Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 170

Meu Talento Se Chama Gerador

Respondi com uma voz zonza: "É, mas você realmente atrapalhou meu sono."

O homem deu uma risadinha.

"Achei que seis horas bastassem de sono de beleza para você. Mas se estiver enganado, pode dormir de novo."

'Seis horas? Será que realmente fiquei tanto tempo dopado?'

Fiz uma checagem rápida pelo meu corpo. A dor já tinha diminuído para uma sensação quase inexistente. Minha cura estava agindo rapidamente. Olhei para Steve, ele também estava acordado, de olhos fechados, mas o leve sorriso no rosto denunciava. Aquilo idiota provavelmente tinha ouvido tudo.

Fiz uma anotação mental para pegar um daqueles óculos que os guardas estavam usando. O Steve iria gostar disso.

Respondi: "Não precisa. Acho que já estou bem descansado."

O homem do lado de fora da cela pausou por alguns segundos antes de falar novamente.

"Então, foi aquela criancinha nobre quem deixou você aqui?"

Eu dei de ombros. "Algo assim."

Foi aí que o outro homem na cela, até então silencioso, falou.

"Então o imperador ainda não moveu uma corda contra os Holts. Quanto tempo vai deixar aqueles cafajestes destruírem nosso país por dentro?"

Olhei para ele. O segundo homem era estranho porque se parecia bastante com o primeiro. Demorei um pouco para perceber a diferença—ele tinha a barba aparada de forma diferente e o bigode não era tão espesso. Devem ser gêmeos, provavelmente. Difícil de distinguir com toda aquela barba.

Aquele de cabelos marcados, o primeiro, rebateu.

"Ming, não culpe o Imperador. O que você quer que ele faça? Vá à guerra com os Holts? Isso só enfraquecerá o Império e dará ao Peanu mais uma chance de invadir a gente."

Ming bufou.

"E qual é a sua ideia brilhante, Xin? Ficar de braços cruzados enquanto os Holts devoram a gente por dentro? Se a destruição for inevitável, prefiro lutar até o fim do que ficar apodrecendo numa cela."

Minha cabeça se inclinou.

'Ming e Xin.'

Eles nem sequer olharam para mim ou Steve enquanto discutiam.

Xin respondeu.

"Essa atitude heróica é exatamente o que nos levou a ser capturados. Você teve que agir como um guerreiro justo e enfrentá-los, não teve? Se você tivesse apenas esperado—"

"Esperei um ano inteiro, seu idiota," interrompeu Ming. "Quanto mais eu deveria esperar?"

Xin suspirou e esfregou a testa, como se já estivesse cansado dessa discussão mil vezes.

"Falar com você é inútil."

"E falar com você também não adianta," retrucou Ming.

Então ficou o silêncio.

Eu clarifiquei a garganta.

"Uh… se vocês não se importarem, poderiam me dizer onde estamos?"

Xin coçou a cicatriz sob o olho e perguntou.

"Posso te contar, garoto, mas primeiro, como é que você conhece aquele 'queridinho’ do Rei?"

Respondi.

"Estávamos na mesma unidade de elite. Entramos juntos há dois meses."

Xin riu.

"Haha… garoto promissor. Então, o que aconteceu entre vocês?"

"Nada demais. Ele tava se achando demais, aí acabamos dando uma surra nele. Ele não gostou nada disso."

"Só isso?" perguntou Xin.

Eu concordei. "É, só isso."

Ming bufou. "Patético. Não conseguiu aguentar uma surra e chamou a família dele. Typical lixo Holt."

Xin ficou quieto por um momento, depois falou.

"Parece um pouco suspeito, garoto. Mas… vou acreditar na sua palavra—pelo menos por enquanto."

"Não tem nada de estranho nisso. Essa é a história toda," respondi.

Xin deu uma risadinha.

"Certo, se é assim que você diz."

Eu insisti mais uma vez.

"Então… onde exatamente estamos?"

Xin demorou um pouco, seu tom ficando mais sério.

"Garoto, essa é a base secreta dos Holts, o lugar onde eles operam às escondidas, longe dos olhos da família real. E o motivo de não serem rastreados? Porque não estamos no Império."

Pisquei, surpreso.

"O quê?"

"É uma dimensão independente criada pelos Nagas. Tenho certeza que você já ouviu falar deles, a raça mais forte da nossa galáxia. Essa prisão toda… o mundo lá fora… até as algemas que você está usando, tudo foi criado pelos Nagas."

Meus olhos se arregalaram.

'Uma dimensão independente criada pelos Nagas?'

Nem tinha considerado essa possibilidade.

Perguntei.

"Se os Nagas criaram tudo isso… como é que os Holts conseguiram pôr as mãos nisso?"

Xin deu de ombros.

"Isso eu não sei. Mas há prisioneiros Nagas aqui. Se der sorte, talvez algum deles fale com você. Até agora, nenhum disse uma palavra."

Franzi a testa.

"Então, como você sabe que esse lugar foi feito pelos Nagas?"

Xin sorriu torto.

"Se um dia eles deixarem você sair, vai entender o porquê."

Franzi ainda mais os olhos.

"Sair fora?"

Ele assentiu.

"Sim. Você acha que essa prisão é tudo que existe? Confie em mim, garoto, você vai se surpreender com o que há do lado de fora. Se a família real não descobrir um jeito de entrar logo… os Holts vão passar deles. E aí, a coisa vai ficar feia."

Encostei-me na parede fria, deixando as palavras do Xin se assentar na minha cabeça como poeira no ar parado.

Uma dimensão criada pelos Nagas.

Isso explicava muita coisa, o jeito como minha Psique se sentia embotada mesmo antes de colocarem a coleira, o zumbido estranho na atmosfera, a maneira como a energia fluía aqui. Não era natural.

E os Holts controlavam tudo isso?

Não fazia sentido. Os Nagas eram para ser intocáveis, quase divinos em poder. Se sequer um deles tinha sido capturado ou enganado… isso dizia mais sobre os Holts do que eu gostaria de admitir. Ou eles tinham ajuda, ou tinham algo pior.

Olhei para minhas mãos. Pareciam normais, firmes, mas ainda podia sentir o peso das algemas, o silêncio que as reprimia. Não me senti tão fraco desde que acordei.

Cerrei os punhos.

Steve e eu tínhamos vindo aqui sabendo que seria perigoso. Assinamos nossa sentença de inferno, não de férias. Mas ainda assim—era algo diferente. Não estávamos apenas atrás das linhas inimigas. Estávamos dentro de uma verdade escondida que ninguém sequer sabia que existia.

E mesmo assim, não tinha medo.

Estava curioso. Bravo. E… desperto.

Este lugar exalava poder antigo, rancores esquecidos e monstros escondidos. Mas também era uma forja—e eu sempre soube que, para ficar mais forte, precisava de mais do que batalhas. Precisava de pressão. Fogo. Desafio.

Não tinha dúvidas de que Arkas nos enviou aqui por alguma razão. E qualquer que ela fosse, era maior do que apenas ficar mais forte.

Não sairia desse reino de mãos vazias.

Não.

Arrancaria seus segredos, um por um.

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