
Capítulo 743
O Ponto de Vista do Vilão
Ele demonstrou sua determinação — suportar tudo.
Tudo isso se desenrolou diante de Nameless, que observava em silêncio, compreendendo profundamente a força da determinação de Frey.
Por um tempo, ele não disse nada… apenas observou, analisando como Frey resistia.
Então, após um período que não foi nem rápido nem longo demais, o homem mascarado finalmente falou.
"Você tem certeza?" perguntou Nameless, puxando Frey de volta para o mundo banhado de sangue mais uma vez, apontando para baixo.
"Você realmente acha que consegue suportar isso?"
"Olhe com atenção.
Olhe… e diga essas palavras na cara deles."
Ao ouvir isso, Frey fechou a mão.
Ele não tinha coragem de discutir… ciente do peso do que estava prestes a fazer.
Lentamente, abaixou a cabeça… e olhou para eles uma última vez.
Muitos dos corpos eram de soldados Ultras ou demônios… monstros que cometeram inúmeras atrocidades, seres que mereciam a morte.
Mas muitos outros…
Eram apenas soldados comuns… mortos por Frey em segundos durante a guerra.
Seu único pecado era ter nascido do outro lado do mundo.
Apenas humanos comuns… que viveram suas vidas como qualquer outro.
"Você está pronto para suportar isso porque eles não significam nada para você… não é?"
Nameless sussurrou ao lado do ouvido de Frey.
"Essa é a natureza humana.
Você vive sua vida baseada na discriminação."
"Contanto que eles não estejam próximos de mim…
Contanto que não signifiquem nada para mim…
Mesmo que sejam inocentes, posso usá-los para meus próprios interesses."
"Esse pensamento," disse quieto Nameless,
"passou pela sua cabeça."
Frey permaneceu em silêncio.
Pois Nameless tinha razão.
"Você colocou todas essas almas de um lado da balança…
e a vida daqueles que importavam para você do outro."
"Abraão Starlight.
Ada Starlight."
"Contra dezenas de milhares de mortos—uma comparação absurda.
Mas a balança penderia para aqueles que eram importantes para você."
"Será que Abraão e Ada Starlight merecem mais viver do que essas almas merecem salvação?"
"Claro que não."
"Mas você escolheu seu pai e sua irmã mesmo assim…
Com base na discriminação, não na justiça ou na igualdade."
Até o último instante, Frey Starlight não conseguiu responder.
Porque tudo o que Nameless disse era verdade.
Ele havia dissecado perfeitamente o que significa ser humano.
Frey estava disposto a suportar…
torturar dezenas de milhares de almas…
Queimá-las…
Tudo para salvar aqueles que importavam para ele.
"No entanto…"
Por um momento, parecia que tudo havia congelado.
Como se até o ar tivesse ficado mais frio.
Naqueles segundos fugazes, os olhos de Nameless brilham com uma luz escura, enquanto ele faz sua pergunta:
"Com essas mãos suas…
Quem exatamente você matou?"
"Foram apenas inimigos?"
"Me diga…
O que suas mãos realmente fizeram?"
Nameless se aproximou enquanto ambos olhavam para os corpos retorcidos abaixo.
"O que você está tentando dizer…?" perguntou Frey suavemente — incapaz de elevar a voz.
Seu coração acelerou.
Uma sensação terrível se instalou nele.
Um pressentimento sinistro e assustador.
Seu peito se apertou.
A respiração ficou difícil.
Frey sentiu isso…
Ele havia ignorado algo.
Algo crucial.
Algo terrivelmente importante… que ele tinha esquecido.
"Olhe com atenção, Frey," disse Nameless, sua voz pressionando ainda mais.
"Me diga o que você vê."
"Lembre-se… do que suas mãos fizeram."
"Lembre-se… de quem você matou?"
A cada momento que passava…
A cada segundo… a cada minuto…
Esse sentimento sombrio piorava.
Por um instante, parecia que tudo havia congelado — movendo-se lentamente.
Os corpos continuavam empilhando-se uns sobre os outros, lutando desesperadamente por Frey.
Acima deles, ele e Nameless ficavam — observando.
Então, lentamente…
Após olhar por tempo suficiente… após mergulhar fundo naquele abismo infernal…
Frey finalmente se lembrou.
Ele se lembrou da única coisa que tinha esquecido.
Pouco a pouco, seus olhos se arregalaram.
