
Capítulo 668
O Ponto de Vista do Vilão
Sem aviso... sem misericórdia...
A Primeira Cadeira, Crimson, apareceu diante das outras Cadeiras Superiores, atacando-as frontalmente e prometendo um inferno que não experimentavam há eras.
Cada um dos demônios presentes estava entre os seres mais poderosos existentes—verdadeiros guerreiros no auge da hierarquia de poder do mundo. Poucos, se é que havia algum, poderiam se igualar a eles.
Para combatentes desse nível, nenhuma palavra era necessária.
Sem perguntas.
A intenção de matar e a aura ameaçadora que irradiava de Crimson diziam tudo.
Ele levava a sério... tinha a intenção de exterminar todos eles.
E já tinha provado isso ao devastar as Cadeiras Treze a Quinze com um único golpe... uma cena aterrorizante que poucos no cosmos poderiam repetir.
De uma só vez, as Cadeiras Superiores restantes lançaram-se para a batalha, confrontando Crimson com toda força possível.
Por trás, Wesker observava o caos, seu rosto sombreado por uma expressão rara de reprovação.
"Por quê...? Por que Crimson tentaria nos matar a todos?"
Não fazia sentido. Não havia lógica, nem razão.
E o que mais o inquietava... mais do que a loucura de Crimson... era que o Olho do Rei não conseguia prever esse futuro.
Enquanto Agares, Marvas e Zibar enfrentavam-no de frente, Wesker analisava cada movimento, cada onda de poder.
"Algo está bloqueando minha visão... bloqueando o próprio Olho do Rei..."
Uma força que confrontava diretamente uma habilidade capaz de destruir mundos—impossível.
Crimson era aterrorizante, sim. Ele possuía várias habilidades capazes de destruir mundos.
Mas nenhuma delas envolvia manipulação de causalidade.
Ele não poderia, por natureza, obstruir a visão divina de Wesker.
E mesmo assim—Wesker não conseguia ver nada.
O futuro, o destino, tudo além deste ponto estava selado para ele.
Isso só podia significar uma coisa.
Havia apenas um ser capaz de suprimir o Olho do Rei.
"…Impossível."
Sua voz tremeu de descrença.
"Ele está fazendo isso... sob ordens do Rei?"
Só o pensamento já lhe causava arrepios.
Não fazia sentido—mas explicava tudo.
Se Agaroth, o próprio Rei Demônio, havia ordenado a Crimson que os erradicasse, então tudo se encaixava.
Crimson nunca agia por vontade própria.
Ele permanecia ao lado do Rei por séculos... eterno, silencioso, devotado.
Se o Rei Demônio realmente ordenou a exterminação... então a própria mão de Agaroth era quem bloqueava a visão de Wesker.
A compreensão torceu a expressão de Wesker em raiva.
"Mas por que ele faria algo assim?!"
Manipulando as ondas, Wesker levantou a mão...
e os céus de Helmond escureceram, desencadeando uma chuva negra que caiu sobre Crimson, enquanto ele enfim se juntava à batalha.
As outras Cadeiras Superiores também seguiram o exemplo, e assim que todos liberaram seu poder máximo…
Helmond começou a desmoronar.
Crimson era um monstro de verdade. Apenas Agares podia enfrentá-lo de frente, e mesmo assim, não por muito tempo.
Todo o restante das Cadeiras somaram suas forças—cada uma empunhando uma habilidade de destruição de mundo concedida por Agaroth.
Mas mesmo assim, a Armadura de Sangue de Crimson permanecia intocável... um artefato de poder antigo que absorvia todos os ataques, transformando o dano recebido em força ofensiva pura. Era imune tanto à magia quanto à manipulação de ondas, tornando a maior parte de seus ataques inúteis.
Isso mudou quando Izalith interveio.
Canalizando o Espírito de Sangue que carregava dentro de si, a Rainha de Sangue sorriu suavemente.
"A Armadura de Sangue, Crimson... não se esqueça—ela corresponde ao seu nome.
Contanto que haja sangue—eu tenho vantagem."
Por comando dela, a defesa absoluta da Armadura de Sangue começou a vacilar.
Enquanto isso, a arma de Crimson... o Matador de Reis... era tanto lança quanto espada, dependendo de como ele a manejava.
