O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 775

O Ponto de Vista do Vilão

O universo, apesar de sua vastidão e escala sem limites, às vezes pode parecer estranhamente pequeno.

O que aconteceu em Helmond espalhou-se por toda a existência em um tempo incrivelmente curto. Em pouco tempo, todos tinham ouvido o que havia ocorrido — e sobre a batalha que mudou o próprio terreno de Helmond.

Os Grandes haviam invadido um lugar que ninguém ousara tocar desde o início da história, mesmo com a presença do próprio Rei Demônio.

O nome Agaroth, por si só, costumava ser suficiente para impedir qualquer um de sequer cogitar tal pensamento, mas os Grandes desafiaram essa lógica. Pela primeira vez na história, o próprio Odin apareceu e travou sua primeira batalha registrada.

As raças não sabiam nada sobre Odin. Ele não passava de um mito antigo, uma lenda esquecida contada por anciãos e relíquias de um passado distante.

Tudo a seu respeito era desconhecido. Ele havia sido colocado no escalão mais baixo entre os Sete Poderes Supremos como uma exceção especial, sem que ninguém soubesse a extensão de suas habilidades ou do que ele era verdadeiramente capaz.

Mas agora, o mundo tinha tido um vislumbre... uma ideia do que o monstro conhecido como a Devastação Pálida realmente era.

Sua primeira batalha registrada foi contra o Rei Demônio Agaroth. Embora o confronto tenha terminado sem uma conclusão, Odin lutou contra o Rei Demônio de igual para igual, chegando a dominá-lo durante grande parte da batalha.

Isso, por si só, foi uma notícia bombástica. Desde o Sem Nome, ninguém havia sido capaz de desafiar Agaroth em pé de igualdade.

O feito de Odin forçou aqueles responsáveis pelo ranking dos Sete Poderes Supremos a reavaliá-lo completamente.

Com uma força grande o suficiente para enfrentar o Rei Demônio e um domínio total sobre todos os Grandes, a ponto de cada um deles obedecer à sua vontade, Odin era agora considerado uma calamidade no mesmo nível do próprio Rei Demônio. Os Grandes foram elevados a um nível de ameaça desconhecido, potencialmente ainda pior do que os demônios.

Como resultado, o ranking dos Sete Poderes Supremos foi completamente reescrito. Midir foi removido da primeira posição e Odin foi oficialmente declarado o mais forte dos Sete Poderes Supremos, tornando-se apenas o terceiro ser na história a alcançar esse posto, depois de Pure Vessel [1] e Midir.

[1] - Recipiente Puro.

Devido à invasão de Helmond, uma vasta porção do Planeta Demônio foi destruída, e pelo menos centenas de milhões de demônios pereceram.

A batalha remodelou completamente a geografia de Helmond, e um dos Duques do Inferno caiu durante o choque entre o Rei Demônio e o Senhor dos Grandes. O Primeiro Demônio, Manus, foi encontrado morto sob circunstâncias misteriosas.

Manus era uma existência única. Ele foi o primeiríssimo demônio, um ser que outrora devastou o universo.

Mas, há muito tempo, ele se retirou completamente do campo de batalha e entrou em estado de dormência, nunca mais deixando Helmond.

Seu poder declinara muito porque todos os demônios nasciam através dele, e cada um drenava uma parte de sua força ao longo de suas vidas.

Como resultado, ele tornou-se imóvel e silencioso, sem falar com ninguém, como um ser senil que havia perdido tanto a sanidade quanto as memórias.

Por respeito à sua história, os demônios ainda o tratavam com honra e lhe concederam o título de Duque do Inferno, mas não seria exagero dizer que Manus era o mais fraco entre os Duques atuais. Comparado a monstros como Gael, o Pai do Abismo, ou o enigmático Maskeith, ele era extremamente fraco.

Isso, por si só, levantou muitas questões sobre por que ele havia sido alvo e por que os Grandes queriam que ele morresse.

O Rei Demônio não disse nada a respeito, mas estava claro que ele tinha alguma ideia do verdadeiro objetivo dos Grandes.

O objetivo deles era um só: trazer seu mestre, Odin, de volta ao mundo físico. Para realizar isso, Manus tinha que morrer... não havia outra explicação.

Os demônios perderam muito, mas os Grandes também sofreram um golpe devastador. Dos cinquenta Grandes que invadiram Helmond, Agaroth matou quarenta e um deles, deixando apenas nove vivos.

O número total de Grandes mal chegava a cem, então não era exagero dizer que o Rei Demônio havia massacrado quase metade de toda a sua raça sozinho.

Comparado a dezenas de milhões de demônios insignificantes, a morte de quarenta e um Grandes — cada um sendo uma existência avançada de classe SSS — foi muito pior.

Por causa disso, era impossível determinar se a invasão de Helmond havia sido um sucesso ou um fracasso.

