
Capítulo 699
O Ponto de Vista do Vilão
Dentro das fronteiras do Império... especificamente na Província da Luz Estelar...
uma batalha catastrófica se desenrolou entre três heróis ancestrais e um monstro ressuscitado da lenda.
Abraham Luz Estelar, o prodígio da Casa Luz Estelar, havia se tornado uma arma impiedosa
— uma entidade de luz e morte cuja velocidade e força desafiam a compreensão. Seu poder era de um nível totalmente além dos três, deixando Nova Luz Estelar, a própria criadora da Técnica de Poeira Estelar, completamente pasma.
"Nunca... nunca imaginei ver minha própria arte sendo usada assim."
Só de pensar em replicar tamanha maestria, uma dor de cabeça apertou a cabeça de Nova... controlar o Acendimento não deveria ser possível para ninguém.
"Sua linhagem nos trouxe a ruína, Nova", rosnou Inver Luz Solar, seu corpo envolvido em fogo divino. "Nessa velocidade, vamos cair ridiculamente."
Com um berro, ele liberou o poder ardente de Ilios... a Chama Eterna em si.
"Morrer pelas mãos dele assim que despertarmos de nossos selos seria uma humilhação...
Ele riu... uma risada baixa, ardente... enquanto sua aura explodia para fora.
"Uma humilhação que não posso suportar!
Chama Eterna — Estado Ilios: Crepúscio da Massa Solar!"
Enquanto Nova e Avalon se chocavam de frente com Abraham, Inver recuou alguns passos, reunindo toda sua força.
Sua chama virou azul... depois violeta... até que queimou como um sol nascente. Ele arremessou na direção de Abraham... uma estrela em miniatura destinada a destruir tudo à sua frente.
A explosão ensurdeceu os céus.
Ondas de chamas violetas devoraram o campo de batalha, derretendo até o chão.
Both Nova e Avalon recuaram para evitar o inferno de fogo.
"Pelo menos isso deve machucá-lo um pouco..."
Mas essa esperança foi vã.
De dentro do caos flamejante, Abraham apareceu... caminhando calmamente, sua aura estelar formando uma barreira que rejeitava até a Chama Eterna.
"Isso é frustrante..." murmurou Inver, franzindo a testa.
"Durante toda minha vida nunca vi um humano assim... aterrorizante e magnífico ao mesmo tempo... e ainda assim ele fica do lado do inimigo."
Nenhum deles podia compreender sua verdadeira força, mas sua simples presença evocava memórias dos maiores demônios da história.
Naqueles momentos fugazes, a mente de Nova trabalhava mais rápido que relâmpagos.
"Estou no auge do SSS - Nível Dois... Inver e Avalon andam num patamar parecido.
Mesmo juntos, não conseguimos derrotá-lo."
Isso só poderia significar uma coisa.
"Ele está no Nível Quatro... ou pelo menos no auge do Nível Três."
Se isso fosse verdade, o poder de Abraham rivalizava com o de Zibar, um dos Demônios Altos.
E com sua Habilidade de Quebra do Mundo, seu corpo... inteiramente feito de Aura... circulava poder de forma inumana.
A realização gelou o coração de Nova.
"Não quero admitir... mas não podemos derrotá-lo numa luta direta.
Para vencer, teríamos que nos sacrificar… e mesmo assim, não tenho certeza de que funcionaria."
Os olhos de Inver se arregalaram. O único método que Nova insinuou era o Acendimento... sacrificar a própria vida por um poder temporariamente divino.
Mas mesmo que Nova o usasse, ele ainda seria mais fraco que Abraham, que dominou o Acendimento através de sua habilidade de Manipulador Absoluto.
No entanto, a determinação de Nova se fortaleceu. Não havia mais espaço para hesitações.
"Vamos acabar com isso."
Ele liberou toda sua força.
Naquele instante, a Técnica de Poeira Estelar brilhou em sua forma mais pura. Nova levantou sua espada, radiante como um sol no solo.
"Agora! Liberem tudo o que têm!"
