
Capítulo 780
O Ponto de Vista do Vilão
Aquela ferramenta estranha que permitia a Frey criar o impossível…
uma força que nem mesmo o Sem Nome jamais tinha compreendido.
O próprio Frey suspeitava há muito tempo que o Sistema estava ligado ao Sem Nome de alguma forma.
Ele até acreditava que Gehrman já tinha interferido nele antes — como quando o Sistema respondeu à sua pergunta após a Victorriad.
"Gehrman é apenas um mediador que permiti que o ajudasse a dominar seu poder. Ele não sabe de nada."
A entidade sorriu, provando que podia ouvir pensamentos.
"Então… o que é exatamente este Sistema? E por que eu o tenho?", perguntou Frey.
A entidade assentiu.
"A resposta mais simples é esta:
O Sistema é o seu poder como Autor."
"Autor?", Frey franziu a testa ao ouvir um termo que tinha descartado há muito tempo.
"Você quer dizer o romance que escrevi no passado?", perguntou ele.
A entidade balançou a cabeça.
"Não. Isso não tem nada a ver com isso.
O que quero dizer é o poder que lhe permite criar coisas a partir do nada —
manifestar uma existência real e física a partir do vazio."
O Sem Nome falou pela primeira vez.
"Isso é impossível. Ilógico. Nenhum poder desse tipo existe."
A entidade apontou para ele.
"Correto. Como esperado de você. Mas—"
Ela gesticulou para o mundo ao redor deles.
"Você só está correto dentro do mundo físico."
Os olhos de Frey e do Sem Nome se arregalaram.
"A fonte deste poder não é o mundo físico.
Ele vem deste lugar."
A entidade apontou para baixo.
"Aqui… no Reino do Éter."
A revelação atingiu ambos como um choque cósmico.
Um poder de outro mundo…
um mundo que nenhum ser físico poderia alcançar.
Isso explicava muita coisa…
mas não o suficiente.
"Onde é este lugar? O que exatamente ele é?", insistiu Frey.
O ser pálido sorriu suavemente.
"Este lugar… é onde os Escritores da História nasceram."
A expressão de Frey escureceu.
Um termo completamente novo… Escritores da História.
Felizmente, a entidade continuou.
"É difícil explicar a verdadeira natureza dos Escritores da História. Nem eu sei tudo sobre eles… mas, por enquanto, vamos dizer isto: eles são os seres que construíram o mundo físico como você o conhece hoje."
A entidade falou, e Frey congelou por um momento… então, de repente, começou a rir.
Ele riu alto.
"Que bobagem é essa? Seres que construíram o mundo? Estamos falando de deuses ou algo assim?"
Frey zombou, achando difícil acreditar no que tinha acabado de ouvir.
"Não é uma mentira. Você possui o mesmo poder que eles possuíam. Lembre-se… sua habilidade de escrever, de criar coisas."
"Mas sua existência está fragmentada. É por isso que você não consegue usar seu poder corretamente. Então, eu o reconstruí na forma de um Sistema, e criei pontos de conquista para limitar e regular o quanto desse poder você poderia usar."
A entidade silenciou por um momento.
Frey cerrou o punho, tentando processar o que tinha ouvido.
"Eu não entendo… quem sou eu, exatamente? Se os Escritores da História eram tão grandiosos como você diz, então onde eles estão? Por que não estão fazendo nada sobre o que está acontecendo no mundo agora?"
O sorriso da entidade desapareceu por um momento antes de retornar uma fração de segundo depois — desta vez tingido de tristeza.
"Os Escritores da História não existem mais neste mundo. Todos morreram há muito tempo, na batalha final contra a Devastação Pálida."
Frey reagiu instantaneamente.
"Devastação Pálida?"
"Sim… acredito que vocês o chamam de Odin no mundo físico."
Naquele momento, Frey lembrou-se do aviso de Audrey.
"A Devastação Pálida é um ser que também nasceu aqui, no Reino do Éter. Um verdadeiro monstro, exercendo um poder que transcende toda a razão."
A entidade virou-se para a extensão vazia ao redor deles.
"Devo falar rápido. Ele já nos notou."
Uma névoa pálida começou a se formar do nada.
Um sinal de que algo terrível tinha tomado conhecimento da presença deles — contido apenas pelo poder da entidade.
"Lembre-se bem das minhas palavras, Frey. Não temos tempo.
O Reino do Éter é real. Muitos seres nasceram dele… alguns benevolentes, outros sombrios e distorcidos.
Uma das provas mais claras de sua existência… é o inimigo que ambos conhecem muito bem."
O Sem Nome assentiu.
"Agaroth", disse o guerreiro mascarado.
A entidade aplaudiu.
