Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 220

Meu Talento Se Chama Gerador

O vento entre nós morreu. Os olhos amarelos do Rei Macaco continuaram fixos em mim, brilhando sob a inclinação pesada de suas sobrancelhas.

Meus músculos se tensaram.

Seu ombro trepou.

Avancei um passo.

Ele se lançou.

Nossas mãos se encontraram no ar, o impacto adstringente e ensurdecedor. Uma onda de choque se propagou, levantando poeira e rachando a pedra sob nossos pés. Meus braços tremeram com a força, mas mantive minha posição. Ele também.

Um instante de silêncio passou. Então, partimos para cima novamente.

Ele lançou um gancho de braços abertos — rápido, quase rápido demais. Me agachei por baixo, senti o vento rasgar minha cabeça, e encaixeei uma estocada aguda nas costelas dele. Era como socar uma rocha em movimento. Ele rosnou, cambaleou um passo para trás, e então avançou com a cabeça em um cabeceio brutal.

Me afastei na hora certa. O crânio dele roçou a ponte do meu nariz.

Sem habilidades ativas — mas ativei os canais de Essência gravados em meus ossos e os inundou. Força percorreu meus membros como calor derretido. Minha habilidade passiva entrou em ação, reforçando cada tendão, cada fibra muscular, dando ao meu corpo uma resistência incomum.

Avancei e incorporei meu cotovelo no peito dele.

Thwack.

Ele recuou dois passos, com os calcanhares marcando sulcos superficiais na terra antes de se parar com um rosnado baixo. Um lampejo de aprovação iluminou seus olhos.

Então, ele se moveu.

Um borrão.

Seu punho golpeou meu estômago. Meu corpo se curvou com o golpe, o ar sendo arrancado dos meus pulmões. Era como ser atingido por um aríete. Minhas botas escorregaram pelo chão, rasgando trincheiras na terra sob meus pés.

'Droga', pensei, forçando-me a ficar de pé. Isso doeu de verdade.

Redirecionei sessenta pontos de status para Constituição.

Em um instante, a diferença foi imediata. A dor diminuiu. Minha pele parecia mais resistente, meus ossos mais firmes. A hematoma que começava a se formar nas minhas costelas desapareceu como neblina ao sol.

"Certo", murmurei, estalando os dedos. "Vamos fazer do seu jeito."

Ele rugiu e avançou. Dessa vez, enfrentei-o de frente.

Nossos ombros se chocaram com o estrondo de pedra quebrando. Ele seguiu com uma chuteza ampla. Protegi com o antebraço — meus pés se ergueram uma polegada do chão pelo impacto — mas torci com o movimento e contra-atacei com um chute rotatório de calcanhar.

Meu pé cortou o ar e atingiu seu maxilar.

O macaco tropeçou de lado, cuspiu saliva. Então, sorriu.

E pulou.

Estava em mim em dois passos, punhos batendo como martelos. Banei o primeiro, desviei o segundo, escorreguei pelo terceiro, e mandei meu joelho no peito dele.

Ele pegou minha perna no meio do golpe e me lançou.

Girei no ar e aterrissei em um deslizamento controlado, as botas rasgando uma ranhura profunda na terra logo fora da cabana.

Levantei-me. Ele bateu no peito uma vez e rosnou.

"Ei", eu disse, limpando sangue do lábio. "Você ainda está se segurando."

Fechei os punhos e acelerei. Dessa vez, não foi um golpe só — foi uma enxurrada.

Socada. Bloqueio. Joelhada. Esquiva. Uppercut. Contra-ataque.

Seus braços eram como aço. Seus punhos caíam como árvores derrubadas. Mas os meus eram guiados, reforçados pela Essência e pura vontade. Um ritmo começou a se formar entre nós — uma batida não dita de punhos e passos.

Atingi seu queixo com um golpe limpo. Ele cambaleou. Não cedi.

Girei baixa, derrubei suas pernas, e empurrei meu punho em direção ao seu peito —

Só que ele o segurou no meio do movimento e torceu, me lançando por cima da cabeça.

Impactei o chão, escorregando vários metros antes de parar de rolamento.

O Rei Macaco se levantou, depois se sentou com uma respiração pesada. Eu me levantei e o encarei.

"O que foi? Não quer mais lutar?"

Honestamente, estava gostando. A adrenalina, a sensação crua de osso contra osso — era eletrizante. Combate corpo a corpo, cru, sem truques, sem elementos. Apenas força de vontade.

