O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 701

O Ponto de Vista do Vilão

Em um flash de luz carmesim, Audrey desapareceu.. deixando Frey completamente sozinho.

O que ela fez deveria ser um aviso… uma tentativa desesperada de tirar Frey da escuridão e lhe dar pelo menos um vislumbre das verdades ocultas do mundo do qual ele não sabia nada.

Mas o resultado foi exatamente o oposto.

Suas palavras não o guiaram… elas o destruíram.

"Agaroth me manteve vivo todo esse tempo porque sou a chave para quebrar seu selo…

E Odin… o mais misterioso entre os Grandes… na verdade é uma catástrofe no mesmo nível que o Rei Demônio…"

Frey sussurrou lentamente, afundando-se no frio do chão de pedra abaixo de si.

"Audrey… o que exatamente devo fazer com isso?"

A aparição de Audrey… a forma como ela falou com ele… as emoções refletidas em seus olhos—nenhuma delas parecia algo de alguém que estivesse lhe conhecendo pela primeira vez.

Elas pertenciam a alguém que o conhecia.

Alguém que o conhecia profundamente.

Sem perceber, Frey tocou seus próprios lábios, revivendo o momento enquanto lutava para entender aquilo.

Agaroth.

Odin.

Ele mesmo.

E Nameless.

Havia uma conexão entre esses nomes… um fio que os unia, arrastando-os inevitavelmente rumo ao mesmo encontro.

"Eu só vivi duas vezes…

Uma como Frey Starlight… a vida que vivo agora…

E outra como um humano comum que não sabia de nada sobre esse mundo…

Então, como Audrey me conhece?"

"O que estou perdendo sobre mim mesmo? O que eu… exatamente?"

Frey exalou profundamente, a frustração e a impaciência se fechando dentro dele.

Sua mão se moveu sozinha, puxando a máscara negra e fria e colocando-a sobre seu rosto.

"Responda… Nameless."

No instante em que ele pronunciou esse nome…

A consciência de Frey mergulhou na escuridão.

Para baixo, para baixo… naquele abismo familiar onde a fogueira queimava eternamente.

Seus outros eus… fragmentos de diferentes momentos de sua vida… estavam ao redor do fogo como sempre. Frey os ignorou e avançou mais fundo na escuridão, em direção ao canto mais profundo daquelavoid.

Sua força tinha crescido imensamente desde a batalha com Wisker. E, após absorver a aura de Audrey, sua conexão com Nameless se fortaleceu o suficiente para atravessar a névoa que uma vez o bloqueou.

Mais alguns passos…

Então ele parou.

E olhou para baixo com uma expressão fria.

Lá estava ele.

O monstro temido por inúmeros demônios.

Nameless sentado numa cadeira simples, sem camisa, descalço, de cabeça baixa. Seus longos cabelos brancos refletiam exatamente os de Frey, e seu rosto estava escondido atrás de uma máscara de metal preta.

Correntes caídas e quebradas ao seu redor… prova de que havia se libertado há muito tempo.

Prova de que podia lutar a qualquer momento, tomar o corpo de Frey sempre que desejasse.

E, no entanto…

Ele não fazia nada.

Simplesmente permanecia silencioso, imóvel.

Frey cerrava os dentes.

"Quanto tempo você pretende ficar aí?

Até quando vai continuar se recusando a se mover?"

Ele caiu de um joelho, trazendo-se ao nível dos olhos de Nameless… embora Nameless não se importasse em olhar para cima.

"Aqui."

Tente pegar meu corpo de novo.

Dessa vez, não vou resistir."

A voz de Frey era profunda e calma… excessivamente calma.

"Se é você, tenho certeza que consegue lidar com tudo.

Você é mais forte que eu.

Você entende este mundo.

Ninguém consegue manipular você do jeito que manipulam a mim."

"Então, pegue."

Pegue meu corpo.

Faça o que quiser com ele.

Apenas me prometa uma coisa… salve um certo número de pessoas.

Mantenha-as vivas."

Um sorriso tenso se formou nos lábios de Frey.

