Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 175

Meu Talento Se Chama Gerador

Red levantou a mão de forma casual e deu uma leve sacudida de cabeça.

"Pobre, inocente mulher," ela disse, quase parecendo triste. "Na verdade, sinto até um pouco de pena de você."

Depois ela deu uma shrug.

"Mas trabalho é trabalho."

Naquele instante, o corpo da minha mãe congelou. Seus músculos pararam, seus pés ficaram grudados ao chão.

E eu fui puxado de seus braços.

Levado por uma força invisível, flutuei em direção à Senhorita Red, indefeso.

Ela me pegou suavemente, me segurando como uma mãe faria.

Olhei para minha mãe de verdade.

Os olhos dela estavam arregalados de terror. Ela tremia enquanto lutava contra a força invisível que a prendia, tentando de tudo para se mover, só para dar um passo a mais em minha direção.

Mas não conseguiu.

Red continuava falando, sua voz calma e casual, como se estivéssemos só tendo uma conversa.

"Sabe, Bilhão," ela disse, olhando para mim, "não esperava que essa fosse a lembrança na qual você fosse ficar preso. Você sendo um bebê não é exatamente útil pra mim. Mas temos o dia todo pela frente. Podemos fazer muito mais do que isso."

Eu nem olhei para ela.

Meus olhos permaneceram fixos na minha mãe.

Ela ficava congelada, ainda incapaz de se mover, com os olhos cheios de lágrimas. Elas corriam pelo rosto enquanto ela assistia, impotente.

Eu me contorcia nos braços de Red, lutando para me soltar. Puxava, rebatia, tentava girar — mas meu corpinho de bebê era muito fraco.

Mesmo assim, tentei.

Olhei para o rosto choroso da minha mãe e me repeti várias vezes:

Isto é uma ilusão.

Isso não é real.

Apenas uma memória distorcida.

Mas não importava quantas vezes repetisse, isso não ajudava.

Algo afiado e pesado rasgou meu peito. Doía até respirar. Já tinha assistido meu pai morrer bem na minha frente. E agora…eu tinha que ver minha mãe sofrer também?

Mesmo em uma ilusão?

Mesmo aqui, eu era impotente?

Queria gritar — gritar alto o suficiente para fazer o céu se despedaçar — mas o som ficava preso na garganta.

Senti como se estivesse asfixiando.

Em desespero, estendi minha mente, procurando pela Essência no ar. Pela energia familiar da qual eu já tinha dependido tantas vezes antes.

Mas não havia nada.

Nessa ilusão, eu não estava despertado.

Sem Essência.

Meus pensamentos escorriam fora de controle enquanto tentava achar uma saída.

Ela estava na minha cabeça.

Ela tinha tomado minha memória, algo profundamente pessoal, e a torcido. Ela tinha se apossado dela, como uma convidada indesejada reescrevendo o passado, usando minha confusão para dobrar tudo à sua vontade.

Ela estava brincando comigo.

E eu não podia detê-la, nem com força física nem com poder.

Percebi então que aquilo não era só questão de força. Não era uma batalha que eu pudesse vencer com Essência ou socos.

Isto acontecia dentro da minha mente.

E se a luta fosse ali, era ali que eu tinha que resistir.

Não precisava de Essência para isso. Só de vontade.

Fechei os olhos.

Tudo ao meu redor — o sangue, o céu, o corpo congelado da minha mãe, o sopro de Red contra minha face — desapareceu em silêncio. Amei mais fundo, além do medo, além da impotência, além da fraqueza do meu corpo de bebê.

Me joguei para dentro.

Procurando por algo sólido. Algo real.

Minha mente.

O lugar onde minha vontade sempre viveu. O lugar que uma vez moldou rios de Essência, onde minha Psinsapa pulsava como um segundo coração.

Mesmo que agora eu não pudesse sentir esses poderes… mesmo que a ilusão os tivesse arrancado de mim… a parte de mim que os comandava ainda tinha que estar aqui.

Só precisava encontrá-la.

Vagueei pela memória, pelo instinto, pela dor.

No começo, era bagunça. Pensamentos colidindo. Emoções gritando. Pânico arranhando meu peito.