Este incidente ocorreu apenas alguns dias após o que aconteceu na Terra, provando que o mundo havia entrado em uma difícil fase de transição.

Vale notar que, apesar de seus feitos extraordinários, figuras como Saint Gehrman nunca foram incluídas entre os Sete Poderes Supremos. Isso ocorria porque o Sem Nome e seu estranho culto eram tratados da mesma forma que o Rei Demônio e seus altos escalões.

Portanto, nem o Sem Nome nem seus seguidores fizeram parte dos Sete.

Dias se passaram, um após o outro, e a era da guerra retornou oficialmente... tanto no Continente Desconhecido, onde muitos titãs do universo se reuniram, quanto na Terra, onde a batalha final se aproximava.

Restavam sessenta e sete dias até o Despedaçar.

...

...

...

Na Terra, no Continente Ultras, a Guerra das Trevas havia chegado oficialmente ao fim. O conflito entre o Império e os Ultras terminou, com um resultado que lembrava um empate ou uma derrota mútua.

Agora, a luta era impulsionada inteiramente por forças externas.

Os Ultras caíram sob o comando dos Demônios de Alto Escalão que chegavam um após o outro, enquanto o Império havia colapsado completamente, deixando a humanidade sob o domínio da Seita das Sombras.

A batalha final resultou em uma vitória esmagadora para a Seita das Sombras. Eles mataram três Demônios de Alto Escalão, resgataram Abraham Starlight e até libertaram uma besta que era inimiga direta dos demônios.

Até aquele momento, a Seita das Sombras, sob a liderança de Gehrman, estava no controle, e o lado dos demônios foi forçado a tomar medidas imediatas.

Após a queda de Wesker, Amon, o décimo primeiro no ranking, tornou-se a autoridade absoluta sobre o lado demoníaco e os Ultras como um todo.

Ao lado dele estavam Nito, o nono no ranking, Vayne, o terceiro, e vários outros demônios que chegaram depois...

Entre essa nova delegação veio um dos piores demônios existentes — um monstro aterrorizante designado para participar da guerra que se aproximava.

No momento em que ele emergiu do portal de dobra, a própria atmosfera do Continente Ultras mudou. Sua presença era sufocante, acompanhada por uma intenção assassina esmagadora como nada visto antes.

O próprio Amon estava lá para recebê-lo, junto com uma delegação dos Ultras. Pode-se dizer que todos os humanos presentes desmaiaram no instante em que foram expostos a ele.

Ele era um ser viscoso, mais parecido com uma sombra do que com uma criatura viva. Seu corpo inteiro parecia uma massa de trevas estratificadas e matéria negra como piche. A única coisa que se destacava era seu rosto, que lembrava uma máscara... branca como a morte, com três cavidades escuras que pareciam ser seus olhos.

Ele não tinha boca nem nariz — apenas aquelas cavidades vazias. No entanto, a intenção assassina que emanava dele eclipsava todos os presentes, provando que ele havia massacrado um número aterrorizante de seres vivos.

O assassino... o pior matador de Helmond — um dos Duques do Inferno.

Vex.

"Vejo que você continua sendo um selvagem que nem consegue controlar sua intenção assassina", disse Amon friamente, parado com as mãos atrás das costas, seu próprio rosto escondido sob uma máscara, enquanto criticava seu colega Duque do Inferno.

Vex sempre foi conhecido como o assassino mais infame de Helmond... uma entidade imunda que Amon desprezava há muito tempo. Mas o assassino não se importou.

"Pare de dizer bobagens e me dê um nome", respondeu Vex com indiferença.

Sua voz era fraca, quase inaudível — mais como um ruído metálico irritante que arranhava os ouvidos.

"Eu não tenho um nome. Eu tenho nomes. Mas já que você está tão ansioso para começar seu trabalho, traga-me a cabeça de Saint Gehrman."

Amon lhe deu o nome, e isso foi tudo que Vex precisou.

Em um instante, ele afundou no chão, desaparecendo entre suas incontáveis rachaduras, movendo-se por elas como uma sombra à procura de seu dono.

No momento em que Vex desapareceu, Amon soltou um suspiro irritado.

"Espero que ele morra desta vez."

Estava claro que Amon desprezava Vex — não apenas porque ele pertencia aos Duques do Inferno, uma facção oposta aos Altos Escalões, mas por algo muito mais profundo.

Ele o odiava como ser e não tinha qualquer respeito por ele como guerreiro.

Amon respeitava a força. Ele desprezava profundamente assassinos como Vex — criaturas que esfaqueavam seus inimigos pelas costas.

Aquele monstro sombrio, no passado, matara inimigos muito mais fortes que ele próprio puramente através de suas habilidades de assassino e métodos letais.

Enquanto Amon encarava o local onde Vex havia desaparecido, Vayne aproximou-se por trás.

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