
Capítulo 776
O Ponto de Vista do Vilão
"Tem certeza disso? Enviá-lo sozinho contra a Seita das Sombras é imprudente", disse Vayne com um sorriso fraco, enquanto Amon balançava a cabeça.
"Está tudo bem. Embora eu torça para que aquela criatura imunda morra, suas habilidades não são brincadeira. Mesmo que ele falhe, ele sobreviverá graças aos seus poderes."
"Hmm... Espero que você esteja certa", respondeu Vayne, levando Amon a se virar para ela.
"O que foi, Vayne? Não é do seu feitio interferir nas minhas decisões."
Vayne era como uma fera selvagem que fazia o que bem entendia. Ela nunca tinha tentado interferir nas escolhas daqueles acima dela, o que deixou Amon curioso.
Mas ela logo balançou a cabeça.
"Não é nada. Eu só quero esmagar a Seita das Sombras e seus seguidores humanos o mais rápido possível."
"Não há necessidade de pressa. Sei que você se sentiu humilhada pela sua derrota nas mãos de Fulghor, mas você terá sua chance de vingança mais cedo ou mais tarde."
Em resposta, Vayne assentiu.
"Com certeza."
Sua resposta calma e curta fez Amon encará-la por um momento antes de se virar.
"Prepare-se. A batalha final está próxima."
Amon partiu, enquanto o sorriso de Vayne se alargava.
"Sim... desta vez colocaremos um fim em tudo. Desta vez, eu obterei isso com certeza", murmurou Vayne, seus olhos violeta brilhando com uma leve luz avermelhada.
"Frey Starlight... você é a chave."
Ela cerrou o punho, controlando gradualmente suas emoções.
Lentamente, ela fechou os olhos, deixando seu corpo afundar nas sombras.
Apenas alguns segundos depois, a cena mudou completamente... para outro lugar, um reino sombrio e sinistro.
Entre paredes de sombra e uma aura sombria amaldiçoada, o lugar lembrava um mundo espiritual que ninguém poderia alcançar.
No centro de toda aquela escuridão estava Vayne.
Seu corpo pairava suspenso, envolvido por gavinhas sombrias que haviam se tornado correntes, prendendo-a completamente dentro de um casulo escuro.
Dentro daquela escuridão, Vayne estava indefesa, com os olhos fechados e uma expressão amarga no rosto — como se tivesse perdido tudo.
Diante dela estava outro demônio imundo, envolto em escuridão.
Ele a encarou por longos segundos, um sorriso vil se espalhando por seu rosto.
Um demônio com três olhos, um deles de um carmesim profundo... o Olho do Rei.
Era Wesker.
Ele conteve uma risada antes de falar.
"Sinto muito, minha querida irmã... sinto muito por torná-la minha cobaia final. Mas não tive escolha — meu corpo havia chegado ao seu limite, e eu não tinha como sobreviver."
Wesker estendeu a mão, tocando sua irmã enquanto ela jazia em um sono profundo.
"Mas eu consegui. E é isso o que importa."
O passo final. A última peça que lhe permitiria alcançar seu objetivo.
"Gehrman me superou completamente. Essa foi a maior humilhação da minha existência..."
A escuridão engoliu o corpo de Wesker enquanto ele começava a manipular seu novo poder.
"Mas eu ainda estou vivo... o que significa que a guerra ainda não acabou."
"Recebi uma segunda chance — graças ao poder da Vida e da Morte que eu mesmo criei!"
Apesar de sua derrota nas mãos de Gehrman e de ter chegado tão perto da morte, Wesker estava feliz... porque finalmente tinha conseguido alcançar sua própria habilidade capaz de romper os limites do mundo.
Até agora, o Olho do Rei tinha sido a única Habilidade de Ruptura de Mundo [1] em seu arsenal, um presente que ele havia recebido do próprio Rei Demônio.
Por incontáveis anos, Wesker esteve trabalhando para criar um poder que fosse seu — um poder que seguisse a Lei da Vida e da Morte.
Tudo começou em um passado distante, quando Wesker percebeu que, não importava o quão talentoso fosse, não importava o quão aterrorizante fosse sua taxa de crescimento...
Ele nunca alcançaria o nível daquele ser perfeito.
O monstro que o fascinava...
O grande Rei Demônio, Agaroth.
Com seu nível inato e potencial avassalador...
até Crimson já era algo que Wesker nunca poderia esperar alcançar, muito menos Agaroth.
Wesker — o perfeccionista sádico que adorava o controle — não conseguia aceitar isso.
Mas ele não tinha nenhum caminho que pudesse levá-lo ao nível deles.
Isso mudou no dia em que um certo homem apareceu... um guerreiro que poderia enfrentar o próprio Rei Demônio.
