Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 8

Meu Talento Se Chama Gerador

Na manhã seguinte, parei em frente ao espelho, dando uma última olhada em mim mesmo.

Eu vestia uma camisa branca sob uma jaqueta azul marinho, combinada com jeans azuis e sapatos brancos. Depois de me certificar de que tudo estava no lugar, peguei minha bagagem e desci.

Vovó estava esperando na sala de estar.

— Aqui — disse ela, aproximando-se e colocando um colar em volta do meu pescoço.

— Isso foi algo que sua mãe fez para seu pai. É uma das poucas coisas que consegui salvar daquele lugar.

Olhei para o colar, meus dedos traçando as rachaduras ao longo do pingente. Era um símbolo do infinito azul, desgastado pelo tempo, com as letras J e C, as iniciais dos meus pais, gravadas em cada laço.

Vovó estudou meu rosto por um momento antes que um sorriso suave aparecesse.

— Tudo bem, você pode ir agora. Certifique-se de voltar para mim em segurança.

Olhei para ela, a única família que me restava neste mundo. Primeiro, ela perdeu o marido, depois o filho e a nora. Eu não conseguia começar a compreender a dor que ela deve sentir todos os dias.

Avançando, abracei-a gentilmente.

— Eu te amo, Vovó. Vou sentir sua falta. Voltarei seguro e mais forte.

Ela me abraçou forte por um momento antes de sussurrar.

— A vovó também te ama, Billion. E eu esperarei pelo seu retorno.

Dei um passo para trás, fiz uma leve reverência e peguei minha bagagem. Sem dizer mais nada, saí de casa.

Mesmo quando cheguei ao carro, pude sentir os olhos dela nas minhas costas.

O motorista carregou minhas malas e, logo, estávamos na estrada, indo direto para a academia.

Era hora de começar um novo capítulo da minha vida.


A viagem não demorou muito e, logo, chegamos aos portões da academia. Peguei minha bagagem e fui em direção ao pátio de assembleia.

Na frente, alguns instrutores estavam posicionados atrás de um conjunto de mesas, fazendo o inventário dos pertences dos alunos. Entreguei minha bagagem, observando enquanto eles anotavam rapidamente e, em seguida, movi-me em direção à crescente multidão de recrutas.

Era cedo — 6h30 da manhã — e o sol mal estava espreitando no horizonte.

Examinei a área, avistando grupos dos meus colegas de turma parados por perto, alguns conversando, outros esperando em silêncio. Meus olhos procuraram por Steve, mas ele não estava em lugar nenhum.

Soltando um pequeno suspiro, movi-me para um canto mais tranquilo, ficando com as mãos nos bolsos enquanto esperava os outros chegarem.

A multidão engrossou gradualmente à medida que mais recrutas chegavam e, quando eu estava prestes a verificar meu status por tédio, finalmente avistei Steve passando pelos portões com sua atitude relaxada e preguiçosa de sempre.

Ele olhou ao redor e, assim que me avistou, caminhou até mim.

— Pelo menos hoje, você deveria ter chegado cedo — eu disse.

— Estou cedo. Ainda faltam cinco minutos — ele rebateu.

Sem me dar a chance de discutir, ele mudou de assunto.

— Enfim, alguma ideia do que acontece a seguir?

— Sim, a Vovó me disse: "Seremos escolhidos, depois misturados, as unidades serão fixadas e, então, o inferno será libertado."

Steve revirou os olhos.

— Ótimo. Isso soa reconfortante. Então, você descobriu seu talento?

— Descobri.

— E?

— É ótimo. Eu te mostro mais tarde.

Ele estreitou os olhos, mas não insistiu. Eu sabia que ele me importunaria sobre isso eventualmente.

E logo, um apito soou e começamos a nos organizar em ordem de hierarquia.

Daniel estava na nossa frente, um monte de arquivos em suas mãos.

— Muito bem, não há necessidade de perder mais tempo. Sua bagagem foi coletada e será enviada para seus alojamentos designados. Agora, aqui está o que vai acontecer, vocês serão enviados para o Centro Central de Provação (CCP) na capital. Esse será o quartel-general de relatórios de vocês para o próximo ano.

Ele levantou os arquivos ligeiramente.

— Haverá pessoal pronto para recebê-los. Vocês precisarão pegar seus arquivos e entregá-los a eles. Estes contêm feedback pessoal da Academia Avenue, considerem-nos seus registros de sucesso ou fracasso. E sim, nós os tornamos públicos, então todos saberão quando vocês foram marcados em vermelho por estragar tudo ou em verde por se darem bem.

