
Capítulo 779
O Ponto de Vista do Vilão
Adaptação das Sombras: 7/7
O nível máximo havia sido alcançado—
o ápice absoluto da habilidade de quebrar mundos conhecida como Adaptação das Sombras.
Uma habilidade classificada entre os três poderes mais fortes de toda a história, desde o início dos tempos.
A sétima fase havia se aberto...
o estágio mais poderoso entre todos os sete.
Mas isso já não era o mais importante.
A missão final havia sido concluída...
e as fronteiras do Sistema haviam sido estilhaçadas.
O Sistema em si tornou-se praticamente insignificante, desde que Frey começou a depender inteiramente de seus próprios poderes para crescer.
A missão final foi a última diretriz que o Sistema emitiu... um ato de encerramento para um sistema estranho cuja origem Frey nunca teve permissão de conhecer.
No momento em que Frey matou Beatrice,
uma sensação estranha o inundou do nada—
como se correntes sombrias que o prendiam por incontáveis anos
tivessem finalmente sido quebradas.
Era um sentimento que ia além das palavras.
Algo sem igual.
Uma sensação de liberdade... de libertação.
Uma luz branca pura cobriu os olhos de Frey,
e todo o seu ser caiu em uma imobilidade perfeita—
como se sua própria alma tivesse deixado seu corpo.
Ele não conseguia mais se mover.
Na verdade, era como se ele nem existisse mais no mundo físico.
Os guerreiros da Seita das Sombras, liderados por Gehrman, protegeram seu corpo,
dando-lhe o espaço necessário para finalmente concluir a história do Sistema
e descobrir a verdade escondida por trás dele.
E então...
Frey Starlight afundou profundamente... ainda mais fundo... em outro mundo.
A princípio, havia apenas escuridão.
Um vazio absoluto onde nada podia ser visto,
onde a própria sensação desaparecia,
e até o significado da existência começava a mudar.
Então, um único feixe de luz surgiu—
lavando a escuridão diante dos olhos de Frey.
A luz inundou tudo, iluminando o vazio
até que a visão se tornasse possível novamente.
Quando Frey recuperou a consciência,
ele pôde ver seu próprio corpo pela primeira vez.
Ele agora estava dentro de uma vasta tela branca—
uma extensão infinita de nada.
Aqui, tudo existia...
e, ao mesmo tempo, nada existia.
Um lugar onde o tempo e o espaço não funcionavam mais.
Um reino sem céu...
e sem chão.
Por um longo momento, Frey ficou maravilhado,
incapaz de compreender o que estava acontecendo.
Mas ele logo forçou a si mesmo a retomar a clareza,
recusando-se a ser engolido pelo branco infinito.
Só então ele percebeu...
Ele não estava sozinho.
Alguém mais tinha vindo com ele.
Alguém que estivera ao seu lado desde o início...
mas que Frey não havia notado.
Um homem da mesma altura, usando uma máscara preta como azeviche.
Era o Sem Nome.
Ele encarava Frey com os braços cruzados,
como se estivesse esperando há muito tempo.
"Você finalmente voltou a si.
Pensei que ficaria preso neste lugar para sempre."
Frey franziu a testa.
"Há quanto tempo estou congelado desse jeito?"
O Sem Nome balançou a cabeça.
"Quem sabe?
O tempo não existe aqui."
Frey fez uma pausa e, então, recuperou a compostura.
"Onde estamos?"
Essa era a pergunta certa.
Até mesmo o Sem Nome—
com todo o seu conhecimento sem limites—
hesitou.
"Nunca vi este lugar em minha vida...
mesmo tendo viajado por todo o universo."
Frey estreitou os olhos e deu alguns passos pela extensão branca.
Se nem o Sem Nome conseguia identificar este lugar,
então a situação era mais séria do que ele imaginava.
Mas então o Sem Nome continuou, como se algo tivesse se encaixado.
"Recuperei a consciência antes de você,
e examinei este reino estranho.
Ainda não sei exatamente onde este lugar existe... mas acho que entendo o que ele é."
Frey virou-se para ele instantaneamente.
O Sem Nome poderia realmente ter a resposta.
Ele hesitou por um momento antes de falar.
"Pelos diferentes cantos do nosso mundo... o universo físico...
em regiões distantes espalhadas por toda a existência...
durante minha longa jornada,
encontrei vestígios de algo antigo—
mensagens fragmentadas, inscrições dispersas, palavras enigmáticas.
