O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 785

O Ponto de Vista do Vilão

Estava completamente limpo — nenhum vestígio de poder sombrio restava.

O corpo de Abraham irradiava uma aura densa e pura, tão refinada que, aos olhos de Frey, parecia uma estátua de luz... resultado de sua habilidade Manipulador Absoluto.

"Você realmente se livrou dele... e tão rápido."

"Não me subestime, filho. Me derrubar não é uma tarefa tão fácil assim."

Abraham colocou a mão no ombro de Frey.

Por um breve momento, algo suavizou na expressão de Frey ao olhar para a mão de seu pai.

Naquele instante, Ada saiu da cabana.

"Oh... você voltou, Frey. Bem-vindo ao lar."

Frey virou-se para sua irmã.

Ela vestia um simples vestido branco que combinava com seus cabelos brancos presos.

Seu rosto, sua pele... ela parecia muito melhor agora do que após tudo o que teve de suportar.

Olheiras ainda persistiam levemente sob seus olhos devido a todo o estresse que sofrera.

E, embora escondesse as mãos atrás das costas, Frey podia ver tudo — como ela roía as unhas e os dedos por nervosismo até sangrarem.

Ao olhar para ela, Frey assentiu gentilmente.

"Sim... eu voltei, Ada."

Naquela noite, Frey permaneceu com sua família.

Os três sentaram-se juntos à mesma mesa, passando um tempo como uma família de verdade.

"Vejo que você já alcançou o nível SSS, filho", disse Abraham, tendo notado o avanço de Frey imediatamente.

Ada ofegou.

"SSS?! Como..."

Ela estava verdadeiramente chocada.

Frey deu uma risada baixa.

"Achei que você já estivesse começando a se acostumar com surpresas assim vindas de mim, irmã mais velha."

Ada suspirou.

"Eu sei que você é forte e tudo mais, mas SSS... com apenas vinte anos..."

Ela olhou de Frey para Abraham.

"...Eu realmente faço parte desta família?"

Não era uma pergunta séria... apenas um comentário meio jocoso sobre a diferença absurda entre ela e os dois monstros ao seu lado.

Mas ambos responderam ao mesmo tempo.

"Claro que faz."

Disseram instantaneamente... e então riram levemente.

"Já que você alcançou o SSS", disse Abraham, "acho que finalmente é hora de eu te ajudar com o seu treinamento."

"O que quer dizer com isso?", perguntou Frey.

Abraham levantou-se da mesa.

"Me encontre na floresta em trinta minutos. Terei tudo preparado até lá."

Ele sorriu.

"É hora de eu te transmitir algo — algo de real valor. Algo que ficará com você para sempre."

Ao ouvir isso, Frey assentiu, já entendendo o que seu pai queria dizer.

Abraham deixou a cabana silenciosamente, deixando Frey e Ada a sós.

Eles ficaram sentados em silêncio por alguns minutos, até que Ada finalmente o quebrou.

"Eu gostaria que a mamãe estivesse aqui conosco... então finalmente poderíamos viver como uma família de verdade."

Ela disse isso com um sorriso suave e agridoce.

Frey não disse nada. Ele sabia muito pouco sobre Ana Starlight — sua mãe neste mundo.

Ele nunca a considerou verdadeiramente sua mãe... mas Ada, sua irmã, significava tudo para ele.

"Parece um sonho... o pai de alguma forma voltou e, agora, ele é mais próximo de mim do que jamais foi enquanto estava vivo..."

Essas palavras vieram da forma gentil como Abraham a tratava ultimamente — como ele cuidava dela agora, após tê-la evitado no passado.

Vendo Ada sorrir entre lágrimas — alegria e tristeza misturadas —

Frey abriu a boca para dizer algo, mas parou.

Em vez disso, ele se levantou e caminhou até ela.

Gentil e cuidadosamente, ele envolveu seus braços ao redor dela e a puxou para um abraço silencioso.

Ada chorou por um tempo, enterrando o rosto no peito dele.

Durante todo o tempo, Frey permaneceu imóvel, segurando-a, até que ela finalmente se acalmou.

Só então ele a soltou.

"Não me importo se você quiser chorar um pouco mais", disse Frey com um sorriso suave.

"Estou aqui agora. E não vou a lugar nenhum."

Ada riu levemente.

"Você parece o irmão mais velho entre nós... desde quando ficou tão maduro?"

Frey riu também.

"Eu não sou o maduro... você que está finalmente mostrando quem realmente é. O papel de 'mocinha mimada' combina bem com você."

Ele olhou para ela silenciosamente.

Se o mundo deles não fosse um inferno tão caótico... se não tivessem sido forçados a lutar apenas para sobreviver... Ada poderia estar vivendo como uma garota mimada e querida, protegida pelo seu irmão carinhoso, Frey...

e pelo seu grande pai, Abraham.

Ela não teria precisado se tornar a chefe da família.

Ela não teria precisado carregar tudo o que carregou, apesar de sua fragilidade.

Eles conversaram por mais algum tempo, até que Frey perguntou algo estranho de repente.

"Ada... você se importa se eu te perguntar algo?"

Ada inclinou a cabeça.

"Uma pergunta? Você pode me perguntar qualquer coisa, Frey."

Frey assentiu.

"Você tem um sonho, Ada? Um objetivo... ou algo que queira alcançar... um desejo que espera que se torne realidade?"

Ada pensou por alguns segundos.

"Um sonho... hmm..."

Ela não demorou a responder.

"Tudo o que eu quero... é que vivamos juntos como uma família em paz... em um mundo gentil onde não tenhamos que lutar por nossas vidas... sem temer que perderemos aqueles que amamos todos os dias."

Ela sorriu amargamente.

"Cada vez que você ia para o campo de batalha, eu tinha medo de te perder — assim como perdi nossos pais... E agora que o papai voltou, o medo só dobrou, porque também temo por ele."

Se dependesse dela, Ada nunca deixaria sua família sair novamente.

Mas ela sabia que era impossível... Frey e Abraham eram importantes demais para a guerra que se aproximava.

"Tudo o que quero... é que vivamos em paz. Nada mais, nada menos."

Frey estreitou os olhos levemente.

"Sim... um mundo assim seria maravilhoso. Um mundo pacífico e gentil... esse tipo de sonho combina perfeitamente com você, Ada."

Ele sorriu para ela, depois baixou lentamente o olhar para o chão.

"Este nosso mundo é injusto — distorcido e manchado... imundo e brutal."

"Os fortes falam, e os fracos não têm escolha a não ser esperar silenciosamente pela morte que se arrasta em sua direção."

"Existem seres com poder suficiente para destruir tudo. Eles vivem lá em cima, acima de nós, e não se importam com os insetos sob seus pés... Eles nem sequer os veem, porque simplesmente os esmagam e continuam andando."

"Isso é justo? É justo que o valor de uma pessoa seja julgado apenas pela sua força?"

"É justo... que pessoas gentis e boas morram, enquanto a escória continua vivendo mais um dia?"

"Se o poder absoluto é tudo... então para que ele serve? Qual é o propósito do poder?"

Frey levantou lentamente a cabeça em direção a Ada...

uma intenção assassina vazando dele, moldando seu rosto em algo aterrorizante.

"Estou perguntando a você... Agaroth."

Naquele momento, Ada sorriu para ele.

Seus olhos tornaram-se de um carmesim profundo e sombrio, e sua presença mudou completamente...

a prova de que uma hóspede pesada e terrível havia chegado.

Dias restantes até o Desmoronamento: 65 dias

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