O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 680

O Ponto de Vista do Vilão

A guerra foi brutal, impiedosa.

Desde o seu primeiro dia, o Império perdeu milhões de vidas..

a maior parte delas para a Igreja, mas a pressão mais intensa vinha dos Ultras,

cujos ataques implacáveis dizimaram os melhores soldados do Império.

Finalmente, o fim da guerra era algo de que se podia se orgulhar..

um momento que marcava o encerramento de séculos de sofrimento.

E assim, eles festejaram.

Gritaram.

Celebraram.

Tudo isso aconteceu sob o olhar atento do Príncipe Aegon Valerion,

que estava numa altura elevada, observando silenciosamente cada detalhe do campo de batalha.

Aegon parecia satisfeito.

Tudo ocorreu exatamente como planejado..

cada peça caiu exatamente onde ele queria.

Enquanto observava de longe, duas colunas de luz desceram diante dele.

Uma revelou Sir Alon Valerion,

e a outra, Maekar Valerion.

O avô, o pai e o filho..

todos presentes, de pé sob a bandeira de um império que acabara de conquistar uma de suas maiores vitórias.

“Sou grato pelos seus esforços,” disse Aegon com um sorriso.

“Obrigado—pelo que ambos fizeram pelo Império.”

Maekar não falou nada, claramente distraído.

Mas Sir Alon assentiu, com olhos de satisfação visíveis em seu rosto envelhecido.

“Vocês são os que merecem agradecimentos, não nós,” disse Sir Alon,

colocando a mão no ombro de Aegon.

“Vocês lideraram este exército magníficamente.

O que me mostraram hoje já basta.

Posso agora me afastar desta loucura sabendo que o Império encontrou um imperador capaz..

um que o conduzirá por muitos anos ainda.”

Ele olhou para o céu, o alívio suavizando sua expressão.

“Por muitos anos.. melhor do que eu jamais consegui...”

e bem melhor do que seu pai, Maekar.

Naquele momento, naquele lugar,

Sir Alon Valerion oficialmente entregou o título a Aegon.

O príncipe agora se tornara o Imperador.

Aegon sorriu discretamente em resposta.

“O que você acaba de fazer, Sir Alon Valerion,” disse ele,

“vai mudar o rumo deste Império para sempre.”

Devagar, ele retirou a mão de Sir Alon de seu ombro.

“Passei muitos anos estudando os seres humanos,” continuou Aegon suavemente,

“examino cada detalhe, observo cada defeito, cada brilho.”

E, nesse tempo, descobri muitas… coisas fascinantes.”

“Os humanos são realmente… notáveis. Diferentes.”

“São obras de arte vivas..

peças que precisam ser cuidadosamente conduzidas,

governadas por alguém que entenda seu valor.”

Suas palavras soavam estranhas, até inquietantes.

Nem Sir Alon nem Maekar entenderam o que ele quis dizer.

Mas Aegon sempre foi conhecido por sua excentricidade..

por sua visão distorcida do mundo.

Não era totalmente surpreendente ouvi-lo falar assim,

ainda que parecesse deslocado em um momento tão importante.

Afinal, Aegon sempre esconderá sua verdadeira face do mundo..

pelo menos externamente.

Essa foi a primeira vez que deixou isso à mostra.

E por quê não?

Eles tinham vencido.

Ele podia se dar ao luxo de mostrar isso hoje.

Foi o que Sir Alon pensou.

Mas Aegon continuou falando..

e a cada palavra, seu tom ficava mais estranho, mais sombrio.

“Recentemente, algo… interessante aconteceu comigo,” disse ele.

“Interessante… e lamentável ao mesmo tempo.”

Virou-se para ambos, Sir Alon e Maekar,

com o olhar afiado e indecifrável.

“Me contem,” perguntou,

“o que os seus olhos veem quando olham para mim?”

Foi uma pergunta súbita—

críptica, carregada de significado.

Sir Alon franziu a testa, confuso.

“Sobre o que você está falando?”

Queria que seu neto explicasse.

Mas Aegon não pretendia.

“Simplesmente responda.”

Insistiu, aproximando-se—devagar, deliberadamente..

até ficar quase frente a frente com eles.

“O que vocês veem… quando olham para mim?”

A questão era a mesma,

mas desta vez,

algo mudou.

Ambos, Sir Alon e Maekar, perceberam..

um peso por trás de suas palavras.

Uma pressão estranha e sufocante.

Que os obrigou a responder.

Sir Alon falou primeiro.

“Vejo o próximo imperador deste reino.”

A resposta de Maekar veio após um instante de silêncio.

“Meu filho. Nada mais, nada menos.”

Duvas respostas.

De duas gerações de imperadores.

E elas não poderiam ser mais diferentes.

Aegon sorriu.

“Fascinante,” disse, rindo suavemente.

“Tanta diferença—entre dois homens de sangue igual.”

Havia um profundo divertimento em seu tom,

como se suas palavras revelassem uma verdade só ele entendesse.

Para ele, um deles tinha grande valor..

e o outro, nenhum.

Isso mais uma vez mostrava o quanto os humanos eram diferentes entre si,

mesmo quando compartilham o mesmo sangue.

“Essa diferença,” murmurou Aegon, “é o que torna a humanidade tão fascinante.”

Ele assentiu consigo mesmo, como se concordasse com sua própria conclusão.

E naquelas poucas e silenciosas momentos…

os três, em pé no topo enquanto os soldados comemoravam lá embaixo..

Sir Alon e Maekar começaram a sentir algo estranho.

Por um instante fugaz, o som de comemoração parecia se afastar cada vez mais… e mais longe.