Permitia que lutasse em todas as distâncias—e sua habilidade assustadora era o poder de cortar a própria aura.
Cada golpe atingia fisicamente e espiritualmente.
Cada golpe do Matador de Reis descia uma grande porção da energia dos inimigos—causando feridas espirituais que não poderiam ser bloqueadas ou curadas.
Para compensar isso, Yosefka, a Canibala, juntou-se às linhas de frente, apoiando Agares e os outros.
Graças ao Espírito Demoníaco concedido por Agaroth, a alma distorcida de Yosefka não podia ser cortada pelo Matador de Reis.
Sua essência deformada tornava a arma de Crimson ineficaz, amortecendo seu ataque mais devastador.
Por meio de sua coordenação... a força combinada de duas das Dez... conseguiram suprimir suas armas mais poderosas.
E ainda assim... Crimson tinha a vantagem.
Sua aura—igual à do Rei Demônio... os sobrepujava.
Suas técnicas eram infinitas, cada uma mais monstruosa que a anterior.
A aura vermelha que girava ao seu redor parecia ter surgido direto do inferno.
Para resistir, era preciso as Sombras Quebradoras do Mundo de Vain, o Controle de Ondas de Wesker e o Espírito Sombrio de Marvas—todos combinados em perfeita harmonia—
enquanto Agares e Zibar o pressionavam fisicamente, golpe após golpe.
Finalmente, Nito, o Nono, liberou seu Espírito de Luz, um elemento inerentemente letal para demônios.
Seus ataques penetraram as defesas de Crimson implacavelmente.
Com sua armadura neutralizada, Crimson foi atingido repetidamente, seu corpo destruído sob o ataque conjunto.
O confronto só ficou mais feroz a cada segundo.
Mesmo com as Cadeiras Superiores conquistando vantagem, a diferença era mínima.
Crimson... sozinho mantinha-se no mesmo ritmo que todos eles.
E essa percepção os congelou por dentro.
Ele era realmente o auge.
Sempre disseram: Crimson nasceu para ser o próximo Rei Demônio.
Seu potencial desafiava a própria natureza.
Somente Agaroth tinha superado ele.
E agora, Crimson tinha crescido muito além do que qualquer um imaginava... seu poder adentrando o reino das próprias Grandes Seres...
o mesmo plano alcançado antes por Agaroth e pela entidade conhecida como Sem Nome, que Crimson enfrentara há eras.
Essa era a força da Primeira Cadeira.
Ninguém entendia por que ele havia lançado esse ataque catastrófico.
Mas mesmo enquanto seu mundo desmoronava ao redor…
as Cadeiras Superiores não sentiam ódio... mas respeito.
Medo.
Respeito.
Reverência.
Queriam respostas... mas a sobrevivência vinha em primeiro lugar.
E assim, lutaram com tudo o que tinham.
No final, sua força combinada prevaleceu.
As Sombras de Vain rastejaram pela pele de Crimson, os punhos de Agares destruíram sua armadura, e feridas rasgaram seu corpo.
Com sangue, ainda rindo, Crimson ficou até o último instante...
até que as Cadeiras Superiores desencadearam um golpe final, unido, que o enterraram fundo na terra negra de Helmond...
Uma explosão tão imensa que sacudiu todo o planeta até seu núcleo.
Todos pairaram na borda de uma imensa cratera... a cicatriz deixada pelo seu último e desesperado ataque.
Olhando em suas profundezas, refletiram.
Este... era o túmulo da Primeira Cadeira, Crimson.
Ninguém... por mais forte que fosse... poderia resistir a todos eles ao mesmo tempo.
Lutar contra tantas entidades de destruição de mundos era loucura pura.
Foi assim que acreditaram... até perceberem o quanto estavam completamente equivocados.
Do vazio abaixo, uma força sinistra começou a subir, espessa e sufocante.
Um fenômeno estranho se desenrolou... algo que encheu até as Cadeiras Superiores de pavor.
Acima deles, uma enorme lua vermelha surgiu das trevas, descendo cada vez mais perto até que seu brilho rubro os engoliu inteiros.
O céu virou escarlate, e uma aura anormal se espalhou pelo ar.
Naquele instante, muitos entenderam o que estavam testemunhando.
"Isto é..." Wesker sussurrou, os olhos arregalados.