As três lendas atacaram juntas.
"Técnica de Poeira Estelar... Arte Suprema: Tempestade Estelar!"
"Chama Eterna... Ilios: Inferno Infinito!"
"Formação de Luz... Arte Suprema: Rompimento do Amanhecer!"
O golpe combinado deles engoliu o céu... três poderes supremos entrelaçados numa única catástrofe esmagadora.
Abraham avançou em direção ao epicentro, sem frear o passo.
Aura Estelar, Aura de Chama e Aura de Luz se fundiram para engoli-lo completamente.
Seus instintos explodiram... pura sobrevivência. Ele cruzou ambas as espadas, convocando uma enxurrada de luzestelar que envolveu todo o seu corpo.
Depois, com um esplendor que partiu os céus, sua aura se consolidou numa esfera radiantemente colossal... uma estrela viva.
Nova ficou paralisado, com os olhos arregalados.
"Isso... é Técnica de Poeira Estelar... mas não é minha."
Esse movimento era algo novo... algo que Abraham tinha criado por si mesmo, assim como uma vez Frey Starlight tinha criado o Julgamento Sem Nome[1].
Encapsulado pelo seu sol ardente, Abraham enfrentou de frente o ataque combinado do trio.
A colisão quebrou a terra... o espaço rangeu ao efeito da força.
Mas quando a poeira baixou, o que restou foi uma cúpula branca... uma casca radiante com formato de uma estrela, imune à destruição.
Dentro dela... Abraham Luz Estelar ainda permanecia.
Lá estava ele... Abraham Luz Estelar, incólume.
Nem um único ferimento marcava seu corpo, e até o chão sob seus pés permanecia intacto.
Sua aura era avassaladora... assustadora.
Lentamente, Abraham dissipou a estrela radiante ao seu redor, anulando sua defesa absoluta.
Agora ficou claro... a batalha havia acabado.
O poder combinado de três lendários guerreiros nem sequer conseguiu riscar sua pele.
Em outras palavras, eles nunca poderiam vencê-lo.
Abraham saiu ileso de seu ataque final... mas rapidamente percebeu o que seus oponentes haviam feito.
Nova Luz Estelar sabia desde o começo que a vitória era impossível.
E, naquele momento, escolheu a única opção restante... recuar.
Agora, o campo de batalha permaneceu em silêncio. Abraham ficou sozinho; os outros sumiram.
Eles escaparam na derradeira hora, usando a cobertura do ataque conjunto... justamente aquele que Abraham havia escolhido usar como defesa.
Se ele tivesse retaliado, talvez eles não tivessem sobrevivido.
Mas eles apostaram na sua escolha de defender, e estavam certos.
Mesmo assim, Abraham não planejava deixá-los partir tão facilmente.
Ele expandiu sua aura por vastas distâncias, procurando sequer o menor vestígio deles...
Porém, no final, não encontrou nada.
Eles haviam desaparecido completamente... um sinal de que algum dentre eles possuía algum tipo de habilidade de teletransporte.
Com seu desaparecimento, os sentidos de Abraham se acalmaram aos poucos, e sua aura recuou.
Ele ficou só, no meio da destruição.
Venceu, sim... mas não conseguiu matar seus inimigos.
Não havia mais nada a fazer a não ser recuar... e esperar pela próxima batalha que poderia ser lançada contra ele.
...
...
...
Lá longe... além das fronteiras do Império, dentro da Seita das Sombras, que acolheu os últimos sobreviventes da guerra...
alguém lentamente abriu os olhos.
Frey Starlight tinha despertado.
Ele havia se recuperado completamente, superando o cansaço causado por levar as potências de Nameless ao limite absoluto.
Quando Frey abriu os olhos, estava dentro do templo da Seita das Sombras. O lugar estava silencioso de forma inquietante; todos os outros estavam dispersos, ocupados com as consequências da recente catástrofe.
A única pessoa próxima dele era Uriel, que claramente cuidou de seus ferimentos e manteve seu corpo estável após a batalha com Wesker.
