O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 661

O Ponto de Vista do Vilão

A Batalha da Floresta Louca

Esse seria o nome dado ... o confronto em que Frey e Snow enfrentaram os Ultrass.

A "Floresta Louca" era conhecida assim porque era onde a Rainha Sangue, Evelyn, passava a maior parte do tempo e realizava suas experiências mais repugnantes. Humanos deformados eram frequentemente vistos vagando por aquela floresta. Mais estranho ainda, ela ficava dentro de uma das maiores cidades de Sangue Alto... Shizklar.

Os Ultras haviam preparado uma armadilha meticulosa para atrair Frey ... e acabar com Snow junto com ele de uma só vez.

Os campeões do Império, seus cavaleiros... o Cavaleiro Negro e o Cavaleiro Branco... se viraram completamente cercados pela força total dos Ultras. Ninguém conseguia entender como aquela força tinha se acumulado tão rapidamente, nem o que tinha acontecido nos outros frontes da guerra. Já não importava mais. Frey e Snow foram obrigados a lutar mais uma vez.

Ambos alcançaram um nível que desafiava a compreensão dos Ultras, mas, infelizmente para eles, nenhum podia lutar com toda sua potência. Snow ainda estava exausto da batalha contra os campeões de Geppetto e das restrições de Evelyn. Frey Starlight, também, ainda não tinha recarregado totalmente sua aura após a luta contra Zibar... e pior, ele havia compartilhado parte dela com Snow para que o rapaz pudesse se manter de pé e lutar.

Com a aura escassa e os corpos exaustos, nenhum deles conseguia liberar tudo o que tinha.

Frey não podia usar Ascensão Sombria, que exigia reservatório completo de aura, e podia disparar Julgamento Sem Nome só uma vez. Quanto a Snow, entrar na Forma de Guerra do Ungido era impossível. A batalha se tornaria brutal.

Era a única chance dos Ultras matarem ambos antes que fosse tarde demais.

E assim a batalha começou... o próprio inferno.

As baterias de feitiços nunca pararam; o céu ficou coberto por milhares de projéteis, choveram acima de suas cabeças. Gavid Lindemann e Mergo avançaram de uma só vez, V com eles — e até Belith, o demônio classificado em 18º lugar, se moveu para participar do ataque.

A bruxa Beatrice também estava presente, e ela preparou o campo com milhares de encantamentos pré-definidos, tornando-se a oponente mais perigosa naquela luta.

Em um certo momento, durante a luta, de costas um para o outro, Frey e Snow já não sabiam ao certo o que enfrentavam. Eles simplesmente cortavam qualquer coisa que chegasse perto.

Mesmo sem usar toda sua força, ainda tinham o suficiente para esmagar o que estivesse diante deles... especialmente Frey, após fundir a Dark Sister com Balerion e empunhar a Aura do Buraco Negro, que tornava seus golpes muito mais mortais do que antes.

No calor da batalha, ele se confrontou com V face a face.

O imitador dos Ultras havia assumido a forma de Frey, tentando copiá-lo: Espada Luz da Lua em uma mão, uma espada de duas mãos na outra, com as formas de Dez Mil Passos de Sombra entrelaçadas.

Ao ver aquilo, Frey só conseguiu rir.

"Tentando me copiar? Desculpe... mas sua construção está meio ultrapassada."

Usando uma enxurrada de aura do Buraco Negro, Frey lançou um golpe colossal que engoliu V inteiro e o lançou para longe com facilidade.

"Gostaria de um duelo de verdade, imitador... mas você trouxe amigos demais."

Em maior número, Frey não podia perder tempo com um inimigo só. Ele e Snow avançaram juntos, abrindo caminho e tentando romper a rede dos Ultras.

À medida que o tempo passava, minutos se transformando em horas, ambos receberam ferimentos. Contudo, a regeneração de Frey e a vitalidade sagrada de Snow os mantinham em pé.

A maior ameaça era a matriz de feitiços de Beatrice, que surgia de todos os lados como se ela tivesse previsto cada tentativa de fuga. Pior ainda, ela permanecia bastante recuada, impossibilitando Frey de destruí-la com Anti-Magia.

De um para um, nenhum dos Ultras presentes conseguia igualar Frey ou Snow agora. Mas, ao aumentar a pressão e reforçar suas armadilhas, começaram a desgastar os dois.

O tempo ficou turvo... segundos, minutos, horas... enquanto os dois eram caçados por uma cidade de Sangue Alto infestada de inimigos.

Maioria dos Ultras se lançava ao massacre com resolução fanática. O que realmente mudou a sensação do campo de batalha, no entanto, foi a hesitação que emanava de alguns deles... especialmente de Beatrice, que, apesar de lançar milhares de feitiços, não tinha intenção de matar.

A outra hesitação inesperada veio de Mergo, o espadachim. Guerreiros como ele podiam transmitir seus sentimentos através de suas lâminas. De V, Frey sentiu inveja e rancor. De Gavid... fúria ardente e ódio. Mas, da enorme Ushigatana de Mergo, veio apenas uma coisa:

Curiosidade.

Sua certeza se aprofundou no instante em que suas lâminas se cruzaram e Mergo se inclinou, sussurrando algo ao ouvido dele... rápido demais para que qualquer outro pudesse captar. Frey o expulsou com um golpe severo e seguiu com Snow, mas manteve um olho atento ao velho senhor, refletindo sobre as palavras.

Os Ultras eram estranhos.

