Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 78

Meu Talento Se Chama Gerador

Sentamos à mesa, enfiando comida na boca como animais famintos. Boas maneiras? Esquecidas. Depois de um mês comendo só restos, comida boa, não, comida incrível, fez com que toda a etiqueta fosse uma lembrança distante.

Steve, ainda mastigando, acenou com um pedaço de perna meio comido no ar.

— Então me conta a próxima coisa… uuhmm… seu encontro com Arkas.

Eu concordei com a cabeça e o coloquei a par da situação, explicando como Arkas havia proposto um plano para me ajudar a ficar o mais forte possível, forte o suficiente para enfrentar as maiores ameaças do mundo e, eventualmente, chegar à Galáxia Prime.

Steve ouviu atentamente, assentindo enquanto pegava outro pedaço de perna misterioso. Ele deu uma mordida enorme, mastigou por um segundo e então apontou para mim.

— Então, resumindo: o Comandante quer te transformar em uma potência, um dos mais fortes da história, para que você possa lutar contra os Eternos e os inimigos do nosso mundo?

Ele fez uma pausa e então estreitou os olhos. — Cara, quer saber? Tô cheirando conspiração.

Eu taquei um pedaço de perna nele. Ele desviou.

— Você realmente precisa checar esse nariz — eu disse. — Que p*rra de conspiração é essa? Você não ouviu o discurso do cara quando o conhecemos? Ele é um careca ambicioso.

Eu entendo que ele possa ter seus próprios objetivos e, sim, talvez ele queira me usar para eles, mas é uma troca justa. E não vamos esquecer, eu já planejava me tornar o mais forte, com ou sem a ajuda dele.

Steve concordou com a cabeça.

— Eu sei de todos os seus planos malucos. Mas… eu não concordo com uma coisa.

Eu levantei uma sobrancelha.

— Que coisa?

Ele engoliu um pouco de água e se encostou.

— Que você vai fazer isso sozinho. Eu vou com você.

Eu fiz uma careta.

— Steve…

Ele me interrompeu.

— Escuta, eu me conheço. Eu sou preguiçoso, eu sei disso. Mas se a morte é o objetivo final, então eu prefiro morrer como um espadachim do que como um cara definhando na cama, sem fazer nada.

E se, por alguma chance maluca, você conseguir se tornar o mais forte, isso significa que eu terei toda a segurança e tempo livre que eu poderia querer. É uma situação em que todo mundo ganha.

As palavras dele mexeram comigo. Uma dúzia de pensamentos rodopiou na minha cabeça, o mais forte sendo: Steve estará em perigo se ele me seguir.

Como amigo dele, eu tinha que ser honesto com ele.

— Você sabe que não vai conseguir me acompanhar, certo? Meu talento me dá uma vantagem injusta.

Steve concordou com a cabeça.

— Eu sei. É por isso que eu já tenho um plano. Eu vou pedir ajuda ao Comandante. Se ele é tão ambicioso quanto você diz, tenho certeza que ele terá algo que pode me impulsionar.

Um sorriso lento surgiu no meu rosto. Eu nem tinha pensado nisso. Eu tinha assumido que era minha responsabilidade ajudar Steve, mas talvez… talvez Arkas pudesse oferecer algo a ele.

Sorrindo, levantei um pedaço de carne no ar.

— Saúde.

Steve me imitou, levantando o dele.

— Saúde.

E assim, nós mergulhamos de volta na festa.

Enquanto devorávamos a comida, limpei a boca e me inclinei para trás na minha cadeira.

— Certo, agora a última parte, o que aconteceu dentro do vulcão.

Steve rasgou um pedaço de carne como se não comesse há anos.

— Finalmente. Demorou, hein?

Eu sorri.

— Você vai gostar dessa.

Ele ergueu uma sobrancelha.

— Ah, é?

Eu me inclinei, abaixando a voz como se estivesse prestes a compartilhar um segredo escandaloso.

— Eu conheci uma mulher.

Steve congelou no meio da mordida, os olhos se arregalando.

— Quê?

Eu sorri.

— É. Ela era… diferente.

Steve imediatamente largou a comida e se inclinou, toda a atenção agora em mim.

— Diferente como?

Eu levei meu tempo, esfregando o queixo como se estivesse tentando encontrar as palavras certas.

— Bem, para começar, ela não era humana.

Os olhos dele praticamente brilharam.

— Não humana?

Eu assenti.

— Ela era um demônio.

A boca de Steve se abriu. Então ele bateu o punho na mesa.

— Um demônio?! Você conheceu um demônio de verdade?! E você só está me contando agora?!

Eu mal consegui segurar minha risada.

— Bem, você nunca perguntou.

