
Capítulo 679
O Ponto de Vista do Vilão
A batalha nas fronteiras de Caelid chegava ao fim.
O Exército Imperial avançava com força assustadora, esmagando quase toda resistência remanescente dos Ultras.
Quando Frey Starlight derrotou V, tudo começou a se mover rapidamente...
tão rápido que parecia que toda a guerra estava desmoronando por dentro.
O Império entrou em frenesi. Seu avanço foi brutal, imparável.
A Guerra das Trevas já durava meses,
e durante esses meses, incontáveis cidadãos Imperiais haviam perecido...
tanto os soldados que marchavam para lutar quanto os inocentes deixados para trás.
Nada seria mais como antes após essa guerra.
Isso era certo.
E por tudo que havia acontecido...
a perda, a dor, o sangue sem fim—
o ódio entre ambos os lados atingiu o seu ápice.
Esse ódio transformou os soldados do Império em seres implacáveis.
Eles massacraram os Ultras sem hesitar,
até mesmo aqueles que lutaram até o último suspiro.
O que começou como uma batalha estruturada logo virou caos.
Em determinado momento, os comandantes perderam completamente o controle.
Os soldados já não seguiam mais ordens...
eles competiam para ver quem podia matar mais.
O campo de batalha virou uma tempestade de sangue e loucura.
No meio do caos, Gavid Lindman foi finalmente derrotado...
derrubado por Sir Alon Valerion e Maekar Valerion, que atacaram juntos.
Seu antigo companheiro Mirgo conseguiu recuar, escapando por um fio da encurralamento;
as tropas imperiais não conseguiram acabar com ele.
Gavid Lindman lutou ferozmente até o fim...
a imagem perfeita de um guerreiro que se recusava a cair,
um soldado que permaneceu firme pela terra que o criou.
Ele drenou seu contrato demoníaco até a última gota,
liberando toda a sua força e habilidade.
Mas, no final, a derrota era inevitável.
Os Imperiais não apenas o derrotaram...
como o capturaram.
Sir Alon havia cortado seu braço com uma lâmina de relâmpago numa estocada rápida que nem a forma espectral de Gavid conseguiu evadir.
A captura de Gavid Lindman foi o segundo golpe nos Ultras,
logo após a queda de V.
A moral das tropas imperiais atingiu o auge.
Foi uma catástrofe para os Ultras.
Em poucos momentos, os soldados imperiais os fizeram recuar ainda mais,
e a batalha, de forma inesperada, invadiu Caelid propriamente dito.
Isso não fazia parte do plano.
Os comandantes do Império não queriam arrastar os civis da cidade para o meio da luta...
mas a fúria da guerra e o ódio ardente dos soldados tornaram impossível conter-se.
Enquanto os Ultras fugiam pelas ruas da cidade,
as tropas imperiais os seguiam implacavelmente...
e começou um massacre.
Sangue jorrava pelas ruas de Caelid.
Cada Ultra que resistia era abatido sem misericórdia.
De longe, Aegon Valerion, o Comandante Supremo, assistia em silêncio.
Esse sorriso perturbador jamais desaparecia de seu rosto.
Ele poderia ter parado tudo a qualquer momento.
O Império já havia vencido...
não havia necessidade de mais sangue.
Mas o príncipe nada disse.
Ele deixou o exército destruir as muralhas da cidade,
espalhando destruição e morte.
Foi um massacre completo...
os Ultras foram trucidados tanto lá fora quanto dentro de sua própria capital.
Nas ruas.
Nas casas.
Em todos os lugares.
No meio daquele pesadelo, Snow Lionheart caminhou adiante,
com passos pesados,
com a maior parte da Classe de Elite ao seu redor.
Aquela formação existia por insistência de Frey...
ele havia ordenado que seus camaradas permanecessem perto dele.
Por causa disso, todos eles viram o que estava acontecendo.
E seus rostos escureceram.
"Já não é mais uma batalha..." disse Seris Moonlight,
olhando para o pântano rubro que encharcava suas botas antes brancas.
"É um massacre."
O Massacre de Caelid.
A cada segundo, a violência ceifava dezenas de vidas.
Enquanto Snow e os outros avançavam lentamente pelo caos,
de repente, perceberam uma figura familiar emergindo da névoa.
Era Frey.
Ele tinha retornado às suas fileiras...
e, naturalmente, ninguém se surpreendeu ao ver que ele estava ileso, dada sua força.
