
Capítulo 847
O Ponto de Vista do Vilão
Um mundo destinado a testemunhar o fim de uma conspiração que perdurou por milhares de anos.
Sem demora, os três perseguiram Gehrman.
Enquanto acima da Terra a batalha continuava a enfurecer-se — o próprio tempo parecia fluir de maneira diferente entre os dois reinos.
O Rei Demônio atravessou os Devoradores do Caos um após o outro, massacrando-os com brutalidade avassaladora.
O sangue deles chovia sobre a terra, formando poças e rios enquanto ele avançava em direção ao Grande Ser.
"Pensei que vocês não passavam de escravos daquela entidade miserável", Agaroth rosnou.
"Desde quando vocês ganharam a liberdade de agir por vontade própria?!"
O Grande Ser recebeu o golpe de frente, liberando uma imensa onda de aura.
"Ainda somos escravos... isso é verdade", respondeu ele com serenidade.
"Mas, como pode ver... eu sou um pouco diferente."
Agaroth respondeu fundindo duas habilidades capazes de destruir mundos e liberando uma onda de escuridão diretamente contra ele —
contudo, o ataque dissipou-se antes mesmo de fazer contato.
Foi então que a compreensão surgiu.
"Minha habilidade... é o Esquecimento."
Um poder estranho e aterrorizante.
Ele apagava seu nome... e sua própria existência... da mente de todos os seres.
Até mesmo seu criador, Odin, havia se esquecido dele... completamente apagado da memória.
Por meio desse poder, o Grande Ser havia rompido suas correntes, escondendo-se no sigilo por incontáveis anos.
Era uma habilidade perigosa.
Uma que lhe permitia anular os ataques do Rei Demônio — reduzindo-os a ilusões, como se nunca tivessem existido.
Se não fosse pela resistência de Agaroth, até ele teria esquecido que os havia lançado.
O Esquecimento concedia mais do que isso.
Permitia-lhe manipular as próprias mentes — apagando memórias, reescrevendo outras em seu lugar.
Foi através desse poder que ele tomou o controle do Devorador do Caos — transformando-o em nada mais que uma ferramenta.
Uma ferramenta... usada agora para conter o Rei Demônio.
Agaroth não conseguia compreender por que aquele Grande Ser escolhera ficar do lado de Gehrman e da Seita das Sombras.
E o Grande Ser não ofereceu explicação.
Ele simplesmente atacou.
Incansavelmente.
Suprimindo o Rei com tudo o que tinha.
"Você entende o que significa se opor a mim... Grande Ser?"
Agaroth arremessou para longe os cadáveres das feras caídas, seu corpo irradiando uma pressão avassaladora.
"Você deveria ter permanecido escondido."
"Você jogou sua vida fora no momento em que se revelou."
"Estou plenamente ciente", respondeu o Grande Ser, impassível — como se tivesse aceitado esse desfecho desde o início.
Apesar da exaustão, o Rei Demônio ainda possuía poder suficiente para devastar mundos.
Embora suas reservas de aura tivessem se esgotado na batalha contra o Sem Nome, ele começou a reabastecê-las... absorvendo cada traço de energia ao seu redor.
Seu corpo tornou-se como um buraco negro...
devorando tudo.
"...Agaroth... que existência maldita a sua."
Uma aura branca pura surgiu ao redor do Grande Ser — brilhante como espuma de leite — formando lanças imponentes que dispararam contra o Rei.
Agaroth contra-atacou com sombras, depois revidou com ondas de fogo sombrio que queimavam vastas regiões a cada liberação.
O Grande Ser lutou, erguendo barreiras semelhantes a vidro para resistir às chamas enquanto era forçado a recuar.
Seus olhos vazios e escuros fixaram-se na forma de Agaroth...
tentando, por uma vez, enxergar além daquela singularidade em movimento.
"De onde... vem todo esse poder?"
ele se perguntou.
"Não pode nascer do nada... deve haver algo por trás disso..."
Um segredo... que o Grande Ser da Terra ansiava desvendar — mas ele não conseguia atravessar a existência de Agaroth, nem compreender a estrutura intrincada e anômala que o definia.
Um ser distorcido e perfeito... que ninguém poderia verdadeiramente compreender, exceto aquele que o criou.
'Nesse ritmo... eu cairei rapidamente.'
A percepção veio sem resistência. O Grande Ser compreendeu que não conseguiria aguentar muito tempo contra Agaroth — especialmente quando suas habilidades, por mais formidáveis que fossem, nunca foram forjadas para o combate direto.
Nem mesmo o poder do Último Sobrevivente o salvaria agora, não quando ele se revelara voluntariamente diante de olhos que curvavam o próprio destino.
'Mas é o suficiente... cumpri meu papel. Não há mais nada que eu precise fazer.'
Ele levantou o olhar para o céu, uma serenidade instalando-se em seu rosto.
'O tempo flui muito mais rápido lá... em Londor. Quando esta batalha terminar... tudo já terá sido decidido.'
E assim, Agaroth fora atrasado — contido, impedido de interferir.
