O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 614

O Ponto de Vista do Vilão

O Rei Ghoul foi subjulgado e derrotado após cair nas armadilhas de um demônio vil chamado Wesker.

Rhenis sofreu uma perda amarga ao se deparar com uma demônio que empunhava sombras, além de uma bruxa cujas habilidades rivalizavam as dela.

Quanto a Kalman, o Primeiro, morreu de maneira miserável, sendo esmagado por Crimson — a Lua Vermelha — cuja força crescia a um ritmo que rivalizava com o do Vaso Puro, crescimento que mais tarde o tornaria o Primeiro Assento.

As raças foram perdendo terreno aos poucos… mas a esperança permanecia… esperança depositada na sua mais forte: o Vaso Puro.

Ele enfrentou o Rei Demônio de frente — e que batalha foi essa.

Um confronto verdadeiro de luz e trevas — uma colisão cujas reverberações foram sentidas pelo mundo afora.

O Vaso Puro colocou tudo de si na luta:

Toda sua potencialidade. Todo seu poder.

Seu corpo perfeito, artes marciais perfeitas, rapidez sobrenatural, mente aguçada — e sua imensa Alma de Luz.

Um poder capaz de romper o mundo, a arma mais forte contra os demônios — capaz de ferir até Agaroth mesmo. Nada no cosmos é mais oposto a demônios.

E ainda assim, apesar de tudo... apesar de cada corte, cada golpe... a risada de Agaroth nunca cessou.

O Rei Demônio enfrentou o Vaso Puro de igual para igual, suportando tudo o que ele lançou com um sorriso aterrador que nunca desapareceu de seu rosto, do primeiro ao último momento. Ele não era um demônio comum.

Ele era diferente — completamente diferente dos demais da sua espécie.

Usou inúmeras habilidades — muitas delas poderes capazes de destruir mundos, que demônios não deveriam possuir. Durante toda a batalha, ele foi mudando de forma, lutando com estilos variados, cercando o Vaso Puro por todos os lados.

Em certo ponto, a luz do Vaso Puro começou a enfraquecer. Dentro da escuridão de Agaroth — como um buraco negro — ele virou pouco mais que uma faísca lutando por sobrevivência.

A Alma de Luz era poderosa — suficiente para que ele desse golpes graves ao Rei Demônio. Isso, ele tinha certeza.

Porém, essas feridas só tornaram Agaroth mais monstruoso, mais selvagem.

Em vez de diminuir, seu poder aumentou — como se estivesse evoluindo no meio da batalha — um animal sem limites.

Pensamentos cruzaram a mente do Vaso Puro enquanto seu sangue escorria, seus músculos ardiam, e a Alma de Luz pulsava dentro dele. Ele tentou virar o jogo, superar seus limites e matar o demônio amaldito à sua frente.

O dourado de seus olhos foi escurecendo pouco a pouco, sob o olhar dos olhos vermelhos de Agaroth.

Todos os seus povos depositaram suas esperanças nele… na verdade, o mundo inteiro acompanhava aquela batalha de longe, contando com ele. Seu inimigo era o mais forte de todos; se conseguisse derrotar esse, ninguém mais ameaçaria ou roubaria sua liberdade.

Se vencesse, tudo ficaria bem… os dias tranquilos que passou no Vale do Fim retornariam, longe do caos que rugia lá fora.

Tudo ficaria bem… se Agaroth caísse.

Derrotar Agaroth…

Quem era Agaroth?

O Vaso Puro se perguntava, mesmo enquanto lutava com o demônio que continuava rindo, saboreando cada troca de golpes.

Uma fera aterrorizante que encarnava toda a escuridão do cosmos.

"Será que derrotar esse monstro… é até mesmo possível?"

A sensação ominosa no coração do Vaso Puro aumentava, e em determinado momento só restava o desespero.

Desespero absoluto diante de um inimigo selvagem cuja força não conhecia limites — uma besta cujas feridas não tinham efeito, que nunca parava, não importando o quanto fosse ferido.