Seus olhos percorreram a multidão antes de continuar.

— A razão para tornar seus registros públicos é simples — construir confiança e consciência entre seus camaradas. Quer gostem ou não, é assim que o Império opera. Suas unidades já foram decididas e atualizadas com base em vocês terem despertado ou não.

Eu enrijeci.

Já decididas? Pensei que passaríamos por treinamento primeiro, algum tipo de avaliação, e então seríamos designados.

— Então, desejo a todos vocês boa sorte — Daniel continuou.

— O desempenho de vocês durante o período de experiência também refletirá nos registros da nossa academia, então deem o seu melhor. Ah, e eu também me candidatei ao CCP, então talvez nos vejamos por lá.

Droga. Eu teria que lidar com ele lá também. Não que eu tivesse algo pessoal contra o cara, mas nossas ideologias não se misturavam muito bem.

Fomos direcionados para outro salão da academia, onde um homem de meia-idade de óculos escuros estava na frente, bebendo casualmente um smoothie.

Daniel distribuiu nossos arquivos antes de apresentá-lo.

— Este aqui é o Sr. Rodriguez. Ele será responsável por transportar todos vocês para o CCP. Sua Classe está relacionada à teletransportação.

Teletransportação? Agora isso era interessante. Tanto quanto eu sabia, era uma Classe rara, altamente valiosa no exército. O único lado ruim? Ela não fornecia nenhum benefício direto de combate, tornando-a mais um papel de apoio.

Rodriguez não disse uma palavra. Ele apenas acenou com a cabeça, sorvendo sua bebida. Então, com um aceno de mão, um círculo azul brilhante nos cercou.

E então... nada.

Minha visão escureceu por um segundo antes que tudo voltasse ao normal.

Estávamos em um salão enorme, muito maior do que qualquer coisa que eu já tinha visto antes. As paredes se estendiam por pelo menos 50 metros de altura, e o espaço se estendia infinitamente para ambos os lados. Ao nosso redor, centenas de recrutas estavam espalhados, todos jovens e garotas como nós.

Estávamos dentro do CCP.

Acima de nós, enormes lustres pendiam, lançando um brilho suave sobre o salão. Vi todos os meus colegas de turma comigo, mas nenhum sinal de Rodriguez ou Daniel.

Então, uma voz ecoou.

— Bem-vindos ao CCP, alunos da Academia Avenue.

Virei-me para ver uma mulher de blazer e calças justas parada na frente. Ela sorriu enquanto falava.

— Gostaria que todos vocês prosseguissem para os balcões atrás de mim e entregassem seus arquivos aos Registradores. Agora, apressam-se, outros alunos da academia estarão chegando em breve.

Sem perder tempo, avancei, passando por ela e me aproximando de um dos balcões.

— Olá, aqui está meu arquivo — eu disse, entregando-o.

A mulher atrás do balcão sorriu, pegou o arquivo e abriu a primeira página. Um fino raio de luz azul emergiu de seus olhos, varrendo o documento como um scanner de projetor. Enquanto ela folheava as páginas, a luz traçava cada uma, brilhando brevemente antes de desaparecer.

Eu olhei fixamente, de boca aberta.

— Você está brincando comigo? — eu deixei escapar.

Ela olhou para mim, então riu.

— Sim, eu recebo essa reação com frequência. Eu tenho uma Classe chamada Registrador, como o nome sugere, nós mantemos e atualizamos registros.

— Uau, isso é tão legal — eu disse.

— Obrigada... Billion? Esse é um nome bem único.

Eu cocei a nuca.

— Sim... meu pai meio que gostava de números grandes. Felizmente, minha mãe o impediu no Billion, caso contrário, eu teria terminado com algo ridículo como Trillion ou Googol.

Ela riu disso, terminando sua varredura antes de carimbar algo no arquivo.

— Tudo bem, você está liberado. Bem-vindo ao CCP.

Ela puxou um pequeno cartão de metal preto e seus olhos brilharam mais uma vez enquanto as palavras começavam a se imprimir em sua superfície. Uma vez terminado, ela o virou e o carimbou com o emblema do Império, um raio cintilante. Finalmente, ela me entregou.

— Aqui, este será seu cartão de identidade para o próximo ano.

Peguei o cartão e examinei os detalhes escritos nele.

[Cartão de Identidade]

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Nome: Billion Ironhart

Idade: 17

Academia: Academia Avenue

Cidade: Cairo

Rank: PB_02000

Departamento: Unidade de Elite 02

Status: Vivo

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— Unidade de Elite 02?

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