Mas os olhos deles se voltaram para o que ele carregava nos braços.
"Frey… o que você está fazendo?" perguntou Snow, franzindo a testa.
"Por que trouxe ele?"
A reação era compreensível.
A pessoa que Frey carregava não era qualquer uma—
era V, o herói caído dos Ultras,
derrotado e encarnado em seu próprio sangue.
Frey olhou rapidamente para ele antes de se voltar para Snow.
"Consciente de que poderia acabar melhor na minha última investida," disse, com calma.
"Deixei-o vivo."
"E por que faria isso?" perguntou Snow,
com tom severo, e os outros igualmente desconfiados.
"Aquela criatura é uma das mais fortes entre os Ultras," disse Selina, a feiticeira.
"Ele consegue copiar os outros.
Se o deixarmos vivo, ele pode se tornar algo ainda pior."
Frey expirou levemente.
"Sei exatamente do que ele é capaz," respondeu.
"Por isso mesmo escolhi poupá-lo.
Possivelmente, sua habilidade pode ser útil um dia."
Ele deixou V no chão à sua frente.
Aquele jovem guerreiro jazia ali, em péssimo estado, com o corpo destruído e encharcado de sangue...
porém, o que chamava mais atenção eram os fios de aura violeta que serpenteavam pelo corpo dele, como cobras.
"Incorporei minha própria aura nele," disse Frey.
"Entrei em todos os canais de seus órgãos—ele não conseguirá mexer um músculo enquanto eu estiver aqui.
Quero que ele seja preso."
Ele se voltou para Daemon Valerion.
"Deixo isso por sua conta, Daemon."
Daemon franziu a testa diante do pedido repentino, mas logo entendeu por que Frey tinha escolhido ele.
Como membro da nobreza, Daemon tinha autoridade para assegurar a sobrevivência do prisioneiro—
mesmo alguém tão perigoso quanto V.
"Não sei o que você planeja, Starlight," disse ele.
"Mas tudo bem. Pode deixar comigo."
"Obrigado," respondeu Frey simplesmente.
V foi levado embora momentos depois,
deixando apenas os ecos da batalha e o cheiro de sangue no ar.
Frey decidiu poupá-lo,
pois, ao testemunhar o verdadeiro potencial daquela jovem força,
uma força que espelhava a sua de forma assustadora,
ele soube que aquilo poderia mudar tudo algum dia.
Os humanos eram muito mais fracos que os demônios.
E Frey acreditava que um talento tão promissor não deveria ser desperdiçado.
Ele precisaria encontrar uma maneira de fazer V lhe ser leal...
ou, ao menos, torná-lo um aliado.
Isso seria difícil.
Mas agora não era hora de pensar nisso.
A prioridade era a batalha em curso— ou melhor, o massacre.
Caelid caiu.
O Império agora controlava quase noventa por cento da região em tempo recorde,
após a derrota de V e Gavid Lindman.
E durante essa conquista, uma das atrocidades mais sombrias desde o início da guerra se desenrolou.
A cena foi horrenda... de tal forma que, por um momento,
os soldados imperiais não aparentaram diferença dos próprios Ultras,
especialmente as tropas de classificação mais baixa, que viviam na crueldade e na corrupção de suas vidas.
"Esta… é a verdadeira natureza da humanidade."
A voz de Frey era fria enquanto ele segurava a Dark Sister na empunhadura Valerion.
Ele havia preservado a maior parte de sua força na luta contra V;
não precisou se esgotar de forma significativa.
Isso significava que agora ele estava no seu auge, pronto para derrubar o que viesse a surgir.
E Frey tinha quase certeza de que algo surgiria.
"Detesto essa atmosfera… parece pura escuridão."
murmurou Snow, caminhando ao lado de Frey enquanto ambos se aproximavam lentamente dos fundos de Caelid.
Compartilhava do mesmo pressentimento de Frey, ambos percebendo que uma variável decisiva estava prestes a surgir...
só não sabiam como ou de onde.
Os Ultras haviam sido massacrados, e a guerra… ao menos superficialmente… tinha acabado.
No meio do sangue, dos gritos e do horror,
as tropas do Império já começavam a celebrar.
O Império havia triunfado sobre os Ultras.
A dominação corrupta que os atormentou por séculos finalmente caiu,
E essa era motivo suficiente para comemorar.