cruzaram as estrelas. Bestas com olhos de magma rugiram pelo vazio, asas bateram no vácuo.

Dragões. Titãs. Demônios. Guerreiros com asas de ébano. Gigantes blindados. Seres feitos de sombra. Alguns carregavam estandartes de guerra, outros eram maiores do que suas próprias legiões. Havia criaturas que eu nunca tinha lido — monstruosidades criadas a partir das próprias leis.

Milhões deles.

Cada um irradiava sua própria presença — alguns queimavam com fogo, outros distorciam a gravidade só por existirem. O céu estava repleto de energia caótica e pura. Veio de todas as raças. De todos os reinos. E todos estavam vindo atrás dele.

No entanto, a figura permanecia imóvel.

E então, ele levantou uma única mão.

Senti minha respiração prender.

Desta vez, eu vi.

"Absoluto."

A palavra não ecoou — não precisava. Era simplesmente verdade.

Um pulso dourado emergiu de seu corpo. Não era luz. Não era energia. Era Essência — refinada, cristalina, impossivelmente densa. A onda dourada espalhou-se como uma ondulação em águas tranquilas, estendendo-se muito além do campo de asteroides.

Vi as partículas se deformarem. A própria Essência ao seu redor se alinhava, respondendo em adoração.

Este era o seu domínio.

E era vasto, se estendendo além do alcance da visão. Não cercava apenas a área. Reescrevia-a. O universo curvava-se ao seu redor.

A tropa não parou.

A primeira onda avançou — dragões emitiam urros, naves disparavam feixes de luz condensada, demônios mergulhavam com chamas na velocidade da luz.

O homem não se moveu. Mas percebi algo novo, algo escondido no ar.

Runas vermelhas minúsculas começaram a surgir.

Infinitas em número.

Elas dançavam pelo céu, entrelaçando-se com cada inimigo voador, cada máquina de guerra, cada soldado gritando.

Cada runa pulsava uma vez, depois outra, e então… queimaram.

As leis mudaram.

Elas não estavam mais voando.

O céu — o próprio conceito de céu — virou contra eles.

E como marionetes com seus fios cortados, caíram.

As asas pararam de bater. Motores falharam. A levitação cessou.

Tudo despencou para baixo.

Dragões colidiram contra asteroides, ossos quebrando como gravetos. Naves explodiram. Titãs rugiram de surpresa e dor ao tocarem o chão. Crateras se formaram. Pedras racharam. Vidas se extinguiram num piscar de olhos.

Senti isso desta vez, não apenas o impacto, mas a imposição de uma nova verdade.

O céu não os recebia mais.

Este foi o primeiro movimento dele.

Mas o exército não tinha acabado. Ainda não.

A segunda onda veio — furiosa, implacável.

E trouxeram tudo.

Feixes de luz fundidos ao fogo. Ondas sonoras transformadas em lâminas. A gravidade colapsada em bombas de singularidade.

Fractais de tempo se desenrolavam como espelhos tentando criar um ciclo infinito no campo de batalha. O espaço rachava sob o peso de dimensões dobradas. Setas venenosas, chamas devoradoras de almas, cânticos de guerra que quebrariam a mente, ilusões mais cortantes que facas, leis distorcidas e dobradas a cada ataque.

O céu virou uma tela de destruição.

E mesmo assim, o homem permanecia imóvel.

Ele levantou a mão novamente.

"Reverter."

Desta vez, as runas vermelhas reapareceram.

As runas surgiram do nada, infinitas, circulando e dançando na tempestade. Elas cortaram o caos como fios divinos — girando, pulsando, brilhando. E então, agiram.

Os ataques não explodiram. Dissolveram-se.

O tempo quebrou-se em faíscas inofensivas.

As bombas de gravidade se desfizeram como castelos de areia tocados pelo vento.

O fogo virou uma chuva suave.

As leis — se romperam.

Tudo o que tinha sido lançado, cada feitiço distorcido e golpe amaldiçoado, transformou-se em névoa cintilante.

O campo de batalha acalmou.

Fragmentos brilhantes de conceitos quebrados caíam como neve.

E ele não tinha se movido sequer um centímetro.

Depois… a luz mudou.

Por trás da cabeça do homem encapuzado, começou a se formar um círculo de luz pura.

Um halos.

Ele pulsou — devagar, firme, imponente. Como um batimento cardíaco que as estrelas podiam ouvir.

A tropa hesitou.

O medo os tomou.

Vi isso. Mesmo de longe, senti.

Alguns recuaram. Outros tremeram. Alguns largaram suas armas.

Não viam um homem. Não viam um monstro. Viram algo mais antigo que ambos. Algo que o mundo tinha esquecido. Algo que não deveria lembrar.

Mas o medo se transformou em raiva.

Alguns não aguentaram. Rugiram e avançaram novamente, consumidos pela insanidade.

O homem levantou a mão uma última vez.

E desta vez, sussurrou algo.

Eu ouvi — claro como o dia.

"Direito de Existir."

No momento em que falou, toda a imensidão do vazio reagiu.

As runas vermelhas se expandiram, transformando-se em dourado — mais rápido que o pensamento. Cada inimigo foi tocado por uma delas — marcado por um símbolo demasiado complexo para entender.

E então…

Eles desapareceram.

Sem sangue. Sem gritos. Sem resistência.

Apenas explosões de Essência — como estrelas se apagando.

Um por um, dez por dez, depois milhares. Deixaram de existir. Não era morte. Era apagamento.[1]

O Direito de Existir deles tinha sido revogado. E o universo obedeceu.

Tudo — feito sem um único passo.

Correntes deslizaram suavemente atrás dele.

O halo queimava mais intensamente.

E o silêncio retornou.

Então a visão terminou.

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