— Seu bastardo! — Ele apontou para mim acusadoramente. — Você sabia que eu amo outras raças! E você só está trazendo isso à tona agora? Você deveria ter começado com isso em vez do seu talento estúpido e do comandante.

Eu dei de ombros, fingindo inocência.

— Acho que saiu da minha cabeça.

Steve gemeu, passando a mão pelo cabelo.

— Ok, ok, comece do começo. Como ela era?

Eu sorri.

— Ah, ela era algo mais, cara.

Os olhos dele queimavam de curiosidade.

— Defina "algo mais".

Eu sorri.

— Alta, musculosa, mas ainda tinha aquele… você sabe… toque feminino. A pele dela era em um tom de carmesim escuro, e o cabelo dela era preto puro, chegando até as costas. E os olhos dela? Vermelhos brilhantes.

Steve expirou como se estivesse prendendo a respiração.

— Caramba.

Eu continuei.

— E o corpo dela?

Steve respondeu.

— E aí?

Eu assenti lentamente.

— Impecável. Absolutamente impecável.

A mão dele se fechou em um punho.

— Você está me matando aqui, Billion.

— Ah, e o peito dela? — Eu soltei um assobio baixo. — Enorme. O melhor que eu já vi.

Steve bateu na mesa de novo.

— NÃO!

Eu caí na gargalhada.

— Seu sortudo filho de uma— — Ele apontou para mim como se estivesse prestes a jogar seu copo de água. — Isso é injusto, INJUSTIÇA! O mundo ficou cego! Eu sou quem gosta de outras raças, e você simplesmente conhece uma dessas?!

Eu sorri, observando-o entrar em parafuso e joguei lenha na fogueira.

— Sabe, ela estava meio interessada em mim também.

Steve ficou em silêncio.

Eu observei enquanto ele olhava para a distância como se estivesse questionando toda a sua vida. Então ele olhou de volta para mim.

— …O que você quer dizer com "interessada"?

Eu sorri.

— Quero dizer que ela queria que eu ficasse com ela. Disse que eu seria forte se eu treinasse com ela. Talvez até mais.

Steve piscou. — Mais?

Eu assenti.

— Sim, ela definitivamente gostou de mim. Ficava falando sobre como eu cheirava ou algo assim. Ela era um demônio carmesim de um chifre, e você sabe como eles são sempre apaixonados por humanos.

Me deu um tratamento especial, massageou meus músculos, ajustou meus ossos, até me esquentou para um banho de lava. Cara, eu te digo, foi como umas férias lá embaixo para mim.

Steve lentamente colocou suas mãos na mesa.

— Eu deveria ter ido ao vulcão.

Eu ri mais alto.

— Tarde demais, amigo.

Ele gemeu e se jogou na mesa.

— Isso é tão injusto. Uma guerreira demônio gostosa simplesmente aparece, e você consegue conhecê-la?

— Bem, eu era quem estava no vulcão — eu dei de ombros. — Talvez da próxima vez, tente pular em um.

Ele espiou para mim.

— Não me tente.

Eu sorri.

— Devo avisá-lo, porém. Ela tentou me matar.

Steve acenou com a mão desdenhosamente.

— Sim, sim, isso é padrão para outras raças. Você só tem que provar seu valor primeiro.

Eu levantei uma sobrancelha. — Quase morrendo?

Ele assentiu sabiamente. — Exatamente.

Eu balancei a cabeça. — Cara, você realmente precisa de um hobby.

— Este é meu hobby — ele disse, falando sério.

Eu bufei.

— Bem, você perdeu sua chance desta vez. Mas ei, se eu vir outro demônio de novo, vou avisá-la sobre meu melhor amigo desesperado.

Steve suspirou dramaticamente.

— Sim. Apenas certifique-se de que ela seja uma mulher.

Nós dois rimos, então voltamos a comer.

Eu falei. — Eu a matei no final.

Steve não olhou para cima da comida. — Merda acontece.

Eu expirei. — É.

O silêncio se estendeu entre nós.

Então Steve falou novamente, com a voz firme. — Ela começou?

Eu respondi. — Começou.

Ele assentiu.

— Então é isso. — Ele pegou outro pedaço de carne, mastigando lentamente. — Somos guerreiros, na batalha não há certo ou errado. Apenas morte ou vitória.

Eu engoli, o peso no meu peito diminuindo só um pouco.

Steve sorriu. — Ainda assim, se você encontrar outra gata demônio gostosa, me faça um favor, me apresente primeiro antes de decidir matá-las.

Eu bufei uma risada. — Sim, senhor.

Ele levantou seu copo de água. — Para guerreiras gostosas.

Eu tilintei o meu contra o dele. — Para guerreiras gostosas.

E assim, o momento passou.

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