Uma técnica criada por Crimson, que impressionou até o próprio Rei Demônio.
"O Domínio Vermelho."
Wesker pronunciou o nome—e das profundezas do inferno, uma voz respondeu.
"Exatamente..."
De dentro da cratera de destruição, Crimson emergiu mais uma vez—ileso, intocado, renascido no coração da ruína.
Mas ele não era mais o mesmo.
Toda habilidade que as Cadeiras tinham lutado tanto para suprimir... havia sido completamente reativa.
Percebendo isso, eles atacaram imediatamente—mas desta vez, era inútil.
Crimson brincou com eles, desmontando suas defesas e destruindo-os um a um.
"Agora vocês estão dentro do meu Domínio Vermelho," Crimson declarou, sua voz ecoando em suas mentes como o sussurro da morte.
"Tenho certeza de que todos entendem o que isso significa."
No Domínio Vermelho, ele era Deus.
"Aqui, posso anular a inevitabilidade de qualquer poder contra mim," Crimson continuou, com tom calmo mas absoluto.
"E eu controlo a aura deste espaço—tudo dentro do meu domínio me pertence."
O Domínio Vermelho—Agaroth chegou a chamá-lo de a habilidade defensiva mais poderosa que já viu.
Ele podia repelir qualquer coisa, até um ataque com toda a força do Rei Demônio.
Isso é o que fazia Crimson realmente intocável.
Ele os trouxe todos para seu mundo—um reino onde toda habilidade de destruição de mundo que possuíam se tornava inútil.
E se isso significava algo, era isto:
O poder de Crimson superou até mesmo os dons que receberam de Agaroth.
Agora, totalmente invencível, com todas suas armas e habilidades restauradas à perfeição...
o campo de batalha mais uma vez mudou.
E o que veio depois... foi o inferno.
Crimson os dominou por completo, reduzindo as Cadeiras Superiores... outrora o ápice do demônio... a presas.
O momento em que perceberam o quão desesperada tinha ficado a situação... foi quando Crimson destruiu Zibar, aniquilando inteiramente a Décima Cadeira.
Zibar foi o primeiro a cair.
Depois, os demais seguiram... um a um.
Eles lutaram com desespero, fúria, orgulho... mas não adiantou.
A Primeira Cadeira ascendeu ao nível do próprio Rei Demônio Agaroth... e da antiga entidade Sem Nome, que Crimson enfrentou há eras.
Contra uma presença assim...
contra um poder desse nível...
eles nunca tiveram chance.
Um após outro, eles caíram, até sobrara apenas Agares, Wesker e Marvas.
Agares resistiu com pura resistência.
Marvas sobreviveu sob a Armadura de Morgul.
E Wesker escapou da destruição manipulando as ondas em si.
Crimson riu com aprovação.
"Batalha bem travada, meus irmãos... mas agora—
vamos acabar com isso."
Levando sua lança, o Matador de Reis, o próprio ar começou a tremer.
A lua vermelha acima aumentou de tamanho... impossível—
e então explodiu.
Um espetáculo além da imaginação.
A lua gigante vermelha se desfez em nuvens de poeira estelar carmesim que se dirigiram para Crimson,
reunindo, girando, condensando na lança em sua mão.
Essa era a técnica suprema do Domínio Vermelho...
toda a sua realidade se converteu em um único e final golpe.
Um golpe capaz de apagar qualquer coisa.
Diante desse poder, Agares, Wesker e Marvas não tiveram chance.
Crimson liberou o ataque...
e em um instante, a explosão os consumiu,
apagando quilômetros e mais quilômetros da superfície de Helmond
e marcando o fim das Dez Cadeiras Superiores.
Exceto uma.
Descendo lentamente entre a ruína catastrófica,
Crimson aterrissou na terra queimada—vitorioso, soberano, supremo.
Mas então—
Clap.
Um som estranho ecoou pelo silêncio.
Aplaudidos.
Uma voz surgiu do vazio, suave e amuseda.
"Performance magnífica."
A expressão de Crimson mudou.
Sem hesitar, a Primeira Cadeira ajoelhou-se—curvando-se em reverência e devoção à entidade que havia falado.
O pesadelo tinha chegado ao seu verdadeiro fim...
e o segredo por trás de tudo
estava nas mãos do monstro que acabara de aparecer.