
Capítulo 821
O Ponto de Vista do Vilão
Do nada...
um longo cajado de madeira surgiu em sua mão.
Parecia comum.
Como nada mais do que uma simples bengala.
Não era um artefato mágico.
Não era uma arma.
E ainda assim...
Maskith realizou algo extraordinário com ele.
Ele tocou o chão levemente.
Um toque gentil, sem força alguma.
E, no entanto, desse toque, uma enorme onda sônica irrompeu...
engolindo instantaneamente toda a reunião dos Ultras.
A ressonância aguda forçou todos eles ao silêncio.
Seus olhares se elevaram... em direção a Maskith.
Ele não ofereceu discurso.
Nem explicação.
Em vez disso, ele ergueu lentamente seu cajado enquanto seu corpo se inflamava com uma aura sombria e avassaladora.
Atrás dele, Wesker observava.
seus olhos se arregalando a cada segundo que passava.
Lentamente, ele levantou a cabeça, encarando o poder que ganhava forma.
A aura de Maskith... estava se tornando material.
"...Parece... uma mulher?"
Uma figura feminina colossal surgiu.
Seu cabelo era grisalho.
Seu rosto oculto por uma máscara redonda e branca.
Seu corpo parecia rachado e quebrado — como uma antiga boneca de pedra.
E seu tamanho era tão imenso que ela se elevava acima de toda a estrutura.
"Olhem para ela como quiserem", disse Maskith.
"Temam-na. Adorem-na. Fiquem maravilhados..."
"Não importa."
"Vocês são insignificantes demais para compreender... que tipo de ser ela realmente é."
Ele ergueu a cabeça lentamente, olhando para ela —
seus olhos brilhando com uma luz diferente.
"Eu a criei para se parecer com ela..."
"Mas falhei."
"Esta manifestação deplorável não reflete nem uma fração de sua verdadeira grandeza."
Um sorriso lento se espalhou por seu rosto.
"Você está assistindo... Agaroth?"
"Aposto que faz tanto tempo que você esqueceu como ela é."
Seu sorriso se alargou ainda mais.
"Nossa grande mãe..."
"Lady Clea."
Ao ouvir essas palavras... a expressão de Wesker mudou.
De dentro do corpo de Vayne, ele sentiu algo... perturbador.
Um tremor estranho percorreu seu ser.
Uma sensação de queimação agitou-se dentro de seu terceiro olho.
"Eu não entendo..."
"Quem... é ela?"
Ele falou em voz alta, a confusão evidente.
"Esta reação... são as emoções do Rei?"
Wesker raramente sentia uma resposta tão violenta de Agaroth.
E, mesmo a essa distância...
através do Olho do Rei e da sombra dentro dele...
ele podia sentir.
Aquela manifestação imponente não era um constructo comum.
Isso era inegável.
Abaixo... os humanos haviam congelado.
Seus olhos estavam vazios.
Seus corpos parados, como se suas almas tivessem os deixado completamente.
Eles estavam fascinados.
Hipnotizados.
"Agora, seus humanos insignificantes..."
A voz de Maskith ressoou, cheia de fervor.
"Chegou a hora de todos vocês ascenderem —
evoluírem — e alcançarem seu verdadeiro potencial!"
Atrás dele, a mulher maciça ergueu os braços em direção ao céu.
Ela se moveu... como se estivesse dançando.
Sua mão direita balançou, depois a esquerda...
em um movimento tão perfeito que cativou todos que o testemunharam.
O mundo em si escureceu em resposta.
A própria estrutura da realidade pareceu diminuir.
E em segundos... uma estranha névoa negra se espalhou.
Espessa.
Pesada.
Como uma fumaça sufocante.
Expandiu-se rapidamente, engolindo cada Ultra restante.
Todos eles foram engolidos pela névoa.
Congelados onde estavam.
Entre eles... uma mãe segurando a mão de seu filho.
Uma mulher encostada no ombro de seu amante.
Um homem parado diante de sua família —
instintivamente tentando protegê-los.
Havia todos os tipos de pessoas presentes —
mas a fumaça não fez distinção entre nenhuma delas.
Era sufocante.
Sombria.
Opressora.
O silêncio perdurou por alguns longos segundos —
segundos que atraíram toda a atenção de Wesker.