Tudo o que restava... eram seus subordinados, e eles eram agora o fardo de Gehrman para carregar.
O Grande Ser não pensou mais nisso. Gehrman, enfraquecido como estava, teria de enfrentá-los sozinho.
Dez minutos se passaram.
Nesse momento, o Rei Demônio estava diante dele mais uma vez... após massacrar cada Devorador do Caos, após apagar aquele estranho Grande Ser completamente da existência.
Agora... era a sua vez.
Agaroth pairava sobre ele, seu corpo envolto em escuridão, sombras serpenteando como seres vivos ao seu redor.
"Alguma última palavra?", perguntou o Rei Demônio, seu tom monótono — sua expressão desprovida de interesse.
O Grande Ser sorriu.
"Não."
Ele não tinha mais nada a dizer. Seu papel fora cumprido.
Ele depositara sua fé no mesmo caminho escolhido por Frey... e pela Seita das Sombras.
Agora, apenas o desfecho restava.
E a morte diante do Rei Demônio... era simplesmente parte dessa conclusão.
Ele aceitou isso.
Mas alguém mais não aceitou.
Justo quando Agaroth se moveu para atacar, uma onda de aura esmeralda rasgou o espaço entre eles — partindo a terra e o vazio, forçando-os a se separarem.
"Grande Ser da Terra... você se escondeu esse tempo todo... apenas para morrer de uma forma tão patética?"
Uma terceira presença surgiu.
Uma figura se aproximou à distância, carregando uma lâmina semelhante a uma katana com um punho dourado brilhante.
Suas roupas estavam gastas, enegrecidas. Seus cabelos e olhos brilhavam com um verde vívido.
Um sorriso confiante descansava em seu rosto, enquanto marcas estranhas pulsavam pelo seu corpo... irradiando poder.
"E você é?", Agaroth virou-se, dirigindo-se ao recém-chegado.
O jovem espadachim adotou uma postura impecável.
"Eles me chamam de... Ascendente Transcendente. O quinto entre os Sete Grandes Poderes..."
Ele saltou em direção ao céu.
Então desceu — fendendo o próprio espaço enquanto golpeava.
"O humano... Sieghart!!"
Corte—!!
Agaroth bloqueou a lâmina com o braço, sombras colidindo violentamente com a aura em erupção de Sieghart.
Suas forças se chocaram — e o Ascendente manteve sua posição diante do Rei Demônio.
"Um humano...?", murmurou o Grande Ser, incrédulo.
A espada de Sieghart tornou-se um borrão, tecendo com precisão surpreendente — prendendo o Rei dentro de uma tempestade de incontáveis arcos esmeraldas.
Sentindo o peso por trás daquela lâmina, o sorriso de Agaroth se alargou.
"Enfrentei muitos inimigos poderosos hoje."
"Alguns escaparam do meu alcance... mas muitos outros foram enterrados sob a terra."
"E parece... que enterrarei ainda mais."
Seu punho em chamas colidiu contra a espada de Sieghart — forçando-o a recuar.
Contudo, o Ascendente recuperou-se instantaneamente, pronto para lutar mais uma vez.
"Venha, então. Tente me enterrar, Rei Demônio."
"Se a derrota diante de você é o meu destino... então eu a aceito."
Sua aura surgiu — elevando-se, crescendo além da medida.
"Eu estava neste planeta no momento em que você desceu... o que me torna um alvo da força que o convocou, não importa o quê."
Energia verde espiralou ao redor de sua lâmina, intensificando-se a cada segundo que passava.
"Eu nunca pretendi lutar diretamente contra você..."
"Mas acabei de testemunhar a maior batalha da minha vida."
"Meu sangue está fervendo... não consigo mais me conter."
"Se a morte me aguarda... que assim seja!"
"Mas antes que eu caia — antes que eu retorne ao pó..."
"Deixe-me mostrar-lhe... do que os verdadeiros humanos são capazes!!"
Os olhos do Grande Ser se arregalaram.
Naquele momento, ele entendeu.
Verdadeiros humanos...
Um herói que deixara a Terra séculos atrás.
"Impossível..."
"Estou realmente testemunhando o nascimento de uma nova linhagem... com meus próprios olhos?"
O ápice da nova humanidade....
O Ascendente Transcendente, Sieghart.
Um guerreiro que herdara o dom inato do Profeta da Humanidade...
E agora buscava revelar sua verdade — contra o próprio Rei Demônio.
O conflito na Terra atingiu seu ápice.
E muito longe...
Londor, também, entrou em seu confronto final.
A resistência final da Seita das Sombras havia começado.
Um monstro antigo, escondido por eras, caminhou para a luz mais uma vez —
Um ser que esperara por este exato momento... para lutar novamente.
Uma guerra que distorceu o destino das raças... e despedaçou a vontade de grandes guerreiros.
Humanos antigos. Novos humanos.
A Seita das Sombras. Os demônios. Os Grandes Seres.
A batalha pela Terra continuava...
Seus ecos chegando até mesmo a Londor.
E a questão permanecia...
Que fim... essa guerra amarga traria?