Mas aos poucos, ignorei tudo isso.

Encontrei a versão de mim mesmo que permanecia ereta no campo de batalha.

Aquele que ficava sozinho contra monstros.

Aquele que conseguia quebrar pedra com as mãos, que treinava até os ossos racharem, que esculpia poder até o próprio esqueleto.

Aquela versão de mim me encarava das profundezas da minha mente, não um bebê, não uma vítima.

Eu.

E ele ainda estava aqui.

Respirei fundo de repente.

Red achava que tinha controle. Achava que eu estava simplesmente flutuando, indefeso, em uma câmara de minha própria memória. Mas ela se esqueceu de uma coisa —

Essa memória era minha e minha Psinsapa era insana.

Eu não precisava de Essência pra lutar.

O que eu precisava era de controle.

Senti a vontade de Red infiltrando minha cabeça, lentamente tomando conta dos meus pensamentos e memórias. Na minha visão, parecia uma lama escura, viscosa, consumindo tudo que era meu. Ela rastejava pelos limites da minha consciência, engolindo minha clareza, torcendo o que uma vez era meu em algo estranho e distorcido.

Então comecei a recuperá-la.

Um pensamento de cada vez.

Foquei no jardim onde meu pai morreu. Lembrei das fendas no caminho de pedra. Da brisa antes de o céu ficar vermelho. Do jeito que os dedos da minha mãe tremiam quando me segurava.

Reconstruí tudo do meu jeito.

Aperfeiçoei os detalhes. Assumi o controle. Como se estivesse pintando o mundo com minhas próprias mãos, ao invés de assisti-lo de uma cela.

Minha vontade se inflamou e colidiu diretamente com a lama escura.

E a cada pedaço que lembrava claramente, a ilusão se enfraquecia.

A voz de Red voltou, divertida e curiosa. "O que você está fazendo, pequeno? Está meditando? Ah, que fofura."

Mas o tom dela vacilou.

O céu acima dela começou a ondular.

A cor desmaiou, saindo do vermelho profundo para um cinza suave. As nuvens tremularam, como se não tivessem certeza de que ainda pertenciam ali.

Abri os olhos, ainda no corpo de bebê, mas algo tinha mudado.

O mundo bornava levemente sob meu controle. Não com força, não com energia. Simplesmente com clareza. Com intenção. Com minha vontade.

Ordenei que meu corpo se afastasse do alcance de Red. Ela tentou pegar meu corpo, mas forcei minha vontade sobre ela, congelando sua mão no lugar, prenda invisível da qual ela não conseguiu escapar.

Flutuei para longe e a encarei.

Os olhos de Red se estreitaram ao me encarar.

"O que foi que você fez agora?" ela perguntou.

Eu não respondi.

Em vez disso, olhei novamente para minha mãe — desta vez, não só para sentir tristeza ou culpa, mas para me ancorar.

Ela importava. Sua memória importava.

E essa mulher não tinha lugar aqui.

"Você não é real," sussurrei.

A minha voz era pequena, aguda, ainda daquele jeito de bebê, mas soava com certeza.

Red franziu a testa.

"Ah, eu sou bem real," ela disse. "Real o suficiente pra te fazer sentir dor. Real o bastante pra te fazer quebrar."

Eu balancei a cabeça lentamente.

"Essa é minha mente. Minha memória. Você não manda nas regras."

Por um momento, tudo congelou.

Depois, o mundo ao nosso redor tremeu.

As árvores no caminho voltaram ao lugar, asfalta rachada se refez, o céu clareou um pouco mais.

Foquei com mais força. Liberei minha mãe do aperto de Red. Apaguei o aroma de trovão do ar.

Cada pensamento era como um golpe de martelo contra a ilusão.

Os olhos de Red se arregalaram enquanto ela gritava.

"Você não deveria ser capaz de fazer isso," ela disse com os dentes cerrados. "Você não está acordada."

"Não," eu sussurrei. "Mas eu sei quem eu sou."

Nesse mundo de pensamentos e memórias, aquilo já era suficiente para começar a virar o jogo e percebi várias notificações.

Comentários