Mesmo ele, acostumado a tais atmosferas, sentiu-se... inquieto.
Porque o que se seguiu... não foi nada menos que horripilante.
De dentro da fumaça, gavinhas espinhosas e sombrias emergiram como se fossem criaturas vivas.
Elas se contorciam como serpentes, deslizando pela multidão...
injetando os humanos um após o outro.
Os Ultras só recuperaram a consciência depois de serem perfurados por aquelas coisas...
mas, a essa altura...
já era tarde demais.
Gradualmente —
gritos começaram a rasgar o ar.
Caelid tremeu enquanto um dos experimentos mais grotescos se desenrolava diante de seus olhos.
No momento em que as gavinhas os injetaram —
eles desabaram no chão, contorcendo-se como vermes.
Seus corpos se abriram com linhas escuras e viscosas... como se estivessem prestes a se despedaçar.
A dor era imensa.
Inumana.
No entanto, Maskith nem sequer piscou.
Em menos de um minuto...
ele injetou seu veneno em cada ser humano presente.
"Eu... não acredito...", murmurou Wesker, com a voz cheia de espanto.
"Você plantou isso em todos eles?"
"Tão rapidamente?"
"A Semente Demoníaca...!"
Wesker entendeu imediatamente a gravidade do que acabara de acontecer.
O que Maskith fizera —
foi implantar uma Semente Demoníaca completa em cada humano diante dele.
No passado, até mesmo uma única semente — duas no máximo — era considerada rara.
Mas agora...
havia milhares.
"Contemplem", disse Maskith, um sorriso aterrorizante e sádico se abrindo em seu rosto.
"Este... é o ápice do Projeto Semente Demoníaca."
"Muitos deles morrerão."
"Mas aqueles que sobreviverem..."
"...se tornarão armas de destruição em massa."
"Cada um deles exercerá um poder comparável ao de um Grande Alto Demônio."
"Este é meu presente final para Amon —
o presente que inclinará a balança na guerra que se aproxima."
Deixando os humanos abaixo se afogando em seu próprio sangue...
Maskith recuou calmamente.
"Com isso... os Ultras estão prontos para a batalha."
Naquele momento...
a facção demoníaca obteve um exército aterrorizante.
Um que, sem dúvida, traria uma devastação inimaginável.
Seita das Sombras – A Expansão das Sombras
Era o próprio lugar onde Frey despertara seu poder pela primeira vez.
Um templo vasto e vazio...
desprovido de toda presença... exceto uma.
O Santo Gehrman.
O engenheiro de olhos azuis isolara-se aqui... antes da batalha final.
A noite caíra lá fora.
A Seita das Sombras fazia seus preparativos finais para a guerra que se aproximava.
Gehrman sentou-se no topo da estrutura, com os olhos bem fechados —
seu corpo tremendo.
Algo estava errado.
Sua cabeça balançava violentamente de um lado para o outro —
como se ele estivesse sendo atingido repetidas vezes.
Sua expressão escureceu a cada segundo que passava.
Como se ele estivesse sofrendo sob o peso do que via.
"...Está mudando...", ele murmurou, sua voz fraca... trêmula.
"O futuro... está mudando?"
A cada poucos momentos —
visões o atingiam como um relâmpago.
Cenas sombrias e fragmentadas, cada uma mais terrível que a anterior.
Ele viu destruição.
Ruínas.
Cinzas.
Sangue e fogo —
corpos e restos mutilados.
Uma guerra catastrófica...
um choque que abalou o próprio mundo.
Ele viu os guerreiros da Seita das Sombras...
os demônios...
Amon... fazendo algo.
"Uma batalha... sem medidas..."
Frey...
A terra se partiu em dois.
O céu... dilacerado.
E no final —
a escuridão desceu.
Forçando Gehrman a sair de suas visões.
Ele tremeu.
Sua mão tremia incontrolavelmente —
enquanto ele lutava para processar o que vira.
"Mudou..."
"O futuro... mudou..."
Ele sussurrou novamente...
compreendendo plenamente a magnitude disso.
A batalha que se aproximava redefiniria os próprios padrões de poder.
O mundo antes dela e o mundo depois dela...
nunca seriam os mesmos.
Dias restantes até o Despedaçar: 1 dia.