"Correto. O Rei Demônio não nasceu no Reino do Éter. Mas ele usa um poder que se origina deste reino. Suponho que o Sem Nome já soubesse disso, já que lutou contra ele no passado."
O Sem Nome assentiu novamente.
Ele sempre se perguntara sobre a natureza do poder aterrorizante do Rei Demônio — algo que simplesmente não deveria existir.
Se vinha do Reino do Éter, um lugar além da lógica, então tudo fazia sentido.
"Agaroth é um monstro que atingiu um nível de poder que faz dele o novo Odin desta era. Ele não é mais fraco… talvez até pior."
O sorriso da entidade desapareceu lentamente enquanto ela falava sobre ele.
"Ele é um pecador… um traidor que deve ser destruído a qualquer custo. E essa responsabilidade recai sobre você, Frey."
Ela apontou para ele.
"Minha responsabilidade?"
"Sim. Afinal… foi você quem o criou com suas próprias mãos."
As palavras atingiram Frey como um raio.
Até o Sem Nome virou-se para ele em choque.
Naquele momento, Frey lembrou-se de seu primeiro encontro com o Rei Demônio.
Naquela noite… Agaroth tinha lhe dito claramente:
Você é quem me fez.
O Rei Demônio não tinha mentido.
Enquanto Frey estava ali atordoado, o vazio de repente tremeu. Rachaduras se espalharam pelas bordas da tela branca.
A entidade suspirou.
"Parece que não consigo contê-lo por mais tempo."
"Conter quem?!", gritou Frey.
A entidade aproximou-se.
"Ouça com atenção. Direi o que acontecerá com você a partir de agora.
Ao completar a Missão Final, você destruiu o Sistema completamente. Não resta nada para limitar seu poder. Você agora poderá alcançar seu verdadeiro potencial… seu verdadeiro talento.
Ao quebrar o limitador, você entrará diretamente na categoria SSS. Seu poder acumulou o suficiente para tornar isso possível."
Ela falou rapidamente, alimentando Frey com o máximo de informações que podia.
"Você alcançará seu potencial máximo. Mas se deseja usar seu poder como Autor corretamente, você deve reparar seu eu fragmentado e descobrir a verdade sobre quem você é."
As rachaduras se espalharam ainda mais, cobrindo tudo.
Ainda assim, a entidade continuou.
"Se você busca essa verdade… você a encontrará na Terra Além do Começo e do Fim — o continente que deixou o Reino do Éter e perfurou o mundo físico!
Lá, você aprenderá tudo. Lá, você entenderá a verdade!"
A entidade gritou enquanto todo o espaço começava a colapsar, névoa pálida inundando tudo.
O tempo tinha acabado.
A entidade estendeu a mão, liberando uma força invisível que arremessou Frey e o Sem Nome para longe, enquanto se voltava lentamente para a Devastação Pálida.
Enquanto Frey era jogado para trás, ele viu a entidade sorrir gentilmente para ele.
"Se ao menos… eu pudesse ter passado mais tempo com você… falado sobre muitas coisas. Mas não temos esse luxo."
Ela acenou pela última vez.
"Cuide de Audrey para mim, Frey. Estou contando com você!"
O grito final mudou algo.
Os olhos de Frey se arregalaram enquanto o rosto pálido finalmente assumia uma forma física.
Por um breve momento, a entidade tornou-se uma criança.
Uma criança de cabelos loiros, olhos azuis, corpo frágil e um rosto inocente e gentil.
Ele sorriu alegremente, acenando freneticamente enquanto a Devastação Pálida o atacava por trás.
"Não se esqueça de mim novamente, Frey!"
A criança chorou enquanto era engolida.
Frey foi arremessado cada vez mais longe no vazio escuro.
E, de repente…
Uma lágrima caiu de seu olho esquerdo.
Uma lágrima nascida de uma dor sufocante em seu peito — como se ele tivesse perdido algo precioso… algo muito importante.
Algo que ele tinha esquecido há muito tempo.
O sorriso daquela criança… aquele rosto…
Algo tremeu dentro de Frey.
E, lentamente, enquanto as lágrimas escorriam, Frey fechou os olhos.
Abraçando a si mesmo, ele caiu na escuridão sem fim.
Ao mesmo tempo, no mundo físico…
Os guerreiros da Seita das Sombras saltaram para trás quando uma violenta força sombria irrompeu do corpo de Frey, envolvendo-o dentro de um enorme casulo negro.
Um casulo tão avassalador que Gehrman levantou-se em choque.
Enfrentando aquele poder sombrio, ele finalmente entendeu.
"Ele está… rompendo os limites…"
Rompendo o teto que o prendera por tanto tempo… para um reino de poder inteiramente novo.