Enquanto isso, o sorriso de Aegon se expandia… lentamente, se transformando em algo completamente diferente.

Algo que, por razões que eles não podiam explicar,

enviou um arrepio pelas suas costas.

E no meio de toda a fúria e fogo da batalha que havia acabado de terminar..

veio o momento que mudaria tudo.

O ponto de virada que nenhum humano esqueceria jamais, o momento que ficaria gravado na história para sempre.

Aegon Valerion levantou lentamente a mão.

E no segundo seguinte…

uma estranha explosão estourou ao lado de Maekar.

Ele virou instintivamente, tentando compreender o que acabara de ouvir.

Mas tudo que viu foi vermelho..

enquanto Sir Alon desmoronava no chão,

um enorme buraco rasgado em seu peito por um golpe invisível.

Um ataque tão repentino, tão preciso,

que nem ele nem seu neto perceberam.

Assim, de repente..

o Imperador de Ferro, Sir Alon Valerion, que viveu tempo demais e lutou guerras demais,

estava morto.

Instantaneamente.

Sem aviso.

Tudo aconteceu num piscar de olhos.

Maekar ficou parado, em sua armadura…

a armadura do Sunfire..

olhando com incredulidade para o corpo sem vida do pai.

Antes dele, Aegon ainda tinha a mão levantada,

com o mesmo sorriso gravado em seu rosto.

Naquele breve instante, uma tempestade de pensamentos atravessou a mente de Maekar..

tentando desesperadamente entender o que tinha acabado de acontecer.

E então Aegon se virou para ele.

Com um único olhar, Maekar entendeu.

Sabia quem tinha feito aquilo.

Sabia exatamente o que seu filho tinha se tornado.

Aegon deu um passo adiante.

Maekar, instintivamente, recuou um passo.

“O que há, pai? Parece surpreso,” disse Aegon, aproximando-se,

sua voz carregada de um calor estranho que só deixou tudo pior.

Raio começou a chiar ao redor da armadura de Maekar.

“Você odiava o avô, não odiava?” Aegon continuou.

“Você odiava. Devia tê-lo desejado morto—pelo menos uma vez.

Vamos lá, admita… pai.”

A cada palavra, seu tom mudava..

sua voz se aprofundava, distorcia-se em algo mais.

Então, sem aviso,

sua visão dourada ficou carmesim.

Um vermelho profundo e sangrento que congelou o coração de Maekar.

Em pânico, Maekar avançou,

atacando com a lança Sunfire com todas as forças..

um golpe de fogo e trovão para obliterar tudo na sua frente.

A explosão devastadora atingiu Aegon—

e parou,

a míseros centímetros de seu rosto.

A expressão de Maekar ficou vazia,

seu sangue virou gelo.

“Por que está me olhando assim… pai?”

Aegon já não tinha mais calma.

Era uma provocação.. desumana.

Uma fina rachadura atravessou sua testa,

e de nela uma terceira visão se abriu,

emitindo uma luz vermelha terrível que fazia a alma de Maekar tremer.

“Diga-me, pai…”

“O que você vê.. quando olha para mim?!”

O grito de Aegon já não parecia o dele próprio.

Era algo completamente diferente..

doce e venenoso ao mesmo tempo.

Duas mãos sombrias emergiram do ar,

segurando Maekar pela cabeça.

A figura à sua frente começou a crescer..

mais alta, mais robusta, monstruosa..

até atingir mais de dois metros de altura.

Antes daquela abominação, Maekar parecia minúsculo.

Incapaz de fazer algo.

De rosto diante da criatura,

ele finalmente compreendeu o que tinha diante de si.

“Pai… oh, Pai,” a criatura zombou.

“Essa expressão em seu rosto… impagável.”

Uma enxurrada de memórias invadiu a mente de Maekar..

flashes de um passado que ele tinha enterrado fundo.

Um passado onde uma entidade apareceu à sua frente,

ensinou-lhe coisas proibidas,

e permitiu que ele conservasse o corpo de um homem pelo qual tinha obsessão.

E agora, neste momento,

Maekar entendeu a verdade.

Que aquela entidade..

sempre esteve ao seu lado.

Era seu filho.

Então veio a risada.

Alta. Tortuosa.

Wesker..

riu.

Acima dele, o céu começou a ficar escarlate.

“Ahh… que prazer.”

Enquanto falava, os olhos, nariz e boca de Maekar explodiram em sangue.

Sua visão foi inundada de vermelho..

consumido pelo olhar daquele terceiro e cegante olho.

Em segundos, Wesker o soltou.

Maekar caiu ao chão, sem vida.

De pé no topo do monte,

ele acabara de matar dois guerreiros de nível SS+ em poucos momentos..

enquanto, lá em baixo, os soldados continuavam a comemorar, alheios ao ocorrido.

Para eles, ele ainda era Aegon.

Mas Aegon Valerion não existia mais.

Algo diferente tinha tomado seu lugar.

Algo indescritível.

“Podemos começar, então?”

Wesker abriu os braços amplamente,

sua forma monstruosa sob o céu vermelho-sangue.

Ele levantou a cabeça, sorrindo.. esperando pelo que viria.

E então..

Frey Starlight desceu sobre ele, com Dark Sister em punho,

com Snow Lionheart ao seu lado, em seu Estado de Guerra Anointed.

Ambos atacaram juntos,

com as faces sombrias, cheias de descrença e fúria…

pois o inimigo que buscavam estava bem atrás deles o tempo todo.

Nesse exato momento..

começou a verdadeira batalha.

E a Guerra das Trevas entrou em um capítulo ainda mais sombrio do que tudo que veio antes.

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