Eram humanos também... humanos que trocaram sua humanidade e se venderam aos demônios. Ainda assim, não era correto julgá-los todos da mesma forma. Muitos nunca tiveram escolha, obrigados a suportar os pecados de seus antepassados.

Frey sabia dessa verdade há bastante tempo, mas não se importava muito.

O que era justo, em um lugar como aquele, era buscar um caminho... e salvar o que ainda pudesse ser salvo.

Esse seria o verdadeiro papel de um herói — mas Frey nunca se viu assim.

Ele entrou nesta guerra com a intenção de exterminá-los, de pôr fim às suas vidas.

S

im, eles não eram responsáveis pelos pecados de seus antepassados, e muitos foram colocados nesse caminho há tempos. Mas tratava-se de uma guerra, e na guerra todos têm suas razões. Enquanto eles ficarem em seu caminho e tentarem matá-lo, Frey nunca hesitaria em cortá-los sem pestanejar.

Mesmo que fossem homens de bem, mesmo que fossem pais e filhos... esse é, e sempre foi, o princípio pelo qual Frey vive.

Ele queria matar todos eles, mas, ao que parecia, os Ultras não compartilhavam completamente desse sentimento. A maioria tentava matar os dois, preparando uma armadilha mortal... mas outros nem pareciam estar levando a sério.

Por causa disso, Frey e Snow conseguiram abrir caminho com força e se libertar do cerco após horas de luta sem parar. A perseguição continuou por um tempo, os Ultras atrás deles... até que, enfim, a caçada se perdeu, pois o par se aproximou demais dos aliados que Frey havia deixado para trás mais cedo.

Depois de horas correndo, chegaram a um lugar suficientemente afastado para recuperar fôlego. Ambos estavam exaustos, mas além disso, nenhum deles tinha ferimentos dignos de nota.

Enquanto respiravam fundo, Snow Lionheart foi o primeiro a falar.

"O que exatamente aconteceu agora?"

Frey balançou a cabeça. "Não sei. Dado todo o preparo que fizeram, pensei que fosse muito mais mortal. Mas..."

Apesar de estarem cercados, ambos nunca sentiram que estavam realmente numa luta de vida ou morte.

"Parecia mais uma peça teatral, não uma batalha de vida ou morte," disse Snow, e Frey concordou.

"Os Ultras estão agindo de maneira estranha. Pelo que vejo, eles já perderam a guerra. Não têm mais nada para colocar em campo."

Frey estava certo, e Snow assentiu.

"Os demônios são o verdadeiro inimigo agora... a ameaça maior."

"Os demônios sempre foram o inimigo... desde o início," respondeu Frey, ajustando uma alça de sua armadura. "Só começamos a reconhecer a presença deles recentemente. São fortes demais, e poucos humanos conseguem enfrentá-los."

Snow concordou, e Frey fez a pergunta que vinha o incomodando há algum tempo.

"Com a sua força agora, é difícil imaginar que você possa perder. Seu oponente era um Rank Treze?"

Snow ficou surpreso por Frey saber que era Geppetto, mas deixou passar. "Exatamente. Encontrei com ele a caminho de te encontrar. Mas não perdi para ele... eu perdi para algo muito pior."

A expressão de Frey se tornou dura. "Mais forte que um demônio de Rank Treze? Isso existe?"

"Sim. Um monstro de verdade. Parecia subordinado do Geppetto, mas era muito mais forte... forte o suficiente para me vencer rapidamente, mesmo após acionar meu estado mais forte."

Snow lembrou-se do homem. "Os golpes dele eram rápidos e pesados na brutalidade. O controle de aura dele era perfeito... de um jeito que eu nunca tinha visto. E ele com certeza não é um demônio."

"Então, um dos soldados de Geppetto," disse Frey, ficando pensativo...

uma "soldado" mais forte que o próprio Geppetto?

"Isso existe mesmo?"

Com todas as informações que reunira, Frey não conseguia se lembrar de nada semelhante. Geppetto comandava vários lutadores classe SSS... mas todos eram mais fracos do que ele. Para um deles superá-lo... e, pelo relato de Snow, por uma boa margem, era uma notícia ruim.

"Quão forte ele é exatamente?" pressionou Frey.

A resposta de Snow foi preocupante. "Precisamos lutar contra ele juntos... ao mesmo tempo... se quiseremos chance."

Aquilo pesou no ar. Só por aquela resposta, o homem de quem Snow falou era, no mínimo, mais forte que o clone de Zibar com metade do poder que Frey enfrentou... e isso não era uma boa notícia.

Com um suspiro irritado, Frey olhou para o céu, escurecendo a cada momento, com a lua partida prominentemente visível acima das cabeças, e resolveu deixar isso de lado por enquanto.

"Por enquanto... vamos acabar com os Ultras de uma vez por todas."

Depois de lidar com eles, poderiam se concentrar totalmente nos demônios e no resto.

"Vamos lá," disse Frey, e Snow franziu a testa.

"Para onde?" ele perguntou, pois a direção que Frey escolheu não era em direção aos seus companheiros, mas exatamente ao contrário.

"Há alguém que precisamos encontrar. Ele chamou minha atenção."

Frey contou a Snow sobre o velho bêbado estranho que se aproximou na confusão e sussurrou um local para se encontrarem. Foi nesse momento que Frey percebeu que os Ultras não estavam tentando matar todos... que suas vidas nunca estiveram realmente em risco.

Lord Mergo... meio demônio, meio humano, completamente peculiar.

Encontrá-lo decidiria o destino dos Ultras.

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