Sem Nome.
Naquele momento, uma ideia insana nasceu dentro de Wesker.
E se... de alguma forma... ele pudesse obter o corpo de um monstro como Sem Nome?
Então sua ambição impossível poderia se tornar realidade.
Desde o dia em que Sem Nome apareceu pela primeira vez, Wesker começou a desenvolver um poder que lhe permitiria tomar o corpo daquele guerreiro.
Apesar de sua natureza sádica, a tortura nunca foi seu único propósito.
Sim, ele gostava disso — mas, mais importante...
Wesker estava estudando a Lei da Vida e da Morte.
Através de cada tipo de ser vivo, cada forma de existência, ele buscava compreendê-la profundamente o suficiente para manipulá-la.
Mas sua ambição sofreu um golpe devastador quando Sem Nome foi morto por Agaroth... antes que Wesker pudesse completar sua habilidade.
Após a morte de Sem Nome, Wesker perdeu o rumo por um tempo...
mas nunca parou de perseguir a Vida e a Morte.
No início, ele até ousou considerar fazer do próprio Agaroth seu alvo...
mas rapidamente abandonou essa ideia insana.
O Rei Demônio já compreendia demais.
Torná-lo um inimigo seria suicídio.
Então Wesker esperou.
Por anos.
Em silêncio.
Esperando pelo receptáculo certo... um corpo através do qual pudesse alcançar seu objetivo final.
Ao longo das eras, incontáveis guerreiros poderosos nasceram.
Lendas surgiram. Nomes foram gravados na história.
Mas nenhum deles alcançou o nível que Wesker desejava...
Até o dia em que o Olho do Rei viu algo impossível.
O dia em que Frey Starlight nasceu.
Uma criança cujo destino era tão distorcido que até aquele que criou e escreveu o universo...
até o ser que moldou o próprio Rei Demônio...
havia se ligado a ele.
Mas o que mais chamou a atenção de Wesker
foi que o destino de Frey Starlight havia se entrelaçado com o de Sem Nome.
Só isso fez com que Wesker corresse para a Terra imediatamente... chegando a forçar seu caminho através do selo de Kazis Valerion a um custo tremendo.
Mais tarde, após a batalha com Gehrman e Abraham, Wesker descobriu a verdade:
Frey Starlight era o receptáculo perfeito de Sem Nome.
Um corpo que carregava todo o potencial latente de Sem Nome.
E naquele momento...
A esperança retornou ao Quarto Alto Demônio.
Foi por isso que Wesker observou Frey por todos esses anos.
Por que ele permitiu que ele se tornasse mais forte.
Não para libertar o Rei Demônio de seu selo —
Mas para deixar Frey atingir seu ápice.
Para que, quando chegasse a hora...
Wesker pudesse reivindicá-lo.
Após incontáveis anos, ele finalmente conseguiu.
Habilidade de Vida e Morte... Possessão.
Um poder que lhe permitia tomar o corpo de outra pessoa enquanto mantinha sua própria força.
Foi o resultado de décadas de pesquisa e experimentação implacáveis do gênio distorcido de Wesker.
Ele havia forjado uma arma de horror absoluto.
Sua Possessão era tão poderosa que qualquer um sem uma habilidade de contra-medida ou domínio sobre a Vida e a Morte não poderia resistir a ela.
A habilidade também não funcionava em seres que haviam atingido o estágio final do SSS,
já que esse estado, por si só, estava entrelaçado com a Vida e a Morte.
Mas, fora eles...
Wesker podia usar seu poder livremente.
Ele já havia testado isso — no Príncipe Aegon Valerion.
Quanto a Vayne, ela não fazia parte do plano original...
Mas as circunstâncias forçaram sua mão.
E seu controle bem-sucedido sobre um ser tão monstruoso apenas provou que sua habilidade agora estava completa.
E o próximo alvo...
Era Frey Starlight.
O receptáculo perfeito.
O corpo que lhe permitiria ascender ao nível com o qual ele sonhou toda a sua vida.
Este era o objetivo final de Wesker —
o propósito por trás de tudo o que ele havia feito.
Assim que ele alcançasse isso...
Gehrman.
A Seita das Sombras.
E qualquer um que ousasse ficar em seu caminho...
Todos seriam apagados.
Enquanto a risada de Wesker ecoava pelo vazio sombrio,
diante de sua irmã Vayne, perdida no esquecimento...
O Quarto Alto Demônio se ocultou... Aguardando o momento perfeito.
[1] - Habilidade de Ruptura de Mundo: Uma categoria de poder capaz de manipular ou alterar as leis fundamentais da realidade em uma escala global ou universal.