Então, no auge daquele desespero, Agaroth forjou uma lâmina de uma escuridão estranha — fundindo duas habilidades capazes de destruir mundos em uma só, formando uma estranha espada de sombra misturada com fogo negro.

Sombra do Rei + Alma Sombria.

Foi a primeira vez que o Vaso Puro viu alguém fundir dois poderes capazes de destruir mundos. Agaroth o fez como se fosse algo trivial e, desde esse momento, a batalha já tinha acabado.

Após uma luta amarga e um confronto retumbante, o mundo inteiro soltou um suspiro; rostos ficaram pálidos e as esperanças desabaram… quando a lâmina de Agaroth partiu o corpo do Vaso Puro ao meio.

O maior e mais forte portador de luz — derrubado diante do olhar do mundo — foi dividido verticalmente por um golpe final de Agaroth.

Naquele instante decisivo, a Alma de Luz brilhou ao máximo, lutando por todos os meios para salvar o Vaso Puro. Ela flamejou de dentro de seu corpo, inundando-o com radiança e tentando reconstruí-lo.

Mas, naquele mesmo momento, Agaroth colocou a mão no peito do Vaso Puro e interrompeu completamente o processo.

Da mão do Rei Demônio, uma escuridão terrível se espalhou, inundando o corpo do Puro. Essa escuridão se contorceu ao redor da Alma de Luz, que tentou resistir, rasgando-a. Mas, diante daquele abismo sem fundo, era apenas uma questão de tempo.

Então, Agaroth rasgou a Alma de Luz do corpo do Vaso Puro de forma selvagem e a devorou diante dos olhos de todos que testemunharam aquele momento trágico.

"O monstro que devora tudo."

Esse foi o título que Agaroth ganhou, e não sem razão: o poder central do Rei Demônio era devorar outros poderes e torná-los seus. Seu corpo estranho resistia a habilidades capazes de destruir mundos, não importando quantas...

Até mesmo aquelas que eram seu oposto direto, como a Alma de Luz. Embora devessem ter aniquilado seu corpo, ele conseguiu absorvê-la e dominá-la… uma façanha sem precedentes na história registrada.

Um monstro que pode devorar qualquer coisa, cuja força não conhece limites — esse era o Rei Demônio que o Vaso Puro tinha que enfrentar. E diante de uma criatura assim, ele perdeu… miseravelmente.

Mesmo dividido ao meio, tentou se regenerar e segurou a vida até o último instante, o que levou Agaroth a mirar um golpe final para acabar com ele de uma vez por todas.

Mas, naquele momento, uma coluna de luz surgiu do nada e engoliu Agaroth num instante. O Rei Demônio lutou contra essa luz… que carregava a mesma maldição que a Alma de Luz do Vaso Puro… seu efeito sobre ele era desastroso. Quem a lançou foi ninguém menos que Audrey, finalmente chegando.

Com sua espada, ela varreu o peito de Agaroth com toda a força que pôde reunir e atingiu a Alma de Luz que ele tentava absorver. Poderes colidiram. A tentativa de Audrey de recuperar a Alma de Luz fez com que ela também se despedaçasse — dividida limpidamente ao meio — antes que ela e Agaroth recuassem, suas Auras explodindo para fora.

No final, uma metade da Alma de Luz permaneceu com o Rei Demônio, enquanto a outra foi com Audrey.

Ela imediatamente devolveu essa metade ao corpo do Vaso Puro na esperança de salvá-lo — mas pouco pôde fazer diante do Rei Demônio diante dela. Ela veio porque não suportava ver o Vaso Puro morrer como Orsted antes dele, e chegou ao limite da guerra — quase a tempo.

Parecia que a história se repetia: no passado, não conseguiu salvar Orsted de Crimson, e agora novamente chegou tarde demais — o Vaso Puro tinha sido completamente derrotado pelo Rei Demônio. Ela veio com a intenção de pegar o Vaso Puro e fugir imediatamente, certa de que Agaroth era muito mais forte do que imaginava — tão forte que a encheu de desespero.

Mas tudo mudou no momento em que viu seu poder com seus próprios olhos…

O poder de devorar tudo.

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