A fera bufou pelo nariz, se levantou e foi embora sem dizer uma palavra.

Palmas me deixaram momentaneamente confuso com a súbita desescalada — a trégua abrupta entre mim e o Rei Macaco. Num segundo, trocávamos golpes como titãs primais, e no próximo ele já tinha simplesmente… parado.

Um estranho desapontamento se instalou no meu peito. Soltei um suspiro lento, deixando a tensão escorrer dos ombros, e me virei para trás da clareira.

Voltei para a cabana. Lá dentro, tudo estava sossegado. O calor do chão de madeira me acolheu ao atravessar o corredor e me deitar no centro. Sentei-me de pernas cruzadas, com as mãos descansando sobre os joelhos, e fechei os olhos.

Minha respiração ficou mais lenta.

Voltei a me concentrar.

Com foco deliberado, mergulhei no meu núcleo e comecei a restaurar a Essência esgotada. Os canais gravados em meus ossos pulsaram suavemente, atraindo energia ambiente como uma corrente viva. Conduzi o fluxo, refinando-o em Essência com facilidade treinada.

De agora em diante, a Essência que eu gerava tinha múltiplos usos.

Primeiro, fortalecia meus atributos, levando meus limites físicos além do normal.

Segundo, alimentava o Coração Nulo aninhado em meu peito, a estranha estrutura que se tornara uma extensão do meu coração.

E, agora, mantinha o Grilhete da Alma — uma atadura invisível envolta na Abominação que tinha subordinado. Ela drenava Essência lentamente, em goles constantes, apenas para manter a estabilidade.

Afundei-me naquela rotina — absorver, refinar, distribuir.

Minha percepção se expandia enquanto eu me estendia mais longe, alcançando fios de energia bruta no ar ao redor. O tempo passou despercebido enquanto eu me perdia no processo de gerar Essência e transferi-la para o Coração Nulo.

Mas a verdade era: eu precisava de mais.

Uma Abominação sozinha não era suficiente. Não para o que vinha pela frente. Nem para a fuga que planejava.

Os Holt, os contratantes, a sala do portal — tudo ainda era uma aposta. A Fera Guardiã poderia despertar, os Ferans poderiam se elevar, mas nada era certo.

Então, eu precisava de outra.

Outra Abominação sob meu controle. Outro monstro para equilibrar as odds. Outra arma na guerra que estava prestes a começar.

****

Abri os olhos lentamente, respirando com calma. Um sussurro silencioso ainda reverberava nos meus ossos — um eco remanescente de toda a Essência que puxei e moldei.

Quase um dia inteiro tinha se passado desde que me sentei naquele lugar. Não me mexi. Não fiz mais nada além de focar em absorver energia e transformá-la em Essência. Era estranho como o tempo parecia desaparecer quando eu estava naquele estado profundo.

Verifiquei meu armazenamento de Essência. Estava cheio, completamente carregado de energia. Isso era um bom sinal. Também dei uma olhada no progresso do próximo Grilhete da Alma. Estava chegando perto.

Carregamento do Coração Nulo: 540 / 1000 de Essência.

Não foi mal.

Levantei-me, minhas pernas um pouco duras por ficar sentado tanto tempo, e alonguei os braços acima da cabeça. Depois, saí da casa, com o ar fresco e tranquilo tocando minha pele.

Expandi meus sentidos, deixando-os escanear a área. Não demorou a encontrá-los — Steve treinava sua espada na frente, cortando o ar com golpes precisos e limpos. Ana estava próxima, assistindo com interesse calmo.

Não pude deixar de sorrir. Silbei alto enquanto corri em direção a eles.

"Uau", disse com um sorriso. "Pode mandar ver."

Parei bem na frente do Steve, que agora enxugava o suor da testa. Ele levantou uma sobrancelha para mim.

"Quer treinar comigo?" perguntei.

Ele balançou a cabeça com cansaço. "Não agora."

Virei para Ana, levantando o mesmo olhar de questionamento com os olhos.

Ela sorriu, mas também balançou a cabeça. "Vou passar."

Soltei um suspiro, fingindo estar mais desapontado do que realmente estava.

"Tudo bem, tudo bem", disse, dispensando. "Hoje não temos luta."

Olhei para os dois e fiz um gesto na direção da cabana.

"Vamos sair. Voltaremos só depois de conferir as ruínas. Combinado?"

Ambos assentiram.

E assim, seguimos para o próximo passo.

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