O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 838

O Ponto de Vista do Vilão

"Você sabe... o que a morte realmente significa?"

A pergunta escapou dos lábios de Agaroth enquanto ele estava no centro da Seita das Sombras, cercado por casas e edifícios por todos os lados, cada um abrigando o que restava da humanidade neste mundo.

Frey também estava lá.

Mas ele não conseguia se mover.

Ele tentou, mas Agaroth formou uma lança de uma estranha aura sombria na palma da mão e a lançou com precisão, cravando-a profundamente na coxa de Frey.

Outra veio logo em seguida, atravessando sua outra perna, pregando-o ao chão.

"Minha pergunta é simples", o Rei continuou calmamente.

"Mas tenho certeza de que você não será capaz de respondê-la."

"Porque o conceito de morte... é diferente para você e para mim, comparado a eles."

Agaroth abriu os braços, sua capa escura esvoaçando como uma sombra viva ao seu redor.

"A morte deles não significa nada além da perda de tinta seca... nada diferente de apagar algumas palavras de um livro antigo."

"Palavras cuja existência não é diferente de sua ausência. Elas não afetam o curso dos eventos... nem mudam a essência da história."

"É por isso... que podem ser apagadas tão facilmente."

"As vidas deles não significam nada."

"E eu posso matar milhões deles... sem nem piscar."

Ele ergueu a mão.

E sua sombra expandiu-se mais uma vez, engolindo toda a Seita das Sombras.

Frey entendeu imediatamente o que aquilo significava.

Ele sabia exatamente o que estava prestes a acontecer.

Um massacre estava prestes a começar.

E não havia nada que ele pudesse fazer... exceto assistir.

Porque Agaroth cravou ainda mais lanças em seu corpo, prendendo-o completamente no lugar.

"Ouça com atenção", disse o Rei.

As lanças de sombra elevaram-se no ar, cada uma perfurando dezenas de humanos de uma só vez.

Eles foram erguidos acima da Seita como carne espetada, como se o próprio mundo tivesse se tornado uma exibição grotesca de matança.

Não houve resistência.

Nenhuma batalha.

As pessoas ali não eram lutadoras.

Tudo o que podiam fazer... era morrer.

Uma após a outra.

Gritando. Chorando. Implorando a plenos pulmões.

As sombras varreram até mesmo os mais fortes entre eles.

Angry — a estátua furiosa — nada pôde fazer contra um ataque direto do Rei Demônio.

Até mesmo Adir e Ghost, que haviam se refugiado no subsolo... não sobreviveram.

O guerreiro da Seita das Sombras sentou-se, enquanto Ghost estava ao seu lado.

Ambos encaravam silenciosamente, desprovidos de qualquer emoção visível, enquanto as sombras avançavam em sua direção.

Era como se já tivessem aceitado seu destino.

Adir sorriu.

Ghost fechou os olhos lentamente.

"Este é o fim de um capítulo... um capítulo longo e exaustivo", disse Adir com um leve sorriso.

Então, ele fechou os olhos.

E as sombras destruíram ambos.

"Resta apenas um pouco... então não falhe... Gehrman..."

E Adir morreu.

Ghost morreu.

Assim como todos os humanos morreram — um após o outro.

As estátuas desmoronaram.

Tudo foi apagado.

Alguns morreram nas ruas.

Outros dentro de suas casas.

A Seita foi pintada de sangue e sombra.

Cadáveres preenchiam cada canto.

Os gritos desapareceram... pouco a pouco.

Até que o silêncio consumiu tudo.

Até os corvos não ousavam se aproximar, temendo o tirano que ali estava.

Agaroth virou-se levemente assim que o massacre foi concluído.

"Não o sinto... ele está se escondendo?", murmurou o Rei, um leve sorriso se formando enquanto suas sombras falhavam em localizar o Engenheiro de olhos azuis.

Isso por si só confirmava.

Gehrman ainda estava planejando algo.

E Agaroth não se importava.

"É mais divertido desta forma... só espero que ele não decepcione."

Enquanto toda a Seita das Sombras queimava, Agaroth voltou-se para Frey.

Que havia testemunhado tudo.

Ele viu uma escala de matança como nunca antes presenciara.

E o Rei não poupou ninguém.

Frey tremia sob as lanças sombrias, lutando para fazer qualquer coisa... mas falhando.

Ele não gritou.

Ele não falou.

Mas seus olhos sangraram.

O sangue escorria pelos cantos de seus olhos avermelhados, veias pulsando violentamente dentro deles.

Sua mente estava um caos.

Algo dentro dele... estava se quebrando.

Até mesmo seu corpo Kratt, que suprimia suas emoções, começara a transbordar.

E, ainda assim...

Ele não perdeu o controle.

Apesar da pressão avassaladora caindo sobre ele — uma pressão suficiente para levar qualquer homem são à loucura — ele resistiu.

Ao vê-lo assim, os olhos de Agaroth se estreitaram levemente.

"Você ainda está de pé", disse o Rei.

"Depois de tudo o que te mostrei... você mudou."

"Você se tornou mais parecido com o seu outro eu... aquele por trás da máscara."

"Mas ainda não é o suficiente."

Ele estendeu a mão.

"Você precisa de um empurrão final... um golpe decisivo que quebrará a última corrente que te prende... e que me prende."

Com um único movimento...

O espaço colapsou.

A própria existência se despedaçou.

A realidade inverteu-se.

