
Capítulo 121
Meu Talento Se Chama Gerador
**** Ponto de vista de Steve
Quatro dias.
Cinco dias?
Não... dois dias?
Já não tinha certeza de mais nada. O tempo se misturava, se fundia na minha cabeça desde que esse treinamento infernal começou sob comando de Arkas.
Meu corpo inteiro doía, cada músculo rasgado e gritando por socorro. A dor tinha se tornado minha única companhia.
Por dias e noites, tudo que eu conhecia eram as paredes de pedra frias desta câmara e a lâmpada fraca que tremia na parede à direita.
Tudo começou quando Arkas me arrastou até um ninho de Abominações. Ele me deu uma única missão — matar.
Mas só quando eu tivesse certeza de que um único golpe seria suficiente para acabar a luta. Sem golpes desperdiçados. Sem segundas chances.
Isso significava que eu tinha que enfrentar Abominações de alto nível com uma desvantagem. Eu tinha uma tentativa. Uma única chance. Durante o resto do tempo, eu apenas esquivava, levava pancadas na terra, sentia meus ossos se partindo e minha carne rasgando.
Repetidamente, eu tinha que rastejar de volta, machucado e sangrando, apenas para procurar aquela abertura.
Perdi a conta de quantas vezes minha coluna quebrou. Luke me curou mais vezes do que posso lembrar.
Dia após dia, somente batalhas incessantes. Sem descanso. Sem misericórdia.
Quando finalmente cheguei ao Nível 24, achei que tinha conseguido. Que tinha conquistado minha classe.
Mas Arkas tinha outros planos.
Em vez de me premiar com a classe, deixou que eu intimida-se com o Rei como recompensa, e depois me arrastou para este lugar amaldiçoado.
Agora eu estava de pé em uma plataforma circular elevada, no centro de uma câmara de pedra. Desde que pisei nela, não podia sair. Sem comida. Sem descanso. Sem pausas.
Apenas a escuridão. E a lâmpada que tremia.
Relâmpagos dourados crepitavam ao meu redor, rasgando meus braços e a plataforma sob meus pés. Minha mão direita tremia violentamente enquanto eu apertava minha espada, lutando para levantá-la para um golpe horizontal.
Essa era minha tarefa. Atacar.
Mas os relâmpagos não estavam apenas queimando minha pele, estavam me amarrando. Brincando com meus movimentos. Arkas me disse que havia um momento perfeito onde minha espada poderia se mover sem resistência, onde eu poderia cortar a restrição com facilidade.
Mas eu nunca encontrei esse momento. Nem uma única vez.
Veias saltavam pelo meu corpo. Meus olhos estavam tão vermelhos que queimavam. Minha respiração saía ofegante.
Então, uma nova descarga de relâmpagos me atingiu com força.
Dor.
Minha coluna se arqueou involuntariamente enquanto meus músculos se firmavam. Era como se houvesse mais relâmpagos dentro de mim do que sangue.
Outra rajada veio de novo.
Os dentes cerrados com tanta força que quase pensei que iriam estalar.
Minha mente começou a escorregar.
A motivação que tinha no começo se desvanecia aos poucos. Por quê eu estava fazendo isso? Por que me empurrava até esse limite?
Para ficar ao lado de Billion? Mas ele ficaria comigo independentemente, não ficaria? Mesmo que eu fosse apenas um Não Despertado, ele não me abandonaria.
Então, por que eu estava sofrendo assim?
Outro choque.
Eu perdi a cabeça.
"Parem!" — gritei.
Os relâmpagos não pararam. Ficaram mais intensos.
"EU DISSE, PIRRALHOS, PARAAAA!" — esbravejei, despejando toda a força que tinha na minha voz.
O ambiente estremeceu com luz dourada enquanto outro surto de energia me atingia. Meu corpo se convulsionou violentamente. Minha visão ficou turva. Minha espada parecia um peso de chumbo nas mãos.
E finalmente... o relâmpago se dispersou e desapareceu.
Respirei fundo e caí de joelhos. Minha espada caiu ao meu lado.
Minha boca permanecia aberta, puxando ar desesperadamente. Saliva escorria pelo queixo, o suor grudado à pele, e o cabelo molhado grudado ao rosto.
Meus músculos tremiam, espasmos causados pelos choques persistentes. Meu peito subia e descia de forma irregular, como se estivesse sufocando.
E então, uma voz.
"Você desistiu. É tudo que consegue oferecer? Não foi você quem se ofereceu para isso?"
Arkas.
Levantei a cabeça lentamente, a visão turva, e olhei para frente.
No final da pequena sala, Arkas estava sentado numa cadeira, metade do rosto escondido na sombra, enquanto a outra metade refletia a luz fraca da lâmpada.
