
Capítulo 145
Meu Talento Se Chama Gerador
Precisava de mil pontos de Essência para ativá-lo, uma quantia absurda considerando o ritmo lento com que se acumulava passivamente.
Ia levar tempo. Tempo que eu não tinha.
Então escolhi o caminho mais rápido.
Virei-me e comecei a descer a encosta. Meu coração sabia para onde estava indo.
Para o lugar que me humilhou. Onde fui jogado ao chão várias vezes sem poder Resistir.
A zona do Espaço-Tempo.
A zona da gravidade.
Um sorriso surgiu no canto dos meus lábios.
Era hora de acertar as contas.
Logo, estava na borda da zona. Uma linha invisível e tênue se estendia pelo chão além dela, sinalizando o início do campo de gravidade.
A região estava silenciosa. Calma. Sem ondulações, sem distorções.
Exatamente como na última vez, ela não reagiria a menos que fosse perturbada.
Este lugar não era como os outros. Não era impulsionado por elementos brutos. Aqui, a Essência tinha mudado, assumindo características de espaço e tempo.
Não eram fogo, vento ou água, coisas que eu poderia ver, tocar ou manipular diretamente. Eram conceitos. Forças fundamentais. Leis.
Minha Psínapse havia se tornado muito mais afiada desde a primeira vez que vim aqui. Contava com isso, esperando enxergar coisas que antes tinha deixado passar.
Revivi tudo o que aconteceu na última vez.
Como entrei. Como a gravidade mudou. Como as distorções me puxavam de volta ao chão, repetidamente. Como as anomalias de espaço e tempo se acionavam a cada movimento que eu fazia.
Não havia sinais físicos. Nem fumaça, nem rachaduras, nem surtos elementais. Apenas a mão invisível das leis atuando.
Espaço e tempo não podiam ser vistos diretamente. Só seus efeitos. Uma distorção aqui. Uma deformação ali. Uma desaceleração de movimento. Uma mudança de direção.
Estes não eram elementos. Eram os pilares que sustentavam tudo ao redor.
Destruam um deles, e tudo desaba.
Isso significava uma coisa: quem lutasse aqui… não era comum. Não eram apenas poderosos.
Eles tinham tocado algo que a maioria nunca perceberia.
Respirei fundo e avancei.
Meus pés descalços tocaram na borda da zona.
Entrei lentamente, com cuidado, meus sentidos abertos ao máximo. Cada nervo do meu corpo em alerta, esperando o primeiro sinal de perturbação. Ativei [Impulso Psínapse], e o mundo ao meu redor desacelerou instantaneamente.
A Essência ganhou vida. Pulsava no ar, como se toda a zona tivesse se transformado em um coração pulsante. Pela minha percepção, parecia que eu era um deus observando tudo de cima, assistindo.
Um minuto passou. Nada aconteceu.
Então, percebi.
Vindo lá do meu lado esquerdo, uma onda de Essência começou a fluir. Movimento suave, numa corrente gentil que cortava a zona em direção à direita.
Mas, enquanto caminhava, notei algo estranho. Cada passo interferia no fluxo. Partes da onda batiam em mim e recuavam, enquanto o restante continuava adiante. Quanto mais eu avançava, mais interferência causava.
De repente, toda a corrente parou.
Depois, ela tremeu.
Veio uma segunda onda, mais forte desta vez. Não era mais calma, era violenta.
Eu fechei os olhos. A onda de Essência estava mudando. Observei com atenção enquanto se transformava. Sua cor começou a virar prata.
Espaço.
O atributo do espaço foi ativado.
Logo que percebi, soube o que vinha. A anomalia começaria ali.
Mas não me movi. Permanecei exatamente onde estava, com a Psínapse totalmente ligada, acompanhando as mudanças sutis na passagem do tempo ao meu redor. A onda se aproximava. Agora, brilhava com tons de prata e azul esverdeado.
Espaço e tempo — juntos.
Preparei-me.
Ativei [Motor de Essência].
A Essência pulsou pelos meus canais como fogo selvagem, alimentando cada fibra do meu corpo. Concentrei-me nas minhas pernas. Os músculos se contrairam, comprimiram e ficaram mais espessos para estabilizar minha postura.
Desta vez, não ia ser derrotado de novo, esmagado no chão.
A onda estava quase chegando em mim.
O ar tremeu. Poeira e detritos no chão começaram a tremer, reagindo ao que vinha, como presas nervosas buscando um predador próximo.
Antes que a onda atingisse, liberei Essência para fora. Ela saiu da minha pele formando uma capa violeta cintilante ao meu redor.
E então... impacto.
Bum.
Não houve som, mas senti no osso.
A gravidade disparou instantaneamente. Meu corpo vacilou. Apesar dos meus preparativos, um joelho bateu forte no chão.
Gemia e empurrei mais Essência para fortalecer a capa ao meu redor, tentando aliviar a pressão.