Para fazer isso, ela precisou manter aquele anjo dourado por tempo demais... esgotando-se completamente.
Agora ela dormia ao lado dele.
Ao vê-la ali, Frey se levantou silenciosamente e colocou seu manto sobre ela, cobrindo seus ombros antes de deixar o aposento.
Dor de cabeça intensa ainda persistia... mas sua mente logo se alinhou novamente.
Nesse momento, um pensamento ecoou mais alto que qualquer outro:
"Ada..."
Sua irmã.
O nome dela ainda brilhava em vermelho no sistema dele... significando que ela estava em perigo.
Frey ignorou tudo ao seu redor. Estava pronto para partir imediatamente... até que algo o deteve.
No escuro à sua frente, entre as sombras do templo, uma borboleta vermelha silenciosamente flutuava... espalhando poeira rubra cintilante enquanto girava ao seu redor, instando-o a segui-la.
Ele a reconheceu instantaneamente.
Era dela quem tinha salvo ele antes.
Sem hesitar, seguiu a borboleta.
A borboleta o guiou graciosamente pelos corredores escuros... até uma passagem oculta que levava a um setor abandonado no topo da montanha negra onde a Seita das Sombras fora construída.
"Para onde está me levando?"
murmurou Frey, cauteloso mas curioso.
Momentos depois, a borboleta parou no ar... então seu corpo se dissolveu, caindo como poeira vermelha brilhante.
A partir dessa luz, uma silhueta começou a tomar forma... uma mulher, radiante e tranquila.
A figura dela se consolidou gradualmente, até ela estar diante dele: uma mulher na casa dos vinte e poucos anos, vestindo um vestido longo de cor carmesim.
Sua beleza era marcante... olhos vermelhos, cabelo escarlate que caía em ondas, e uma aura que parecia estranhamente familiar.
Embora Frey nunca tivesse visto essa mulher antes, alguma coisa nela despertava um profundo sentimento de reconhecimento.
De frente a ela, a mulher sorriu suavemente.
"Finalmente... nos encontramos. Depois de todos esses anos."
Sua voz carregava uma doçura triste, o peso de uma espera interminável.
"Quem é você?"
perguntou Frey, ignorando suas palavras, buscando clareza.
"Meu nome é Audrey. Você conhece essa nome?"
Ao ouvi-la, os olhos de Frey se arregalaram.
Ele sabia... mas não da forma que ela esperava.
Audrey.
O nome de uma das heroínas centrais... a mais forte delas, rivalizando com Snow no auge.
Ele a tinha inserido em sua história uma vez... nunca imaginando que iriam se encontrar assim.
Mas essa Audrey não correspondia à sua lenda.
A mulher diante dele não era a guerreira feroz e indomável que destruía demônios e desafiava deuses.
Seus olhos eram suaves... cheios de tristeza.
Ela parecia menos uma guerreira e mais uma garota comum, frágil e gentil.
"Isso... está confuso."
Frey murmurou, incapaz de entender tudo aquilo.
Então, quase inconscientemente, ele liberou uma fraca onda de aura... sondando sua presença.
Nisso, ele compreendeu.
"Sua força atual permite que você veja… Frey. Você não é louco... consegue distinguir que isso é apenas uma projeção, um fragmento da minha consciência."
O tom de Audrey era calmo enquanto ela se aproximava.
"Então, esse não é seu corpo real…"
"Não", ela admitiu suavemente.
O que estava diante dele era apenas uma manifestação temporária... uma borboleta que escapara de Helmund, carregando um fragmento de sua consciência.
Seu corpo verdadeiro sequer sabia que esse encontro estava acontecendo.
Na realidade, a Audrey real estava destruída... presa em tormento infinito, usada pelos demônios como fonte eterna de Aura.
Ela não sabia mais o que era real... nem que tinha salvado Frey e Snow em absoluto.
Milhares de anos de dor haviam destruído sua mente.
E agora, esse único fragmento... essa borboleta...
era tudo o que sobrara daquela mulher que um dia foi chamada de Santa Carmesim.