Olhei para ele, olhos arregalados, respiração descompassada.
Queria cortá-lo, acabar com a vida dele e apagar essa lembrança.
E então, suas palavras fixaram-se em minha mente.
"Eu desisti?"
A sensação bateu forte no meu estômago, como um soco.
"Não."
Realmente... tinha desistido?
Meu corpo tremia mais por essa ideia do que pelos relâmpagos.
"Por quê?"
Um peso esmagador pressionava meu peito, apertando e sufocando. Minha respiração ficou superficial e descompassada.
Arkás voltou a falar.
"Achava que só amizade te levaria longe? Com o que vocês dois enfrentaram juntos para achar que isso basta? Cinco dias, e você quebrou."
Minha cabeça caiu, a testa quase tocando o frio do chão de pedra.
"Não."
Não gostava do que ele tinha dito.
Queria só jogar minha cabeça contra o chão e apagar esse momento da minha memória.
Não conseguia aceitar isso, tinha realmente desistido.
De alguma forma, era uma derrota maior do que tudo que já tinha sentido antes.
Já tinha desistido várias vezes na vida.
Desisti nos exames. Desisti de não ser preguiçoso. Desisti de tentar ficar em primeiro na academia. Desisti de lutar contra os Eternals.
Mas nunca — nunca — tinha sentido algo tão terrível ao desistir.
Minha visão ficava turva, manchas escurecendo nos cantos.
Queria gritar, mas minha garganta se recusava a obedecer.
"POR QUÊ?"
A palavra ecoou na minha cabeça. Minha mão tremia enquanto a colocava no peito, enterrando os dedos na pele como se pudesse rasgar meu próprio coração e encontrar a resposta lá dentro.
A voz de Arkas cortou a névoa do meu pensamento.
"Você se arrepende de ter desistido?"
Suas palavras pareciam peneirar dentro de mim, torcendo algo que estava à flor da pele.
"Olhe dentro de si mesmo. Por que está se arrependendo, Steve?"
Puxei uma respiração trêmula, mas foi pouco. Meu peito parecia vazio, como se algo tivesse sido arrancado de mim, deixando só esse peso insuportável.
Meus dedos cavaram minha pele, as unhas pressionando contra o osso, mas a dor também não era suficiente.
"Por quê?"
A palavra martelava minha cabeça, repetindo-se incessantemente, girando como uma tempestade dentro de mim.
Parece que se eu não encontrasse a resposta, morreria de tanto arrependimento.
Já tinha desistido antes.
Incontáveis vezes.
Mas esses momentos eram só meus e só meus de ninguém mais.
Ninguém sabia o que eu tinha planejado fazer. Ninguém viu eu abandonar meus próprios objetivos.
Desta vez, foi diferente.
Desta vez, minha promessa foi dita em voz alta.
Não só para mim mesmo, mas para Billion. Para Arkas.
E agora... será que eu teria coragem de encará-los olho no olho?
Minha respiração ficou presa, um tremor percorreu meu corpo, não pela eletricidade — mas por algo mais profundo, algo que eu não conseguia afastar.
Nunca tinha tido medo de fracassar antes.
Mas isso?
Isso era assustador.
Meus olhos se voltaram de lado.
A espada estava ali, ao alcance, sua lâmina refletindo o brilho fraco da lâmpada que tremia. A luz oscilava, dançando na lâmina e refletindo de volta, como um desafio não dito.
Olhei para aquela ponta reluzente, minha respiração desacelerou.
E então, entendi.
'É por isso que eles caminham rumo à morte de mãos abertas.'
Por isso que soldados não recuam ao encarar seu próprio fim.
Pois a culpa, o arrependimento de saber que você desistiu quando ainda podia lutar um pouco mais, é um destino bem pior que a morte.
Eu apertei os punhos.
Não tinha medo de dor.
Não tinha medo de sangue.
Mas tinha medo de enfrentar o peso desse fracasso.
Estendi minha mão em direção à espada.
Minha mão tremia ao segurar a empunhadura, mas não via isso como fraqueza.
Para mim, era coragem.
Puxei uma respiração lenta e me levantei, usando a espada como apoio. Meu corpo protestou, mas forcei-me a manter a postura ereta.
Com os dentes cerrados, encarei Arkas.
"Sim, desisti. E sim, você viu. Mas vou fazer com que esse momento seja enterrado sob as conquistas que vou criar para o futuro."
Embora meu corpo tremesse, avancei, adotando minha postura de combate. Meu pé esquerdo avançou, joelhos flexionados, a espada sendo puxada para trás, como se fosse guardá-la na cintura.
Olhei fixamente para Arkas e murmurei:
"Comece."