"É um bom negócio, não é?

Não deve ser difícil para você."

Silêncio.

Nameless permaneceu imóvel.

Então… lentamente, ele levantou a cabeça, e seus olhos violeta brilhantes finalmente travaram contato com Frey.

Frey sentiu um calafrio percorrer sua espinha.

Então Nameless falou uma única palavra.

"Não."

Era só isso.

Uma palavra.

A expressão de Frey se contorceu com raiva.

"Não?

O que você quer dizer com não?!"

Ele tentou agarrar Nameless pela cabeça, mas uma força invisível o deteve no meio do movimento.

Mesmo assim, Frey gritou:

"Você e seus seguidores me obrigaram a me tornar sua égua!

Minha vida virou um inferno por sua causa!

E quando finalmente ofereço ela a… você recusa?!"

"Então me diga… o que você quer?!"

Sua voz ecoou pelo vazio, sacudindo as paredes.

"Responda… nameless!"

E, finalmente…

Nameless se moveu.

Lentamente.

Deliberadamente.

Sua voz era calma… excessivamente calma.

"Eu… não sei."

Frey congelou.

"…O quê?"

Nameless levantou as mãos, as olhando confuso, com os dedos tremendo levemente.

Sua aura se ergueu… selvagem, instável… lembrando exatamente com quem ele estava lidando.

"Não sei o que está acontecendo comigo.

Não sei por que estou aqui.

Ou qual é o meu propósito."

O rei lendário que não sentia nada…

O ser sem emoções que uma vez viu o mundo com uma perfeição de desprendimento…

Agora cerrava os punhos.

Com força.

Aura explodiu para fora numa onda de choque violenta.

"Nunca senti algo assim antes…

Essas emoções…"

Pela primeira vez na sua existência…

Nameless estava sentindo.

E a parte mais estranha?

Essas emoções não eram dele.

Eram de Frey Starlight.

E, de alguma forma…

De alguma maneira, estavam se infiltrando em Nameless.

Ou seja, Nameless passou a experimentar exatamente o que Frey sentia.

"Quando você sofre… eu sofro.

Quando você chora… sua dor transborda em mim.

Sua alegria, sua dor… tudo."

Nameless falou num tom pesado antes de exalar silenciosamente.

"Nunca imaginei que emoções pudessem ser tão… agonizantes.

Tão altas, tão insuportáveis. Realmente são… uma maldição."

A palavra maldição capturou perfeitamente o que Nameless via no sofrimento de Frey… a essência de seu tormento humano.

"Você esteve aí… dentro de mim o tempo todo."

Frey finalmente compreendeu… Nameless esteve presente desde o começo, testemunhando tudo: o desespero, a raiva, a perda. Ele viveu as memórias de Frey como se fossem suas.

Algo mudou dentro de Nameless por causa disso.

O sofrimento de Frey… algo que o rei sem emoções nunca tinha sentido… despertou uma presença estrangeira dentro dele.

Possuir emoções fez Nameless recordar seus próprios feitos… o sangue derramado, a destruição, as vidas que assassinou em busca de conhecimento e poder.

Ele não era herói nem governante justo.

Era um monstro… responsável por mais mortes do que o próprio Rei Demônio.

"Você… está sentindo culpa?"

Frey perguntou. Nameless ficou em silêncio por um momento antes de responder suavemente.

"Não sei."

Ele não conseguiu nomear o que estava sentindo, mas era algo que não tinha lugar no coração de um ser como ele.

Frey se acalmou, tentando entender.

"Mais cedo, você disse que não sabe por que existe dentro de mim. O que quis dizer com isso?"

Se aquilo fosse a ressurreição de Nameless… um processo que transformasse Frey em seu receptáculo, então sua ignorância não fazia sentido. Frey desconfiava que ele mentia… mas a máscara não tinha razão para enganá-lo.

"Não sei o que Gehrman está tentando conquistar… ou qual é o seu verdadeiro objetivo.

Minhas memórias atuais se limitam ao que está dentro da máscara.

Por isso, minha própria existência é incompleta."

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