Seus lábios tremiam.
Sua essência parecia se romper.
No meio da montanha de corpos… lá embaixo…
havia um corpo.
Apenas um.
E ele fez cada fibra do ser de Frey tremer.
Ele não parecia diferente dos demais.
Um corpo mutilado.
Seu peito estava dilacerado… atravessado por algo que perfurou de uma ponta a outra.
Sangue jorrava incessantemente da ferida, escorrendo sem parar sob cada passo que arrastavam.
O rosto distorcido… metade humano, metade monstruoso e retorcido.
E ainda assim…
Frey o reconheceu.
E, exatamente naquele momento…
Pareceu que algo dentro de Frey se despedaçou.
Seu coração pulsou violentamente.
Sua mente ficou vazia.
Toda sua determinação…
Toda sua força de lutar…
Evaporaram num instante.
A pergunta de Nameless tinha sido justificada.
Frey Starlight tinha morto muitos ao longo da vida.
Suas vítimas sempre eram inimigos.
Mas essas mãos manchadas de sangue não estavam apenas embebidas no sangue do inimigo…
Elas também estavam marcadas com o sangue daqueles próximos a ele.
O sangue de alguém que ele próprio matou…
E enterrado fundo em suas memórias.
E agora…
Essa pessoa se arrastava em sua direção, com o braço estendido…
Depois de sofrer sem parar, sem nunca encontrar alívio.
Frey Starlight ainda se lembrava.
Como se fosse ontem.
Ainda se lembrava daquela noite—a noite em que matou seu amigo.
Aquele que era como um irmão para ele.
Naquela noite, seu amigo sorriu para ele…
Disse para terminar logo.
Mas agora…
Aquele sorriso desapareceu.
Substituído por um rosto retorcido, dilacerado pela tortura…
Um rosto implorando por salvação para seu amigo.
Por um momento, parecia que tudo mais desaparecia.
Como se apenas eles dois permanecessem.
"…Danzo," sussurrou Frey… sua voz fraca, trêmula.
A compreensão chegou tarde demais.
E Frey finalmente entendeu o horror completo do que tinha feito.
Aquele cadáver banhado de sangue era de seu amigo…
Aquele que morreu pelas mãos dele.
Ao matá-lo, Frey acreditou… em algum lugar profundo no coração… que tinha acabado com seu sofrimento.
Ele se forçou a acreditar nisso, só para não enlouquecer diante de todo o peso da culpa.
Mas seu amigo nunca encontrou paz.
Ele esteve aqui o tempo todo… sofrendo.
No momento em que essa verdade o atingiu…
Tudo colidiu na mente de Frey ao mesmo tempo.
Ele foi violentamente arrastado de volta ao mundo real… e caiu ao chão enquanto uma ardente queimadura explodia dentro de seu peito.
"Blaaaargh—ugh—!"
Frey vomitou… tudo que tinha no estômago saiu, até quase vomitar sangue.
Seu corpo tremia incontrolavelmente.
Seu peito parecia prestes a explodir.
As lágrimas, que achava já terem secado há muito, encheram seus olhos.
Um som rouco saiu da sua garganta enquanto lutava para respirar.
"Tudo… esse tempo… ele…"
Aquela face retorcida se gravou em sua mente.
"O que eu fiz…?
O que eu fiz… eu…"
Frey cerrava os dentes… e então golpeou com força o chão sob seus pés.
"O que eu fiz?!!"
Ele gritou alto… chorando, no chão.
Como não poderia…
Depois de perceber que não apenas causou a morte do amigo…
mas também o condenou a um sofrimento eterno, mesmo após a morte.
Foi o golpe final…
Aquilo que destruiu completamente sua força de vontade.
Nameless tinha visto tudo.
Ele sabia desde o começo que isso aconteceria.
No momento em que Danzo foi colocado do outro lado da balança,
o próprio conceito de discriminação… a base do julgamento humano… desmoronou completamente.
Não havia mais sentido nisso.
Era a maldição das emoções.
Uma maldição que Nameless nunca tivera.
Mas agora…
Nameless lentamente levantou a mão.
Seu corpo permaneceu estável—calmo como sempre.
Mas uma mão…
Trementou.
Nameless a fixou.
Depois olhou para Frey quebrado.
Depois para o mar de cadáveres… onde Danzo jazia.
E devagar…
Nameless fechou o punho.
Deixando a escuridão engolir tudo.
"…"