Não me movi.
Fiquei ali, congelado, com os olhos fechados agora, sentindo tudo ao meu redor.
Queria entender.
A Essência ao meu redor se torceu, sobreposta com espaço e tempo. Era como assistir fios invisíveis da realidade se curvarem e se entrelaçarem. Deixei acontecer, estudando com toda a minha mente cada detalhe.
Após algum tempo, a pressão diminuiu.
A gravidade abaixou.
Abri os olhos e vi detritos ao meu redor começando a flutuar para cima, como se o mundo inteiro tivesse invertido.
Procurei a Essência que corria por mim e a transfiri para o atributo Terra.
Meus músculos ficaram mais duros. Meu corpo ficou mais pesado. Ainda não estava firme o suficiente.
Então, avancei mais.
Expandi minha vontade e enviei Essência para o solo abaixo de mim. A terra respondeu. Subiu lentamente, formando uma camada ao meu redor, primeiro nos tornozelos, depois nos joelhos, travando-me no lugar.
Endureci tudo, compactei como uma armadura feita do próprio chão. Assim, resistiria ao puxão da gravidade invertida.
Depois, apenas observei.
Estudei como espaço e tempo se misturavam, como criavam a anomalia. Não lutei contra ela. Procurei aprender com ela.
E então, novamente, o processo se inverteu.
Veio uma terceira onda, mais forte que as duas primeiras.
A Essência prateada-azulada avançou em minha direção. Preparei-me e empurrei minha vontade com mais força, comandando a Essência violeta ao meu redor para reagir.
Desta vez, não caí de joelhos. Mantive-me firme, resistindo ao peso esmagador do campo de gravidade ainda melhor do que antes.
Mas eu queria mais do que sobreviver, queria controlar.
Então ativei meu núcleo.
"Potencialize."
O Gerador entrou em ação dentro de mim, vibrando com força bruta. Concentrei-me nos canais, direcionando-os a absorver cada traço de energia que pressionava meu corpo.
A distorção do espaço, a compressão do tempo, o peso esmagador, toda força tentando me quebrar, transformei em combustível.
E, instantaneamente, observei uma nova Essência se formar dentro do núcleo.
Fiquei imóvel, deixando a pressão me envolver, absorvendo a energia que caía sobre mim.
Ao mesmo tempo, observei com atenção, tentando entender como tudo funcionava. Como o espaço se torcia. Como o tempo se curvava. Como ambos se entrelaçavam para perturbar a realidade neste lugar.
A força que me pressionava sumiu quando a onda de Essência finalmente recuou.
Respirei fundo, meus músculos relaxaram lentamente.
Um olhar rápido para meu armazenamento de Essência: 55/55 (+30).
Ao todo, sessenta e cinco unidades.
Sem hesitar, transferi 50 unidades direto para a carga do Coração Nulo.
50/1000.
Assim que fiz isso, a Essência comprimida no meu núcleo mudou, sendo atraída em direção ao núcleo branco suspenso no centro, chamado de Coração Nulo pelo sistema.
Ele percebeu a energia chegando e começou a girar lentamente.
Bem lentamente.
Pausou, estreitei os olhos.
Era uma presença tênue, quase imóvel, mas a movimentação existia.
Isso me surpreendeu mais do que esperava.
Não achava que uma quantidade tão pequena fosse sequer registrar.
Mas registrou.
E isso significava uma coisa:
O Coração Nulo tinha aceitado a carga.
Me endireitei lentamente, ajustando minha postura enquanto a pressão aliviava.
A Essência fluindo pelos meus canais começou a se acalmar, deixando de jorrar loucamente. A capa violeta que se formou ao meu redor desapareceu e a camada de terra endurecida ao meu redor se desfez aos poucos, espalhando-se pelo solo solto.
Dei uma rodada nos ombros, sentindo a tensão sair dos músculos. Ainda doía um pouco, mas não de forma ruim. Era aquela dor que avisava que tinha aprendido algo.
"Foi intenso," falei com um sorriso tímido, soltando uma respiração que nem tinha percebido que estava segurando.
Por dentro, me senti satisfeito.
Desta vez, não tinha sido completamente dominado.
Resisti de pé.
Mais importante, descobri como resistir, estudar e entender.
Senti nos ossos, no ar, nos padrões de Essência ao redor.
Espaço e Tempo aqui não eram apenas ideias. Eram forças em movimento, nesta zona.
E agora, tinha uma base.
Sabia que outra onda viria logo, provavelmente mais forte.
Então, comecei a me preparar.
A cada pulsar, Essência fresca entrava no meu núcleo, de forma constante e segura.
Mantenho minha atenção afiada, acompanhando as mudanças sutis na Essência ao meu redor. Os padrões. O fluxo. O ritmo.
E então, como antes, ela disparou.
Um sorriso surgiu no canto dos meus lábios.
Desta vez, não ia apenas sobreviver. Eu ia aprender com ela.