Eram caóticas, desconexas...
ainda assim, todas falavam da mesma coisa."
Os olhos do Sem Nome brilharam.
"Todas descreviam outro mundo—
não... não um mundo...
uma parte do nosso mundo.
Uma porção completamente oculta de seres físicos,
selada atrás de um véu que não pode ser perfurado."
Ele deixou seu olhar vagar pela extensão vazia.
"Eles o chamavam de..."
"O Reino do Éter."
"O Reino do Éter?" Frey repetiu.
O Sem Nome assentiu.
"É tudo o que sei.
De alguma forma, depois que você completou a missão final do Sistema,
você foi puxado para este reino...
e, por algum motivo,
eu fui puxado junto com você."
Frey assentiu.
"Em outras palavras...
seja o que for — ou quem quer que seja — que nos trouxe aqui
já está aqui...
nos observando."
Ele voltou seu olhar para o vazio branco infinito.
E então...
Uma voz lhe respondeu vinda do nada.
"Sim. Isso está correto."
A primeira voz chegou — etérea, profunda e suave, quase como a voz de uma criança.
Ela veio de entre Frey e o Sem Nome, enviando uma onda de arrepios frios através de ambos. Eles saltaram para trás ao mesmo tempo, instintivamente se distanciando da fonte do som.
Lado a lado, Frey e o Sem Nome encararam aquela... coisa.
Naquele momento, eles provavelmente estavam pensando na mesma pergunta.
Que diabos é essa coisa?
O ser diante deles não era comum.
Nem Frey nem o Sem Nome conseguiam determinar se ele estava realmente vivo. Suas feições eram pouco claras, e eles não conseguiam sequer identificar seu gênero.
Sua forma... seu corpo era branco puro, idêntico ao mundo branco sob seus pés.
Ele flutuava no vazio, com o rosto um pouco mais definido do que o resto do corpo.
Um rosto perfeitamente branco—
sem cabelo,
sem olhos,
sem nariz.
Apenas... uma boca.
Uma boca curvada em um sorriso estranho.
Não era gentil.
Não era cruel.
A única descrição adequada era que era um ser de um mundo irreal.
Frey e o Sem Nome encararam a criatura por vários segundos, até que o rosto pálido falou novamente.
"O que é isso? Eu os convoquei aqui, mas vocês vieram em duas formas..."
A voz infantil ecoou enquanto o ser inclinava a cabeça e ria suavemente.
"A vida não tem sido gentil com você, meu caro Frey."
A entidade disse o nome de Frey, fazendo-o franzir a testa e reforçar sua guarda.
A situação era ruim.
Nem Frey nem o Sem Nome conseguiam invocar sequer um vestígio de aura ali.
Eles estavam completamente indefesos...
inteiramente à mercê daquele ser.
A entidade parecia estar ciente de seus pensamentos e falou calmamente.
"Não há necessidade de se preocupar. Eu não posso feri-los, mesmo que desejasse."
Ele levantou a mão branca preguiçosamente.
"A aura não funciona aqui, então tentar usá-la seria inútil."
Estranhamente, essa explicação apenas piorou a tensão.
Ser privado de aura era algo que nenhum dos dois jamais havia experimentado.
Frey foi o primeiro a falar.
"O que você é? E o que você tem a ver comigo... conosco?"
Ele olhou para o Sem Nome ao seu lado.
O Sem Nome permaneceu em silêncio, observando o ser com total cautela.
A entidade sorriu.
"Não faz sentido dizer-lhe minha identidade. Mesmo que eu lhe desse um nome, você não o reconheceria."
Ele fez uma pausa por um momento antes de continuar.
"Porque o seu 'eu' está distorcido...
tão distorcido que você esqueceu quem é...
e esqueceu todos ao seu redor."
"Não entendo uma única palavra do que você está dizendo." A carranca de Frey se aprofundou.
O ser flutuou ao redor dele lentamente.
"Esqueça-me. Você veio aqui para saber a verdade sobre o Sistema, não foi?"
O rosto pálido virou-se para o Sem Nome.
"Imagino que nosso amigo mascarado também deseje saber a resposta, correto?"
O Sem Nome não pôde negar.
Até agora, o poder, as habilidades e até mesmo a maioria dos métodos de luta de Frey Starlight originavam-se do Sem Nome.
Tudo—
exceto o Sistema.