E aquela mão atravessou uma distância imensa... até agarrar algo muito distante.

Alguém.

Agaroth puxou.

E com aquele movimento, ele arrastou uma garota de cabelos brancos puros.

A bala final.

A última peça.

Aquela que Frey havia escondido sob inúmeras barreiras fora da Seita das Sombras.

Barreiras que se estilhaçaram sem esforço sob a vontade de Agaroth.

E debaixo delas... ela foi revelada.

Ada.

Ada Starlight.

Ela surgiu do nada, choque e medo claramente escritos em seu rosto.

Ela olhou para aquele pesadelo em forma de homem... incapaz de encontrar seus olhos por um segundo sequer.

Seu olhar desviou desesperadamente — para qualquer lugar, menos para ele.

E então...

Ela viu Frey.

"Irmão...", ela sussurrou, sua voz tremendo enquanto Agaroth a colocava gentilmente no chão, permitindo que ela ficasse de pé.

"Esta é a peça final", disse Agaroth.

"Espero que isso seja o suficiente... para te dar o empurrão que você precisa."

Havia uma implicação sutil em sua voz.

Como se nem mesmo ele soubesse o que faria... se isso falhasse.

Mas Frey não ouviu uma única palavra.

Seus olhos estavam fixos em sua irmã.

"Ada...", ele forçou, sua voz tensa, sua garganta despedaçada — incapaz de se regenerar devido à natureza dos ataques de Agaroth.

O Rei Demônio ergueu a mão mais uma vez.

Suas sombras se reuniram.

E dentro delas —

Uma lâmina afiada e sombria foi formada.

Então, sem hesitação, ele estendeu a mão... oferecendo a lâmina a Ada, que a pegou contra sua vontade.

Ela tremia, aterrorizada, incapaz de entender o que estava acontecendo.

Ela tentou se afastar daquele monstro — mas seu corpo não obedecia mais a ela.

Ele obedecia a ele.

Um estranho feitiço a dominara. Ada havia se tornado uma marionete em suas mãos.

Esta não foi a primeira vez que Agaroth fizera tal coisa.

Mas desta vez... ele a deixou consciente.

Ela segurava a lâmina com braços trêmulos, mal conseguindo levantá-la, esperando... pelo comando dele.

E o Rei não a deixou esperando.

"Mate a si mesma."

Agaroth não se deu ao trabalho de fazê-lo ele mesmo.

Ele não mancharia suas mãos com o sangue dela... mãos já encharcadas com o sangue de cada humano vivo.

Ada obedeceu.

Ela virou a lâmina lentamente em direção ao próprio pescoço, suas mãos tremendo violentamente.

Lágrimas escorriam de seus olhos, medo e tristeza entrelaçados... refletidos claramente em Frey, que se debatia no lugar como um louco.

O fio da lâmina tocou sua pele.

A princípio... suavemente.

Uma linha fina de sangue se formou, traçando um caminho suave pelo pescoço dela... e descendo até o peito.

Tudo se movia em câmera lenta.

Sob o olhar do Rei, que observava com divertimento.

E sob os olhos de Frey... que queimavam.

Era uma tragédia que ninguém poderia suportar.

Tão insuportável... que alguns estavam dispostos a tudo para impedi-la.

Entre eles —

Fulghor.

O grande guerreiro.

O veterano quebrado e patético que avançou com um corpo destroçado, metade do rosto banhado em sangue, seus longos cabelos ruivos fluindo selvagemente atrás dele após seu elmo ter sido destruído.

Em sua mão, ele formou uma lança dourada dos últimos fragmentos de aura que conseguiu reunir.

Ele tentou intervir.

Para impedir a loucura que se desenrolava diante dele.

Mas foi fútil.

Dezenas de serpentes de sombra perfuraram seu corpo, empalando-o centenas de vezes em um instante.

Os tentáculos de escuridão elevaram o corpo ensanguentado de Fulghor no ar.

A vida lentamente se esvaiu de seus olhos.

E a última coisa que ele viu...

Foi um irmão forçado a assistir sua irmã se matar diante dele.

"Isso... está errado... algo assim nunca deveria acontecer...", Fulghor lutou dentro das sombras, o desespero e a fúria distorcendo sua voz.

Mesmo com seu último suspiro, ele tentou se libertar... para ajudá-lo.

Mas ele falhou.

E Fulghor morreu.

Do lado de Frey...

Tudo ficou vermelho.

O sangue inundou sua visão, manchando-a como tinta que nunca desapareceria.

O mundo inteiro ficou encharcado de uma escuridão carmesim.

Como se ele tivesse entrado nas profundezas mais profundas do inferno.

E, ainda assim...

Apesar daquele vermelho avassalador consumindo tudo —

O sangue de Ada se destacava.

Claro.

Distinto.

Como se carregasse um tom de vermelho diferente de qualquer outro existente.

A lâmina atravessou seu pescoço.

O fluxo de sangue intensificou-se — mais rápido... mais pesado... mais horripilante.

Até que a lâmina emergiu pela parte de trás de seu pescoço.

O sangue jorrava sem parar.

De sua garganta.

De sua boca — agora incapaz de formar uma única palavra.

A luz desapareceu de seus olhos.

A escuridão os consumiu inteiramente.

Seus braços caíram sem vida ao lado do corpo.

Seu corpo desabou para frente... pendendo sobre a lâmina sombria.

Ada morreu.

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